Questões de Concurso
Comentadas sobre história geral em história
Foram encontradas 10.530 questões
Todo um trabalho de decifração se impõe a partir de indícios frágeis. Escrutinando os ex-votos, o pesquisador medirá pacientemente a superfície, respectivamente do espaço celeste de aparição e da cena terrestre; analisará, também, o gestual e o jogo dos olhares pelo qual se estabelece a ligação entre os dois universos. Analisando as representações do purgatório em sua evolução, sublinhará as mutações características de um panteão de intercessores que, paulatinamente, vai se despovoando do século XVII ao século XVIII.
Adaptado de VOVELLE, Michel. Ideologias e mentalidades. São Paulo: Brasiliense, 1987, p.42.
Com base no trecho, assinale a opção que identifica corretamente a corrente da Nova História a que ele se refere.
Cortar o tempo em períodos é necessário para a história, seja ela entendida como o estudo da evolução das sociedades, como um tipo particular de saber e ensino, ou mesmo como a simples passagem do tempo. No entanto, esse recorte não é um mero fato cronológico, mas também expressa a ideia de transição, de mudança e até de contradição em relação à sociedade e aos valores do período precedente. Os períodos têm, portanto, um significado particular em sua própria sucessão, na continuidade temporal ou nas rupturas que tal sucessão evoca, e constituem um objeto fundamental de reflexão para o historiador.
Adaptado de LE GOFF, Jacques. ¿Realmente es necesario cortar la historia en rebanadas? México: Fondo de Cultura Económica, 2016, pp. 11-12.
Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação do autor sobre a periodização na história.
O predomínio espiritual da tradição greco-latina no Ocidente medieval fez com que se continuasse a associar, ao longo de todo o período, os livros e a língua latina ao poder e às elites sociais. A atitude da maior parte dos governantes medievais alfabetizados em relação ao livro e às bibliotecas foi reverencial e, em alguns casos, quase “totêmica”. As bibliotecas dos reis da Antiguidade Tardia seguiram um modelo episcopal-monástico, uma vez que o modelo tardo romano de biblioteca palatina semipública ou pública havia caído no esquecimento. Contudo, a maior parte das bibliotecas dos reis da época feudal se enquadra melhor no modelo de biblioteca senhorial do que no de biblioteca monástica ou palatina ou “de Estado”. O chamado renascimento do século XII começaria a alterar essa dinâmica, quando os príncipes do Ocidente latino passariam a se tornar reis clericalizados, possuidores de bibliotecas cada vez maiores.
Adaptado de RODRÍGUEZ DE LA PEÑA, Alejandro. “Los reyes bibliófilos: bibliotecas, cultura escrita y poder en el Occidente medieval”, En la España Medieval, n.º 33, 2010, p. 9.
Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente aspectos da organização das bibliotecas no Ocidental medieval.
Os mongóis não entravam na categoria de quase humanos, de monstros que a cartografia medieval distribuía pelos confins da Ásia, nem se encaixavam nas categorias conhecidas pelos europeus, baseadas na divisão bíblica do gênero humano. Assim, foram classificados de diferentes formas: como flagelos de Deus, como um castigo pelos pecados, como demônios ou bestas. Segundo relatos às vezes contraditórios, seus costumes eram brutais, ladravam como cães e tinham o rosto plano como os macacos. Comiam carne crua e bebiam sangue, isso era verdade, visto que os habitantes da estepe, que não tinham vegetais ao seu alcance, deviam ingerir sangue fresco para obter a dose de aminoácidos para a saúde. Foram acusados inclusive de canibalismo. Mas essa acusação era falsa. Fontes chinesas, tibetanas, mongóis, armênias e georgianas também evidenciam a repulsa em relação aos mongóis, mas não lhes atribuem esse comportamento em particular. Tais acusações não são fruto da observação, mas das leituras, das elucubrações e do medo.
Adaptado de FERNÁNDEZ-ARMESTO, Felipe. Os conquistadores do horizonte: uma história global da exploração. Barcelona: Ariel, 2012.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir acerca das representações europeias sobre os mongóis no período medieval.
I. As classificações dos mongóis feitas pelos europeus revelaram os limites do repertório mental e narrativo disponível para descrever práticas distintas das conhecidas, configurando um desafio conceitual.
II. As descrições europeias dos mongóis foram influenciadas por referenciais religiosos e imaginários, que os associavam a punições divinas e a figuras monstruosas, evidenciando a mediação cultural na construção dessas imagens.
III. A representação europeia dos mongóis como incivilizados, associada ao canibalismo, baseou-se em observações diretas e foi reforçada por fontes extra europeias, legitimando sua escravização pelos europeus.
Está correto o que se afirma em
Tal é o segredo da pedagogia homérica: o exemplo heroico. Homero foi o educador da Grécia: oferece constantemente ao espírito de seu discípulo modelos idealizados de virtude heroica e põe em evidência a realidade dessa recompensa suprema que é a glória.
Adaptado de MARROU, Henri-Irénée. Historia de la educación en la Antigüedad. Madrid: Akal, 1985, p. 31.
Assinale a opção que apresenta corretamente o papel das epopeias homéricas na educação e formação ética na Grécia Antiga.
I. As pinturas rupestres eram produzidas com pigmentos naturais, como sangue, carvão e argila, extraídos do próprio ambiente dos grupos pré-históricos.
II. O sítio arqueológico da Serra da Capivara, localizado no Piauí, é um importante exemplo de arte rupestre encontrada no território brasileiro.
III. Como o ser humano desenvolve a agricultura, domestica os animais e passa a ser sedentário, a produção estética do período paleolítico torna-se mais esquemática e simbólica, retratando também temas relacionados ao cotidiano.
IV. A arte pré-histórica desenvolveu-se no continente europeu, não havendo registros de pinturas rupestres ou outras manifestações artísticas em outros continentes.
I. A política externa dos Estados Unidos, formulada a partir da Doutrina Truman, orientou-se pela contenção do socialismo, combinando liberalismo econômico, alianças militares e instrumentos de cooperação econômica para ampliar sua influência global.
II. A União Soviética organizou um bloco político-econômico alternativo ao capitalismo ocidental, baseado na economia planificada, no partido único e em mecanismos de integração como o COMECON, articulando sua influência sobretudo no Leste Europeu.
III. A constituição da OTAN e, posteriormente, do Pacto de Varsóvia institucionalizou a bipolaridade militar da Guerra Fria, criando sistemas de defesa coletiva que reforçaram a lógica da dissuasão e do equilíbrio estratégico entre os blocos.
IV. A atuação de organismos de inteligência, como a KGB soviética e suas contrapartes ocidentais, foi central na Guerra Fria, envolvendo espionagem, contraespionagem e operações indiretas que ampliaram o conflito para além do campo militar convencional.
V. A Crise dos Mísseis de Cuba evidenciou não apenas o risco de guerra nuclear, mas também os limites da dissuasão armada, pois revelou a incapacidade das superpotências de administrar exclusivamente por meios militares suas rivalidades, levando à intensificação de canais diplomáticos e a mecanismos de controle indireto do conflito, sem ruptura do sistema bipolar.
Assinale a alternativa CORRETA.
Leia o texto.
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu. (...)”
(Fernando Pessoa, Mensagem)
Os versos, pertencentes à obra Mensagem, mobilizam imagens simbólicas associadas às navegações portuguesas e à construção de uma memória histórica do passado nacional.
Considerando a relação entre literatura, História e identidade na interpretação desse poema, assinale a alternativa INCORRETA.
Leia o trecho a seguir:
“A data do ano mil e a célebre frase do monge Raul Glaber sobre a veste branca da Igreja com a qual se enfeita a cristandade assumem para muitos o valor de um símbolo: o de um reflorescimento após tempos difíceis e conturbados. De fato, as primeiras décadas do século XI veem a afirmação de um amplo movimento, desigual e mais ou menos precoce certamente, que afeta todas as regiões do Ocidente e lhes dá, às custas de esforços obstinados empreendidos, em seguida, durante séculos, um novo equilíbrio econômico e humano.”
(Jacques Heers, História Medieval)
Considerando o contexto de transformações do Ocidente europeu a partir do século XI e suas relações com o movimento das Cruzadas, assinale a alternativa CORRETA.
“Na sociedade feudal, o vínculo humano característico foi o elo entre subordinado e o chefe mais próximo. (…) A própria terra só parecia ser uma riqueza tão preciosa por permitir obter ‘homens’ remunerando-os.”
(Marc Bloch, A Sociedade Feudal)
A partir do texto e dos conhecimentos sobre a sociedade feudal europeia, assinale a alternativa que melhor expressa a lógica das relações sociais e políticas do Feudalismo.
“A Arábia, durante anos, viveu à margem do mundo antigo. A rapidez vertiginosa das conquistas não impediu a fraqueza relativa dos espaços ocupados. Demasiadamente extenso, o império árabe cedo se esfacelou, mas deixou as marcas da fé.”
LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval.
O excerto remete à formação do mundo islâmico e à singularidade de sua expansão durante a Idade Média. Considerando o objetivo central da pregação de Maomé no século VII e os processos históricos que explicam a expansão do Islã na Península Ibérica e na Europa medieval, assinale a alternativa CORRETA.
Sobre a relação entre esse contexto de crise e o referido édito, assinale a alternativa CORRETA.
No mundo contemporâneo, a República consolidou-se como forma predominante de organização política, frequentemente associada à soberania popular, à cidadania e à legalidade constitucional. No entanto, a noção de república, ao longo da história, assumiu significados distintos, que não podem ser compreendidos de maneira linear ou teleológica. Considerando a reflexão filosófica de Platão em A República, a experiência histórica da República Romana — em especial as tensões sociais entre patrícios e plebeus e a promulgação da Lei Hortênsia —, bem como os princípios do republicanismo moderno discutidos por autores como Norberto Bobbio, Hannah Arendt e Quentin Skinner, analise as afirmações a seguir.
I. A obra A República, de Platão, embora utilize o termo "república" em sua tradição moderna de tradução, não corresponde à defesa de um regime republicano nos moldes históricos romanos ou contemporâneos, tratando-se antes de uma construção filosófica normativa, marcada pela crítica à democracia e pela centralidade da virtude e da razão.
II. A Lei Hortênsia representou um ponto de inflexão na República Romana ao conferir validade geral aos plebiscitos, o que ampliou juridicamente o peso político da plebe, sem, contudo, eliminar o caráter oligárquico e socialmente excludente do sistema republicano romano.
III. O republicanismo moderno distingue-se das experiências antigas não apenas por ampliar a noção de cidadania, mas também por redefinir a própria ideia de liberdade política, deslocando-a da virtude cívica restrita à tradição aristocrática para a soberania popular institucionalizada.
IV. Apesar das profundas diferenças históricas, a ideia de república mantém uma continuidade estrutural desde a Antiguidade, pois tanto em Platão quanto na República Romana e no mundo contemporâneo a igualdade política entre os cidadãos constitui o fundamento central do poder político.
Assinale a alternativa CORRETA.
As potências aliadas impuseram acordos punitivos às nações derrotadas. O _____________, em particular, atribuiu à Alemanha a culpa pelo conflito e a obrigou a indenizações econômicas avassaladoras. O ressentimento gerado pela humilhação da derrota e pelas cláusulas do tratado foi um fator decisivo para a ascensão do nazismo e, duas décadas depois, para a eclosão de um novo conflito mundial.