Questões de Concurso
Comentadas sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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( ) História e memória nascem de uma mesma preocupação e partilham o mesmo objeto: a compreensão da história do futuro. ( ) A História é um relato, uma escrita do passado segundo as modalidades e as regras de um ofício que tenta responder a questões suscitadas pela memória e a História nasce desta ao colocar o passado à distância, ao considerá-lo como um passado em si. ( ) A História nasce da memória, uma das suas dimensões, e posteriormente adota uma postura autorreflexiva, transformando a memória num dos seus objetos. ( ) A memória é eminentemente objetiva, pois fica ancorada aos fatos a que assistimos, dos quais fomos testemunhas, ou mesmo atores, e às impressões que deixaram no nosso espírito. Portanto, a memória é quantitativa, singular e pouco preocupada com comparações, contextualizações e generalizações.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
I- É um campo da história que reforçou a manutenção dos temas da História como a tradicional história política sendo um problema afirmar a existência de uma Nova História Política. II- É um campo da História que ampliou o ofício historiográfico ao se dedicar ao estudo de conceitos como o de sensibilidades. III- É uma teoria da História voltada para a discussão do conceito de cultura e suas múltiplas relações com a política e a economia.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
I- A História deve ser narrada como de fato aconteceu com a objetividade e a neutralidade obrigatórias para a produção da ciência histórica. II- Os(as) Historiadores(as) devem intervir no texto histórico obrigatoriamente, conforme o pensamento do grupo dos Annales quando defende a produção de histórias subjetivas. III- É preciso melhorar o evento no texto escrito para divulgar os ideais de uma Escola sem Partido e da única verdade oficial da história.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
O texto acima possibilita algumas reflexões sobre o pensamento de Michel Foucault:
I- As relações de poder e o conceito de disciplina são aspectos da análise de Michel Foucault que enriqueceram o conhecimento histórico ao destacar o poder como algo que ultrapassa o governo e se encontra em todas as relações humanas. II- O conceito de disciplina pode ser utilizado apenas nos estudos sobre a história das prisões e se trata de um tipo específico de poder que age apenas sobre os corpos dos presos. III- Os escritos de Foucault estão voltados ao conceito de disciplina como um tipo de poder que assujeita os corpos e fez parte dos seus estudos sobre a história das prisões, da medicina e da sexualidade.
É CORRETO o que se apresenta em:
A tradição dos oprimidos ensina-nos que o “estado de exceção” em que vivemos é a regra. Temos de chegar a um conceito de história que corresponda a essa ideia. Só então se perfilará diante dos nossos olhos, como nossa tarefa, a necessidade de provocar o verdadeiro estado de exceção; e assim a nossa posição na luta contra o fascismo melhorará. A hipótese de ele se afirmar reside em grande parte no fato de seus opositores o verem com uma norma histórica, em nome do progresso. O espanto por as coisas a que assistimos “ainda” poderem ser assim no século vinte não é espanto filosófico. Ele não está no início de um processo de conhecimento, a não ser o de que a ideia de história de onde provém não é sustentável. (BENJAMIN, Walter. O anjo da história. Belo Horizonte: Autentica Editora, 2016, p.13.)
Segundo Michael Lowy (2005), estamos acostumados a classificar as diferentes teorias da história conforme seu caráter progressista e conservador, revolucionário ou nostálgico em relação ao passado. Esse tipo de etiqueta não se aplicaria ao pensamento de Walter Benjamim, para o qual
No texto acima, Paul Ricoeur serve-se da obra de Marc Bloch “Apologia da História”, para caracterizar a objetividade histórica, afirmando que tudo que o historiador necessita, para uma reflexão sobre essa objetividade incompleta, encontra nessa obra, pois, nela, o autor deixa evidente que
Historiador é o profissional que estuda o passado humano em seus vários aspectos: economia, sociedade, cultura, ideias e cotidiano. O historiador investiga e interpreta criticamente os acontecimentos, buscando resgatar a memória da humanidade e ampliar a compreensão da condição humana.
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Sobre o trabalho dos historiadores, assinale a afirmativa correta:
“O historiador François Hartog (2013), elaborou o conceito de “Regime de historicidades”, para nomear como as maneiras como dadas sociedades em dados momentos perceberam, pensaram e se relacionaram com o tempo, para indicar como elaboraram e articularam, através de suas narrativas, as categorias de passado, presente e futuro, para descrever como um dado indivíduo ou grupamento humano se instaurou e se desenvolveu no tempo”.
Sobre esse conceito de Regime de Historicidades
de Hartog (2013) é CORRETO afirmar que:
Para José Carlos Reis (2019), o debate epistemológico-metodológico e teórico-metodológico assumiu contornos diferenciados na cultura histórica, em alguns momentos esse debate foi quase irrelevante. Considerando essa afirmação, é correto afirmar que o debate epistemológico-metodológico e teórico-metodológico entre os Historiadores do positivismo/empirismo histórico é caracterizado por:
1. Um debate teórico-metodológico que liga e aproxima o historiador do que deve realmente interessá-lo: os fatos, as fontes, a realidade do passado. Para eles, o historiador-teórico não poderia pretender ser um historiador, uma vez que, abandonou o canteiro de obras da história, os arquivos, os museus, as fontes primárias, e ao pesquisar somente em bibliotecas, restringindo-se às obras impressas, tornou-se um filósofo, um literato, um ficcionista.
2. Uma historiografia empirista que se apoia sobre uma memória arquivada, sobre inscrições, sobre marcas exteriores, para proteger-se da contiguidade com a imaginação/ficção. O seu ponto de vista é objetivante: a lembrança é de uma experiência vivida localizada e datada. O testemunho diz: “eu estava lá, eu presenciei, eu vi”. O arquivo está lá, é um depósito, que reconhece, conserva e classifica a massa documental para consulta.
3. Pela data, que é um dado do tempo calendário, um sistema de datas extrínseco aos eventos. Pois, todo evento se inscreve neste espaço-tempo exterior: local/data. O historiador que se equivocar em relação ao local e à data do evento, estará mergulhado na imaginação, no mito, na fábula. A organização cronológica, a sucessão rigorosa dos momentos que constituem um evento e dos eventos entre si, não pode ser visível em uma documentação objetiva, sem antes ser interiorizada.
4. Uma atitude crítica, que reúne credulidade e ceticismo. A atitude crítica, primeiro, é crédula, deve receber a informação, acolher o documento; depois, cética, deve duvidar, desconfiar, suspeitar, e processá-lo, elaborá-lo. A confiança no documento não deve ser fundada na declaração de intenção do próprio documento, mas construída pela dúvida metódica do historiador.
5. Uma historiografia que busca a verdade exterior, objetiva, o seu conteúdo são os testemunhos e as provas do passado. O testemunho ocular declara que esteve presente e pede que acreditem nele, é interrogado e avaliado, confrontado com outros, e só passará a valer se for aceito. Então, ele se torna um dado estável, reiterável, que pode ser reaberto e reavaliado por qualquer um. Ele se torna uma memória arquivada.
Estão CORRETAS:
“O trabalho com o documento (...) escrito, arqueológico, figurativo, oral, que é interrogar os silêncios da História (...) algo que nos foi dado intencionalmente, ele é o produto de certa orientação da História, de que devemos fazer crítica, não só segundo as regras do método positivista, que obviamente continuam necessárias a certo nível, mas também de uma maneira que eu qualificaria de quase ideológica. Tem um caráter mais ou menos fabricado.” (Adaptado)
O trecho demonstra aspectos da documentação histórica que devem ser trabalhados em sala de aula. É importante explicar ao aluno: