Questões de Concurso
Comentadas sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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Em geral, ao ultrapassar os estágios da caça e da coleta, povos que desconheciam a escrita desenvolveram a agricultura, fato que foi decisivo para a sedentarização e a organização política das sociedades, ou seja, para o surgimento das primeiras formas de Estado.
Na concepção da história oral, a narrativa histórica é coletiva; portanto, relacional, intersubjetiva.
Nas concepções críticas da história oral, considera-se que o problema do ensino de história não reside na forma, mas no conteúdo excludente, pois a história oral limita o acesso do estudante a uma única perspectiva historiográfica.
A história oral demonstra, sobretudo, que os sujeitos históricos são monarcas, nobres ou mártires que, com sua própria vida, fazem a história acontecer.
A fonte da história oral é a memória humana, uma vez que a fonte oral representa a rememoração de aspectos do passado vividos e testemunhados por algum(ns) sujeito(s).
A concepção da história oral é dissociada do conceito de ciência e de sua formalidade, visto que não é um saber fazer isolado.
Os fundamentos da psicologia moderna facultaram a Febvre a fundamentação das suas teses sobre a história:
(QUIJANO, 2005.)
A BNCC (Base Nacional Curricular Comum) traz em vários momentos a discussão sobre a diversidade e preconiza dentre outros aspectos relativos a essa temática:
Considerando os fragmentos, assinale, a seguir, dois autores clássicos e suas respectivas obras.
I – As lembranças de muitos alunos da História escolar e os livros escolares produzidos no século XIX indicam o predomínio de um método de ensino voltado para a memorização.
II – Aprender História antigamente significava saber de cor nomes e fatos.
III – Os livros de História antigamente não seguiam os mesmos moldes dos livros de catecismo.
I – A textualidade eletrônica de fato transforma a maneira de organizar as argumentações, históricas ou não.
II – Na textualização eletrônica, ao historiador é permitido desenvolver demonstrações segundo uma lógica obrigatoriamente linear.
III – Quanto ao leitor, a textualização eletrônica permite que se valide ou rejeite um argumento apoiando-se na consulta de textos.
I – O perigo social representado pelos pobres aparecia no imaginário político brasileiro.
II – As classes pobres passaram a ser vistas como classes perigosas apenas porque poderiam oferecer problemas para a organização do trabalho.
III – A questão estudada pelo autor em nada se refere à ideologia da higiene.
I – O ensino de História sempre esteve presente nas escolas, variando de importância no período que vai do século XIX ao atual.
II – A História, enquanto disciplina escolar, possui uma longa história, permeada de conflitos e controvérsias na elaboração de seus conteúdos e métodos.
III – A história do ensino de História tem sido objeto de estudo de vários pesquisadores brasileiros, notadamente a partir da década de 80 do século passado.
I – A delimitação do Leste e do Ocidente na Europa há muito tem sido uma delimitação convencional para os historiadores.
II – Referida delimitação existe desde Leopold Ranke, o fundador da historiografia positiva.
III – Em um dos trabalhos de Ranke, ele excluiu os eslavos do leste do destino comum das grandes nações do Ocidente.
I. É preciso estabelecer um diálogo entre o passado e o presente.
II. Não existe passado “puro” e “total”.
III. O professor de história deve dar aulas com base apenas na concepção atual e no cotidiano, pois a realidade possui, na sua essência, uma verdade objetiva e subjetiva do conteúdo palpável.
Quais estão corretas?
De certo modo, o passado já não nos dizia e precisava ser reinterrogado a partir de novos olhares e problematizações, por meio de outras categorias interpretativas, criadas fora da estrutura falocêntrica especular.
Margareth Rago. Epistemologia feminista, gênero e história. In: Joana Pedro e Mirian Grossi (Org.). Masculino, feminino, plural. Florianópolis: Mulheres, 1998. (com adaptações).
A respeito do tema tratado no fragmento apresentado, assinale a opção correta.
“Com a nova configuração cultural aberta pela Revolução Francesa, o discurso patrimonial se confundiu com a luta contra o vandalismo e se tornou um compromisso para a manutenção do status quo. Na operação de apagamento da cultura do Antigo Regime, mediante a eliminação de seus objetos de memória e civilidades, configuram-se novas relações com a coletividade, ao longo do século XIX, marcadas pelo predomínio do vínculo da nação com a conservação. A maioria dos objetos ‘que contam’, e cuja beleza pertence a todos torna-se a encarnação do ‘espírito’ de uma coletividade particular. Ao longo do século XX, a noção de conservação engaja claramente uma representação da historicidade: o princípio de precaução contém uma conservação dita ‘preventiva’ definida de forma estrita, enquanto as reflexões administrativas não cessam de afirmar que o patrimônio é ‘um presente do passado’.”
Adaptado de POULOT, D. “A razão patrimonial na Europa, do século XVIII ao XXI”, in Revista do Patrimônio, IPHAN, 34, 2012, p. 31-32.
As afirmativas a seguir descrevem corretamente os sentidos atribuídos ao gesto patrimonial na tradição ocidental, a partir das considerações de Dominique Poulot, à exceção de uma. Assinale-a.
Tomando o texto e as imagens a seguir como referências, julgue as asserções I, II e III. “Cada cidade é uma cidade – e, fundamentalmente, uma cidade em transformação. E o olhar de quem a vê ou de quem a vive também a altera, impõe detalhes ou remodela paisagens. Nas subjetividades de visitantes e moradores, as cidades são muitas vezes desenhadas e redesenhadas.”
TERRA, Antonia. História das cidades brasileiras. São Paulo: Melhoramentos, 2012, p. 11.

Vista a partir do Museu Paulista (década de 1920). Foto O. Achtschim. In: Às margens do Ipiranga: 1890-1990. São Paulo, Museu Paulista – USP, 1990.

Vista aérea do Monumento ao Ipiranga em 2018. Créditos da
imagem: Igor Rando.
I. As imagens fornecem exemplos privilegiados das transformações pelas quais passou a cidade de São Paulo entre as décadas de 1920 e 2010, sobretudo por operarem com o contraste entre distintos contextos históricos: o primeiro, fortemente impregnado de elementos arquitetônicos próprios do sistema escravista vigente, enquanto o segundo, pelo processo de expansão imobiliária, típico de espaços urbanos regidos pela lógica capitalista.
II. Apesar de retratarem a mesma região em contextos históricos diferentes, tendo sempre o Museu Paulista como pano de fundo e/ou foco da representação imagética, os contrastes entre uma paisagem e outra se devem sobretudo à subjetividade dos artistas O. Achtschim e Igor Rando e pelas técnicas de registro que empregaram.
III. As imagens corroboram as proposições de Antônia Terra sobre as cidades enquanto lócus de mudança, mas não possibilitam perceber como as subjetividades de visitantes e moradores, por meio de processo ativo e dinâmico, acabam por remodelar as próprias paisagens urbanas.
A alternativa que contém apenas asserções corretas é: