Questões de Concurso
Comentadas sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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"Marc Bloch, em sua obra Apologia da História (1949), questiona a tradicional fragmentação da história em períodos estanques e defende a interdisciplinaridade como ferramenta indispensável para compreender as complexidades das sociedades humanas. Essa visão encontra eco em Fernand Braudel, que, ao estruturar a história em níveis temporais — curta, média e longa duração —, reforça a necessidade de analisar estruturas econômicas e geográficas que transcendem os acontecimentos imediatos. Contudo, ambas as abordagens enfrentaram críticas, especialmente de correntes que priorizam a agência individual e o papel do acaso histórico."
Com base no texto e nos debates historiográficos, assinale a alternativa correta:
I. A historiografia positivista prioriza a neutralidade do historiador, buscando os fatos “tal como ocorreram”, conforme a máxima de Leopold von Ranke, mas ignora a subjetividade intrínseca ao processo de seleção documental.
II. O materialismo histórico marxista compreende a história como um processo dialético, fundamentado nas contradições entre as forças produtivas e as relações de produção, o que explica a transformação dos modos de produção ao longo do tempo.
III. A Escola dos Annales propõe uma ruptura com a história factual e política ao enfatizar o estudo das estruturas econômicas e sociais de longa duração, abordando também as mentalidades coletivas.
IV. A Nova História, influenciada por perspectivas antropológicas e sociológicas, desloca o foco para os sujeitos anônimos, explorando as práticas cotidianas e as experiências de grupos marginalizados.
V. A história cultural, segundo Peter Burke, reforça a centralidade dos grandes eventos políticos na construção da cultura, ignorando as práticas culturais de grupos subalternos.
Assinale a alternativa correta:
"Antonio Gramsci, em seus Cadernos do Cárcere, introduziu o conceito de hegemonia cultural, explicando como as classes dominantes mantêm sua posição por meio de controle ideológico e consentimento, mais do que pela força direta. Michel Foucault, por outro lado, criticou a ideia de poder centralizado, propondo que o poder seja difuso, exercido por meio de micro-relações e dispositivos disciplinares. Essas visões transformaram a compreensão das relações entre poder, cultura e sociedade no século XX."
Com base no texto, é correto afirmar que:
I. Maquiavel rompeu com a tradição ética clássica ao defender que a eficácia política se fundamenta no pragmatismo e não na moralidade, um princípio que se alinha ao conceito de "razão de Estado" das monarquias absolutas.
II. Hobbes postulou que o soberano deve ter poder absoluto para garantir a ordem e evitar o "estado de natureza", mas admitiu a possibilidade de resistência dos súditos em casos de tirania extrema.
III. Locke rejeitou a teoria do direito divino dos reis, argumentando que o governo deve proteger a propriedade, a vida e a liberdade dos indivíduos, sendo legítimo apenas quando estabelecido por consentimento.
IV. Rousseau criticou a desigualdade social promovida pela propriedade privada e propôs uma concepção de soberania que não pode ser delegada, mas deve ser exercida diretamente pelo povo.
V. Montesquieu, ao propor a separação dos poderes em O Espírito das Leis, antecipou a ideia de democracia representativa como modelo universal para todos os contextos políticos.
Assinale a alternativa correta:
Assinale a alternativa que não apresenta uma consequência decorrente dessa forma de enxergar a história.
I - O IHGB tinha como objetivo recuperar e preservar documentos históricos relevantes para a formação da identidade nacional.
II – Os concursos de monografias realizados incentivavam temas regionais.
III – O IHGB sancionava produções nas diferentes áreas de saber da época.
IV - O IHGB tinha como objetivo delinear e materializar um perfil de nação para o Brasil, dele faziam parte intelectuais da elite da Corte, instituída no Rio de Janeiro.
É falso o que se afirma em:
I - A historiografia contemporânea não busca controle, mas sim adaptação às novas ferramentas e contextos tecnológicos.
II - A negação das mudanças tecnológicas seria contrária à evolução percebida no mundo acadêmico.
III - A palavra-chave para o momento atual é recuo, pois os historiadores precisam incorporar novas plataformas, redes sociais e tecnologias para compartilhar e debater suas produções, retroagindo seus conceitos.
IV - A historiografia reinventa-se e adapta-se às mudanças tecnológicas.
É verdadeiro o que se afirma em:
I – A história, como discurso, busca representar adequadamente a realidade que foi e já não é mais.
II – A ficção é um discurso que informa sobre o real, mas não se compromete com a sua representação ou legitimidade.
III – História e ficção são conceitos análogos.
É verdadeiro o que se afirma em:
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Marque a alternativa que estabeleça a importância das fontes primárias e documentos na História.
Nascido no dia 6 de julho de 1886, na cidade de Lyon, França, o judeu Marc Léopold Benjamim Bloch era filho do Professor de História Antiga Gustave Bloch. Durante sua formação acadêmica, estudou em Paris, Berlim e Leipzig. Trabalhou durante alguns anos como pesquisador na Fundação Thiers, mas teve que interromper suas atividades para combater na Primeira Guerra Mundial. Foi soldado de infantaria e chegou a receber uma condecoração militar por mérito após ser ferido em batalha.
O historiador francês, Marc Bloch, conceituava a historia como:
Para os historiadores pode ser considerado como patrimônio imaterial.
O Ser-Um chamou-se de Maa Ngala. Então ele criou a ‘Fan”, um ovo maravilhoso com nove divisões no qual introduziu os nove estados fundamentais da existência. Quando o ovo primordial chocou, dele nasceram vinte seres fabulosos que constituíram a totalidade do universo, a soma total das forças existentes do conhecimento possível. Mas, aí!, nenhuma dessas vinte primeiras criaturas revelou-se apta a tornar-se o interlocutor (kuma-nyon) que Maa Ngala havia desejado para si. Assim, ele tomou de uma parcela de cada uma dessas vinte criaturas existentes e misturou-as; então, insuflando na mistura uma centelha de seu próprio hálito ígneo, criou um novo Ser, o Homem, a quem, deu uma parte de seu próprio nome: Maa.
HAMPATÉ-BÂ, A. A tradição viva. In: KI-ZERBO, J. (ed.) História Geral da África I: metodologia e pré-história da África. Brasília: UNESCO, 2011. p. 170-171 (adaptado).
Considerando-se que um professor de História da 2ª série do Ensino Médio tenha selecionado o mito de criação apresentado acima para abordar o papel da oralidade entre diversos povos africanos, é correto afirmar que, a partir desse texto, o docente poderá explicar que a tradição oral relaciona-se com
I- A partir do século XIX, a História, como disciplina escolar, constituiu-se fortemente marcada por uma perspectiva dogmática, porque os religiosos, sobretudo os da Companhia de Jesus e o recém-criado Estado do Brasil, monárquico, tinham uma concepção de cunho religioso.
II- Ao final dos anos 1980 e início dos 1990, a historiografia brasileira acelerou um significativo processo de renovação sob a influência da chamada Nova História, provocando avaliações críticas e transformações nas propostas curriculares e na produção didático-pedagógica.
III- As novas concepções historiográficas alargaram a concepção das fontes históricas e atualmente estas podem se tornar um rico material didático-pedagógico, tais como fotografias, programação de comemorações cívicas, peças publicitárias, periódicos, pinturas, arquitetura, etc.
É CORRETO o que se afirma em: