Questões de Concurso Sobre geografia
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Para David Harvey, no livro O novo imperialismo (2004), a acumulação por espoliação constitui‑se como um mecanismo central de reprodução do capitalismo contemporâneo, marcado pela apropriação de ativos existentes – como privatizações, mercantilização da natureza, exploração de dívidas e financeirização –, que se intensifica em contextos de sobreacumulação e crises sistêmicas, funcionando de forma complementar à acumulação pela reprodução ampliada.
Para Milton Santos, no livro Pensando o Espaço do Homem (2004), ao definir o espaço como uma acumulação desigual de tempos, compreende‑se que não se trata de uma justaposição linear de camadas históricas homogêneas, mas da coexistência de objetos geográficos que cristalizam práticas sociais de diferentes épocas, articulados em sistemas atuais de ação que conferem novos usos e significados às formas herdadas.
Acerca das teorias geográficas, julgue o item a seguir.
Para Milton Santos, no livro A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo. Razão e Emoção (1996), o meio técnico‑científico‑informacional constitui‑se como um estágio histórico do espaço geográfico que se realiza quando há homogeneização plena das técnicas, permitindo que todos os lugares incorporem de forma igualitária os objetos e sistemas informacionais, com diferenciações de intensidade ou seletividade.
Segundo Carlos Walter Porto Gonçalves no texto Da geografia às geo‑grafias: um mundo em busca de novas territorialidades (2002), foi com o Tratado de Westfália, no ano de 1648, que ocorreu uma reordenação jurídica internacional que mudaria radicalmente, com a inundação de metais preciosos que fez explodir a ordem mercantil pelo mundo com a exploração da natureza – ouro, prata, especiarias várias, assim como o açúcar entre outras matérias –, sustentada pela servidão indígena e pela escravidão de negros oriundos da América, da África e da Ásia.
Para Ana Fani Alessandri Carlos, no livro O lugar no/do mundo (2007), o conceito de lugar deve ser entendido como a articulação contraditória entre o mundial e a especificidade histórica do particular, constituindo‑se no plano do vivido como base da reprodução da vida social.
Para Georges Bertrand no artigo Paisagem e geografia física global. Esboço Metodológico (2004), a paisagem é uma categoria perceptiva, utilizada como recurso descritivo, sem equivalência aos conceitos como geossistema ou espaço geográfico.
Para Rogério Haesbaert, no livro O mito da desterritorialização: do fim dos territórios à multiterritorialidade (2004), a desterritorialização não deve ser entendida como a simples extinção dos territórios, mas como um processo relacional e contraditório, que se dá simultaneamente com a reterritorialização, expressando formas múltiplas e dinâmicas de apropriação do espaço.
Para Claude Raffestin, no livro Por uma Geografia do Poder (1993), o poder não deve ser entendido como algo que se possui, mas como um elemento que circula em todas as relações sociais, manifestando‑se de maneira relacional e multidimensional.
Para Yves Lacoste, no livro A Geografia, isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra (1976), a geografia dos professores representa o núcleo estratégico da disciplina, sendo a principal responsável por orientar os estados‑maiores e os aparelhos de poder na organização do espaço.
Élisée Reclus foi um geógrafo que concebia a geografia como instrumento de dominação dos Estados, sem crítica às injustiças sociais.
Paul Vidal de La Blache definiu o objeto da geografia como a relação homem‑natureza no contexto de análise da paisagem.
Em sua obra Antropogeografia (1882), Friedrich Ratzel definia o objeto da geografia humana como o estudo da influência do meio natural acerca da humanidade, entendida de forma mediada pelas condições econômicas e sociais.
Acerca das concepções do pensamento geográfico, julgue o item a seguir.
Alexander von Humboldt concebia a geografia como uma disciplina normativa, preocupada em estabelecer leis universais de caráter prescritivo para a organização do espaço.