Questões de Concurso
Comentadas sobre política, poder e estado em sociologia
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No diálogo entre a perspectiva ativista e a perspectiva da democracia deliberativa que Iris Marion Young propõe no texto intitulado Desafios ativistas à democracia deliberativa, ela problematiza os procedimentos tradicionais consagrados da chamada democracia deliberativa.
Segundo a autora, os problemas centrais da democracia deliberativa surgem porque, em tais democracias,
Ao construir o diálogo entre as duas personagens, a ativista e a defensora da deliberação democrática, Iris Marion Young (2014) se interroga sobre a atribuição de gênero às personagens dos textos: “No esforço para associar às personagens uma sensação corporificada, atribui pronomes de gênero específicos a cada uma delas. Essa decisão revela um dilema perturbador: elas devem ser ambas do sexo masculino, ambas do sexo feminino ou um homem e uma mulher? Decidir que uma deve ser homem, e a outra, mulher, só aumenta o dilema: qual delas deve ser o quê? Ao experimentar cada opção, descubro que minha atribuição evoca estereótipos indesejáveis de qualquer maneira”. A solução da autora, mesmo reconhecidamente parcial, foi atribuir à personagem ativista pronome masculino e à democrata deliberativa, pronome feminino.
A justificativa dessa escolha foi
Iris Marion Young (2014) apresenta em seu texto Desafios ativistas à democracia deliberativa um possível diálogo entre duas personagens, uma defensora da democracia deliberativa e uma ativista. Segundo a autora: “Um diálogo entre elas é útil porque suas receitas para um bom exercício da cidadania divergem em vários aspectos”
(Adaptado).
De acordo com a autora, tal diálogo tem como objetivo
Já foram cantados em prosa e verso os movimentos por justiça social que protestaram nas ruas, convencidos de que as instituições existentes e os procedimentos normais só reforçavam o status quo. Muitos direitos foram conquistados nas sociedades democráticas por meio de corajoso ativismo – a jornada de oito horas, o voto feminino, o direito de se sentar em qualquer restaurante. No entanto, a teoria democrática contemporânea, especialmente a teoria deliberativa, raramente reflete sobre o papel da manifestação e da ação direta.
(Young, 2014. Adaptado)
Para a autora, as teorias democráticas contemporâneas são relutantes em refletir sobre o ativismo porque
A Declaração de Independência, a Assembleia Nacional Constituinte, os conflitos com os portugueses e as lutas populares não conseguiram lançar o país a um patamar mais avançado da história. As campanhas e os escritos de José Bonifácio, Bernardo Pereira de Vasconcelos, Frei Caneca e outros, bem como as revoltas e revoluções populares em diversas partes do país, não provocaram a abolição do regime de trabalho escravo, a Proclamação da República, o estabelecimento de garantias democráticas.
(Ianni, 1994. Adaptado)
Segundo Octavio Ianni, depois da Declaração da Independência, ocorreram
A visão da sociedade ideal para os positivistas ortodoxos era comunitária e incorporadora. Em menor escala, o modelo liberal poderia também incluir exigências de ampliação da participação popular. O extravasamento das visões de república para o mundo extraelite, ou as tentativas de operar tal extravasamento, diante da nula participação popular na proclamação, não poderia ser feito por meio do discurso, inacessível a um público com baixo nível de educação formal.
(Carvalho, 2017. Adaptado)
Segundo José Murilo de Carvalho, o mencionado extravasamento das visões de república ocorreu
Como aponta Max Weber em seus Ensaios de Sociologia, a burocracia moderna envolve modos específicos de funcionamento. Para ele: “Os princípios da hierarquia dos postos e dos níveis de autoridades significam um sistema firmemente ordenado de mando e subordinação, no qual há uma supervisão dos postos inferiores pelos superiores” (1982).
Segundo Weber (1982), tal ordenamento permite, em especial,
Em geral, entendemos por “poder” a possibilidade de que um homem, ou um grupo de homens, realize sua vontade própria em uma ação comunitária até mesmo contra a resistência de outros que participam da ação.
(Weber, 1982)
Considerando sua caracterização de “poder”, qual seria a relação, segundo Max Weber, entre o poder político e os fatores econômicos?
Para que o Estado exista, os dominados devem obedecer à autoridade alegada pelos detentores do poder. Quando e por que os homens obedecem? Sobre que justificação íntima e sobre quais meios exteriores repousam esse domínio?
(Weber, 1982. Adaptado)
Max Weber aponta que, dentre as justificações básicas de tal domínio, encontra-se
Se uma república for pequena, ela será destruída por uma força estrangeira; se for grande, será destruída por um vício interior. Este duplo inconveniente infecta igualmente as democracias e as aristocracias, sejam elas boas ou más. O mal está na própria coisa; não há nenhuma forma que a possa remediar. Assim, parecia muito provável que os homens fossem afinal obrigados a viver sob o governo de um só, se não tivessem imaginado uma forma de constituição que possui todas as vantagens internas do governo republicano e a força externa da monarquia.
(Montesquieu, 2000. Adaptado)
Segundo Montesquieu, a forma de governo que possui as vantagens da república e da monarquia, sem reproduzir suas desvantagens, é a
As leis da educação são as primeiras que recebemos. E, como elas nos preparam para sermos cidadãos, cada família particular deve ser governada no mesmo plano da grande família que compreende todas. Se o povo em geral tem um princípio, as partes que o compõem, isto é, as famílias, também o terão. As leis da educação serão, portanto, diferentes nas monarquias, nas repúblicas e no despotismo.
Para Montesquieu, as leis da educação em estados despóticos deverão cultivar
Quando, em uma república, o povo em conjunto possui o poder soberano, trata-se de uma Democracia. Quando o poder soberano está nas mãos de uma parte do povo, chama-se uma Aristocracia. O povo, na democracia, é, sob certos aspectos, o monarca; sob outros, é súdito.
Segundo o autor, o poder soberano do povo está condicionado
Segundo Zygmunt Bauman: “Há uma diferença muito grande, na verdade a mais profunda oposição que se possa conceber, entre analisar criticamente nossas próprias práticas de vida e impor a outras pessoas práticas que não são de sua escolha” (2015). Zygmunt Bauman acrescenta, ademais, que concorda com Cornelius Castoriadis, que qualifica como um “apaixonado defensor da genuína democracia”.
Para Bauman e Castoriadis, o que estaria errado em nossa sociedade, e a manteria distante da democracia genuína, é que ela
Em seu texto “Desafios ativistas à democracia deliberativa”, Iris Marion Young reflete sobre as contradições da democracia deliberativa: “A deliberação, diz o ativista, é uma atividade de salas de reuniões [...]. Entre si, [as elites] participam do debate sobre as políticas que sustentarão seu poder e promoverão seus interesses coletivos. [...] Observadores e imprensa só comparecem por convite. [...] Nessas circunstâncias de desigualdade estrutural e poder excludente, os bons cidadãos deveriam estar protestando do lado de fora”.
A contradição apresentada no texto é criticada por Young porque
Ao abordar a educação como reflexo do governo, Montesquieu, em seu livro O espírito das leis, afirma: “As leis da educação são as primeiras que recebemos. E, como nos preparam para sermos cidadãos, cada família particular deve ser governada no mesmo plano da grande família que compreende todas”.
A educação nas monarquias, segundo Montesquieu, tem como objetivo a formação de
Weber, em seu livro Ensaio de Sociologia, propõe uma análise sobre partidos políticos. Ele afirma: “Os partidos podem representar interesses determinados através da ‘situação classista’ ou ‘estamental’, e podem recrutar seus membros de uma ou de outra”.
Segundo Weber, os partidos possuem como característica a
Zygmunt Bauman, em seu livro Para que serve a Sociologia?, esclarece seu entendimento sobre a dimensão política da Sociologia: “O que torna a Sociologia uma atividade intrinsecamente política é [...] o próprio fato de oferecer uma fonte e uma legitimação de autoridade distintas, ao contrário da política institucionalizada”.
A dimensão da Sociologia apresentada por Bauman caracteriza-se por
Em seu texto “Desafios ativistas à democracia deliberativa”, Iris Marion Young conclui, sobre a tensão existente entre o ativismo e a democracia deliberativa: “[...] a dissonância entre as posturas da democrata deliberativa e do ativista não se dissolve. Indivíduos e organizações que procuram combater a injustiça e promover a justiça precisam de ambos para debater com os outros e convencê- -los de que há injustiças que devem ser corrigidas e a protestar e participar de ação direta”.
No texto, argumenta-se que o combate à injustiça e a promoção da justiça demandam a
Conhecido por sua teoria social burocrática, Weber, em seu livro Ensaio de Sociologia, afirma: “Quando se estabelece plenamente, a burocracia está entre as estruturas sociais mais difíceis de destruir. A burocracia é o meio de transformar uma ‘ação comunitária’ em ‘ação societária’ racionalmente ordenada”.
De acordo com Weber, considerando as características da burocracia, suas implicações incluem a