Questões de Concurso
Comentadas sobre política, poder e estado em sociologia
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“O Brasil jamais teve cidadãos; nós, a classe média, não queremos direitos, nós queremos privilégios, e os pobres não têm direitos; não há, pois, cidadania neste país. Nunca houve”.
SANTOS, M. In: Encontro com Milton Santos. O mundo global visto pelo lado de cá. Direção Silvio Tedler. 2001.
Na frase acima, Milton Santos discorre sobre a não existência da democracia no Brasil. De acordo com a frase acima, é verdadeiro afirmar que:
Toffler (*) escreveu, analisando a situação moral e ética de governo e sociedade no final do século XX, que “a lista dos problemas que a nossa própria sociedade enfrenta é interminável. Sentimos o cheiro do apodrecimento moral de uma civilização industrial moribunda, enquanto vemos as instituições, uma atrás da outra, sucumbir num turbilhão de ineficácia e corrupção. Consequentemente, o ar enche-se de amarguras, queixas e clamores por uma mudança radical”.
((*) TOFFLER, Alvin, TOFFLER, Heidi. Criando uma nova civilização. Lisboa: Livros do Brasil, 1995. p. 139.)
Em se tratando do atual cenário sociopoliticocultural brasileiro, a observação do autor é extremamente realista e pertinente, sobre a qual conclui-se que:
O Estado Nação e a democracia como sistema político são instituições características da modernidade. Sobre esses temas, são feitas as seguintes afirmativas:
I. Os Estados modernos são as comunidades políticas divididas uma das outras por fronteiras claramente delimitadas, e não por vagas áreas fronteiriças que separavam os Estados tradicionais pré-modernos.
II. O Estado é uma instância política que se confunde com a sociedade civil por congregar em seu seio uma diversidade de espaços, atores, organizações e formas institucionais que variam em formalidade, autonomia e poder.
III. A democracia participativa é um sistema político em que as decisões são tomadas em comunidade por aqueles que são afetados por elas. São exemplos de democracia participativa: os plebiscitos, os orçamentos participativos e os projetos de lei de iniciativa popular.
IV. A democracia liberal representativa é um sistema político em que se pressupõe a existência de mecanismos de alternância do poder e de instituições parlamentares.
Estão corretas apenas as afirmativas:
I. Formas de poder exercidas pelos sujeitos dominantes sem a ação física direta, mas pela imposição de uma visão de mundo, dos papéis sociais, das categorias cognitivas, das estruturas mentais por meio das quais o mundo é percebido e pensado. II. Mecanismo de poder no qual técnicas disciplinares de controle concorrem para o estabelecimento de um padrão de normalidade que é, ao mesmo tempo, um dispositivo de poder e uma forma de saber.
Os trechos citados descrevem, respectivamente, dois conceitos sociológicos definidos como
O instituto IBOPE realizou um levantamento no ano de 2006 para avaliar o grau de tolerância para com a corrupção entre um grupo de eleitores selecionado. Do estudo foi possível extrair as seguintes teses:
I. A maioria dos eleitores brasileiros já transgrediu
II. alguma lei ou descumpriu alguma regra contratual, para obter benefícios materiais, de forma consciente e intencional.
II. A maioria dos eleitores brasileiros tolera algum tipo de corrupção por parte de seus representantes ou governantes eleitos.
III. Assim como é atribuído às classes políticas brasileiras, há no eleitorado uma gradação tanto na prática antiética no dia-a-dia quanto na tolerância à corrupção política e essas duas variáveis estão correlacionadas fortemente, ou seja, quanto mais ético no dia-a-dia, menos tolerante com a corrupção tende a ser o eleitor.
A partir da análise das teses é correto afirmar que a
melhor síntese seria:
“Se houve alguma transformação na economia política do capitalismo do final do século XX, cabe-nos estabelecer quão profunda e fundamental pode ter sido a mudança. São abundantes os sinais e marcas de modificações radicais em processos de trabalho, hábitos de consumo, configurações geográficas e geopolíticas, poderes e práticas do Estado etc.” (HARVEY, David. “Condição Pós-Moderna”. São Paulo: Ed. Loyola, 2001. pg.118) Como estratégia de adaptação a essas mudanças, vários países adotaram conjuntos de politicas econômicas sob a égide do chamado Neoliberalismo. No Brasil, essa influência pode ser percebida em diversas decisões governamentais a partir, principalmente, do governo Collor (1990- 1992).
Nesse sentido, destacam-se:
I. Um maior controle do mercado financeiro por parte do Estado e pouca autonomia para os bancos, sejam eles privados ou estatais;
II. Privatização de grande parte das Empresas Estatais e abertura do mercado para o Capital estrangeiro;
III. Fortalecimento das leis trabalhistas, além de garantias consolidadas, como um sistema previdenciário mais forte;
IV. Diminuição do papel do Estado em todas as áreas, inclusive na Educação com a expansão do setor privado.
Sobre a forma como o Neoliberalismo foi
absorvido pelo Estado brasileiro nos últimos
governos, é correto no que se afirma nos itens:
Apesar de não recente, a adoção de ações afirmativas tem se intensificado no Brasil nos últimos anos. Tais ações não devem se confundir com políticas públicas de uma forma geral, já que elas a (ações afirmativas), embora muitas vezes se constituam de um conjunto de políticas públicas, têm objetivos muito mais específicos e o caráter de afirmação de grupos que passaram por discriminação e/ou enfrentaram barreiras históricas no processo de inclusão social. Nesse sentido, podemos afirmar que são exemplos de políticas de ações afirmativas:
I. A expansão das Universidades públicas e gratuitas;
II. O sistema de cotas para estudantes indígenas e afrodescendentes nas Universidades;
III. A concessão de bolsas de estudos em universidades privadas através do Programa Universidade para Todos (PROUNI)
Portanto, está correto o que se afirma em:
O sociólogo Imannuel Wallerstein argumenta que “o discurso do liberal tende assim a ser temeroso da maioria, temeroso dos sujos, dos ignorantes, das massas. Não há dúvidas, o discurso do liberal tece sempre imensos louvores ao potencial de integração dos excluídos, mas é sempre de uma integração controlada que está falando, de uma integração nos valores e estruturas dos já incluídos. Contra a maioria, o liberal está sempre defendendo a minoria. Mas não é o grupo minoritário que ele defende, é sim a minoria simbólica, o indivíduo racional heroico contra a multidão – isto é, ele mesmo.” (WALLERSTEIN, I. “Ciência Social e Sociedade contemporânea. As garantias evanescentes de racionalidade” In: O Fim do Mundo como o concebemos. Ciência Social para o século XXI. Rio de Janeiro: Revan, 2002.)
Já o cientista político italiano Norberto Bobbio diz que os “ideais liberais e o método democrático vieram, gradualmente, se combinando num modo tal que, se é verdade que os direitos de liberdade foram desde o início a condição necessária para a direta aplicação das regras do jogo democrático, é igualmente verdadeiro que, em seguida, o desenvolvimento da democracia se tornou o principal instrumento para a defesa dos direitos a liberdade.” (BOBBIO, N. “Liberalismo e Democracia”. São Paulo: Brasiliense, 1994.)
Apesar das diferentes visões sobre o Liberalismo e a Democracia apresentadas acima, analise as seguintes afirmações:
I. Os ideais liberais e democráticos, a despeito de suas origens, influenciam o ordenamento político das sociedades ocidentais;
II. Liberalismo e Democracia, doutrinas políticas que surgiram em momentos diferentes da História, são bases para o que se chama de Pensamento Liberal Democrático;
III. Liberalismo é uma doutrina política incongruente com o ideal igualitário, que caracteriza a tradição democrática.
Nesse sentido, é correto que se afirma em:
“O desenvolvimento de um mercado mundial integrado resultou numa descartelização e desconcentração do capital, conforme visto pela perspectiva da nação-estado. A especialização flexível e as formas flexíveis de organização do trabalho substituem cada vez mais a produção em massa. A classe trabalhadora industrial de massa se contrai e se fragmenta, dando origem a um declínio da política de classe e à dissolução do sistema nacional corporativista de relações industriais. Uma classe de serviços separada, originalmente um efeito do capitalismo organizado, tornou-se, em seu desenvolvimento posterior, uma fonte de novos valores e novos movimentos sociais” (KUMAR, Krishan (2006) Da Sociedade Pós-industrial à Pós-moderna. Novas Teorias sobre o Mundo Contemporâneo. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, p.86).
A descrição acima enquadra-se adequadamente no conceito de Capitalismo:
“O mundo em que vivemos não está sujeito ao rígido controle humano – a essência das ambições da esquerda e, poder-se-ia dizer, o pesadelo da direita. Quase ao contrário, é um mundo de perturbação e incerteza, um mundo descontrolado. E, o que perturbador, aquilo que deveria criar uma certeza cada vez maior – o avanço do conhecimento humano e a intervenção controlada na sociedade e na natureza – está na verdade profundamente envolvido com essa imprevisibilidade” (GIDDENS, A (1995) Para Além da Esquerda e da Direita. São Paulo, Unesp, pp. 11-12).
O nome dado pelo Sociólogo inglês Anthony Giddens
para esse estado de tensão permanente reinante nas
sociedades contemporâneas é o de:
“Uma defesa da política do domínio público, mas ela não se situa na velha oposição entre Estado e mercado. Ela opera fornecendo condições materiais e estruturas organizacionais para as decisões de políticas de vida tomadas por indivíduos e grupos na ordem social mais ampla” (GIDDENS, A (1995) Para Além da Esquerda e da Direita São Paulo, Unesp, p. 23).
Para a descrição realizada acima, Anthony Giddens
dá o nome de Política:
Julgue o próximo item, referentes ao Estado de bem-estar social e à cidadania.
A crise do Estado de bem-estar social manifesta-se pela
articulação dos seguintes fatores: o universalismo protetor, as
formas crescentes de particularismo social e a mercantilização
da política social.
Com relação ao Estado moderno e à dominação racional legal, julgue o item a seguir.
Na perspectiva da dominação racional legal, funcionários que
compõem o quadro administrativo burocrático do Estado são
livres e devem obedecer às obrigações objetivas de seu cargo,
são nomeados por hierarquia, têm competências funcionais
fixas, são contratados de acordo com a qualificação
profissional e exercem o cargo como profissão única.
Com relação ao Estado moderno e à dominação racional legal, julgue o item a seguir.
Estado e governo se confundem, pois as instituições em uma
sociedade territorialmente definida são ocupadas por dirigentes
que governam em nome do Estado