Questões de Concurso Comentadas sobre estratificação e desigualdade social em sociologia

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Ano: 2025 Banca: IDECAN Órgão: IF-PA Prova: IDECAN - 2025 - IF-PA - Professor - Sociologia |
Q3722529 Sociologia
Estratificação social é o modo como as diversas sociedades estão organizadas em estratos ou camadas sociais. Desse modo, refere-se à forma como os indivíduos estão situados em determinada posição em uma sociedade – ou ainda os elementos de pertencimento a um dado grupo social. Esses elementos podem se basear em critérios econômicos, políticos, sociais e culturais. Em relação a este fenômeno, diferentes sociólogos lançaram análises, cada um a seu modo, no que é possível afirmar:
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Q3717631 Sociologia
As desigualdades regionais no Brasil impactam diretamente o acesso e a qualidade da educação. Sobre os desafios educacionais relacionados às disparidades socioeconômicas e geográficas no país, considere:

I.Regiões com menores IDH geralmente apresentam indicadores educacionais mais críticos, como evasão escolar e baixo desempenho.
II.A infraestrutura escolar inadequada, especialmente em áreas rurais e periferias urbanas, compromete o processo de ensino-aprendizagem.
III.Políticas de equidade educacional buscam garantir condições diferenciadas para reduzir desigualdades históricas entre regiões.
IV.O Brasil superou as desigualdades educacionais regionais através do FUNDEB e demais políticas redistributivas.
Estão corretas:
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Q3715210 Sociologia
Considerando as informações relativas ao perfil étnico-racial da população brasileira coletadas no último Censo, pode-se afirmar que 
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: PND Prova: INEP - 2025 - PND - HISTÓRIA - Licenciatura |
Q3711546 Sociologia
No século XX, Chica da Silva já era um mito. Fazia parte do conjunto dos raros indivíduos do século XVIII que se tornaram personagens históricas, a despeito de não pertencer à elite branca portuguesa. Além de parda e ex-escrava, era mulher. E por meio dessas exceções era compreendida. Em Diamantina, tornou-se lendária, alvo de inúmeras histórias. Chica da Silva teria entre 18 e 22 anos quando João Fernandes, então com 26 anos, a conheceu. A jovem possuía a beleza das mulheres oriundas da Costa da Mina, com frequência elogiadas pelos europeus. Os documentos da época a designam como parda, termo com que se descrevia a tonalidade de pele mais clara entre os mestiços. Somente em meados do século XIX, quando se assistia à consolidação da família patriarcal nas Minas Gerais, a existência de uma Chica da Silva passou a ser digna de registro, como única mulher do século XVIII elevada, por Joaquim Felício, à categoria de personagem histórica. Localizado no século XIX, o autor baseou-se em cenas de seu cotidiano social, em que a mulher e a família deviam regrar-se pela moral cristã e onde imperavam os preconceitos contra ex-escravos, mulheres de cor e uniões consensuais. Para os homens da época, as escravas eram sensuais e licenciosas, mulheres com as quais era impossível manter laços afetivos estáveis. A vida de Chica, similar à de um sem-número de negras forras que viveram em concubinato com homens brancos, decerto não era peculiar nem pitoresca. A alforria precoce, a promoção para que ela acumulasse patrimônio, o uso que Chica fez do sobrenome Oliveira, o número elevado de filhos (treze), cujos nomes se ancoraram nas tradições familiares dos pais, e a longevidade do relacionamento contestam essa imagem. A média de um parto a cada treze meses faz desmoronar o mito da figura sensual e lasciva, devoradora de homens ao qual Chica esteve sempre ligada. João Fernandes jamais teve dúvidas sobre a paternidade dos rebentos, pois os legitimou e lhes legou todo o seu patrimônio.

FURTADO, J. F. Chica da Silva e o contratador de diamantes – do outro lado do mito.

São Paulo: Cia. das Letras, 2003 (adaptado).
A fim de desenvolver e reforçar a prática da cidadania e valorizar as experiências de participação dos indivíduos e dos grupos sociais na construção coletiva da sociedade e da democracia, uma professora e os estudantes da 1ª série do Ensino Médio focalizaram os obstáculos ao longo da história na qual imperaram a redução dos direitos do cidadão e especialmente das mulheres. Após a leitura desse texto, foram discutidas as representações de poder e o lugar da mulher. Sobre esse tema, foi solicitado aos estudantes que formassem uma nuvem de palavras. Na tarefa proposta, a professora buscou que os estudantes fossem capazes de perceber o(a)
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: PND Prova: INEP - 2025 - PND - HISTÓRIA - Licenciatura |
Q3711545 Sociologia
No século XX, Chica da Silva já era um mito. Fazia parte do conjunto dos raros indivíduos do século XVIII que se tornaram personagens históricas, a despeito de não pertencer à elite branca portuguesa. Além de parda e ex-escrava, era mulher. E por meio dessas exceções era compreendida. Em Diamantina, tornou-se lendária, alvo de inúmeras histórias. Chica da Silva teria entre 18 e 22 anos quando João Fernandes, então com 26 anos, a conheceu. A jovem possuía a beleza das mulheres oriundas da Costa da Mina, com frequência elogiadas pelos europeus. Os documentos da época a designam como parda, termo com que se descrevia a tonalidade de pele mais clara entre os mestiços. Somente em meados do século XIX, quando se assistia à consolidação da família patriarcal nas Minas Gerais, a existência de uma Chica da Silva passou a ser digna de registro, como única mulher do século XVIII elevada, por Joaquim Felício, à categoria de personagem histórica. Localizado no século XIX, o autor baseou-se em cenas de seu cotidiano social, em que a mulher e a família deviam regrar-se pela moral cristã e onde imperavam os preconceitos contra ex-escravos, mulheres de cor e uniões consensuais. Para os homens da época, as escravas eram sensuais e licenciosas, mulheres com as quais era impossível manter laços afetivos estáveis. A vida de Chica, similar à de um sem-número de negras forras que viveram em concubinato com homens brancos, decerto não era peculiar nem pitoresca. A alforria precoce, a promoção para que ela acumulasse patrimônio, o uso que Chica fez do sobrenome Oliveira, o número elevado de filhos (treze), cujos nomes se ancoraram nas tradições familiares dos pais, e a longevidade do relacionamento contestam essa imagem. A média de um parto a cada treze meses faz desmoronar o mito da figura sensual e lasciva, devoradora de homens ao qual Chica esteve sempre ligada. João Fernandes jamais teve dúvidas sobre a paternidade dos rebentos, pois os legitimou e lhes legou todo o seu patrimônio.

FURTADO, J. F. Chica da Silva e o contratador de diamantes – do outro lado do mito.

São Paulo: Cia. das Letras, 2003 (adaptado).
Ao abordar o tema, sob a atual análise das organizações dos movimentos feministas em defesa dos direitos das mulheres, aponta-se que
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Q3708887 Sociologia
Necessidade de trabalhar, desinteresse e gravidez são os principais motivos que levam jovens brasileiros a abandonarem os estudos. Dos quase 50 milhões de jovens de 14 a 29 anos do país, aproximadamente 20,2% não completaram alguma das etapas da Educação Básica. São 10,1 milhões nessa situação, entre os quais 58,3% homens e 41,7% mulheres. Destes, 71,7% eram pretos ou pardos e 27,3% eram brancos. Esses são alguns dados do segmento Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), que traça um cenário do setor educacional em 2019.


CRELIER, C. Necessidade de trabalhar e desinteresse são os

principais motivos para o abandono escolar. Disponível em:

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br. Acesso em: 7 jun. 2025.
Um estudante da 3ª série de uma escola pública de Ensino Médio compartilhou com o professor de Sociologia que dois amigos estavam faltando às aulas por terem vivenciado um episódio de LGBTfobia a caminho da escola. Tendo em seu planejamento bimestral a discussão dos Direitos Humanos, o professor pode abordar essa situação da seguinte forma:
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Q3708878 Sociologia
TEXTO 1

Ao longo do processo de colonização, os povos indígenas vivenciaram processos de genocídio e de epistemicídio, sendo desconsiderados seus direitos aos modos próprios de vida, conhecimentos ancestrais e territórios. Nas últimas décadas, fortaleceram suas demandas por direitos. Nesse movimento, as mulheres indígenas têm se colocado em luta na defesa dos seus direitos, incluindo o direito a uma vida livre de violências. Dessa perspectiva surge o conceito de corpo-território como uma expressão que liga a espoliação do território à violência contra os corpos das mulheres.

TEXTO 2

São joia esmeralda princesa minha rainha

Te passo essa mensagem não cai nessa ladainha

Conheço a história de quem se apaixonou

O homem mais bonito logo te abandonou

Muito das princesa não teve essa sorte

O homem mais amado se transformou em morte

Quebrando torturando no silêncio a sua amada

Mesmo no silêncio é grito de madrugada.


MC ANARANDÀ. Feminicídio. Disponível em: www.youtube.com.

Acesso em: 16 jul. 2025 (fragmento).
Uma professora de Sociologia de uma escola urbana apresentou o rap Feminicídio, da rapper Anarandà, ao trabalhar com a temática da violência contra as mulheres e meninas. Nesse contexto, considera-se que
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Q3708875 Sociologia
Estas diferenças [temperamentais], finalmente incorporadas à estrutura de caráter dos adultos, constituem, então, as chaves a partir das quais a cultura atua selecionando como desejável um temperamento e incorporando esta escolha a cada fio da tessitura social — ao cuidar das crianças pequenas, aos jogos que as crianças praticam, às músicas que as pessoas cantam, à estrutura da organização política, às práticas religiosas, à arte e à filosofia.

MEAD, M. Sexo e temperamento. São Paulo: Perspectiva, 2003 (adaptado).
Durante pesquisa etnográfica sobre juventudes em um colégio estadual, uma professora registra, em seu diário de campo, observações sobre como os estudantes do Ensino Médio constroem suas identidades corporais e sexuais. Inspirada nos trabalhos de Margaret Mead sobre a relatividade cultural da adolescência, ela documenta fotograficamente as diferentes formas de expressão juvenil. A professora nota como Kimberlé Crenshaw estava certa ao apontar que as experiências dos jovens não podem ser compreendidas considerando apenas uma categoria isolada, pois gênero, raça, classe e sexualidade se interseccionam na produção de suas subjetividades. As entrevistas em profundidade revelam narrativas complexas sobre descobertas sexuais, pressões sociais e resistências cotidianas que ecoam as análises de Guacira Lopes Louro sobre o funcionamento da escola como espaço de produção e regulação das sexualidades juvenis. Os estudantes relatam situações de discriminação, mas também de resistência, mostrando como seus corpos se tornam territórios de disputa política e cultural. A pesquisa revela como os jovens mobilizam estratégias criativas para negociar normas institucionais, criando espaços de liberdade dentro das estruturas disciplinares escolares.
Com base nessa pesquisa etnográfica, a análise que articula as discussões sobre produção do corpo e sexualidade ao conceito de juventude na perspectiva da Antropologia e Sociologia do Corpo é:
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Q3708868 Sociologia
Não tem racismo melhor ou pior. O nosso racismo era o racismo não dito, não assumido. A democracia racial é dizer que nós não somos racistas, os racistas são os brancos dos EUA e da África do Sul. Aqui somos todos mestiços. Isso acabou por matar a consciência das vítimas, negros, a consciência das pessoas brancas e vitimizadas. Então, nesse sentido que eu costumo dizer que é um crime perfeito, mata duas vezes, a primeira vez pelo silêncio, dizendo que não somos racistas, e mata mesmo, fisicamente. É como um carrasco. Você não vê o rosto do carrasco, como diz o judeu Elie Wiesel, Nobel da Paz. O carrasco mata sempre duas vezes, a segunda vez pelo silêncio. Esse é o nosso modelo de racismo, por isso temos dificuldade de derrotá-lo.

Disponível em: https://teoriaedebate.org.br.

Acesso em: 18 jul. 2025 (adaptado).
Há uma máxima de que, quanto menos o indivíduo apresente traços físicos (fenótipos) que o vinculem aos povos africanos, maiores as suas chances de ascensão social. Isso porque, conforme já afirmou o sociólogo Oracy Nogueira, o preconceito racial no Brasil é de marca e não de origem. Nesse aspecto, um planejamento de ensino que se propõe a debater pedagogicamente a mestiçagem deve apresentar o contexto brasileiro como uma sociedade multirracial, na qual
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Q3708864 Sociologia
A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago. Comecei a sentir a boca amarga. Pensei: já não basta as amarguras da vida? [...]. Pensei em guardar para comprar feijão. Mas vi que não podia porque o meu estômago reclamava e torturava-me. Resolvi tomar uma média e comprar um pão. Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores, as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos. A comida no estômago é como combustível nas máquinas. Passei a trabalhar mais depressa. Meu corpo deixou de pesar. [...] Eu tinha a impressão que eu deslizava no espaço. Comecei a sorrir como se eu estivesse presenciando um lindo espetáculo. E haverá espetáculo mais lindo do que ter o que comer? Parece que eu estava comendo pela primeira vez na minha vida.

JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2007.
Com base na obra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, o professor de Sociologia elaborou um plano de aula cujo objetivo é discutir criticamente a fome como efeito da sociedade capitalista. Assim, indique a alternativa que apresenta metodologia e atividades adequadas a esse objetivo.
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Q3708863 Sociologia
A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago. Comecei a sentir a boca amarga. Pensei: já não basta as amarguras da vida? [...]. Pensei em guardar para comprar feijão. Mas vi que não podia porque o meu estômago reclamava e torturava-me. Resolvi tomar uma média e comprar um pão. Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores, as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos. A comida no estômago é como combustível nas máquinas. Passei a trabalhar mais depressa. Meu corpo deixou de pesar. [...] Eu tinha a impressão que eu deslizava no espaço. Comecei a sorrir como se eu estivesse presenciando um lindo espetáculo. E haverá espetáculo mais lindo do que ter o que comer? Parece que eu estava comendo pela primeira vez na minha vida.

JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2007.
O professor de Sociologia resolveu trabalhar a questão da alimentação entre os estudantes do Ensino Médio. Para tal, pediu que os estudantes realizassem, com seus familiares, uma pesquisa sobre gostos/hábitos alimentares. Para sustentar teoricamente a pesquisa, o professor apresentou ao grupo a discussão feita por Pierre Bourdieu sobre capital cultural e habitus e mostrou qual a relação desses conceitos com a construção social do “gosto”. Nesse cenário, o debate que mais se aproxima de uma análise crítica sobre o gosto de classe e estilo de vida no contexto brasileiro é:
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Q3708857 Sociologia
Na ausência de uma pedagogia racional que coloque tudo em prática para neutralizar metodicamente e continuamente, da escola maternal à universidade, a ação dos fatores sociais de desigualdade cultural, a vontade política de oferecer a todos chances iguais diante do ensino não consegue vencer as desigualdades reais, ainda que se arme de todos os meios institucionais e econômicos; e, reciprocamente, uma pedagogia realmente racional, isto é, fundada numa sociologia das desigualdades culturais, sem dúvida contribuiria para reduzir as desigualdades diante da escola e da cultura, mas somente poderá concretizar-se efetivamente se forem oferecidas todas as condições de uma democratização real do recrutamento dos mestres e dos alunos, a começar pela instauração de uma pedagogia racional.

BOURDIEU, P.; PASERON, J. C. Os herdeiros: os estudantes e a cultura. Florianópolis: EDUFSC, 2013.
Com base no conceito de capital cultural, uma professora de Sociologia, que leciona para estudantes de diferentes origens sociais e étnico-raciais, busca conhecer os gostos e as práticas culturais da turma para organizar seu Planejamento de Ensino. Uma estratégia para alcançar esse objetivo e que considere os princípios éticos da Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais é:
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Q3708856 Sociologia
Na ausência de uma pedagogia racional que coloque tudo em prática para neutralizar metodicamente e continuamente, da escola maternal à universidade, a ação dos fatores sociais de desigualdade cultural, a vontade política de oferecer a todos chances iguais diante do ensino não consegue vencer as desigualdades reais, ainda que se arme de todos os meios institucionais e econômicos; e, reciprocamente, uma pedagogia realmente racional, isto é, fundada numa sociologia das desigualdades culturais, sem dúvida contribuiria para reduzir as desigualdades diante da escola e da cultura, mas somente poderá concretizar-se efetivamente se forem oferecidas todas as condições de uma democratização real do recrutamento dos mestres e dos alunos, a começar pela instauração de uma pedagogia racional.

BOURDIEU, P.; PASERON, J. C. Os herdeiros: os estudantes e a cultura. Florianópolis: EDUFSC, 2013.
A escola solicitou aos professores que trabalhassem, no seu planejamento didático, produções artísticas — filmes, música, literatura, fotografias, entre outros — que costumam ser mobilizadas nos exames de ingresso ao Ensino Superior. Com o objetivo de apresentar e mobilizar o conceito de capital cultural, a professora de Sociologia propôs as seguintes atividades:
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Q3708855 Sociologia
Observe os trechos da letra de canção Não é sério, selecionados por um professor de Sociologia, que atua em uma escola de uma grande cidade, para o planejamento de uma aula sobre as juventudes e as desigualdades sociais e raciais brasileiras.


Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério

O jovem no Brasil nunca é levado a sério

Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, não é sério

A polícia diz que já causei muito distúrbio

[...]

O que eu consigo ver é só um terço do problema

É o sistema que tem que mudar

Não se pode parar de lutar

Se não não muda

CHARLIE BROWN JR. e NEGRA LI. Nadando com tubarões. S.l.: Virgin, 2000 (fragmento).
Buscando consolidar a discussão sobre o tema e avaliar o aprendizado dos estudantes, o professor construiu, para a aula seguinte, uma proposta de atividade em grupo. Sabendo que parte da turma participa de coletivos artísticos na cidade, um exemplo de proposta adequada para cumprir os objetivos do professor é
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Q3708845 Sociologia
Uma professora de Sociologia propôs uma reflexão sobre movimentos sociais, especialmente sobre a pauta das relações étnico-raciais no Brasil. A pesquisadora Nilma Lino Gomes problematiza a dupla condição do movimento negro de “educar” e “ser reeducado” continuamente, marcando assim os avanços nos campos político e teórico-acadêmico. Nesse sentido, o movimento negro está presente em diferentes contextos e possui como pautas históricas, entre outras: denúncia ao racismo e busca por equidade, por meio de políticas compensatórias, a exemplo das ações afirmativas.
A aprovação da Lei n. 12 711/13 constituiu-se em uma importante política de acesso ao Ensino Superior Federal, estipulando cotas para a escola pública, e, dentro destas, estabeleceu cotas étnico-raciais e sociais. Considerando os dados oficiais acerca dos impactos da Lei de Cotas, o professor de Sociologia trouxe material de apoio para a sala de aula, a fim de debater com os estudantes, o acesso ao Ensino Superior. Durante a aula, observou que, para os estudantes, a universidade era um sonho distante, e a maior parte não se percebia em posições de prestígio, sobretudo por desconhecer pessoas negras em profissões como médicos(as), engenheiros(as) etc. Nesse contexto, a proposição político pedagógica que se mostra adequada para entender a efetividade da luta do movimento negro brasileiro é um(a)
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Q3708844 Sociologia
Uma professora de Sociologia propôs uma reflexão sobre movimentos sociais, especialmente sobre a pauta das relações étnico-raciais no Brasil. A pesquisadora Nilma Lino Gomes problematiza a dupla condição do movimento negro de “educar” e “ser reeducado” continuamente, marcando assim os avanços nos campos político e teórico-acadêmico. Nesse sentido, o movimento negro está presente em diferentes contextos e possui como pautas históricas, entre outras: denúncia ao racismo e busca por equidade, por meio de políticas compensatórias, a exemplo das ações afirmativas.
O movimento negro no Brasil foi propulsor de políticas públicas importantes em vários campos, mas sobretudo na Educação. Autores como Abdias do Nascimento e Lélia Gonzalez problematizaram as desigualdades de oportunidades, com ênfase nas questões de raça e gênero. Com base na análise de textos sociológicos contemporâneos, é possível afirmar que a(s)
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Q3707995 Sociologia
A construção da ciência ocidental é analisada criticamente como não sendo uma exceção no cenário de desigualdades de gênero, mas sim uma manifestação de uma sociedade predominantemente masculina. Essa marca patriarcal consolida concepções de inferioridade feminina e exclusão das mulheres dos espaços de produção intelectual. Mesmo atualmente, persistem desafios como a maternidade, uma vez que as mulheres são as principais responsáveis por criar seus filhos, o que as tira por muito tempo de pesquisas. Interrupções na carreira científica podem ter consequências bastante críticas; a maternidade não deve ser vista como um obstáculo, mas como parte da experiência humana. Para isso, a proposta é enfrentar a histórica misoginia fortemente entranhada em nosso imaginário masculino, e que se reconheça a importância de transformar a Ciência em um espaço mais inclusivo. Nesse contexto, para um projeto sobre a participação das mulheres na ciência, uma professora propôs às estudantes que investigassem os impactos da maternidade, o perfil e a história de vida nas trajetórias profissionais de pesquisadoras de uma universidade da região.
O procedimento de produção de dados utilizado para atingir o objetivo de uma pesquisa sobre as relações entre gênero e ciência discutidas no texto é a
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Q3707971 Sociologia
TEXTO 1


Discursos e práticas científicas, como produções inseridas em uma cultura, participam dos processos de alterização. Esse conceito faz referência aos processos culturais de delimitação das formas possíveis da construção do eu e do outro em um determinado marco sócio-histórico. Ele é utilizado para definir o padrão de normalidade em cada sociedade. Com base nesse padrão, geram-se hierarquizações entre grupamentos humanos, a partir da configuração de escalas de superioridade e inferioridade — de segregação e marginalização das pessoas consideradas anormais e inferiores. Esse fato aconteceu com Henrietta Lacks (1920 1951), que, aos 30 anos de vida, foi diagnosticada com carcinoma epidermoide do colo do útero. Submetida aos procedimentos de tratamento da doença, Lacks, mulher negra e pobre vivendo em plena vigência das leis de segregação racial nos Estados Unidos, teve amostras de suas células coletadas e armazenadas sem seu consentimento. Desde a década de 1920, pesquisadores analisavam amostras de tecidos de pessoas enfermas a fim de usá-las para investigar a causa e a cura do câncer. Até a amostra de Henrietta Lacks, todas as células recolhidas com esse propósito, após um tempo em cultura, morriam. No caso das células de Henrietta, elas não morreram. Como o pesquisador em questão codificava as células usando as duas primeiras letras do primeiro e último nome de cada paciente, as células de Henrietta Lacks — e a própria Henrietta — foram nomeadas de “HeLa”.

PAIVA, A. S.; SILVA, E. P. Q. Mulher, raça, ciência e livro didático: leitura feminista interseccional do caso

de Henrietta Lacks. Cadernos de Gênero e Tecnologia, n. 47, 2023 (adaptado).


TEXTO 2

A luta entre a boxeadora da Argélia Imane Khelif e a italiana Angela Carini, ambas categoria até 66 quilos, nas olimpíadas de Paris (2024), durou só 46 segundos e terminou com a vitória da argelina. A repercussão da prova, porém, ficou em cima de um outro acontecimento. Em 2023 a Associação Internacional de Boxe desclassificou Khelif de um campeonato por ela não ter passado no teste de gênero realizado pela organização. Isso aconteceu porque os níveis de testosterona da atleta não cumpriram critérios de elegibilidade da associação. Segundo a pesquisadora consultada pela reportagem, essa verificação pode ser imprecisa e acabar ficando específica para atletas que teriam uma aparência, entendida socialmente, como masculinizada, em especial pelos dirigentes de entidades esportivas.

Disponível em: www.nexojornal.com.br. Acesso em: 22 maio 2025 (adaptado).
Considerando o conceito de alterização apresentado no Texto 1, a intersecção entre o caso de Henrietta Lacks e Imane Khelif pode ser identificada na(s)
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Ano: 2025 Banca: FUNDATEC Órgão: UFRGS Prova: FUNDATEC - 2025 - UFRGS - Enfermeiro |
Q3705344 Sociologia
O documento “Cartilha Educando para as Relações Étnico-Raciais” destaca a importância do letramento racial para compreender as dinâmicas sociais e combater o racismo. Para tanto, é fundamental diferenciar alguns conceitos-chave. Considerando as definições apresentadas na cartilha, relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando cada termo à sua respectiva descrição.

Coluna 1
1. Discriminação. 2. Preconceito. 3. Racismo.
Coluna 2
( ) Comportamento social originado do preconceito, que diferencia e classifica negativamente uma pessoa em função de alguma característica.
( ) Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos necessários sobre determinado assunto, que inviabiliza o respeito às diferenças.
( ) Forma sistêmica de discriminação baseada em raça/cor e etnia, que tem como resultado a desigualdade e a restrição de direitos, construída e reproduzida a partir de relações de poder e dominação.


A ordem correta do preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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Q3692509 Sociologia

Como Agente Comunitário de Saúde, sua atenção na coleta e no preenchimento adequado do quesito raça, cor, etnia; e de todas as outras informações é igualmente importante para o diagnóstico da situação de saúde da população e para a elaboração de ações e práticas de saúde universais, integrais e, sobretudo, mais equânimes e antirracistas. Pelo exposto, analise as afirmativas a seguir:



I- Raça é considerada uma categoria coletivamente construída para diferenciar grupos que se interrelacionam, formando uma unidade social perante as outras distintas à sua.


II- O conceito de etnia tem sido moldado por critérios sociais e históricos, com base, principalmente, em traços fenotípicos e culturais observados nos indivíduos.


III- O racismo envolve práticas fundamentadas na crença de que uma raça é superior a outra. Essas práticas podem se manifestar no comportamento individual, em instituições ou até mesmo no âmbito político.


IV- Racismo ambiental é um conceito construído por ativistas e intelectuais negros norte-americanos, utilizado desde a década de 1980, no qual pontuam, além da degradação, a ausência de pessoas negras nos espaços de decisão.



É CORRETO o que se afirma apenas em:

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Respostas
221: A
222: B
223: E
224: D
225: B
226: D
227: C
228: B
229: C
230: B
231: A
232: B
233: A
234: A
235: B
236: C
237: B
238: A
239: A
240: E