Questões de Concurso
Sobre a divisão social do trabalho em sociologia
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Considere o seguinte texto:
“Sabemos que Marx (muitas vezes com a colaboração de Engels) utilizou como sinônimos a noção de proletariado, classe trabalhadora e assalariados, como se pode notar, por exemplo, no Manifesto Comunista (1848). Mas também enfatizou muitas vezes especialmente em O Capital (1867) que o proletariado era essencialmente constituído pelos produtores de mais-valia, que vivenciaram as condições dadas pela subsunção real do trabalho ao capital. Nesse nosso desenho analítico, procuramos manter essa ‘distinção’, ainda que de modo não rígido: usaremos proletariado industrial para indicar aqueles que criaram diretamente mais-valia e participam diretamente do processo de valorização do capital, e utilizaremos a noção de classe trabalhadora ou classe-que-vive-do-trabalho para englobar tanto o proletariado industrial, como o conjunto dos assalariados que vendem sua força de trabalho.”
(ANTUNES, Ricardo. Os sentidos do trabalho: ensaios sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2007, p. 103.)
De acordo com a passagem e os conhecimentos sobre o tema trabalho e produção social, é correto afirmar que:
De acordo com Almeida Prado et al. (2020), apesar da promulgação de uma série de ações, projetos e políticas voltadas para as juventudes como sujeitos de direitos, temos inúmeras lacunas existentes na oferta de oportunidades para a maioria das juventudes brasileiras, relacionadas com a educação, a profissionalização, o trabalho, a cultura, entre outras. Assim, faz-se necessário ressaltar que esses setores influenciam diretamente os percursos trilhados, inscrevendo-as em um contínuo de desigualdade e precarização. Nas sociedades atuais, as desigualdades e as precarizações estão relacionadas:

Lula Cardoso Ayres. Trabalhadores no Eito, 1943,
óleo sobre eucatex, 102 cm x 160,5 cm. Col. FUNDAJ.
Tendo como referência a tela apresentada, intitulada Trabalhadores no eito, de Lula Cardoso Ayres, e os aspectos sociológicos que ela suscita, julgue o seguinte item.
O título da tela e a criança no primeiro plano simbolizam
uma associação entre as instituições sociais do trabalho e da
família.

Lula Cardoso Ayres. Trabalhadores no Eito, 1943,
óleo sobre eucatex, 102 cm x 160,5 cm. Col. FUNDAJ.
Tendo como referência a tela apresentada, intitulada Trabalhadores no eito, de Lula Cardoso Ayres, e os aspectos sociológicos que ela suscita, julgue o seguinte item.
Os trabalhadores rurais pernambucanos foram tão
constrangidos pelas condições precárias de existência que
deixaram de ser criativos em termos culturais e de estilos de
vida.
(Adaptado de: MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo, 2005, p. 44)
O trecho acima elenca algumas modificações observadas nas origens do capitalismo, referindo-se
(Adaptado de: ABÍLIO, Ludmila Costhek. “Uberização: a era do trabalhador just-in-time?”. Estudos Avançados, v. 34, n. 98, 2020, p. 111-126)
Considere as seguintes proposições a respeito dessas mudanças mais recentes no mundo do trabalho conhecidas como “uberização do trabalho”:
I. Trata-se de um processo de informalização do trabalho, que reconfigura o próprio trabalho informal, podendo ser compreendido como uma nova etapa da flexibilização do trabalho. II. É uma nova forma de organização dos processos de trabalho, na qual a sindicalização torna-se o meio principal de fortalecimento das lutas coletivas. III. Refere-se aos processos de desregulamentação típicos do neoliberalismo e ao papel ativo do Estado na destituição de direitos, mediações e fiscalização das relações trabalhistas. IV. Diz respeito aos modelos contemporâneos de gestão do trabalho que transferem custos e riscos aos trabalhadores, resultando em novos modos de subjetivação. V. Mostra-se como um novo meio de monopolização das atividades econômicas e de centralização do controle sobre o trabalho.
Está correto o que se afirma APENAS em:
Quanto mais aumentam a competitividade e a concorrência inter-capitais, mais nefastas são suas consequências, das quais duas são particularmente graves: a destruição e/ou precarização, sem paralelos em toda a era moderna, da força humana que trabalha e a degradação crescente do meio ambiente, na relação metabólica entre homem, tecnologia e natureza, conduzida pela lógica societal voltada prioritariamente para a produção de mercadorias e para o processo de valorização do capital. (ANTUNES, 2000, p. 34)
ABÍLIO, L. C. Breque no despotismo algorítmico: uberização, trabalho sob demanda e insubordinação, 2020. Disponível em: https://blogdaboitempo.com.br. Acesso em: 1 set. 2022.
ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2000.
As condições de trabalho que afetam as classes trabalhadoras fazem parte do processo de respostas às crises de acumulação capitalista que, desde o século XX, de um ponto de análise crítico, ficaram conhecidas como
I. Para Marx, as classes sociais surgem a partir da divisão social do trabalho.
II. Para Marx, em razão da divisão social do trabalho, a sociedade se divide em detentores e não detentores dos meios de produção.
III. Para Weber, há um status relacionado às classes sociais que não é medido somente pela divisão do trabalho, mas pelo tipo de trabalho.
Estão corretas as afirmativas
Para Tomazi, o Brasil passou por grandes transformações nos últimos anos, mas a questão do desemprego ainda continua sendo um dos maiores problemas nacionais. A chamada política de modernização dos setores produtivos e de serviços majorou a riqueza nacional, entretanto não resultou em aumento da quantidade de postos de trabalho.
Sendo assim, conforme Tomazi (2007), afirma-se que o desemprego é resultado do(a)
“A preocupação de Durkheim em relação ao processo da divisão do trabalho está relacionada às consequências da especialização que pode significar um sintoma das deficiências da coordenação moral dos vários grupos profissionais. Reconhece o autor o caráter alienante do processo da divisão do trabalho moderno, que se dá de modo repetitivo e de forma monótona sem que o trabalhador se interesse por ele e sem que o compreenda. Para ele, a desumanização do trabalhador não decorre da divisão do trabalho em si, da sua fragmentação, mas sim da posição moral anômica do trabalhador. Significa com isto que a causa dessa posição anômica do trabalhador deriva do fato de este realizar uma tarefa especializada sem a noção clara da unidade de propósitos entre sua atividade e o esforço produtivo coletivo”.
(Teixeira, Aurenice da Mota. A educação e seus reflexos na divisão
social do trabalho. Revista Magistro. Vol. 8, n°2, 2013, p. 57)
Com apoio do texto, indique a alternativa correta
A teoria dos estilos de vida é tão somente um desenvolvimento indireto da sociologia weberiana, mas está longe de ser o único. Refletindo acerca do tema das classes, Müller nos oferece uma síntese interessante de seus múltiplos desenvolvimentos, os quais ele classifica como segue: a simbiose Marx-Weber — consciência de classe e conduta de vida (Giddens); chances de vida e exclusão social (Dahrendorf e Parkin); classe e estilos de vida (Bourdieu); condições econômicas, formação de interesses políticos e orientações valorativo-culturais (M. Rainer Lepsius).
Carlos Eduardo Sell. Max Weber and the debate on social classes in Brazil. In: Sociologia e Antropologia. Rio de Janeiro, v. 6, n.º 2, 2016, p. 367 (traduzido e adaptado).
Ao tratar dos “batalhadores” e da “ralé” brasileira, Jessé Souza incorpora à sua análise elementos relacionados aos estilos de vida, sem desconsiderar a importância do conceito de classes, o qual é por ele trabalhado criticamente.
I. Uma das características mais distintivas do sistema econômico das sociedades modernas é a existência de uma divisão do trabalho extremamente complexa: o trabalho passou a ser dividido em um número enorme de ocupações diferentes nas quais as pessoas se especializam. II. As mulheres que trabalham fora historicamente se concentraram em ocupações mal remuneradas, que envolvem atividades de rotina. Muitos desses empregos são extremamente marcados pelo gênero. Apesar da igualdade formal em relação aos homens, as mulheres ainda passam por diversas situações de desigualdade no mercado de trabalho. III. Há quem fale na “morte das carreiras” e no advento do trabalhador de portfólio – aquele que possui e apresenta diferentes habilidades, afirmando que tem condições de se deslocar prontamente de um emprego para outro. Assim, por qualquer ângulo que seja observada, a flexibilização do trabalho é considerada uma prática benéfica à sociedade.
Estão corretas as afirmativas
O trabalho não é emprego, não é apenas uma forma histórica do trabalho em sociedade, ele é a atividade fundamental pela qual o ser humano se humaniza, se cria, se expande em conhecimento...
Considerar o trabalho como princípio educativo equivale a dizer que
A burocracia é uma forma de ordenação da dominação: ela está associada, em sua expressão moderna, sobretudo à obediência a determinadas regras e, desse modo, ao exercício da autoridade a partir da legitimação decorrente da posse de determinadas qualificações expressamente previstas e regulamentadas.
Para determinada corrente da interpretação e crítica do social, a organização da sociedade deve ser compreendida a partir da reconfiguração da produção intelectual e da produção material.