Questões de Concurso Sobre antropologia

Foram encontradas 1.142 questões

Q4032605 Antropologia
Analise as afirmações sobre os mitos cosmogônicos nas tradições religiosas:

I.No Hinduísmo, o Rigveda apresenta múltiplas cosmogonias, incluindo o Purusha Sukta onde o universo surge do sacrifício do Homem Cósmico, diferindo da criação ex nihilo abraâmica.
II.O conceito de tzimtzum na Cabala judaica propõe que Deus precisou contrair-se para criar espaço para o universo, uma visão ausente no cristianismo ortodoxo medieval.
III.Nas religiões afro-brasileiras, Oxalá (sincretizado com Jesus Cristo) é o orixá responsável pela criação dos seres humanos a partir do barro, por determinação de Olorum, o Deus supremo.
IV.O Gênesis cristão e judaico compartilha a mesma narrativa de criação em seis dias, mas divergem na interpretação: o judaísmo rabínico admite múltiplas leituras alegóricas enquanto o cristianismo paulino defende literalidade.
V.No Budismo Theravada, não há um mito de criação definitivo, pois o universo é considerado sem início (anadhi), passando por ciclos infinitos de expansão e contração.


Estão corretas apenas:
Alternativas
Q4032601 Antropologia
O sincretismo religioso no Brasil manifesta-se de forma complexa, especialmente nas religiões afro-brasileiras. Considerando as teorias antropológicas sobre esse fenômeno, analise as afirmativas:

I.O sincretismo foi uma estratégia de resistência cultural dos povos escravizados, sem dimensão de imposição colonial.
II.A correspondência entre orixás e santos católicos representa um processo de reinterpretação cosmológica que transcende a simples justaposição de elementos.
III.O conceito de "máscara católica" implica que o sincretismo é superficial e não afeta as estruturas profundas das religiões africanas.


Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4032595 Antropologia
A questão do autorreconhecimento religioso envolve complexas dimensões sociológicas, jurídicas e teológicas. A autodefinição de um movimento como "religião", "filosofia", "ciência" ou "doutrina" reflete não apenas convicções internas, mas também estratégias de legitimação social e posicionamento no campo religioso. Sobre esse assunto, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q4032593 Antropologia
Em contextos de encontro entre diferentes tradições religiosas, observa-se que certos grupos mantêm símbolos e ritos de origens diversas lado a lado, sem que haja transformação profunda de sentido. Em outros casos, as crenças e práticas interagem de modo a gerar novas formas espirituais, resultando em uma síntese simbólica e teológica. Essa diferença entre a simples coexistência de elementos e a criação de um sistema integrado expressa duas formas distintas de sincretismo. Assinale a alternativa que identifica corretamente essas modalidades.
Alternativas
Q4031836 Antropologia

Jocimar Daolio, em "Da Cultura do Corpo", propõe uma revolução paradigmática para a Educação Física ao utilizar a Antropologia como referencial. Ele critica a visão biologizante, que trata o corpo como um dado universal e natural (uma "máquina"), e propõe que a área passe a entender o corpo como uma construção cultural e simbólica. Ele utiliza a distinção entre "cultura de corpo" (singular) e "cultura do corpo" (plural, implícito). Analise as afirmativas a seguir:



I. A "cultura de corpo" (no singular) refere-se à concepção tradicional e biologizante, que vê o corpo como um dado universal, que deve ser treinado e aperfeiçoado para atingir um padrão ideal de saúde ou performance.


II. A "cultura do corpo" (no plural) é a perspectiva antropológica, que entende o corpo como uma construção simbólica, cujos significados (ex: o que é ser forte, belo ou hábil) variam entre diferentes grupos sociais, etnias e gêneros.


III. A proposta de Daolio é que a Educação Física escolar abandone a "cultura do corpo" (diversidade) e adote a "cultura de corpo" (universal), pois a ciência biológica oferece verdades objetivas para o treinamento de todos os alunos.



Está correto o que se afirma em: 

Alternativas
Q4031748 Antropologia
As pesquisas de Alan Merriam e John Blacking são fundamentais para compreender a música como um fenômeno social, simbólico e culturalmente situado, indo muito além da ideia de música como mera arte sonora ou técnica. Ambos os autores, com formações em antropologia e etnomusicologia, contribuíram para a consolidação da etnomusicologia como campo que investiga as relações entre música, cultura e sociedade. Essa concepção define a música como: 
Alternativas
Q3999190 Antropologia
O registro dos bens culturais de natureza imaterial se dará:
I - no Livro de Registro dos Saberes, no caso dos conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades;
II - no Livro de Registro das Celebrações, no caso de rituais que marcam a vivência coletiva do trabalho e de outras práticas da vida social;
III - no Livro de Registro das Formas de Expressão, no caso de manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas;
IV - no Livro de Registro dos Lugares, no caso de mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas.
Assinale as questões corretas:
Alternativas
Q3985172 Antropologia
A comunidade indígena da etnia Potiguara está situada em dois municípios: Canguaretama e Goianinha. Assim como a Festa da Castanha do Amarelão e a Festa do Milho de Sagi-Trabanda, os Potiguara realizam anualmente no dia de todos os santos — primeiro de novembro — a Festa da Batata. O referido festejo é realizado pelo povo 
Alternativas
Q3983624 Antropologia
Sobre a dança e sua representatividade no Brasil, qual das alternativas abaixo está corretamente fundamentada pelas pesquisas da antropóloga e pesquisadora Helena Katz, autora de "Um, Dois, Três: A Dança é o Pensamento do Corpo"?
Alternativas
Q3928909 Antropologia
Considerando que as práticas corporais são elementos constitutivos da identidade cultural dos povos e grupos, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3902151 Antropologia
“O pensamento dos xamãs se estende por toda parte, debaixo da terra e das águas, para além do céu e nas regiões mais distantes da floresta e além dela. Eles conhecem as inumeráveis palavras desses lugares e as de todos os seres do primeiro tempo. É por isso que amam a floresta e querem tanto defendê-la. A mente dos grandes homens dos brancos, ao contrário, contém apenas o traçado das palavras emaranhadas para as quais olham sem parar em suas peles de papel. Com isso, seus pensamentos não podem ir muito longe.”

KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 468.

O xamã yanomami, Kopenawa, no trecho anterior, apresenta uma compreensão dupla de discurso (o do homem branco e o do xamã), no texto anterior, no qual o discurso xamânico assume
Alternativas
Q3894636 Antropologia
A visão socioantropológica da surdez desloca o foco da deficiência (visão clínico-patológica) para a experiência cultural e linguística. Nessa perspectiva, ser surdo não é apenas uma condição auditiva, mas pertencer a uma minoria linguística com cultura, história e identidade próprias. Autores que estudam a Cultura Surda (com 'S' maiúsculo) e as diferentes formas de identidade que coexistem dentro da comunidade, como Padden, Humphries e Strobel, destacam que essas identidades não são fixas e refletem a relação complexa do indivíduo com a surdez, a língua de sinais, a comunidade ouvinte e a própria comunidade surda.
Assim, analise as afirmativas a seguir sobre as identidades surdas:

I.A 'Identidade Surda' refere-se a indivíduos que veem a surdez como uma diferença cultural e linguística, têm a língua de sinais como L1, participam ativamente da Comunidade Surda e constroem seus laços sociais majoritariamente dentro dela.

II.A 'Identidade Híbrida' (ou flutuante) descreve exclusivamente surdos oralizados que aprenderam Libras tardiamente e rejeitam totalmente a cultura ouvinte, buscando uma imersão pura, porém conflituosa, na cultura surda.

III.A 'Identidade de Transição' (ou 'embaçada') caracteriza indivíduos que, vindos de uma educação oralista ou de famílias ouvintes, estão em processo de descoberta da Libras e da Comunidade Surda, muitas vezes sentindo-se 'nem ouvintes, nem surdos'.


Está correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3894369 Antropologia
A perspectiva socioantropológica da surdez entende que o grupo de pessoas que compartilha a experiência visual e a língua de sinais desenvolve artefatos culturais próprios, constituindo o que se denomina "Cultura Surda". Essa cultura não se define pela ausência da audição, mas pela presença de uma forma distinta de ser e estar no mundo, com produções artísticas, literárias (como a literatura surda), piadas e uma organização social centrada na comunidade e na língua. A transmissão dessa cultura ocorre majoritariamente nas associações, escolas de surdos e encontros informais. Considerando a definição e os elementos que compõem a Cultura Surda, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3822573 Antropologia
O Professor de Educação Física que atua nos anos iniciais do Ensino Fundamental compreende as dimensões que fundamentam sua área. Considerando a dimensão antropológica da Educação Física, o corpo humano é compreendido como: 
Alternativas
Q3820530 Antropologia

Sancionada em julho de 2025, a Lei n.º 15.161/2025 institui o Dia Nacional do Coco de Roda, da Ciranda e da Mazurca, a ser celebrado anualmente no dia 26 de julho em todo o território nacional, reconhecendo e valorizando essas importantes manifestações da cultura popular brasileira. Sobre o Coco de Roda, em específico, Cascudo (2001) descreve-o como:

Alternativas
Q3813506 Antropologia
“O tempo é um conceito-chave para o entendimento do ritmo de vida, do pensamento e das ações existentes no terreiro de Candomblé e na sociedade global. Com o advento da sociedade industrial surge uma nova concepção de trabalho e de tempo incompatíveis com as sociedades norteadas por outras relações de produção, onde o trabalho constituía parte essencial da vida cotidiana e o tempo era marcado segundo o ritmo das tarefas diárias necessárias e das estações do ano.”

GONÇALVES, Maria Alice Rezende. A vida lúdica de uma comunidade de Candomblé no Cubango: um estudo sobre a categoria "brincadeira". Cadernos CERU, v. 10, 1999., p. 48s. (Adaptado).

Com base no texto, sobre as diferentes formas de lidar com o tempo, é correto afirmar que
Alternativas
Q3811461 Antropologia
Sobre a interpretação das pinturas rupestres de Várzea Grande, no Piauí, a arqueóloga brasileira Niède Guidon (1933- 2025) afirma: “cada cultura tem sua própria maneira de ver, reconhecer e representar seres ou coisas. Em outras palavras, quando um homem desenha um determinado animal, ele o faz de acordo com convenções geralmente aceitas em sua cultura. Assim, um desenho inclui características significativas para identificação, mas também pode incluir outras que representam uma contribuição pessoal do designer e, por isso, são incomuns”.
GUIDON, Niède. Peintures rupestres de Várzea Grande: Piauí, Brésil. Paris: Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, 1975., p.42. (Adaptado).

No que diz respeito à epistemologia apresentada por Guidon, é correto afirmar que
Alternativas
Q3810007 Antropologia
"A reciprocidade é fundamental na cosmologia indígena Kaingang, ela aponta para a interrelação e interdependência entre todos os sujeitos do cosmos e do âmbito espiritual simbólico. Ela propicia e fundamenta trocas e comunicação, compromissos e cuidados mútuos, cooperação e intercâmbios de saberes e conhecimentos entre os diversos seres do cosmos. Assim, pensar a cosmologia e a educação, a partir desse princípio e contexto, vai fazer com que nós possamos pensar a escola que queremos e a sociedade que queremos para gerações futuras das sociedades.
Se antes a escola era um espaço que trazia o conhecimento para os indígenas e tínhamos que aceitar, hoje os indígenas querem compartilhar seus conhecimentos. (...) Eles querem construir essas relações de respeito entre os conhecimentos promovendo o diálogo intercultural.
Os indígenas não ensinam ninguém, eles aprendem, aí o outro também aprende. Então essa ideia de ir à escola para aprender é porque lá tem alguém que ensina. Mas nessa relação de quem ensina, existe a negação do aprender, porque um ensina e outro aprende. Não existe a construção intercultural. Na interculturalidade nós trocamos ideias e construímos o que é melhor para nossa sociedade. Então, me parece que tem um abismo entre os indígenas e os não indígenas porque não tem essa compreensão da prática intercultural vivencial."
(Ferreira Kaingang, 2024, p. 836, 844, 847-848.)

"O que são os conhecimentos para os coletivos Kaingang? Como se produz conhecimentos a partir da relação que se faz com esses seres que o mundo eurorreferenciado não considera humanos e são fundamentais para produção do conhecimento para eles?
O professor D. Cardoso [...] é enfático em afirmar constantemente: 'Eu aprendi com o rio, aprendi com a corrente de água; ela me ensina quando está acordada. A água acorda, ela dorme, tem fluxo, ela traz o movimento, o tempo, uma série de conhecimentos, ela pode ser remédio!'.
O sistema Kaingang é muito mais aberto ao outro, à alteridade radical, aos seres extra-humanos. Constitui-se como um mundo em que se percebe e se produz a partir de constantes e intensas relações entre os existentes do cosmos. Estamos diante, pois, de uma sócio-cosmo-ontologia instável, em contínua transformação e de criação de seus corpos e de suas pessoas."
(Baptista da Silva, 2022, p. 10.)

Com base nos trechos selecionados dos textos de Bruno Ferreira Kaingang e Sergio Baptista da Silva, que discutem a cosmologia, a educação e a alteridade no contexto Kaingang, registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) O conhecimento Kaingang é relacional e se produz nas interações entre humanos e extra-humanos, em um sistema aberto à alteridade e em contínua transformação.
(__) A reciprocidade é princípio central da cosmologia e da educação Kaingang, pois expressa interdependência, trocas e compromissos entre todos os seres do cosmos.
(__) A escola, segundo Ferreira Kaingang, deve manter a lógica unidirecional do ensino, na qual o professor é o portador do saber e o aluno o receptor do conhecimento.
(__) A educação intercultural proposta pelos autores se baseia na troca e na construção conjunta de saberes, em que aprender é um processo mútuo e não hierárquico.
(__) Para os Kaingang, o conhecimento é prática vivencial e relacional, vinculada à cosmologia e às experiências de reciprocidade com o mundo natural e espiritual.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3810006 Antropologia
A Constituição Federal de 1988 reconheceu o direito dos povos indígenas a uma educação específica, bilíngue e intercultural, como parte do processo de afirmação de suas identidades e da valorização de seus conhecimentos originários. Normativas posteriores consolidaram esse princípio e definiram diretrizes para o funcionamento das escolas indígenas, para a orientação das práticas pedagógicas e dos projetos educativos e para a formação de professores indígenas no Brasil. Com base na consolidação dessas normativas, ao refletir sobre a educação indígena, analise as afirmativas a seguir:

I. A educação escolar indígena deve ser específica, bilíngue e intercultural, garantindo o direito de cada povo de ensinar e aprender em sua própria língua, conforme seus processos culturais e modos de conhecer.
II. A formação de professores indígenas deve articular os saberes comunitários e os conhecimentos acadêmicos, promovendo o diálogo entre diferentes formas de ensinar e aprender, de modo a assegurar a qualidade e a coerência dos processos formativos.
III. A organização das escolas indígenas deve respeitar a estrutura administrativa e curricular das escolas urbanas, sem considerar a autonomia comunitária ou o calendário cultural de cada povo.
IV. A interculturalidade na educação indígena visa reafirmar as identidades étnicas e valorizar as línguas e ciências dos povos indígenas, promovendo o diálogo com os conhecimentos da sociedade nacional e o acesso às informações que ela valoriza.
V. A docência indígena é compreendida como prática social, política e comunitária, que envolve o compromisso com a memória, a língua e a continuidade das tradições de cada povo.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3810005 Antropologia
"Aqui tocamos o ponto central, a questão da tutela. Para que a assimilação ocorra, há necessidade de um agente que, em primeiro lugar, se encarregue ativamente de dirigi-la, exercendo um controle sobre os que estão referidos a outras crenças e costumes, e em segundo lugar, que passe a intermediar em caráter permanente as relações dos europeus com os autóctones. Em termos de controle e mediação sobre os indígenas, o Brasil irá conhecer três regimes − a tutela pelos missionários, por particulares ou pelo Estado (período republicano).
Para o Estado brasileiro, só é possível a coexistência de culturas dentro de uma unidade social e política quando imaginada como fato passageiro e controlado, um resultado imediato da guerra de conquista ou de suas reverberações posteriores. É a localização de uma pessoa de um lado ou do outro dessa clivagem cultural que irá, desde o início, definir a sua condição de educador e aprendiz, de superior ou subalterno, em suma, de tutor e tutelado. [...] O tutor, católico e civilizado, supostamente europeizado, e o tutelado, índio, negro ou notoriamente mestiço, presumidamente primitivo e selvagem, foram os componentes essenciais da sociedade brasileira.
Ao considerar as culturas indígenas como parte da nação brasileira, a Constituição de 1988 veio, logicamente, a abolir a tutela, introduzindo algo absolutamente novo nas relações entre os indígenas e os demais cidadãos brasileiros. O abandono de uma perspectiva civilizatória na Constituição de 1988 implica que a estruturação da ordem jurídica e administrativa não possa mais fazer-se baseada na absoluta supremacia das tradições ocidentais. Isso abre um espaço importantíssimo para a valorização e o fortalecimento das culturas indígenas. (...) Tudo isso aponta para formas novas de realização da cidadania, em que o paternalismo não tenha mais lugar. Os confrontos que irão se seguir decorrem da dificuldade da sociedade em despojar-se de tal imagem, que tem atrás de si uma longa história, e ainda pode servir a perspectivas tutelares de alguns grupos sociais."
(Oliveira, 2016, p. 309-314)

Com base na análise de João Pacheco de Oliveira sobre a formação histórica do regime tutelar e sua relação com a construção da nação brasileira, é correto afirmar que:
Alternativas
Respostas
201: C
202: A
203: A
204: C
205: D
206: A
207: C
208: B
209: B
210: B
211: D
212: B
213: B
214: A
215: A
216: D
217: C
218: A
219: D
220: A