Questões Militares Para engenheiro eletrônico

Foram encontradas 521 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q689705 Português

                                      Restos do carnaval

      Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate.Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.

      No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.

      E as máscaras? Eu tinha medo mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.

      Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma das minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça – eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável – e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice.

      Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com as quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.

      Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga – talvez atendendo a meu mudo apelo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel – resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.

      Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas – à ideia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha – mas ah! Deus nos ajudaria! Não choveria! Quanto ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola.

      Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.

      Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge – minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa – mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil – fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.

      Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.

      Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.

(Lispector, Clarice. Felicidade clandestina: contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998)

“Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.” (8º§)

A relação lógica existente, nas orações sublinhadas, no período anterior é de

Alternativas
Q645138 Engenharia Eletrônica

Coloque F(falso) ou V(verdadeiro) nas afirmativas abaixo relacionadas às diversas classes de operação dos amplificadores de potência e, a seguir, assinale a opção correta.

( ) A vantagem dos amplificadores de potência operarem em classe A é por causa da menor dissipação de potência no transistor e pela redução da corrente.

( ) O uso de dois transistores em arranjo push-pull é para evitar a distorção resultante na saída de um amplificador de potência operando em classe B.

( ) Uma das formas de minimizar a distorção cross-over na saída dos amplificadores push-pull é a utilização do par Darlington.

( ) Os amplificadores classe D são projetados para operar com sinais digitais ou pulsados.

Alternativas
Q645137 Engenharia Eletrônica

Observe o circuito a seguir e considere como características do diodo zener: Vz = 7 V; rz = 20Ω.

Imagem associada para resolução da questão

Com base nos dados apresentados, qual a variação de tensão V0 quando a fonte de tensão E varia de ±2V?

Alternativas
Q645136 Engenharia Eletrônica
Em relação à representação de um sinal analógico através de amostragens instantâneas deste sinal, é correto afirmar que:
Alternativas
Q645135 Engenharia de Automação

Observe a figura a seguir.

                  Imagem associada para resolução da questão 

Qual a expressão lógica de "S" em função de "A", "B" e "C", na figura acima? 

Alternativas
Q645134 Engenharia Elétrica

Observe o circuito a seguir.

Imagem associada para resolução da questão

Dado o circuito acima, considerando R2 = 2R1 e R3 = 3R1, qual a relação de V1/V2?

Alternativas
Q645133 Engenharia Eletrônica
Dentre as opções abaixo, assinale a que se aplica ao funcionamento de um fotodiodo.
Alternativas
Q645132 Engenharia Eletrônica

Observe a figura a seguir.

Imagem associada para resolução da questão

Com base nos dados apresentados acima, pode-se afirmar que:

Alternativas
Q645131 Engenharia Eletrônica
Na análise de uma linha de transmissão, um importante conceito a ser analisado é o seu Coeficiente de reflexão. Assinale, dentre as opões a seguir, aquela que contém uma afirmação FALSA relativa a esse conceito e à sua aplicação prática.
Alternativas
Q645130 Engenharia Eletrônica
As antenas parabólicas se tornaram muito comuns nos dias atuais, sendo utilizadas em diversos sistemas de comunicação importantes para a sociedade atual. Com relação à utilização e às características típicas das antenas parabólicas, assinale, dentre as opções abaixo, aquela que contém uma afirmativa correta.
Alternativas
Q645129 Engenharia Eletrônica

A expressão booleana Imagem associada para resolução da questão pode ser substituída por:

Alternativas
Q645128 Engenharia Eletrônica

Observe o circuito a seguir.

Imagem associada para resolução da questão

Dado o circuito acima, calcule a tensão de saída Vs para a entrada digital 8816, atribuindo o valor de R = 1kΩ e R0= 1,6kΩ, nível 1= 5V e Vcc = ±15V, e a seguir assinale a opção correta.

Alternativas
Q645127 Engenharia Eletrônica

Um sinal de portadora cossenoidal de 100 MHz, com 200 Vpp, é modulado em frequência, com desvio máximo de 75 kHz, por um sinal também cossenoidal de 15 kHz e 20 Vpp.

Qual a largura de faixa ocupada por este sinal modulado?

Alternativas
Q645126 Engenharia Eletrônica
Referente aos diversos tipos de diodos, é correto afirmar que os
Alternativas
Q645125 Engenharia Elétrica
Assinale a opção que NÃO contém um dos componentes de um receptor super-heteródino.
Alternativas
Q645124 Engenharia Eletrônica

Analise a figura a seguir. 

                 Imagem associada para resolução da questão

Considerando o amplificador operacional ideal, qual o valor de Vo em função de V1 e V2? 

Alternativas
Q645123 Engenharia Eletrônica
A representação do número decimal 53,12510 convertido para o sistema binário é:
Alternativas
Q645122 Engenharia Eletrônica
Com relação ao processo de dopagem de semicondutores, responsável pela criação dos materiais dos tipos p e n, assinale a opção INCORRETA.
Alternativas
Q645121 Engenharia Eletrônica
Um método usado para classificar amplificadores de potência é o de Classes. As Classes de amplificadores basicamente indicam quanto o sinal de saída varia, sobre um ciclo de operação, para um ciclo completo do sinal de entrada. Assinale, dentre as opções abaixo, aquela que NÃO descreve corretamente uma dessas Classes de amplificadores.
Alternativas
Q645120 Engenharia Eletrônica
Com relação aos transistores de junção por efeito de campo (JFET), é correto afirmar que:
Alternativas
Respostas
321: A
322: B
323: E
324: D
325: A
326: D
327: E
328: A
329: X
330: B
331: C
332: X
333: E
334: C
335: D
336: D
337: D
338: D
339: E
340: C