Questões Militares Para exército

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Q1327744 Português

Leia o TEXTO I para responder do item.

TEXTO I

É ASSIM QUE ACONTECE A SOLIDARIEDADE

    “Se te perguntarem quem era essa que às areias e aos gelos quis ensinar a primavera…”: é assim que Cecília Meireles inicia um de seus poemas. Ensinar primavera às areias e aos gelos é coisa difícil. Gelos e areias nada sabem sobre primaveras... Pois eu desejaria saber ensinar a solidariedade a quem nada sabe sobre ela. O mundo seria melhor. Mas como ensiná-la? 

    Será possível ensinar a beleza de uma sonata de Mozart a um surdo? Como, se ele não ouve? E poderei ensinar a beleza das telas de Monet a um cego? De que pedagogia irei me valer para comunicar cores e formas a quem não vê? Há coisas que não podem ser ensinadas. Há coisas que estão além das palavras. Os cientistas, os filósofos e os professores são aqueles que se dedicam a ensinar as coisas que podem ser ensinadas. Coisas que são ensinadas são aquelas que podem ser ditas. Sobre a solidariedade muitas coisas podem ser ditas. Por exemplo: eu acho possível desenvolver uma psicologia da solidariedade. Acho também possível desenvolver uma sociologia da solidariedade. E, filosoficamente, uma ética da solidariedade… Mas os saberes científicos e filosóficos da solidariedade não ensinam a solidariedade, da mesma forma como a crítica da música e da pintura não ensina às pessoas a beleza da música e da pintura. A solidariedade, como a beleza, é inefável – está além das palavras.

    Palavras que ensinam são gaiolas para pássaros engaioláveis. Os saberes, todos eles, são pássaros engaiolados. Mas a solidariedade é um pássaro que não pode ser engaiolado. Ela não pode ser dita. A solidariedade pertence a uma classe de pássaros que só existem em voo. Engaiolados, esses pássaros morrem.

    A beleza é um desses pássaros. A beleza está além das palavras. Walt Whitman tinha a consciência disso quando disse: “Sermões e lógicas jamais convencem. O peso da noite cala bem mais fundo a alma…”. Ele conhecia os limites das suas próprias palavras. E Fernando Pessoa sabia que aquilo que o poeta quer comunicar não se encontra nas palavras que ele diz; antes, aparece nos espaços vazios que se abrem entre elas, as palavras. Nesse espaço vazio se ouve uma música. Mas essa música – de onde vem ela se não foi o poeta que a tocou?

    [...].

    O que pode ser ensinado são as coisas que moram no mundo de fora: astronomia, física, química, gramática, anatomia, números, letras, palavras.

    Mas há coisas que não estão do lado de fora. Coisas que moram dentro do corpo. Estão enterradas na carne, como se fossem sementes à espera…

    Sim, sim! Imagine isso: o corpo como um grande canteiro! Nele se encontram, adormecidas, em estado de latência, as mais variadas sementes – lembre-se da história da Bela Adormecida! Elas poderão acordar, brotar. Mas poderão também não brotar. Tudo depende… As sementes não brotarão se sobre elas houver uma pedra. E também pode acontecer que, depois de brotar, elas sejam arrancadas… De fato, muitas plantas precisam ser arrancadas, antes que cresçam. Nos jardins há pragas: tiriricas, picões… 

    Uma dessas sementes é a “solidariedade”. A solidariedade não é uma entidade do mundo de fora, ao lado de estrelas, pedras, mercadorias, dinheiro, contratos. Se ela fosse uma entidade do mundo de fora, poderia ser ensinada e produzida. A solidariedade é uma entidade do mundo interior. Solidariedade nem se ensina, nem se ordena, nem se produz. A solidariedade tem de brotar e crescer como uma semente… 

    Veja o ipê florido! Nasceu de uma semente. Depois de crescer não será necessária nenhuma técnica, nenhum estímulo, nenhum truque para que ele floresça. Angelus Silesius, místico antigo, tem um verso que diz: “A rosa não tem porquês. Ela floresce porque floresce”. O ipê floresce porque floresce. Seu florescer é um simples transbordar natural da sua verdade.

    A solidariedade é como um ipê: nasce e floresce. Mas não em decorrência de mandamentos éticos ou religiosos. Não se pode ordenar: “Seja solidário!”. A solidariedade acontece como um simples transbordamento: as fontes transbordam… Da mesma forma como o poema é um transbordamento da alma do poeta e a canção, um transbordamento da alma do compositor…

    Já disse que solidariedade é um sentimento. É esse o sentimento que nos torna mais humanos. É um sentimento estranho, que perturba nossos próprios sentimentos. A solidariedade me faz sentir sentimentos que não são meus, que são de um outro. Acontece assim: eu vejo uma criança vendendo balas num semáforo. Ela me pede que eu compre um pacotinho de suas balas. Eu e a criança – dois corpos separados e distintos. Mas, ao olhar para ela, estremeço: algo em mim me faz imaginar aquilo que ela está sentindo. E então, por uma magia inexplicável esse sentimento imaginado se aloja junto aos meus próprios sentimentos. Na verdade, desaloja meus sentimentos, pois eu vinha, no meu carro, com sentimentos leves e alegres, e agora esse novo sentimento se coloca no lugar deles. O que sinto não são meus sentimentos. Foram-se a leveza e a alegria que me faziam cantar. Agora, são os sentimentos daquele menino que estão dentro de mim. Meu corpo sofre uma transformação: ele não é mais limitado pela pele que o cobre. Expande-se. Ele está agora ligado a um outro corpo que passa a ser parte dele mesmo. Isso não acontece nem por decisão racional, nem por convicção religiosa, nem por mandamento ético. É o jeito natural de ser do meu próprio corpo, movido pela solidariedade.

    Acho que esse é o sentido do dito de Jesus de que temos de amar o próximo como amamos a nós mesmos. A solidariedade é uma forma visível do amor. Pela magia do sentimento de solidariedade, meu corpo passa a ser morada de outro. É assim que acontece a bondade.

    Mas fica pendente a pergunta inicial: como ensinar primavera a gelos e areias? Para isso as palavras do conhecimento são inúteis. Seria necessário fazer nascer ipês no meio dos gelos e das areias! E eu só conheço uma palavra que tem esse poder: a palavra dos poetas. Ensinar solidariedade? Que se façam ouvir as palavras dos poetas nas igrejas, nas escolas, nas empresas, nas casas, na televisão, nos bares, nas reuniões políticas, e, principalmente, na solidão… 

    “O menino me olhou com olhos suplicantes.

    E, de repente, eu era um menino que olhava com olhos suplicantes…”.

(ALVES, Rubem. "As melhores crônicas de Rubem Alves”. Adaptado)

Glossário:

Cecília Meireles: foi jornalista, pintora e escritora brasileira.

Mozart: foi um prolífico e influente compositor austríaco do período clássico.

Monet: foi um pintor francês e o mais célebre entre os pintores impressionistas.

Walt Whitman: foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano.

Fernando Pessoa: foi um poeta e crítico literário português.


Quanto à linguagem e estrutura da crônica lida, pode-se afirmar que
Alternativas
Q1327743 Português

Leia o TEXTO I para responder do item.

TEXTO I

É ASSIM QUE ACONTECE A SOLIDARIEDADE

    “Se te perguntarem quem era essa que às areias e aos gelos quis ensinar a primavera…”: é assim que Cecília Meireles inicia um de seus poemas. Ensinar primavera às areias e aos gelos é coisa difícil. Gelos e areias nada sabem sobre primaveras... Pois eu desejaria saber ensinar a solidariedade a quem nada sabe sobre ela. O mundo seria melhor. Mas como ensiná-la? 

    Será possível ensinar a beleza de uma sonata de Mozart a um surdo? Como, se ele não ouve? E poderei ensinar a beleza das telas de Monet a um cego? De que pedagogia irei me valer para comunicar cores e formas a quem não vê? Há coisas que não podem ser ensinadas. Há coisas que estão além das palavras. Os cientistas, os filósofos e os professores são aqueles que se dedicam a ensinar as coisas que podem ser ensinadas. Coisas que são ensinadas são aquelas que podem ser ditas. Sobre a solidariedade muitas coisas podem ser ditas. Por exemplo: eu acho possível desenvolver uma psicologia da solidariedade. Acho também possível desenvolver uma sociologia da solidariedade. E, filosoficamente, uma ética da solidariedade… Mas os saberes científicos e filosóficos da solidariedade não ensinam a solidariedade, da mesma forma como a crítica da música e da pintura não ensina às pessoas a beleza da música e da pintura. A solidariedade, como a beleza, é inefável – está além das palavras.

    Palavras que ensinam são gaiolas para pássaros engaioláveis. Os saberes, todos eles, são pássaros engaiolados. Mas a solidariedade é um pássaro que não pode ser engaiolado. Ela não pode ser dita. A solidariedade pertence a uma classe de pássaros que só existem em voo. Engaiolados, esses pássaros morrem.

    A beleza é um desses pássaros. A beleza está além das palavras. Walt Whitman tinha a consciência disso quando disse: “Sermões e lógicas jamais convencem. O peso da noite cala bem mais fundo a alma…”. Ele conhecia os limites das suas próprias palavras. E Fernando Pessoa sabia que aquilo que o poeta quer comunicar não se encontra nas palavras que ele diz; antes, aparece nos espaços vazios que se abrem entre elas, as palavras. Nesse espaço vazio se ouve uma música. Mas essa música – de onde vem ela se não foi o poeta que a tocou?

    [...].

    O que pode ser ensinado são as coisas que moram no mundo de fora: astronomia, física, química, gramática, anatomia, números, letras, palavras.

    Mas há coisas que não estão do lado de fora. Coisas que moram dentro do corpo. Estão enterradas na carne, como se fossem sementes à espera…

    Sim, sim! Imagine isso: o corpo como um grande canteiro! Nele se encontram, adormecidas, em estado de latência, as mais variadas sementes – lembre-se da história da Bela Adormecida! Elas poderão acordar, brotar. Mas poderão também não brotar. Tudo depende… As sementes não brotarão se sobre elas houver uma pedra. E também pode acontecer que, depois de brotar, elas sejam arrancadas… De fato, muitas plantas precisam ser arrancadas, antes que cresçam. Nos jardins há pragas: tiriricas, picões… 

    Uma dessas sementes é a “solidariedade”. A solidariedade não é uma entidade do mundo de fora, ao lado de estrelas, pedras, mercadorias, dinheiro, contratos. Se ela fosse uma entidade do mundo de fora, poderia ser ensinada e produzida. A solidariedade é uma entidade do mundo interior. Solidariedade nem se ensina, nem se ordena, nem se produz. A solidariedade tem de brotar e crescer como uma semente… 

    Veja o ipê florido! Nasceu de uma semente. Depois de crescer não será necessária nenhuma técnica, nenhum estímulo, nenhum truque para que ele floresça. Angelus Silesius, místico antigo, tem um verso que diz: “A rosa não tem porquês. Ela floresce porque floresce”. O ipê floresce porque floresce. Seu florescer é um simples transbordar natural da sua verdade.

    A solidariedade é como um ipê: nasce e floresce. Mas não em decorrência de mandamentos éticos ou religiosos. Não se pode ordenar: “Seja solidário!”. A solidariedade acontece como um simples transbordamento: as fontes transbordam… Da mesma forma como o poema é um transbordamento da alma do poeta e a canção, um transbordamento da alma do compositor…

    Já disse que solidariedade é um sentimento. É esse o sentimento que nos torna mais humanos. É um sentimento estranho, que perturba nossos próprios sentimentos. A solidariedade me faz sentir sentimentos que não são meus, que são de um outro. Acontece assim: eu vejo uma criança vendendo balas num semáforo. Ela me pede que eu compre um pacotinho de suas balas. Eu e a criança – dois corpos separados e distintos. Mas, ao olhar para ela, estremeço: algo em mim me faz imaginar aquilo que ela está sentindo. E então, por uma magia inexplicável esse sentimento imaginado se aloja junto aos meus próprios sentimentos. Na verdade, desaloja meus sentimentos, pois eu vinha, no meu carro, com sentimentos leves e alegres, e agora esse novo sentimento se coloca no lugar deles. O que sinto não são meus sentimentos. Foram-se a leveza e a alegria que me faziam cantar. Agora, são os sentimentos daquele menino que estão dentro de mim. Meu corpo sofre uma transformação: ele não é mais limitado pela pele que o cobre. Expande-se. Ele está agora ligado a um outro corpo que passa a ser parte dele mesmo. Isso não acontece nem por decisão racional, nem por convicção religiosa, nem por mandamento ético. É o jeito natural de ser do meu próprio corpo, movido pela solidariedade.

    Acho que esse é o sentido do dito de Jesus de que temos de amar o próximo como amamos a nós mesmos. A solidariedade é uma forma visível do amor. Pela magia do sentimento de solidariedade, meu corpo passa a ser morada de outro. É assim que acontece a bondade.

    Mas fica pendente a pergunta inicial: como ensinar primavera a gelos e areias? Para isso as palavras do conhecimento são inúteis. Seria necessário fazer nascer ipês no meio dos gelos e das areias! E eu só conheço uma palavra que tem esse poder: a palavra dos poetas. Ensinar solidariedade? Que se façam ouvir as palavras dos poetas nas igrejas, nas escolas, nas empresas, nas casas, na televisão, nos bares, nas reuniões políticas, e, principalmente, na solidão… 

    “O menino me olhou com olhos suplicantes.

    E, de repente, eu era um menino que olhava com olhos suplicantes…”.

(ALVES, Rubem. "As melhores crônicas de Rubem Alves”. Adaptado)

Glossário:

Cecília Meireles: foi jornalista, pintora e escritora brasileira.

Mozart: foi um prolífico e influente compositor austríaco do período clássico.

Monet: foi um pintor francês e o mais célebre entre os pintores impressionistas.

Walt Whitman: foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano.

Fernando Pessoa: foi um poeta e crítico literário português.


Infere-se, pela leitura do TEXTO I, que o gênero lido tem a finalidade de
Alternativas
Q1327742 Português

Leia o TEXTO I para responder do item.

TEXTO I

É ASSIM QUE ACONTECE A SOLIDARIEDADE

    “Se te perguntarem quem era essa que às areias e aos gelos quis ensinar a primavera…”: é assim que Cecília Meireles inicia um de seus poemas. Ensinar primavera às areias e aos gelos é coisa difícil. Gelos e areias nada sabem sobre primaveras... Pois eu desejaria saber ensinar a solidariedade a quem nada sabe sobre ela. O mundo seria melhor. Mas como ensiná-la? 

    Será possível ensinar a beleza de uma sonata de Mozart a um surdo? Como, se ele não ouve? E poderei ensinar a beleza das telas de Monet a um cego? De que pedagogia irei me valer para comunicar cores e formas a quem não vê? Há coisas que não podem ser ensinadas. Há coisas que estão além das palavras. Os cientistas, os filósofos e os professores são aqueles que se dedicam a ensinar as coisas que podem ser ensinadas. Coisas que são ensinadas são aquelas que podem ser ditas. Sobre a solidariedade muitas coisas podem ser ditas. Por exemplo: eu acho possível desenvolver uma psicologia da solidariedade. Acho também possível desenvolver uma sociologia da solidariedade. E, filosoficamente, uma ética da solidariedade… Mas os saberes científicos e filosóficos da solidariedade não ensinam a solidariedade, da mesma forma como a crítica da música e da pintura não ensina às pessoas a beleza da música e da pintura. A solidariedade, como a beleza, é inefável – está além das palavras.

    Palavras que ensinam são gaiolas para pássaros engaioláveis. Os saberes, todos eles, são pássaros engaiolados. Mas a solidariedade é um pássaro que não pode ser engaiolado. Ela não pode ser dita. A solidariedade pertence a uma classe de pássaros que só existem em voo. Engaiolados, esses pássaros morrem.

    A beleza é um desses pássaros. A beleza está além das palavras. Walt Whitman tinha a consciência disso quando disse: “Sermões e lógicas jamais convencem. O peso da noite cala bem mais fundo a alma…”. Ele conhecia os limites das suas próprias palavras. E Fernando Pessoa sabia que aquilo que o poeta quer comunicar não se encontra nas palavras que ele diz; antes, aparece nos espaços vazios que se abrem entre elas, as palavras. Nesse espaço vazio se ouve uma música. Mas essa música – de onde vem ela se não foi o poeta que a tocou?

    [...].

    O que pode ser ensinado são as coisas que moram no mundo de fora: astronomia, física, química, gramática, anatomia, números, letras, palavras.

    Mas há coisas que não estão do lado de fora. Coisas que moram dentro do corpo. Estão enterradas na carne, como se fossem sementes à espera…

    Sim, sim! Imagine isso: o corpo como um grande canteiro! Nele se encontram, adormecidas, em estado de latência, as mais variadas sementes – lembre-se da história da Bela Adormecida! Elas poderão acordar, brotar. Mas poderão também não brotar. Tudo depende… As sementes não brotarão se sobre elas houver uma pedra. E também pode acontecer que, depois de brotar, elas sejam arrancadas… De fato, muitas plantas precisam ser arrancadas, antes que cresçam. Nos jardins há pragas: tiriricas, picões… 

    Uma dessas sementes é a “solidariedade”. A solidariedade não é uma entidade do mundo de fora, ao lado de estrelas, pedras, mercadorias, dinheiro, contratos. Se ela fosse uma entidade do mundo de fora, poderia ser ensinada e produzida. A solidariedade é uma entidade do mundo interior. Solidariedade nem se ensina, nem se ordena, nem se produz. A solidariedade tem de brotar e crescer como uma semente… 

    Veja o ipê florido! Nasceu de uma semente. Depois de crescer não será necessária nenhuma técnica, nenhum estímulo, nenhum truque para que ele floresça. Angelus Silesius, místico antigo, tem um verso que diz: “A rosa não tem porquês. Ela floresce porque floresce”. O ipê floresce porque floresce. Seu florescer é um simples transbordar natural da sua verdade.

    A solidariedade é como um ipê: nasce e floresce. Mas não em decorrência de mandamentos éticos ou religiosos. Não se pode ordenar: “Seja solidário!”. A solidariedade acontece como um simples transbordamento: as fontes transbordam… Da mesma forma como o poema é um transbordamento da alma do poeta e a canção, um transbordamento da alma do compositor…

    Já disse que solidariedade é um sentimento. É esse o sentimento que nos torna mais humanos. É um sentimento estranho, que perturba nossos próprios sentimentos. A solidariedade me faz sentir sentimentos que não são meus, que são de um outro. Acontece assim: eu vejo uma criança vendendo balas num semáforo. Ela me pede que eu compre um pacotinho de suas balas. Eu e a criança – dois corpos separados e distintos. Mas, ao olhar para ela, estremeço: algo em mim me faz imaginar aquilo que ela está sentindo. E então, por uma magia inexplicável esse sentimento imaginado se aloja junto aos meus próprios sentimentos. Na verdade, desaloja meus sentimentos, pois eu vinha, no meu carro, com sentimentos leves e alegres, e agora esse novo sentimento se coloca no lugar deles. O que sinto não são meus sentimentos. Foram-se a leveza e a alegria que me faziam cantar. Agora, são os sentimentos daquele menino que estão dentro de mim. Meu corpo sofre uma transformação: ele não é mais limitado pela pele que o cobre. Expande-se. Ele está agora ligado a um outro corpo que passa a ser parte dele mesmo. Isso não acontece nem por decisão racional, nem por convicção religiosa, nem por mandamento ético. É o jeito natural de ser do meu próprio corpo, movido pela solidariedade.

    Acho que esse é o sentido do dito de Jesus de que temos de amar o próximo como amamos a nós mesmos. A solidariedade é uma forma visível do amor. Pela magia do sentimento de solidariedade, meu corpo passa a ser morada de outro. É assim que acontece a bondade.

    Mas fica pendente a pergunta inicial: como ensinar primavera a gelos e areias? Para isso as palavras do conhecimento são inúteis. Seria necessário fazer nascer ipês no meio dos gelos e das areias! E eu só conheço uma palavra que tem esse poder: a palavra dos poetas. Ensinar solidariedade? Que se façam ouvir as palavras dos poetas nas igrejas, nas escolas, nas empresas, nas casas, na televisão, nos bares, nas reuniões políticas, e, principalmente, na solidão… 

    “O menino me olhou com olhos suplicantes.

    E, de repente, eu era um menino que olhava com olhos suplicantes…”.

(ALVES, Rubem. "As melhores crônicas de Rubem Alves”. Adaptado)

Glossário:

Cecília Meireles: foi jornalista, pintora e escritora brasileira.

Mozart: foi um prolífico e influente compositor austríaco do período clássico.

Monet: foi um pintor francês e o mais célebre entre os pintores impressionistas.

Walt Whitman: foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano.

Fernando Pessoa: foi um poeta e crítico literário português.


Quanto ao recurso utilizado na estruturação presente no gênero, analise as assertivas abaixo:
I. O autor faz uma relação dialógica explícita entre o texto e a citação de Walt Whitman, assim estabelecendo uma intertextualidade. II. Em “A solidariedade tem de brotar e crescer como uma semente”, o autor estabelece uma relação de comparação semântico-discursiva entre a solidariedade e a semente. III. Em “A solidariedade é como um ipê”, temos uma metáfora. IV. O assunto solidariedade é abordado a partir da visão subjetiva do autor.
Marque a alternativa cujas assertivas estejam CORRETAS:
Alternativas
Q1327556 Matemática
O queniano Eliud Kipchoge venceu a maratona masculina cios jogos Rio 2016, concluindo a prova em duas horas, oito minutos e quarenta e quatro segundos. O medalhista de ouro chegou um minuto e dez segundos à frente do etíope Feyisa lilesa, que ficou com a prata; e chegou um minuto e vinte e um segundos à frente do americano Galen Rupp, que ganhou medalha de bronze. Sabendo-se que a prova teve início às 9 horas, indique o relógio que melhor demonstra o horário de chegada do americano Galen Rupp:
Alternativas
Q1327555 Matemática
A primeira edição dos Jogos Olímpicos sediados na América do Sul foi no Rio de Janeiro em 2016. Sabendo-se que a área do estado do Rio de Janeiro, em km2, é de quatro dezenas de milhares, três unidades de milhares, seis centenas, nove dezenas e seis unidades, assinale a alternativa que representa esse número:
Alternativas
Q1327554 Matemática
João comprou um ingresso para assistir, no estádio do Engenhão, a final dos 100 metros rasos, modalidade olímpica de corrida de velocidade no atletismo. Porém, devido a um imprevisto, não pode assistir. Ana, sua amiga, desejava comprar esse ingresso dispondo de R$ 210,00. Se João tivesse vendido o ingresso por esse preço, perderia 4/10 do valor de mercado pago por ele. Qual o valor do ingresso adquirido por João?
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Fonte: lUtp://\vw\v.maisfutebol.iol.pt/miiltimedia/oratvi/nHiltimedia/imagem/id/57bllebc0cf2blaf9S32d22b/1024. Acesso em: 30 de agosto de 2016
Alternativas
Q1327553 Matemática
 A Arena de Copacabana foi construída no Rio de Janeiro, para a realização das disputas dos jogos de vôlei de areia masculino e feminino.
Imagem associada para resolução da questão

Durante a final entre Brasil e Itália, a arena recebeu um público correspondente a 4/5 de sua capacidade total, que é de 12.000 pessoas. Dessa forma, podemos afirmar que o número máximo de pessoas que poderiam ainda ter assistido essa disputa é de:
Alternativas
Q1327552 Matemática
Para torcer pelas equipes brasileiras, durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, um grupo de amigos mandou fazer uma grande bandeira retangular de 5 metros de comprimento por 2,50 metros de largura, como mostra a figura abaixo. Considere que cada metro quadrado de tecido custou R$ 6,00 e que o grupo havia arrecadado R$ 100,00 para pagar a bandeira. Com relação ao valor arrecadado, pode-se afirmar que:
Imagem associada para resolução da questão
Alternativas
Q1327551 Matemática
A Vila Olímpica, na barra da Tijuca, foi o local onde os atletas olímpicos, treinadores e comissões técnicas ficaram hospedados durante a disputa dos jogos. Ao todo foram mais de 31 prédios, todos com unidades adaptadas para pessoas com deficiência. Ao término das Olimpíadas, os apartamentos, que são de dois, três e quatro dormitórios, serão comercializados (vendidos) pelo valor de 10 mil reais o metro quadrado.
Imagem associada para resolução da questão
 Os apartamentos de dois dormitórios possuem área de 77 m2. Assinale a alternativa que indica a quantidade de classes e de ordens do número que representa o valor de compra de um imóvel de dois quartos:
Alternativas
Q1327550 Matemática

VILA OLÍMPICA E A SUSTENTABILIDADE

A Vila dos Atletas ganhou pré-certificação LEED ND (ligada ao desenvolvimento de bairros), concedida pelo Green Building Council, entre outras certificações. O empreendimento tem 10 mil metros quadrados de telhados verdes, que reduzem a sensação térmica e contam com 70 placas solares retangulares, além de uma estação de tratamento que permite que a água usada para lavar as mãos e tomar banho seja reutilizada em vasos sanitários, o que gera economia no consumo.

Supondo que cada placa solar possui forma e medidas de acordo com a figura abaixo:

Imagem associada para resolução da questão

Então, a alternativa que indica a área total das 70 placas solares da vila olímpica é:

Alternativas
Q1327549 Matemática
O Bolsa-Atleta, maior programa de patrocínio individual do mundo, foi criado em 2004. De 2005 até 2013, o programa investiu R$ 439,9 milhões no pagamento dos benefícios. Nesse período, o número de atletas contemplados foi multiplicado por sete. O gráfico abaixo indica o investimento do programa no decorrer dos anos: Imagem associada para resolução da questão


 Com base nas informações do gráfico acima, é correto afirmar que:
Alternativas
Q1327548 Matemática

 Observe a nota abaixo divulgada pelo Comitê Internacional Olímpico.

Imagem associada para resolução da questão


Supondo que 5/17 dos atletas da delegação de Portugal, presentes no desfile de' abertura, eram atletas do sexo masculino, podemos afirmar que no desfile, representando Portugal, haviam: 

Alternativas
Q1327547 Matemática

ARREMESSO DE PESO

O arremesso de peso é uma modalidade olímpica de atletismo em que os atletas competem para arremessar uma bola de metal o mais longe possível. Nas Olimpíadas do Rio 2016, a medalha de ouro, nessa modalidade, foi conquistada por Ryan Crouser, representando os Estados Unidos.

Considerando os pesos das esferas de metal, posicionados nas balanças em equilíbrio da figura abaixo, determine a alternativa que indique os valores de “A”, “B” e “C”, respectivamente.


Imagem associada para resolução da questão


Alternativas
Q1327546 Matemática

JUDÔ

“Ao contrário de modalidades cuja história não consegue apontar quem é o inventor do esporte, o judô tem DNA indiscutível: o japonês Jigoro Kano”.
As lutas de Judô são praticadas em uma quadra, que envolve duas áreas quadradas: a zona de combate e a zona de segurança, conforme a figura abaixo: Imagem associada para resolução da questão
Fonte: htti)://multimidia.gazetadopovo.com.br/media/info/2016/olimi)iadas-rio-2016/12-iiido/12-iudo 03.t)ng. Acesso em: 20 de agosto de 2016.

Assinale a alternativa que representa a diferença entre o perímetro externo da zona de segurança e o perímetro da zona de combate:
Alternativas
Q1327545 Matemática
A tabela abaixo indica o quadro de medalhas olímpicas conquistadas por cinco países nas Olimpíadas do Rio 2016. 
Imagem associada para resolução da questão

Com os valores circulados na tabela acima montou-se a expressão numérica:
27 + 70 x 10 - 23 x 10

O resultado dessa expressão é
Alternativas
Q1327544 Matemática

 SALTO ORNAMENTAL


“A primeira competição de saltos ornamentais ocorrida no Brasil se deu no Rio de Janeiro, em 1913, na enseada de Botafogo, sendo o vencedor chamado Adolpho.” 

Fonte: http://mvw.brasil2016.gov.br/pt-br/olimpiadas/modalidades/saltosoniamentais-l. Acesso em: 24 de agosto de 2016.


Ingrid de Oliveira, competidora brasileira, saltou em uma piscina de salto ornamental com formato e dimensões mostrados na figura abaixo:

 Imagem associada para resolução da questão

Fonte: http://esi)ortes.terra.com.br/iogos-olimnicos/londres-2012/infograficos/esportes/saltos-ornamentais.ipg. Acesso em: 24 de agosto de 2016.


Assinale a alternativa que indica a forma geométrica espacial e o volume dessa piscina, respectivamente:

Alternativas
Q1327543 Matemática

Considere que os Jogos paralímpicos Rio 2016 tiveram 300 modalidades desportivas. Cada modalidade desportiva oferece somente uma medalha de ouro, uma medalha de prata e uma medalha de bronze como premiação. Um determinado país conquistou o número de medalhas indicado abaixo:

Imagem associada para resolução da questão


 É correto afirmar que esse país conquistou:

Alternativas
Q1327542 Matemática

VÔLEI

Imagem associada para resolução da questão

No vôlei, o confronto pela medalha de ouro nas Olimpíadas do Rio 2016 foi entre Brasil e Itália, sendo que o Brasil venceu seu adversário, ganhando a medalha de ouro. A delegação de vôlei da Itália percorreu uma distância de 9.069 km, voltando para casa e levando para seu país a medalha de prata.

O número que representa a distância percorrida pela delegação da Itália, em km, ao voltar para seu país, escrito por extenso, é:

Alternativas
Q1327541 Matemática
A quadra de vôlei da Arena Carioca, em Copacabana, tem as dimensões representadas abaixo: Imagem associada para resolução da questão

Fonte: www.calibracaoceime.com.br. Acesso em: 30 de agosto de 2016.
Considere as dimensões de um campo de futebol como sendo de 100 metros de comprimento por 75 metros de largura. Assinale a alternativa que indica a máxima quantidade de quadras de vôlei, iguais às da Arena Copacabana, que cabem dentro desse campo de futebol.
Alternativas
Q1327540 Matemática
Durante a vinda da delegação chinesa para o Brasil, um atleta começou a dormir exatamente na metade do trajeto (vôo) a ser percorrido. Ao acordar, ele percebeu que ainda faltava percorrer a metade da distância de quando adormeceu.
Imagem associada para resolução da questão

Considerando que a distância total percorrida pelo atleta da China até o Brasil é de 17. 322 km, podemos afirmar que esse atleta dormiu por uma distância de:
Alternativas
Respostas
5421: B
5422: A
5423: D
5424: E
5425: E
5426: E
5427: B
5428: D
5429: A
5430: D
5431: C
5432: A
5433: B
5434: D
5435: A
5436: C
5437: E
5438: E
5439: C
5440: D