Leia o texto a seguir para responder à questão:
Nos anos 1970, um professor do curso de Psicologia de
Harvard tinha um estranho aluno em sua classe. Depois das
primeiras aulas, ele se aproximou do professor para explicar
por que se matriculara naquele curso. Ele disse que precisava de ajuda, porque coisas estranhas estavam acontecendo
com ele, como o fato de sua mulher falar as palavras em
que ele estava pensando logo antes que ele pudesse dizê-
-las. Além disso, perdera o emprego dois dias depois de um
colega fazer um comentário casual sobre cortes de pessoal
no trabalho.
Com o tempo, afirmou, passara por dezenas de situações de má sorte, que considerava serem coincidências perturbadoras. A princípio, ficou confuso com a situação. Depois,
assim como a maioria de nós faria, criou um modelo mental
para reconciliar os fatos com suas crenças sobre o comportamento do mundo. A teoria que engendrou, no entanto, era
muito diferente do que ditaria o senso comum: ele estava
sendo usado como cobaia de um experimento científico complexo e secreto. Acreditava que o experimento era executado
por um grande grupo de conspiradores, liderados pelo famoso psicólogo Skinner. Também acreditava que, quando o
experimento estivesse concluído, ele ficaria famoso e talvez
fosse eleito para um alto cargo público. Assim, matriculara-se
no curso para aprender a testar sua hipótese, tendo em vista
a quantidade de indícios que já acumulara.
(Leonard Mlodinow, O andar do bêbado. Adaptado)