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Q3489602 Oceanografia Geológica
Em modelos hidrodinâmicos bidimensionais (2D) aplicados a um oceano com temperatura e salinidade uniformes, o sistema de equações utilizado é composto por três equações fundamentais: a equação da continuidade e duas equações do movimento. Sobre esse sistema de equações, correlacione os termos das equações aos seus significados e assinale a opção que apresenta a sequência correta. 

Dados: t = tempo; (x; y) correspondem ao sistema de coordenadas; η = nivel do mar; H = profundidade média; U, V= componentes da corrente média na vertical, respectivamente para Leste (x) e para Norte (y); g = aceleração da gravidade; p = densidade da água do mar; R = coeficiente de fricção no fundo. 

TERMO DAS EQUAÇÕES  

I-  U u/x
II-  -g n/x
III-  RV/pH

SIGNIFICADOS
()  Um dos termos dos gradientes horizontais.
()  Um dos termos advectivos.
()  Um dos termos de decaimento.
()  Um dos termo de difusão.
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Q3489601 Oceanografia Geológica
Quais são os dois instrumentos básicos para trabalhar nas cartas náuticas?
Alternativas
Q3489599 Geologia
Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da sentença abaixo:

"Os depósitos sedimentares mais caracteristicamente associados ao traballho das correntes de ______ são os ______". 
Alternativas
Q3489598 Oceanografia Geológica
Correntes oceânicas superficiais podem ser estimadas por meio dos dados de variação da altura da superfície do mar obtidos por satélites altímetros. Assinale a opção que NÃO contempla tal tipo de satélite. 
Alternativas
Q3489594 Meteorologia
Com relação ao estudo da temperatura da superfície do mar (TSM), assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3489593 Oceanografia Geológica
Sobre os conceitos básicos de oceanografia por satélites, qual variável do alvo imageado relaciona-se com o grau que se absorve, reflete e transmite micro-ondas em resposta à radiação incidente? 
Alternativas
Q3489592 Oceanografia Geológica
Com relação aos equipamentos do tipo Batitermégrafo descartavel (XBT), é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3489590 Oceanografia Geológica
As plumas mantélicas desempenham um papel importante na tectônica de placas. Qual das opções abaixo é uma característica distintiva associada às plumas mantélicas? 
Alternativas
Q3489589 Oceanografia Geológica
Para aplicar um filtro passa baixa de média móvel em dados de nivel do mar amostrados de 4 em 4 minutos, durante 30 dias, qual deve ser a largura da janela de média, em quantidade de dados, para a obtenção de uma série temporal do nivel médio diário?

Dados: Considere um dia lunar de aproximadamente 25 horas. 
Alternativas
Q3489587 Oceanografia Geológica
Com relação à medição do nível da superfície do mar, assinale a opção que apresenta o aparelho ou método em que o registro pode variar não só pela variação do nível da superfície da água, mas também pela variação da pressão atmosférica e da densidade da água no local da medição. 
Alternativas
Q3489586 Oceanografia Geológica
As correntes de contorno oeste, como a Corrente do Golfo, geralmente são: 
Alternativas
Q3489585 Oceanografia Geológica
Com relação ao sistema GPS (Giobal Positioning System), é correto afirmar que:  
Alternativas
Q3489583 Oceanografia Geológica
Com relação ao sentido da componente vertical do vetor gradiente de salinidade no oceano, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3485844 Português

Leia o texto e responda a questão.  



O TENENTE MÁGICO 



        Havia um Tenente que fazia mágicas. Hoje deve ser major ou coronel, se já nao passou pela mágica de ir diretamente a general de pijama. Aprendeu o ofício com um mestre europeu, fez o curso completo em três "matérias”. prestidigitação, ilusionismo, e aquela outra que se refere a escapar de algemas, lagos e prisões, que fez a glória de Houdine, não sei que nome tenha. Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro. O industrial de São Paulo aprendeu o bastante para fazer dinheiro fácil e abundante, hoje é grande capitalista naquela praga. O marinheiro caiu no mundo, e se já não morreu, deve estar embasbacando os papaivos de tudo quanto é porto.  



        Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel. Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho. Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão. O capitão não achava graça, mas como ganhava sempre, e nem podia ser de outro modo, estava respeitada a hierarquia.



        Quando saíamos com ele à rua os prodígios se sucediam: éramos três ou quatro a entrar numa festa do clube local, embora só dispuséssemos de um convite: o convite era entregue por ele ao porteiro e surripiado várias vezes para ser entregue novamente. Nao sei como fazia isso, mas podia ficar ali o resto da noite embromando o porteiro com a sua mágica e introduzir nos salões do clube a população da cidade inteira. 



        Fazia desaparecer tudo que lhe caía nas mãos, e os objetos surgiam nos lugares mais inesperados. Metia um ovo inteiro na boca, como se o tivesse engolido, e o capitão, sentindo brotar no bolso algo estranho, ia apalpar e espatifava num gesto brusco o ovo dentro do paletó. 



        - Mágica besta. Faz outra que eu te ensino. 



        Um dia o capitão o desafiou com a sugestão de numero inédito:



        - Um mágico já engoliu meu anel e depois devolveu.



        - Isso é facil, também sei fazer: me dá o anel.



        Tomou o anel do capitão, levou-o à boca e o engoliu.



        - Me dá meu anel - protestou o capitão, procurando-o inutilmente nos bolsos.



        - Eu engoli. Amanhã devolvo.  



        Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu. Eu não poderia jurar - o certo é que só foi devolvido no dia seguinte.



        Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater a carteira de um desconhecido - especialidade em que também já se revelara um mestre. Aceito o desafio, já em termos de aposta, saímos a rua para escolher a vítima. No café da esquina ele se adiantou abruptamente e foi entrando:  



        - Com licença.



        Deu um esbarrão num sujeito parado à porta, pediu desculpas, depois se acercou de nós exibindo disfarçadamente a carteira:



        - Olhem aqui. Agora me paguem.



        Restava devolvê-la. Nao pretendíamos que a brincadeira fosse as últimas consequências, ficando ele com a carteira. Alheio a tudo, o cidadão já se dispunha a sair, quando o tenente mágico o abordou:



        - Essa carteira é sua, vou lhe explicar.



        O homem não quis saber de explicações. Reteve o tenente pelo braço, chamando-o de ladrão, e começou o bate-boca. Inutilmente procuramos intervir. Um guarda acabou surgindo, tivemos de declinar nossa qualidade de oficiais do Exército. Por pouco não fomos presos assim mesmo: era um desses casos que hoje em dia terminam em pancadaria entre civis e militares, com depredação de delegacias e tudo mais. Pusemos a culpa no capitão e demos o fora. 



        Suas mágicas atingiram o clímax no dia em que nos revelou a mais extraordinária de suas habilidades: a tal de escapar de cordas e laços, coisas assim. A demonstração consistia no seguinte: depois de amarrado fortemente numa cadeira do quarto, com voltas e mais voltas de uma corda bem segura por muitos nos, era colocado com cadeira e tudo atrás da porta aberta do armário, em menos de dois minutos se desvencilharia, mas não podíamos ver como. E realmente ficou ali estrebuchando, suando e gemendo, para ao fim de dois minutos, controlados a relógio, saltar da cadeira. Tão grande foi nosso pasmo, que deu na cabeça do capitão à estúpida vanglória de fazer o mesmo, pediu que o amarrássemos como ao outro. Obedecemos - afinal de contas ele era capitão. Pediu que saíssemos do quarto, para tentar escapar longe de nossos olhos. Saímos e fomos jantar. Depois do jantar esquecemos o homem e fomos passear pela cidade. Só tarde da noite nos lembramos e corremos ao hotel, para encontrá-lo furibundo, tombado ao chão, ainda preso à cadeira, se esgoelando a plenos pulmões e tentando tocar a campainha da parede com o pé.



        - Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.



        Não vimos coisa nenhuma. No dia seguinte o tenente mágico conseguiu o prodígio de fazer desaparecer para sempre o próprio capitão. 



(SABINO, Fernando. O homem nu. - 46º ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.) 


    

No fragmento “- Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.” (21°§), o uso da estrutura perifrástica imprime a fala da personagem um sentido de: 
Alternativas
Q3485843 Português

Leia o texto e responda a questão.  



O TENENTE MÁGICO 



        Havia um Tenente que fazia mágicas. Hoje deve ser major ou coronel, se já nao passou pela mágica de ir diretamente a general de pijama. Aprendeu o ofício com um mestre europeu, fez o curso completo em três "matérias”. prestidigitação, ilusionismo, e aquela outra que se refere a escapar de algemas, lagos e prisões, que fez a glória de Houdine, não sei que nome tenha. Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro. O industrial de São Paulo aprendeu o bastante para fazer dinheiro fácil e abundante, hoje é grande capitalista naquela praga. O marinheiro caiu no mundo, e se já não morreu, deve estar embasbacando os papaivos de tudo quanto é porto.  



        Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel. Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho. Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão. O capitão não achava graça, mas como ganhava sempre, e nem podia ser de outro modo, estava respeitada a hierarquia.



        Quando saíamos com ele à rua os prodígios se sucediam: éramos três ou quatro a entrar numa festa do clube local, embora só dispuséssemos de um convite: o convite era entregue por ele ao porteiro e surripiado várias vezes para ser entregue novamente. Nao sei como fazia isso, mas podia ficar ali o resto da noite embromando o porteiro com a sua mágica e introduzir nos salões do clube a população da cidade inteira. 



        Fazia desaparecer tudo que lhe caía nas mãos, e os objetos surgiam nos lugares mais inesperados. Metia um ovo inteiro na boca, como se o tivesse engolido, e o capitão, sentindo brotar no bolso algo estranho, ia apalpar e espatifava num gesto brusco o ovo dentro do paletó. 



        - Mágica besta. Faz outra que eu te ensino. 



        Um dia o capitão o desafiou com a sugestão de numero inédito:



        - Um mágico já engoliu meu anel e depois devolveu.



        - Isso é facil, também sei fazer: me dá o anel.



        Tomou o anel do capitão, levou-o à boca e o engoliu.



        - Me dá meu anel - protestou o capitão, procurando-o inutilmente nos bolsos.



        - Eu engoli. Amanhã devolvo.  



        Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu. Eu não poderia jurar - o certo é que só foi devolvido no dia seguinte.



        Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater a carteira de um desconhecido - especialidade em que também já se revelara um mestre. Aceito o desafio, já em termos de aposta, saímos a rua para escolher a vítima. No café da esquina ele se adiantou abruptamente e foi entrando:  



        - Com licença.



        Deu um esbarrão num sujeito parado à porta, pediu desculpas, depois se acercou de nós exibindo disfarçadamente a carteira:



        - Olhem aqui. Agora me paguem.



        Restava devolvê-la. Nao pretendíamos que a brincadeira fosse as últimas consequências, ficando ele com a carteira. Alheio a tudo, o cidadão já se dispunha a sair, quando o tenente mágico o abordou:



        - Essa carteira é sua, vou lhe explicar.



        O homem não quis saber de explicações. Reteve o tenente pelo braço, chamando-o de ladrão, e começou o bate-boca. Inutilmente procuramos intervir. Um guarda acabou surgindo, tivemos de declinar nossa qualidade de oficiais do Exército. Por pouco não fomos presos assim mesmo: era um desses casos que hoje em dia terminam em pancadaria entre civis e militares, com depredação de delegacias e tudo mais. Pusemos a culpa no capitão e demos o fora. 



        Suas mágicas atingiram o clímax no dia em que nos revelou a mais extraordinária de suas habilidades: a tal de escapar de cordas e laços, coisas assim. A demonstração consistia no seguinte: depois de amarrado fortemente numa cadeira do quarto, com voltas e mais voltas de uma corda bem segura por muitos nos, era colocado com cadeira e tudo atrás da porta aberta do armário, em menos de dois minutos se desvencilharia, mas não podíamos ver como. E realmente ficou ali estrebuchando, suando e gemendo, para ao fim de dois minutos, controlados a relógio, saltar da cadeira. Tão grande foi nosso pasmo, que deu na cabeça do capitão à estúpida vanglória de fazer o mesmo, pediu que o amarrássemos como ao outro. Obedecemos - afinal de contas ele era capitão. Pediu que saíssemos do quarto, para tentar escapar longe de nossos olhos. Saímos e fomos jantar. Depois do jantar esquecemos o homem e fomos passear pela cidade. Só tarde da noite nos lembramos e corremos ao hotel, para encontrá-lo furibundo, tombado ao chão, ainda preso à cadeira, se esgoelando a plenos pulmões e tentando tocar a campainha da parede com o pé.



        - Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.



        Não vimos coisa nenhuma. No dia seguinte o tenente mágico conseguiu o prodígio de fazer desaparecer para sempre o próprio capitão. 



(SABINO, Fernando. O homem nu. - 46º ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.) 


    

Leia o fragmento abaixo:

        “Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro.” (1°§)

Assinale a opção em que se aplica a mesma regra de concordância verbal que a aplicada no trecho acima. 
Alternativas
Q3485842 Português

Leia o texto e responda a questão.  



O TENENTE MÁGICO 



        Havia um Tenente que fazia mágicas. Hoje deve ser major ou coronel, se já nao passou pela mágica de ir diretamente a general de pijama. Aprendeu o ofício com um mestre europeu, fez o curso completo em três "matérias”. prestidigitação, ilusionismo, e aquela outra que se refere a escapar de algemas, lagos e prisões, que fez a glória de Houdine, não sei que nome tenha. Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro. O industrial de São Paulo aprendeu o bastante para fazer dinheiro fácil e abundante, hoje é grande capitalista naquela praga. O marinheiro caiu no mundo, e se já não morreu, deve estar embasbacando os papaivos de tudo quanto é porto.  



        Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel. Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho. Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão. O capitão não achava graça, mas como ganhava sempre, e nem podia ser de outro modo, estava respeitada a hierarquia.



        Quando saíamos com ele à rua os prodígios se sucediam: éramos três ou quatro a entrar numa festa do clube local, embora só dispuséssemos de um convite: o convite era entregue por ele ao porteiro e surripiado várias vezes para ser entregue novamente. Nao sei como fazia isso, mas podia ficar ali o resto da noite embromando o porteiro com a sua mágica e introduzir nos salões do clube a população da cidade inteira. 



        Fazia desaparecer tudo que lhe caía nas mãos, e os objetos surgiam nos lugares mais inesperados. Metia um ovo inteiro na boca, como se o tivesse engolido, e o capitão, sentindo brotar no bolso algo estranho, ia apalpar e espatifava num gesto brusco o ovo dentro do paletó. 



        - Mágica besta. Faz outra que eu te ensino. 



        Um dia o capitão o desafiou com a sugestão de numero inédito:



        - Um mágico já engoliu meu anel e depois devolveu.



        - Isso é facil, também sei fazer: me dá o anel.



        Tomou o anel do capitão, levou-o à boca e o engoliu.



        - Me dá meu anel - protestou o capitão, procurando-o inutilmente nos bolsos.



        - Eu engoli. Amanhã devolvo.  



        Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu. Eu não poderia jurar - o certo é que só foi devolvido no dia seguinte.



        Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater a carteira de um desconhecido - especialidade em que também já se revelara um mestre. Aceito o desafio, já em termos de aposta, saímos a rua para escolher a vítima. No café da esquina ele se adiantou abruptamente e foi entrando:  



        - Com licença.



        Deu um esbarrão num sujeito parado à porta, pediu desculpas, depois se acercou de nós exibindo disfarçadamente a carteira:



        - Olhem aqui. Agora me paguem.



        Restava devolvê-la. Nao pretendíamos que a brincadeira fosse as últimas consequências, ficando ele com a carteira. Alheio a tudo, o cidadão já se dispunha a sair, quando o tenente mágico o abordou:



        - Essa carteira é sua, vou lhe explicar.



        O homem não quis saber de explicações. Reteve o tenente pelo braço, chamando-o de ladrão, e começou o bate-boca. Inutilmente procuramos intervir. Um guarda acabou surgindo, tivemos de declinar nossa qualidade de oficiais do Exército. Por pouco não fomos presos assim mesmo: era um desses casos que hoje em dia terminam em pancadaria entre civis e militares, com depredação de delegacias e tudo mais. Pusemos a culpa no capitão e demos o fora. 



        Suas mágicas atingiram o clímax no dia em que nos revelou a mais extraordinária de suas habilidades: a tal de escapar de cordas e laços, coisas assim. A demonstração consistia no seguinte: depois de amarrado fortemente numa cadeira do quarto, com voltas e mais voltas de uma corda bem segura por muitos nos, era colocado com cadeira e tudo atrás da porta aberta do armário, em menos de dois minutos se desvencilharia, mas não podíamos ver como. E realmente ficou ali estrebuchando, suando e gemendo, para ao fim de dois minutos, controlados a relógio, saltar da cadeira. Tão grande foi nosso pasmo, que deu na cabeça do capitão à estúpida vanglória de fazer o mesmo, pediu que o amarrássemos como ao outro. Obedecemos - afinal de contas ele era capitão. Pediu que saíssemos do quarto, para tentar escapar longe de nossos olhos. Saímos e fomos jantar. Depois do jantar esquecemos o homem e fomos passear pela cidade. Só tarde da noite nos lembramos e corremos ao hotel, para encontrá-lo furibundo, tombado ao chão, ainda preso à cadeira, se esgoelando a plenos pulmões e tentando tocar a campainha da parede com o pé.



        - Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.



        Não vimos coisa nenhuma. No dia seguinte o tenente mágico conseguiu o prodígio de fazer desaparecer para sempre o próprio capitão. 



(SABINO, Fernando. O homem nu. - 46º ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.) 


    

“Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater carteira de um desconhecido [...]." (13°§)

A respeito dos termos sublinhados, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3485841 Português

Leia o texto e responda a questão.  



O TENENTE MÁGICO 



        Havia um Tenente que fazia mágicas. Hoje deve ser major ou coronel, se já nao passou pela mágica de ir diretamente a general de pijama. Aprendeu o ofício com um mestre europeu, fez o curso completo em três "matérias”. prestidigitação, ilusionismo, e aquela outra que se refere a escapar de algemas, lagos e prisões, que fez a glória de Houdine, não sei que nome tenha. Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro. O industrial de São Paulo aprendeu o bastante para fazer dinheiro fácil e abundante, hoje é grande capitalista naquela praga. O marinheiro caiu no mundo, e se já não morreu, deve estar embasbacando os papaivos de tudo quanto é porto.  



        Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel. Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho. Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão. O capitão não achava graça, mas como ganhava sempre, e nem podia ser de outro modo, estava respeitada a hierarquia.



        Quando saíamos com ele à rua os prodígios se sucediam: éramos três ou quatro a entrar numa festa do clube local, embora só dispuséssemos de um convite: o convite era entregue por ele ao porteiro e surripiado várias vezes para ser entregue novamente. Nao sei como fazia isso, mas podia ficar ali o resto da noite embromando o porteiro com a sua mágica e introduzir nos salões do clube a população da cidade inteira. 



        Fazia desaparecer tudo que lhe caía nas mãos, e os objetos surgiam nos lugares mais inesperados. Metia um ovo inteiro na boca, como se o tivesse engolido, e o capitão, sentindo brotar no bolso algo estranho, ia apalpar e espatifava num gesto brusco o ovo dentro do paletó. 



        - Mágica besta. Faz outra que eu te ensino. 



        Um dia o capitão o desafiou com a sugestão de numero inédito:



        - Um mágico já engoliu meu anel e depois devolveu.



        - Isso é facil, também sei fazer: me dá o anel.



        Tomou o anel do capitão, levou-o à boca e o engoliu.



        - Me dá meu anel - protestou o capitão, procurando-o inutilmente nos bolsos.



        - Eu engoli. Amanhã devolvo.  



        Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu. Eu não poderia jurar - o certo é que só foi devolvido no dia seguinte.



        Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater a carteira de um desconhecido - especialidade em que também já se revelara um mestre. Aceito o desafio, já em termos de aposta, saímos a rua para escolher a vítima. No café da esquina ele se adiantou abruptamente e foi entrando:  



        - Com licença.



        Deu um esbarrão num sujeito parado à porta, pediu desculpas, depois se acercou de nós exibindo disfarçadamente a carteira:



        - Olhem aqui. Agora me paguem.



        Restava devolvê-la. Nao pretendíamos que a brincadeira fosse as últimas consequências, ficando ele com a carteira. Alheio a tudo, o cidadão já se dispunha a sair, quando o tenente mágico o abordou:



        - Essa carteira é sua, vou lhe explicar.



        O homem não quis saber de explicações. Reteve o tenente pelo braço, chamando-o de ladrão, e começou o bate-boca. Inutilmente procuramos intervir. Um guarda acabou surgindo, tivemos de declinar nossa qualidade de oficiais do Exército. Por pouco não fomos presos assim mesmo: era um desses casos que hoje em dia terminam em pancadaria entre civis e militares, com depredação de delegacias e tudo mais. Pusemos a culpa no capitão e demos o fora. 



        Suas mágicas atingiram o clímax no dia em que nos revelou a mais extraordinária de suas habilidades: a tal de escapar de cordas e laços, coisas assim. A demonstração consistia no seguinte: depois de amarrado fortemente numa cadeira do quarto, com voltas e mais voltas de uma corda bem segura por muitos nos, era colocado com cadeira e tudo atrás da porta aberta do armário, em menos de dois minutos se desvencilharia, mas não podíamos ver como. E realmente ficou ali estrebuchando, suando e gemendo, para ao fim de dois minutos, controlados a relógio, saltar da cadeira. Tão grande foi nosso pasmo, que deu na cabeça do capitão à estúpida vanglória de fazer o mesmo, pediu que o amarrássemos como ao outro. Obedecemos - afinal de contas ele era capitão. Pediu que saíssemos do quarto, para tentar escapar longe de nossos olhos. Saímos e fomos jantar. Depois do jantar esquecemos o homem e fomos passear pela cidade. Só tarde da noite nos lembramos e corremos ao hotel, para encontrá-lo furibundo, tombado ao chão, ainda preso à cadeira, se esgoelando a plenos pulmões e tentando tocar a campainha da parede com o pé.



        - Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.



        Não vimos coisa nenhuma. No dia seguinte o tenente mágico conseguiu o prodígio de fazer desaparecer para sempre o próprio capitão. 



(SABINO, Fernando. O homem nu. - 46º ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.) 


    

Assinale a opção em que o valor semântico do elemento destacado está apontado corretamente.  
Alternativas
Q3485839 Português

Leia o texto e responda a questão.  



O TENENTE MÁGICO 



        Havia um Tenente que fazia mágicas. Hoje deve ser major ou coronel, se já nao passou pela mágica de ir diretamente a general de pijama. Aprendeu o ofício com um mestre europeu, fez o curso completo em três "matérias”. prestidigitação, ilusionismo, e aquela outra que se refere a escapar de algemas, lagos e prisões, que fez a glória de Houdine, não sei que nome tenha. Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro. O industrial de São Paulo aprendeu o bastante para fazer dinheiro fácil e abundante, hoje é grande capitalista naquela praga. O marinheiro caiu no mundo, e se já não morreu, deve estar embasbacando os papaivos de tudo quanto é porto.  



        Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel. Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho. Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão. O capitão não achava graça, mas como ganhava sempre, e nem podia ser de outro modo, estava respeitada a hierarquia.



        Quando saíamos com ele à rua os prodígios se sucediam: éramos três ou quatro a entrar numa festa do clube local, embora só dispuséssemos de um convite: o convite era entregue por ele ao porteiro e surripiado várias vezes para ser entregue novamente. Nao sei como fazia isso, mas podia ficar ali o resto da noite embromando o porteiro com a sua mágica e introduzir nos salões do clube a população da cidade inteira. 



        Fazia desaparecer tudo que lhe caía nas mãos, e os objetos surgiam nos lugares mais inesperados. Metia um ovo inteiro na boca, como se o tivesse engolido, e o capitão, sentindo brotar no bolso algo estranho, ia apalpar e espatifava num gesto brusco o ovo dentro do paletó. 



        - Mágica besta. Faz outra que eu te ensino. 



        Um dia o capitão o desafiou com a sugestão de numero inédito:



        - Um mágico já engoliu meu anel e depois devolveu.



        - Isso é facil, também sei fazer: me dá o anel.



        Tomou o anel do capitão, levou-o à boca e o engoliu.



        - Me dá meu anel - protestou o capitão, procurando-o inutilmente nos bolsos.



        - Eu engoli. Amanhã devolvo.  



        Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu. Eu não poderia jurar - o certo é que só foi devolvido no dia seguinte.



        Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater a carteira de um desconhecido - especialidade em que também já se revelara um mestre. Aceito o desafio, já em termos de aposta, saímos a rua para escolher a vítima. No café da esquina ele se adiantou abruptamente e foi entrando:  



        - Com licença.



        Deu um esbarrão num sujeito parado à porta, pediu desculpas, depois se acercou de nós exibindo disfarçadamente a carteira:



        - Olhem aqui. Agora me paguem.



        Restava devolvê-la. Nao pretendíamos que a brincadeira fosse as últimas consequências, ficando ele com a carteira. Alheio a tudo, o cidadão já se dispunha a sair, quando o tenente mágico o abordou:



        - Essa carteira é sua, vou lhe explicar.



        O homem não quis saber de explicações. Reteve o tenente pelo braço, chamando-o de ladrão, e começou o bate-boca. Inutilmente procuramos intervir. Um guarda acabou surgindo, tivemos de declinar nossa qualidade de oficiais do Exército. Por pouco não fomos presos assim mesmo: era um desses casos que hoje em dia terminam em pancadaria entre civis e militares, com depredação de delegacias e tudo mais. Pusemos a culpa no capitão e demos o fora. 



        Suas mágicas atingiram o clímax no dia em que nos revelou a mais extraordinária de suas habilidades: a tal de escapar de cordas e laços, coisas assim. A demonstração consistia no seguinte: depois de amarrado fortemente numa cadeira do quarto, com voltas e mais voltas de uma corda bem segura por muitos nos, era colocado com cadeira e tudo atrás da porta aberta do armário, em menos de dois minutos se desvencilharia, mas não podíamos ver como. E realmente ficou ali estrebuchando, suando e gemendo, para ao fim de dois minutos, controlados a relógio, saltar da cadeira. Tão grande foi nosso pasmo, que deu na cabeça do capitão à estúpida vanglória de fazer o mesmo, pediu que o amarrássemos como ao outro. Obedecemos - afinal de contas ele era capitão. Pediu que saíssemos do quarto, para tentar escapar longe de nossos olhos. Saímos e fomos jantar. Depois do jantar esquecemos o homem e fomos passear pela cidade. Só tarde da noite nos lembramos e corremos ao hotel, para encontrá-lo furibundo, tombado ao chão, ainda preso à cadeira, se esgoelando a plenos pulmões e tentando tocar a campainha da parede com o pé.



        - Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.



        Não vimos coisa nenhuma. No dia seguinte o tenente mágico conseguiu o prodígio de fazer desaparecer para sempre o próprio capitão. 



(SABINO, Fernando. O homem nu. - 46º ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.) 


    

Leia o trecho abaixo:

         “Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho." (2°§)

Quanto às informações presentes no trecho, pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q3485838 Português

Leia o texto e responda a questão.  



O TENENTE MÁGICO 



        Havia um Tenente que fazia mágicas. Hoje deve ser major ou coronel, se já nao passou pela mágica de ir diretamente a general de pijama. Aprendeu o ofício com um mestre europeu, fez o curso completo em três "matérias”. prestidigitação, ilusionismo, e aquela outra que se refere a escapar de algemas, lagos e prisões, que fez a glória de Houdine, não sei que nome tenha. Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro. O industrial de São Paulo aprendeu o bastante para fazer dinheiro fácil e abundante, hoje é grande capitalista naquela praga. O marinheiro caiu no mundo, e se já não morreu, deve estar embasbacando os papaivos de tudo quanto é porto.  



        Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel. Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho. Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão. O capitão não achava graça, mas como ganhava sempre, e nem podia ser de outro modo, estava respeitada a hierarquia.



        Quando saíamos com ele à rua os prodígios se sucediam: éramos três ou quatro a entrar numa festa do clube local, embora só dispuséssemos de um convite: o convite era entregue por ele ao porteiro e surripiado várias vezes para ser entregue novamente. Nao sei como fazia isso, mas podia ficar ali o resto da noite embromando o porteiro com a sua mágica e introduzir nos salões do clube a população da cidade inteira. 



        Fazia desaparecer tudo que lhe caía nas mãos, e os objetos surgiam nos lugares mais inesperados. Metia um ovo inteiro na boca, como se o tivesse engolido, e o capitão, sentindo brotar no bolso algo estranho, ia apalpar e espatifava num gesto brusco o ovo dentro do paletó. 



        - Mágica besta. Faz outra que eu te ensino. 



        Um dia o capitão o desafiou com a sugestão de numero inédito:



        - Um mágico já engoliu meu anel e depois devolveu.



        - Isso é facil, também sei fazer: me dá o anel.



        Tomou o anel do capitão, levou-o à boca e o engoliu.



        - Me dá meu anel - protestou o capitão, procurando-o inutilmente nos bolsos.



        - Eu engoli. Amanhã devolvo.  



        Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu. Eu não poderia jurar - o certo é que só foi devolvido no dia seguinte.



        Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater a carteira de um desconhecido - especialidade em que também já se revelara um mestre. Aceito o desafio, já em termos de aposta, saímos a rua para escolher a vítima. No café da esquina ele se adiantou abruptamente e foi entrando:  



        - Com licença.



        Deu um esbarrão num sujeito parado à porta, pediu desculpas, depois se acercou de nós exibindo disfarçadamente a carteira:



        - Olhem aqui. Agora me paguem.



        Restava devolvê-la. Nao pretendíamos que a brincadeira fosse as últimas consequências, ficando ele com a carteira. Alheio a tudo, o cidadão já se dispunha a sair, quando o tenente mágico o abordou:



        - Essa carteira é sua, vou lhe explicar.



        O homem não quis saber de explicações. Reteve o tenente pelo braço, chamando-o de ladrão, e começou o bate-boca. Inutilmente procuramos intervir. Um guarda acabou surgindo, tivemos de declinar nossa qualidade de oficiais do Exército. Por pouco não fomos presos assim mesmo: era um desses casos que hoje em dia terminam em pancadaria entre civis e militares, com depredação de delegacias e tudo mais. Pusemos a culpa no capitão e demos o fora. 



        Suas mágicas atingiram o clímax no dia em que nos revelou a mais extraordinária de suas habilidades: a tal de escapar de cordas e laços, coisas assim. A demonstração consistia no seguinte: depois de amarrado fortemente numa cadeira do quarto, com voltas e mais voltas de uma corda bem segura por muitos nos, era colocado com cadeira e tudo atrás da porta aberta do armário, em menos de dois minutos se desvencilharia, mas não podíamos ver como. E realmente ficou ali estrebuchando, suando e gemendo, para ao fim de dois minutos, controlados a relógio, saltar da cadeira. Tão grande foi nosso pasmo, que deu na cabeça do capitão à estúpida vanglória de fazer o mesmo, pediu que o amarrássemos como ao outro. Obedecemos - afinal de contas ele era capitão. Pediu que saíssemos do quarto, para tentar escapar longe de nossos olhos. Saímos e fomos jantar. Depois do jantar esquecemos o homem e fomos passear pela cidade. Só tarde da noite nos lembramos e corremos ao hotel, para encontrá-lo furibundo, tombado ao chão, ainda preso à cadeira, se esgoelando a plenos pulmões e tentando tocar a campainha da parede com o pé.



        - Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.



        Não vimos coisa nenhuma. No dia seguinte o tenente mágico conseguiu o prodígio de fazer desaparecer para sempre o próprio capitão. 



(SABINO, Fernando. O homem nu. - 46º ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.) 


    

A partir do emprego da expressão "o tal’ no fragmento “Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel.” (2°§), pode-se inferir que a avaliação do narrador sobre o tenente é de: 
Alternativas
Q3485837 Português

Leia o texto e responda a questão.  



O TENENTE MÁGICO 



        Havia um Tenente que fazia mágicas. Hoje deve ser major ou coronel, se já nao passou pela mágica de ir diretamente a general de pijama. Aprendeu o ofício com um mestre europeu, fez o curso completo em três "matérias”. prestidigitação, ilusionismo, e aquela outra que se refere a escapar de algemas, lagos e prisões, que fez a glória de Houdine, não sei que nome tenha. Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro. O industrial de São Paulo aprendeu o bastante para fazer dinheiro fácil e abundante, hoje é grande capitalista naquela praga. O marinheiro caiu no mundo, e se já não morreu, deve estar embasbacando os papaivos de tudo quanto é porto.  



        Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel. Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho. Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão. O capitão não achava graça, mas como ganhava sempre, e nem podia ser de outro modo, estava respeitada a hierarquia.



        Quando saíamos com ele à rua os prodígios se sucediam: éramos três ou quatro a entrar numa festa do clube local, embora só dispuséssemos de um convite: o convite era entregue por ele ao porteiro e surripiado várias vezes para ser entregue novamente. Nao sei como fazia isso, mas podia ficar ali o resto da noite embromando o porteiro com a sua mágica e introduzir nos salões do clube a população da cidade inteira. 



        Fazia desaparecer tudo que lhe caía nas mãos, e os objetos surgiam nos lugares mais inesperados. Metia um ovo inteiro na boca, como se o tivesse engolido, e o capitão, sentindo brotar no bolso algo estranho, ia apalpar e espatifava num gesto brusco o ovo dentro do paletó. 



        - Mágica besta. Faz outra que eu te ensino. 



        Um dia o capitão o desafiou com a sugestão de numero inédito:



        - Um mágico já engoliu meu anel e depois devolveu.



        - Isso é facil, também sei fazer: me dá o anel.



        Tomou o anel do capitão, levou-o à boca e o engoliu.



        - Me dá meu anel - protestou o capitão, procurando-o inutilmente nos bolsos.



        - Eu engoli. Amanhã devolvo.  



        Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu. Eu não poderia jurar - o certo é que só foi devolvido no dia seguinte.



        Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater a carteira de um desconhecido - especialidade em que também já se revelara um mestre. Aceito o desafio, já em termos de aposta, saímos a rua para escolher a vítima. No café da esquina ele se adiantou abruptamente e foi entrando:  



        - Com licença.



        Deu um esbarrão num sujeito parado à porta, pediu desculpas, depois se acercou de nós exibindo disfarçadamente a carteira:



        - Olhem aqui. Agora me paguem.



        Restava devolvê-la. Nao pretendíamos que a brincadeira fosse as últimas consequências, ficando ele com a carteira. Alheio a tudo, o cidadão já se dispunha a sair, quando o tenente mágico o abordou:



        - Essa carteira é sua, vou lhe explicar.



        O homem não quis saber de explicações. Reteve o tenente pelo braço, chamando-o de ladrão, e começou o bate-boca. Inutilmente procuramos intervir. Um guarda acabou surgindo, tivemos de declinar nossa qualidade de oficiais do Exército. Por pouco não fomos presos assim mesmo: era um desses casos que hoje em dia terminam em pancadaria entre civis e militares, com depredação de delegacias e tudo mais. Pusemos a culpa no capitão e demos o fora. 



        Suas mágicas atingiram o clímax no dia em que nos revelou a mais extraordinária de suas habilidades: a tal de escapar de cordas e laços, coisas assim. A demonstração consistia no seguinte: depois de amarrado fortemente numa cadeira do quarto, com voltas e mais voltas de uma corda bem segura por muitos nos, era colocado com cadeira e tudo atrás da porta aberta do armário, em menos de dois minutos se desvencilharia, mas não podíamos ver como. E realmente ficou ali estrebuchando, suando e gemendo, para ao fim de dois minutos, controlados a relógio, saltar da cadeira. Tão grande foi nosso pasmo, que deu na cabeça do capitão à estúpida vanglória de fazer o mesmo, pediu que o amarrássemos como ao outro. Obedecemos - afinal de contas ele era capitão. Pediu que saíssemos do quarto, para tentar escapar longe de nossos olhos. Saímos e fomos jantar. Depois do jantar esquecemos o homem e fomos passear pela cidade. Só tarde da noite nos lembramos e corremos ao hotel, para encontrá-lo furibundo, tombado ao chão, ainda preso à cadeira, se esgoelando a plenos pulmões e tentando tocar a campainha da parede com o pé.



        - Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.



        Não vimos coisa nenhuma. No dia seguinte o tenente mágico conseguiu o prodígio de fazer desaparecer para sempre o próprio capitão. 



(SABINO, Fernando. O homem nu. - 46º ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.) 


    

O pronome adjetivo possessivo precede normalmente o substantivo .que determina. No entanto, pode o referido pronome vir posposto ao substantivo, em conformidade com os termos grifados nos trechos a seguir: “Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu,as cartas começavam a pingar do nariz do capitão.” (2°§) e “Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu.” (12°§).



Conforme ‘preconizado por Celso Cunha e Lindley Cintra (2016), analise as afirmativas a seguir, e assinale a opção correta sobre o emprego adequado dos pronomes possessivos pospostos ao substantivo, sublinhados nos trechos acima.  

Alternativas
Respostas
841: E
842: B
843: A
844: D
845: E
846: A
847: E
848: C
849: A
850: B
851: B
852: D
853: B
854: C
855: E
856: A
857: B
858: E
859: A
860: C