“[...] De início, os moradores foram retirados e internados
em estabelecimentos prisionais organizados pelo estado do Ceará,
os chamados currais. Contudo, os moradores resistiram em
abandonar o sítio e por isso tiveram suas casas incendiadas e os
armazéns saqueados. Camponeses com ferramentas de trabalho
rústicas e sem armas não puderam confrontar as forças policiais
do Estado. Por isso, fugiram e procuraram abrigo na Mata dos
Cavalos, local onde se encontrava o beato Zé Lourenço. Avisado de
que estavam à sua procura, já havia fugido, mas antes
recomendou aos moradores que não reagissem. As forças policiais
sobrevoaram o local e atiraram granadas na comunidade. Nesse
ataque não houve mortos, contudo, a lembrança das bombas
jogadas dos aviões foi o que mais ouvimos nos relatos das
remanescentes. O massacre da população ocorreu quando
duzentos militares atacaram os camponeses por terra. [...]”
GOMES, K.M.S; CARDOSO, J. B. F; PERAZZO, P. F; HELLER, B. Memória
amordaçada. Lumina 2021, p.77. Disponível em:
https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/34556/23284
O evento abordado no trecho é ligado a um movimento social e
religioso ocorrido no Ceará, denominado