Missão da Nasa decola rumo ao asteroide Psyche
A agência espacial americana alça voo para o
asteroide Psyche, na busca por compreender os
mistérios de um mundo metalizado, revelando
segredos da formação do sistema solar
Publicado em 13 de outubro de 2023, 12h12
A Nasa lançou, nesta sexta-feira, 13, uma
missão ao distante asteroide Psyche, um mundo feito
de metal até então não estudado, que os cientistas
acreditam que poderia ser o núcleo de um antigo
corpo celeste.
A sonda da missão Psyche decolou conforme
planejado, às 10h19, horário local (11h19 no horário
de Brasília), do Centro Espacial Kennedy, na Flórida,
a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX.
[...]
A humanidade já visitou mundos feitos de
rochas, gelo ou gás. Mas "esta será a primeira vez
que o fará em um mundo que tem uma superfície
metálica", disse Lindy Elkins-Tanton, gestora
científica da missão, em coletiva de imprensa.
A viagem será longa: Psyche está localizada
na parte externa do cinturão de asteroides, entre as
órbitas de Marte e Júpiter. A sonda da Nasa
percorrerá cerca de 3,5 bilhões de quilômetros para
chegar até lá, provavelmente no verão boreal
(hemisfério norte) de 2029.
Graças à luz refletida em sua superfície, os
cientistas sabem que Psyche é muito densa e feita de
metal, além de algum outro material, talvez rochas.
"Não sabemos realmente como é Psyche", explicou a
pesquisadora. "Costumo brincar que tem o formato de
uma batata, porque as batatas têm vários formatos
diferentes, então não estou errada".
Os cientistas pensam que Psyche, com mais
de 200 quilômetros de comprimento, pode ser o
núcleo de um antigo corpo celeste, cuja superfície foi
arrancada por impactos de asteroides.
A Terra, como Marte, Vênus e Mercúrio, tem
um núcleo metálico. "Nunca veremos esses núcleos,
é muito quente e muito profundo", disse Lindy ElkinsTanton. A missão a Psyche é, portanto, "nossa única
maneira de ver um núcleo".
[...]
A sonda permanecerá em órbita ao redor de
Psyche por pouco mais de dois anos para estudá-la,
alternando entre diversas altitudes.
Serão utilizados três instrumentos científicos:
imagens multiespectrais para fotografá-lo,
espectrômetros para determinar sua composição e
magnetômetros para medir seu campo magnético.
Para se deslocar, a sonda também utilizará
propulsores de efeito Hall, uma novidade nas viagens
interplanetárias. Esses motores utilizam a eletricidade
fornecida pelos painéis solares da sonda para obter
íons de um gás nobre (gás xenônio), que são
acelerados pela passagem por um campo elétrico.
Eles são, então, ejetados em alta velocidade,
"cinco vezes mais rápido que o combustível que sai
de um foguete convencional", disse David Oh,
engenheiro da Nasa. "É o tipo de coisa que vimos em
Star Wars e Star Trek, mas hoje estamos tornando o
futuro uma realidade", disse ele.
A missão Psyche também testará um sistema
de comunicação a laser, que deverá permitir a
transmissão de mais dados do que comunicações por
rádio.
Adaptado de: https://exame.com/ciencia/missao-da-nasa-decolarumo-ao-asteroide-psyche/. Acesso em: 14 nov 2023.