Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Uma palavra, vários sentidos: "segurança"
As palavras nascem com um sentido original preso a um determinado contexto. Com o tempo, modificam-se, ganham novas
significações por força de seu emprego em novos contextos. É essa a dinâmica de todas as línguas vivas, sobretudo em seus níveis
de fala. Conhecer a história de uma palavra, por meio de sua etimologia e de seu percurso filológico, pode iluminar aspectos da história humana.
Tomemos como exemplo a palavra "segurança", um conceito dos mais discutidos em nosso tempo. Essa palavra tem origem
no termo latino "securitas", que por sua vez deriva de "securus" (livre de preocupações, seguro), termo composto por "sine" (sem) e
"cura" (cuidado, preocupação). Desde sua origem, pois, "segurança" remete à ideia de estar livre de cuidados, perigos ou riscos, ou
seja, em um estado de tranquilidade e proteção.
Mas é nos diferentes contextos de seu emprego que se reconhece uma ampla gama de sentidos dessa palavra. Num nível
psicológico, um indivíduo seguro está habilitado a enfrentar seus desafios munido de convictos valores pessoais. Na ordem social, a
segurança se torna um bem público, a ser defendido pelas instituições que delegam a seus agentes o papel de defender os valores
civilizatórios. Difícil imaginar alguém que nunca se tenha valido da proteção que nos estendem os responsáveis por nossa segurança.
Já no âmbito da natureza, catástrofes podem ser, quando não evitadas, minimizadas por medidas preventivas de segurança.
Em nossos dias, o progresso avassalador da cibernética está pondo à prova as situações em que todos nós, ativa ou passivamente, integramos os processos midiáticos de comunicação, expandindo valores e interesses que entram na conformação da vida e
do comportamento sociais. Quais os limites dessa propagação? Que segurança podemos ter contra os abusos extremos? -perguntam-se alguns. Ao mesmo tempo, há aqueles que reagem contra qualquer tipo de controle dos procedimentos da mídia.
Não há dúvida de que nossas fragilidades naturais, nossos interesses nem sempre comunitários, nossos instintos primitivos
pedem, aqui e ali, algum controle, em favor da segurança de todos. Caracterizar os valores que devem ser objetos prioritários da formação individual, da segurança social e do equilíbrio planetário vem-se constituindo um desafio do nosso tempo.
(Abelardo Villa Siqueira, a editar)