Questões Militares Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q171957 Português
Responda às questões de 26 a 28, referentes à Literatura Brasileira.

Cultivado no Brasil por Machado de Assis, é uma narrativa voltada para a análise psicológica e crítica da sociedade a partir do comportamento de determinados personagens.”
O texto acima refere-se ao romance
Alternativas
Q2030767 Português
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

_ Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

Quanto eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

_ Estão todos dormindo
_ Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
Através da linguagem poética, o poeta rompe fronteiras entre:
I. A vida e a morte. II. A infância e a vida adulta. III. Entre o tempo e o espaço. IV. Entre o sono e a vida desperta. V. Entre a alegria e a tristeza.
Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q2030766 Português
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

_ Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

Quanto eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

_ Estão todos dormindo
_ Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
No poema acima, a temática principal do poeta gira em torno dos seguintes assuntos:
I. A saudade da infância. II. A passagem do tempo. III. A morte. IV. As festas juninas. V. O barulho de um bonde.

Assinale a alternativa CORRETA:  
Alternativas
Q2030763 Português
A casa-grande do Santa Fé enchia-se da valsa da moça. A mãe deixava a cozinha, os negros a acompanhavam para ouvir d. Amélia tocando no seu enorme piano, de som tão bonito. O capitão fechava os olhos, babava-se na harmonia terna que a filha arrancava no teclado. Era um primor. A mulher, cansada, de pele encardida do sol, de mãos grossas dos trabalhos da cozinha, de debulhar milho para negro, de cortar bacalhau, iluminava-se de alegria. Tinha mais uma filha nos estudos, Olívia. Todos em sua casa não deviam ser como ela fora, só do trabalho grosseiro, da vida como negro cativo. O marido, espichado no marquesão, babava-se com a filha prendada. Não queria para Amélia um marido assim como Tomás, homem que só tinha corpo e alma para o trabalho. Homem devia ser mais alguma coisa para melhor do que era Tomás. [...] Nas mãos do capitão Tomás tudo rendia, tudo dava dinheiro. É verdade que tinha uma mulher que era a metade do seu esforço. Cuidava ela dos negros, cosia o algodãozinho para vesti-los, fazia-lhes o angu, assava-lhes a carne. A sua escravatura era de gente boa. Trouxera do Ingá negros de bom calibre.
Nunca comprara peça barata, resto de gente que só lhe desse trabalho. Tudo que o capitão Tomás pretendeu fazer no Santa Fé saiu como ele bem quis. Mas a filha que tocava piano como uma moça de praça, que lia livros bonitos, que lhe custara tanto dinheiro nos estudos não se casava. [...] Aquela gente do Taipu tratava mulher como bicho. Amélia era uma seda, uma flor de jardim. Não. Para vê-la casada com um daqueles animais, ele preferia que ficasse toda vida com ele. Tinha dinheiro de ouro que lhe daria para comprar um engenho para a filha. Um engenho de porteira fechada. Queria era que aparecesse um homem que fosse branco, de bons modos, capaz de fazê-la feliz, de tratá-la como ela merecia. 
Ao desejar para a filha um marido que olhe além do trabalho, a mãe deixa transparecer:
I. Que é infeliz no casamento por não ter um marido que toque piano. II. Que não se sente plenamente satisfeita com o tratamento que recebe do marido e porque ele não sabe tocar piano. III. Que jamais se sente negligenciada pelo marido. IV. Que não acredita que o casamento pode ser algo mais prazeroso do que o que vivencia em sua vida conjugal.
Assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q2030762 Português
A casa-grande do Santa Fé enchia-se da valsa da moça. A mãe deixava a cozinha, os negros a acompanhavam para ouvir d. Amélia tocando no seu enorme piano, de som tão bonito. O capitão fechava os olhos, babava-se na harmonia terna que a filha arrancava no teclado. Era um primor. A mulher, cansada, de pele encardida do sol, de mãos grossas dos trabalhos da cozinha, de debulhar milho para negro, de cortar bacalhau, iluminava-se de alegria. Tinha mais uma filha nos estudos, Olívia. Todos em sua casa não deviam ser como ela fora, só do trabalho grosseiro, da vida como negro cativo. O marido, espichado no marquesão, babava-se com a filha prendada. Não queria para Amélia um marido assim como Tomás, homem que só tinha corpo e alma para o trabalho. Homem devia ser mais alguma coisa para melhor do que era Tomás. [...] Nas mãos do capitão Tomás tudo rendia, tudo dava dinheiro. É verdade que tinha uma mulher que era a metade do seu esforço. Cuidava ela dos negros, cosia o algodãozinho para vesti-los, fazia-lhes o angu, assava-lhes a carne. A sua escravatura era de gente boa. Trouxera do Ingá negros de bom calibre.
Nunca comprara peça barata, resto de gente que só lhe desse trabalho. Tudo que o capitão Tomás pretendeu fazer no Santa Fé saiu como ele bem quis. Mas a filha que tocava piano como uma moça de praça, que lia livros bonitos, que lhe custara tanto dinheiro nos estudos não se casava. [...] Aquela gente do Taipu tratava mulher como bicho. Amélia era uma seda, uma flor de jardim. Não. Para vê-la casada com um daqueles animais, ele preferia que ficasse toda vida com ele. Tinha dinheiro de ouro que lhe daria para comprar um engenho para a filha. Um engenho de porteira fechada. Queria era que aparecesse um homem que fosse branco, de bons modos, capaz de fazê-la feliz, de tratá-la como ela merecia. 
Em relação ao perfil do marido ideal para a filha, pode-se concluir que:
I. O capitão Tomás deseja para marido da filha qualquer homem do Taipu. II. A mãe deseja que o futuro marido de sua filha seja apenas um homem com corpo e alma para o trabalho. III. Tanto o pai quanto a mãe exigem apenas que o marido da filha seja um homem branco. IV. O pai prefere que a filha fique solteirona a que se case com um homem grosseiro.
Assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q2030761 Português
A casa-grande do Santa Fé enchia-se da valsa da moça. A mãe deixava a cozinha, os negros a acompanhavam para ouvir d. Amélia tocando no seu enorme piano, de som tão bonito. O capitão fechava os olhos, babava-se na harmonia terna que a filha arrancava no teclado. Era um primor. A mulher, cansada, de pele encardida do sol, de mãos grossas dos trabalhos da cozinha, de debulhar milho para negro, de cortar bacalhau, iluminava-se de alegria. Tinha mais uma filha nos estudos, Olívia. Todos em sua casa não deviam ser como ela fora, só do trabalho grosseiro, da vida como negro cativo. O marido, espichado no marquesão, babava-se com a filha prendada. Não queria para Amélia um marido assim como Tomás, homem que só tinha corpo e alma para o trabalho. Homem devia ser mais alguma coisa para melhor do que era Tomás. [...] Nas mãos do capitão Tomás tudo rendia, tudo dava dinheiro. É verdade que tinha uma mulher que era a metade do seu esforço. Cuidava ela dos negros, cosia o algodãozinho para vesti-los, fazia-lhes o angu, assava-lhes a carne. A sua escravatura era de gente boa. Trouxera do Ingá negros de bom calibre.
Nunca comprara peça barata, resto de gente que só lhe desse trabalho. Tudo que o capitão Tomás pretendeu fazer no Santa Fé saiu como ele bem quis. Mas a filha que tocava piano como uma moça de praça, que lia livros bonitos, que lhe custara tanto dinheiro nos estudos não se casava. [...] Aquela gente do Taipu tratava mulher como bicho. Amélia era uma seda, uma flor de jardim. Não. Para vê-la casada com um daqueles animais, ele preferia que ficasse toda vida com ele. Tinha dinheiro de ouro que lhe daria para comprar um engenho para a filha. Um engenho de porteira fechada. Queria era que aparecesse um homem que fosse branco, de bons modos, capaz de fazê-la feliz, de tratá-la como ela merecia. 
Em relação ao trabalho, a interpretação do texto acima permite afirmar que:
I. O tipo de educação recebida por uma mulher não era para prepará-la para o mercado de trabalho, mas para um bom casamento. II. Por mais que trabalhe, a mulher tem pouco ou nenhum reconhecimento pelo seu esforço. III. O trabalho feminino tem o justo reconhecimento social. IV. A condição da mulher aproxima-se em muito da do escravo.
Assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q2030588 Português
O Estado e a Segurança Pública

     A segurança pública no Brasil deve ser tratada como um problema de Estado, e a redução da criminalidade depende de um grande projeto coordenado pelo governo federal, segundo a opinião de Luiz Eduardo Soares, ex-Secretário Nacional de Segurança Pública.
     Para o cientista político, que também foi coordenador de Segurança, Justiça, Defesa Civil e Cidadania do Rio de Janeiro (posto ao qual estava subordinada a Secretaria de Segurança Pública), o governo evita se envolver com a questão, já que constitucionalmente a segurança pública é de responsabilidade dos Estados.
    "Dado que há uma concepção fatalista de que esse tema não se resolve e é apenas fonte de desgaste, o presidente prefere deixá-lo para os governadores, e lavar as mãos", diz Soares, que assumiu a Secretaria Nacional de Segurança pública no início do atual governo e passou 10 meses no cargo. [...] O cientista político [...] aponta problemas como "sucateamento, desorganização e irracionalidade no sistema institucional de segurança pública no Brasil".
     Soares reconhece a importância e defende a necessidade de políticas de prevenção, mas argumenta que a situação seria muito melhor se a organização do sistema, e consequentemente das polícias, fosse mais evoluída. [...]
     "Temos 550 mil profissionais de polícia no Brasil que funcionam em bandos. Trata-se de organizar de outra maneira e qualificar o profissional, com os mesmos recursos que você mantém hoje essa polícia que não funciona", afirma o ex-secretário.
     "As polícias são esquizofrenicamente organizadas, porque a militar faz uma parte do ciclo de trabalho (ostensivo-preventivo) e a civil faz outra (investigativo, judiciário e repressivo)."
     "Não faz nenhum sentido. Seria como se nós dois fôssemos escrever uma redação juntos, com você escrevendo substantivos e verbos, enquanto eu escreveria adjetivos e pronomes", ironiza Soares.
     Para o especialista, a solução passa pela criação de uma formação profissional comum para as 56 polícias do Brasil (uma militar e civil para cada Unidade da Federação, além das polícias Federal e Rodoviária Federal).
     "Cada uma tem currículos e métodos próprios. É como se tivéssemos faculdades nos Estados com currículos completamente incompatíveis e métodos inteiramente diversos para engenharia, alguns formando-se em três meses, outros em um semestre e outros ainda em dois ou quatro anos", diz o cientista político.
     "Pode se imaginar a inviabilidade do trabalho coletivo. Precisamos de um ciclo básico comum nacional", acrescenta Soares.
     Soares afirma que, por causa da falta de estrutura, a polícia não consegue realizar um programa de monitoramento para avaliar suas atividades.
     "Não há diagnósticos, porque não há dados qualificados. Portanto, as polícias não têm como apoiar o planejamento. O problema não está nos erros, mas na dificuldade de identificá-los."
     Na visão do ex-secretário, só uma "revolução institucional" seria capaz de resolver o proble- ma. Soares avalia que esse cenário conduz a polícia à brutalidade, ao desrespeito pelos direitos humanos e à corrupção que se generaliza.
     "Não posso sugerir que todos os policiais sejam desonestos, despreparados e que todas as instituições sejam desqualificadas, mas há um grau de cumplicidade com a criminalidade, com a corrupção e com a brutalidade muito superior ao que seria tolerável", diz o cientista político. [...]
     A proposta de unificação das polícias civil e militar é vista com cautela pelo ex-Secretário Nacional de Segurança Pública por causa da diferença de cultura e da rivalidade entre as corporações. [...]
    Soares sugere que cada Estado encontre sua fórmula, com liberdade para unificar as polícias se assim julgar melhor, mas também de criar novas corporações, como uma polícia para regiões metropolitanas, e eventualmente regionalizar a atuação das polícias civil e militar, fazendo com que cada uma delas seja responsável por todo o ciclo do trabalho dentro de sua área de atuação.
TORTORIELLO , Alexandre Mata. In: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2004/08/04073 0_vsoaresamtdi.shtml. Acesso em: 05/06/2009. Adaptado. 
Todas as alternativas representam referências ao entrevistado, conforme o texto, exceto:
Alternativas
Q2030586 Português
O Estado e a Segurança Pública

     A segurança pública no Brasil deve ser tratada como um problema de Estado, e a redução da criminalidade depende de um grande projeto coordenado pelo governo federal, segundo a opinião de Luiz Eduardo Soares, ex-Secretário Nacional de Segurança Pública.
     Para o cientista político, que também foi coordenador de Segurança, Justiça, Defesa Civil e Cidadania do Rio de Janeiro (posto ao qual estava subordinada a Secretaria de Segurança Pública), o governo evita se envolver com a questão, já que constitucionalmente a segurança pública é de responsabilidade dos Estados.
    "Dado que há uma concepção fatalista de que esse tema não se resolve e é apenas fonte de desgaste, o presidente prefere deixá-lo para os governadores, e lavar as mãos", diz Soares, que assumiu a Secretaria Nacional de Segurança pública no início do atual governo e passou 10 meses no cargo. [...] O cientista político [...] aponta problemas como "sucateamento, desorganização e irracionalidade no sistema institucional de segurança pública no Brasil".
     Soares reconhece a importância e defende a necessidade de políticas de prevenção, mas argumenta que a situação seria muito melhor se a organização do sistema, e consequentemente das polícias, fosse mais evoluída. [...]
     "Temos 550 mil profissionais de polícia no Brasil que funcionam em bandos. Trata-se de organizar de outra maneira e qualificar o profissional, com os mesmos recursos que você mantém hoje essa polícia que não funciona", afirma o ex-secretário.
     "As polícias são esquizofrenicamente organizadas, porque a militar faz uma parte do ciclo de trabalho (ostensivo-preventivo) e a civil faz outra (investigativo, judiciário e repressivo)."
     "Não faz nenhum sentido. Seria como se nós dois fôssemos escrever uma redação juntos, com você escrevendo substantivos e verbos, enquanto eu escreveria adjetivos e pronomes", ironiza Soares.
     Para o especialista, a solução passa pela criação de uma formação profissional comum para as 56 polícias do Brasil (uma militar e civil para cada Unidade da Federação, além das polícias Federal e Rodoviária Federal).
     "Cada uma tem currículos e métodos próprios. É como se tivéssemos faculdades nos Estados com currículos completamente incompatíveis e métodos inteiramente diversos para engenharia, alguns formando-se em três meses, outros em um semestre e outros ainda em dois ou quatro anos", diz o cientista político.
     "Pode se imaginar a inviabilidade do trabalho coletivo. Precisamos de um ciclo básico comum nacional", acrescenta Soares.
     Soares afirma que, por causa da falta de estrutura, a polícia não consegue realizar um programa de monitoramento para avaliar suas atividades.
     "Não há diagnósticos, porque não há dados qualificados. Portanto, as polícias não têm como apoiar o planejamento. O problema não está nos erros, mas na dificuldade de identificá-los."
     Na visão do ex-secretário, só uma "revolução institucional" seria capaz de resolver o proble- ma. Soares avalia que esse cenário conduz a polícia à brutalidade, ao desrespeito pelos direitos humanos e à corrupção que se generaliza.
     "Não posso sugerir que todos os policiais sejam desonestos, despreparados e que todas as instituições sejam desqualificadas, mas há um grau de cumplicidade com a criminalidade, com a corrupção e com a brutalidade muito superior ao que seria tolerável", diz o cientista político. [...]
     A proposta de unificação das polícias civil e militar é vista com cautela pelo ex-Secretário Nacional de Segurança Pública por causa da diferença de cultura e da rivalidade entre as corporações. [...]
    Soares sugere que cada Estado encontre sua fórmula, com liberdade para unificar as polícias se assim julgar melhor, mas também de criar novas corporações, como uma polícia para regiões metropolitanas, e eventualmente regionalizar a atuação das polícias civil e militar, fazendo com que cada uma delas seja responsável por todo o ciclo do trabalho dentro de sua área de atuação.
TORTORIELLO , Alexandre Mata. In: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2004/08/04073 0_vsoaresamtdi.shtml. Acesso em: 05/06/2009. Adaptado. 
Ao comparar o trabalho das polícias militar e civil à escritura de uma redação feita a duas mãos, o ex-Secretário Nacional de Segurança Pública critica: 
Alternativas
Ano: 2009 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2009 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q2029806 Português
    Outro dia uma vizinha mineira me disse que ia à catedral da Sé para rezar pelos carteiros. Pensei que ela fosse rezar pelo aumento dos salários dos carteiros, que estavam em greve. Mas a razão da reza era mais grave.
    Meu pai foi carteiro em Belo Horizonte, ela disse. Daqui a cinco anos os carteiros vão perder o emprego para a internet.
    Ainda recebo postais, eu disse. Recebi um de Cruzeiro do Sul, outro de Zurique, um de Fez, dois de Belém. E vou receber um envelope...
    Seus postais e envelopes estão com os dias contados, interrompeu minha vizinha. Daqui a cinco anos você só vai receber extrato bancário. Ou nem isso. Vão entupir seu computador com postais eletrônicos. Por isso vou rezar por esses mensageiros andarilhos em extinção.
    Mensageiros andarilhos em extinção...
    Agora, ao ver um carteiro na calçada, a frase da minha vizinha piedosa me vem à mente. Não sei se os postais, as cartas e os carteiros vão sumir. Sei que a amizade está ficando virtual demais. Temo que os amigos desapareçam, já nem ouço a voz de alguns deles, nem ao telefone. Porque ver e abraçar um amigo tornou-se uma coisa complicada, quase uma façanha numa cidade cujos moradores só se deslocam com rapidez por baixo da terra. E há poucas estações de metrô numa metrópole do tamanho de São Paulo. Uma mensagem eletrônica é um contato muito mais rápido, quase instantâneo. Mas será mais humano? (...)
    Mas devo à internet o contato com uma amiga espanhola, que não via desde o século passado. Ela me enviou uma mensagem em catalão, e recordou a brincadeira que eu fazia sobre sua língua materna: muitas palavras catalãs hesitavam em terminar ou não terminavam totalmente, palavras que parecem desprezar o som final, nasalizado, tão forte em outras línguas românicas.
    Reatamos pela internet uma amizade interrompida há quase 30 anos, e na longa carta virtual lembrou passagens da nossa vida no bairro de Gracia, onde dividíamos um apartamento em frente ao pequeno teatro Lliure, que encenava as melhores dramaturgias de Barcelona.(...)
    Carmen, minha amiga espanhola, revelou que havia encontrado um caderno branco, agora manchado pelo tempo: meu diário catalão, onde registrara minhas andanças por vários lugares da Espanha.
    Já dava esse diário por perdido, que é o destino das palavras de muitos diários: pura perdição. Agora esse achado da minha amiga voará de Barcelona até São Paulo num envelope que um mensageiro andarilho me entregará antes de perder seu emprego para a internet. Às vezes um mero acaso pode extraviar envelopes, mas espero que dessa vez o correio não seja “el correo del azar”.
(Milton Hatoum, O Estado de S.Paulo, 16.10.2009. Adaptado)
A frase –...ver e abraçar um amigo tornou-se uma façanha ... – significa que ver e abraçar um amigo tornou-se algo
Alternativas
Ano: 2009 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2009 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q2029805 Português
    Outro dia uma vizinha mineira me disse que ia à catedral da Sé para rezar pelos carteiros. Pensei que ela fosse rezar pelo aumento dos salários dos carteiros, que estavam em greve. Mas a razão da reza era mais grave.
    Meu pai foi carteiro em Belo Horizonte, ela disse. Daqui a cinco anos os carteiros vão perder o emprego para a internet.
    Ainda recebo postais, eu disse. Recebi um de Cruzeiro do Sul, outro de Zurique, um de Fez, dois de Belém. E vou receber um envelope...
    Seus postais e envelopes estão com os dias contados, interrompeu minha vizinha. Daqui a cinco anos você só vai receber extrato bancário. Ou nem isso. Vão entupir seu computador com postais eletrônicos. Por isso vou rezar por esses mensageiros andarilhos em extinção.
    Mensageiros andarilhos em extinção...
    Agora, ao ver um carteiro na calçada, a frase da minha vizinha piedosa me vem à mente. Não sei se os postais, as cartas e os carteiros vão sumir. Sei que a amizade está ficando virtual demais. Temo que os amigos desapareçam, já nem ouço a voz de alguns deles, nem ao telefone. Porque ver e abraçar um amigo tornou-se uma coisa complicada, quase uma façanha numa cidade cujos moradores só se deslocam com rapidez por baixo da terra. E há poucas estações de metrô numa metrópole do tamanho de São Paulo. Uma mensagem eletrônica é um contato muito mais rápido, quase instantâneo. Mas será mais humano? (...)
    Mas devo à internet o contato com uma amiga espanhola, que não via desde o século passado. Ela me enviou uma mensagem em catalão, e recordou a brincadeira que eu fazia sobre sua língua materna: muitas palavras catalãs hesitavam em terminar ou não terminavam totalmente, palavras que parecem desprezar o som final, nasalizado, tão forte em outras línguas românicas.
    Reatamos pela internet uma amizade interrompida há quase 30 anos, e na longa carta virtual lembrou passagens da nossa vida no bairro de Gracia, onde dividíamos um apartamento em frente ao pequeno teatro Lliure, que encenava as melhores dramaturgias de Barcelona.(...)
    Carmen, minha amiga espanhola, revelou que havia encontrado um caderno branco, agora manchado pelo tempo: meu diário catalão, onde registrara minhas andanças por vários lugares da Espanha.
    Já dava esse diário por perdido, que é o destino das palavras de muitos diários: pura perdição. Agora esse achado da minha amiga voará de Barcelona até São Paulo num envelope que um mensageiro andarilho me entregará antes de perder seu emprego para a internet. Às vezes um mero acaso pode extraviar envelopes, mas espero que dessa vez o correio não seja “el correo del azar”.
(Milton Hatoum, O Estado de S.Paulo, 16.10.2009. Adaptado)
Levando-se em conta os sentidos do texto e a foto, conclui-se que o título do texto poderia ser:

Imagem associada para resolução da questão
Alternativas
Ano: 2009 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2009 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q2029804 Português
    Outro dia uma vizinha mineira me disse que ia à catedral da Sé para rezar pelos carteiros. Pensei que ela fosse rezar pelo aumento dos salários dos carteiros, que estavam em greve. Mas a razão da reza era mais grave.
    Meu pai foi carteiro em Belo Horizonte, ela disse. Daqui a cinco anos os carteiros vão perder o emprego para a internet.
    Ainda recebo postais, eu disse. Recebi um de Cruzeiro do Sul, outro de Zurique, um de Fez, dois de Belém. E vou receber um envelope...
    Seus postais e envelopes estão com os dias contados, interrompeu minha vizinha. Daqui a cinco anos você só vai receber extrato bancário. Ou nem isso. Vão entupir seu computador com postais eletrônicos. Por isso vou rezar por esses mensageiros andarilhos em extinção.
    Mensageiros andarilhos em extinção...
    Agora, ao ver um carteiro na calçada, a frase da minha vizinha piedosa me vem à mente. Não sei se os postais, as cartas e os carteiros vão sumir. Sei que a amizade está ficando virtual demais. Temo que os amigos desapareçam, já nem ouço a voz de alguns deles, nem ao telefone. Porque ver e abraçar um amigo tornou-se uma coisa complicada, quase uma façanha numa cidade cujos moradores só se deslocam com rapidez por baixo da terra. E há poucas estações de metrô numa metrópole do tamanho de São Paulo. Uma mensagem eletrônica é um contato muito mais rápido, quase instantâneo. Mas será mais humano? (...)
    Mas devo à internet o contato com uma amiga espanhola, que não via desde o século passado. Ela me enviou uma mensagem em catalão, e recordou a brincadeira que eu fazia sobre sua língua materna: muitas palavras catalãs hesitavam em terminar ou não terminavam totalmente, palavras que parecem desprezar o som final, nasalizado, tão forte em outras línguas românicas.
    Reatamos pela internet uma amizade interrompida há quase 30 anos, e na longa carta virtual lembrou passagens da nossa vida no bairro de Gracia, onde dividíamos um apartamento em frente ao pequeno teatro Lliure, que encenava as melhores dramaturgias de Barcelona.(...)
    Carmen, minha amiga espanhola, revelou que havia encontrado um caderno branco, agora manchado pelo tempo: meu diário catalão, onde registrara minhas andanças por vários lugares da Espanha.
    Já dava esse diário por perdido, que é o destino das palavras de muitos diários: pura perdição. Agora esse achado da minha amiga voará de Barcelona até São Paulo num envelope que um mensageiro andarilho me entregará antes de perder seu emprego para a internet. Às vezes um mero acaso pode extraviar envelopes, mas espero que dessa vez o correio não seja “el correo del azar”.
(Milton Hatoum, O Estado de S.Paulo, 16.10.2009. Adaptado)
Nas frases, marque 1 para a frase dita pelo narrador e 2 para a proferida pela vizinha e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Meu pai foi carteiro em Belo Horizonte.
Daqui a cinco anos você só vai receber extrato bancário.
Mensageiros andarilhos em extinção…
Vão entupir seu computador com postais eletrônicos.
Alternativas
Ano: 2009 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2009 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q2029803 Português
    Outro dia uma vizinha mineira me disse que ia à catedral da Sé para rezar pelos carteiros. Pensei que ela fosse rezar pelo aumento dos salários dos carteiros, que estavam em greve. Mas a razão da reza era mais grave.
    Meu pai foi carteiro em Belo Horizonte, ela disse. Daqui a cinco anos os carteiros vão perder o emprego para a internet.
    Ainda recebo postais, eu disse. Recebi um de Cruzeiro do Sul, outro de Zurique, um de Fez, dois de Belém. E vou receber um envelope...
    Seus postais e envelopes estão com os dias contados, interrompeu minha vizinha. Daqui a cinco anos você só vai receber extrato bancário. Ou nem isso. Vão entupir seu computador com postais eletrônicos. Por isso vou rezar por esses mensageiros andarilhos em extinção.
    Mensageiros andarilhos em extinção...
    Agora, ao ver um carteiro na calçada, a frase da minha vizinha piedosa me vem à mente. Não sei se os postais, as cartas e os carteiros vão sumir. Sei que a amizade está ficando virtual demais. Temo que os amigos desapareçam, já nem ouço a voz de alguns deles, nem ao telefone. Porque ver e abraçar um amigo tornou-se uma coisa complicada, quase uma façanha numa cidade cujos moradores só se deslocam com rapidez por baixo da terra. E há poucas estações de metrô numa metrópole do tamanho de São Paulo. Uma mensagem eletrônica é um contato muito mais rápido, quase instantâneo. Mas será mais humano? (...)
    Mas devo à internet o contato com uma amiga espanhola, que não via desde o século passado. Ela me enviou uma mensagem em catalão, e recordou a brincadeira que eu fazia sobre sua língua materna: muitas palavras catalãs hesitavam em terminar ou não terminavam totalmente, palavras que parecem desprezar o som final, nasalizado, tão forte em outras línguas românicas.
    Reatamos pela internet uma amizade interrompida há quase 30 anos, e na longa carta virtual lembrou passagens da nossa vida no bairro de Gracia, onde dividíamos um apartamento em frente ao pequeno teatro Lliure, que encenava as melhores dramaturgias de Barcelona.(...)
    Carmen, minha amiga espanhola, revelou que havia encontrado um caderno branco, agora manchado pelo tempo: meu diário catalão, onde registrara minhas andanças por vários lugares da Espanha.
    Já dava esse diário por perdido, que é o destino das palavras de muitos diários: pura perdição. Agora esse achado da minha amiga voará de Barcelona até São Paulo num envelope que um mensageiro andarilho me entregará antes de perder seu emprego para a internet. Às vezes um mero acaso pode extraviar envelopes, mas espero que dessa vez o correio não seja “el correo del azar”.
(Milton Hatoum, O Estado de S.Paulo, 16.10.2009. Adaptado)
Sobre o diário do narrador, é correto afirmar que
Alternativas
Ano: 2009 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2009 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q2029802 Português
    Outro dia uma vizinha mineira me disse que ia à catedral da Sé para rezar pelos carteiros. Pensei que ela fosse rezar pelo aumento dos salários dos carteiros, que estavam em greve. Mas a razão da reza era mais grave.
    Meu pai foi carteiro em Belo Horizonte, ela disse. Daqui a cinco anos os carteiros vão perder o emprego para a internet.
    Ainda recebo postais, eu disse. Recebi um de Cruzeiro do Sul, outro de Zurique, um de Fez, dois de Belém. E vou receber um envelope...
    Seus postais e envelopes estão com os dias contados, interrompeu minha vizinha. Daqui a cinco anos você só vai receber extrato bancário. Ou nem isso. Vão entupir seu computador com postais eletrônicos. Por isso vou rezar por esses mensageiros andarilhos em extinção.
    Mensageiros andarilhos em extinção...
    Agora, ao ver um carteiro na calçada, a frase da minha vizinha piedosa me vem à mente. Não sei se os postais, as cartas e os carteiros vão sumir. Sei que a amizade está ficando virtual demais. Temo que os amigos desapareçam, já nem ouço a voz de alguns deles, nem ao telefone. Porque ver e abraçar um amigo tornou-se uma coisa complicada, quase uma façanha numa cidade cujos moradores só se deslocam com rapidez por baixo da terra. E há poucas estações de metrô numa metrópole do tamanho de São Paulo. Uma mensagem eletrônica é um contato muito mais rápido, quase instantâneo. Mas será mais humano? (...)
    Mas devo à internet o contato com uma amiga espanhola, que não via desde o século passado. Ela me enviou uma mensagem em catalão, e recordou a brincadeira que eu fazia sobre sua língua materna: muitas palavras catalãs hesitavam em terminar ou não terminavam totalmente, palavras que parecem desprezar o som final, nasalizado, tão forte em outras línguas românicas.
    Reatamos pela internet uma amizade interrompida há quase 30 anos, e na longa carta virtual lembrou passagens da nossa vida no bairro de Gracia, onde dividíamos um apartamento em frente ao pequeno teatro Lliure, que encenava as melhores dramaturgias de Barcelona.(...)
    Carmen, minha amiga espanhola, revelou que havia encontrado um caderno branco, agora manchado pelo tempo: meu diário catalão, onde registrara minhas andanças por vários lugares da Espanha.
    Já dava esse diário por perdido, que é o destino das palavras de muitos diários: pura perdição. Agora esse achado da minha amiga voará de Barcelona até São Paulo num envelope que um mensageiro andarilho me entregará antes de perder seu emprego para a internet. Às vezes um mero acaso pode extraviar envelopes, mas espero que dessa vez o correio não seja “el correo del azar”.
(Milton Hatoum, O Estado de S.Paulo, 16.10.2009. Adaptado)
A mensagem enviada pela amiga catalã
Alternativas
Ano: 2009 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2009 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q2029801 Português
    Outro dia uma vizinha mineira me disse que ia à catedral da Sé para rezar pelos carteiros. Pensei que ela fosse rezar pelo aumento dos salários dos carteiros, que estavam em greve. Mas a razão da reza era mais grave.
    Meu pai foi carteiro em Belo Horizonte, ela disse. Daqui a cinco anos os carteiros vão perder o emprego para a internet.
    Ainda recebo postais, eu disse. Recebi um de Cruzeiro do Sul, outro de Zurique, um de Fez, dois de Belém. E vou receber um envelope...
    Seus postais e envelopes estão com os dias contados, interrompeu minha vizinha. Daqui a cinco anos você só vai receber extrato bancário. Ou nem isso. Vão entupir seu computador com postais eletrônicos. Por isso vou rezar por esses mensageiros andarilhos em extinção.
    Mensageiros andarilhos em extinção...
    Agora, ao ver um carteiro na calçada, a frase da minha vizinha piedosa me vem à mente. Não sei se os postais, as cartas e os carteiros vão sumir. Sei que a amizade está ficando virtual demais. Temo que os amigos desapareçam, já nem ouço a voz de alguns deles, nem ao telefone. Porque ver e abraçar um amigo tornou-se uma coisa complicada, quase uma façanha numa cidade cujos moradores só se deslocam com rapidez por baixo da terra. E há poucas estações de metrô numa metrópole do tamanho de São Paulo. Uma mensagem eletrônica é um contato muito mais rápido, quase instantâneo. Mas será mais humano? (...)
    Mas devo à internet o contato com uma amiga espanhola, que não via desde o século passado. Ela me enviou uma mensagem em catalão, e recordou a brincadeira que eu fazia sobre sua língua materna: muitas palavras catalãs hesitavam em terminar ou não terminavam totalmente, palavras que parecem desprezar o som final, nasalizado, tão forte em outras línguas românicas.
    Reatamos pela internet uma amizade interrompida há quase 30 anos, e na longa carta virtual lembrou passagens da nossa vida no bairro de Gracia, onde dividíamos um apartamento em frente ao pequeno teatro Lliure, que encenava as melhores dramaturgias de Barcelona.(...)
    Carmen, minha amiga espanhola, revelou que havia encontrado um caderno branco, agora manchado pelo tempo: meu diário catalão, onde registrara minhas andanças por vários lugares da Espanha.
    Já dava esse diário por perdido, que é o destino das palavras de muitos diários: pura perdição. Agora esse achado da minha amiga voará de Barcelona até São Paulo num envelope que um mensageiro andarilho me entregará antes de perder seu emprego para a internet. Às vezes um mero acaso pode extraviar envelopes, mas espero que dessa vez o correio não seja “el correo del azar”.
(Milton Hatoum, O Estado de S.Paulo, 16.10.2009. Adaptado)
O narrador teme que, com a internet,
Alternativas
Ano: 2009 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2009 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q2029800 Português
    Outro dia uma vizinha mineira me disse que ia à catedral da Sé para rezar pelos carteiros. Pensei que ela fosse rezar pelo aumento dos salários dos carteiros, que estavam em greve. Mas a razão da reza era mais grave.
    Meu pai foi carteiro em Belo Horizonte, ela disse. Daqui a cinco anos os carteiros vão perder o emprego para a internet.
    Ainda recebo postais, eu disse. Recebi um de Cruzeiro do Sul, outro de Zurique, um de Fez, dois de Belém. E vou receber um envelope...
    Seus postais e envelopes estão com os dias contados, interrompeu minha vizinha. Daqui a cinco anos você só vai receber extrato bancário. Ou nem isso. Vão entupir seu computador com postais eletrônicos. Por isso vou rezar por esses mensageiros andarilhos em extinção.
    Mensageiros andarilhos em extinção...
    Agora, ao ver um carteiro na calçada, a frase da minha vizinha piedosa me vem à mente. Não sei se os postais, as cartas e os carteiros vão sumir. Sei que a amizade está ficando virtual demais. Temo que os amigos desapareçam, já nem ouço a voz de alguns deles, nem ao telefone. Porque ver e abraçar um amigo tornou-se uma coisa complicada, quase uma façanha numa cidade cujos moradores só se deslocam com rapidez por baixo da terra. E há poucas estações de metrô numa metrópole do tamanho de São Paulo. Uma mensagem eletrônica é um contato muito mais rápido, quase instantâneo. Mas será mais humano? (...)
    Mas devo à internet o contato com uma amiga espanhola, que não via desde o século passado. Ela me enviou uma mensagem em catalão, e recordou a brincadeira que eu fazia sobre sua língua materna: muitas palavras catalãs hesitavam em terminar ou não terminavam totalmente, palavras que parecem desprezar o som final, nasalizado, tão forte em outras línguas românicas.
    Reatamos pela internet uma amizade interrompida há quase 30 anos, e na longa carta virtual lembrou passagens da nossa vida no bairro de Gracia, onde dividíamos um apartamento em frente ao pequeno teatro Lliure, que encenava as melhores dramaturgias de Barcelona.(...)
    Carmen, minha amiga espanhola, revelou que havia encontrado um caderno branco, agora manchado pelo tempo: meu diário catalão, onde registrara minhas andanças por vários lugares da Espanha.
    Já dava esse diário por perdido, que é o destino das palavras de muitos diários: pura perdição. Agora esse achado da minha amiga voará de Barcelona até São Paulo num envelope que um mensageiro andarilho me entregará antes de perder seu emprego para a internet. Às vezes um mero acaso pode extraviar envelopes, mas espero que dessa vez o correio não seja “el correo del azar”.
(Milton Hatoum, O Estado de S.Paulo, 16.10.2009. Adaptado)
Além de ir rezar pelos carteiros, a vizinha foi à Sé movida por 
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Ano: 2009 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2009 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q2029799 Português
    Outro dia uma vizinha mineira me disse que ia à catedral da Sé para rezar pelos carteiros. Pensei que ela fosse rezar pelo aumento dos salários dos carteiros, que estavam em greve. Mas a razão da reza era mais grave.
    Meu pai foi carteiro em Belo Horizonte, ela disse. Daqui a cinco anos os carteiros vão perder o emprego para a internet.
    Ainda recebo postais, eu disse. Recebi um de Cruzeiro do Sul, outro de Zurique, um de Fez, dois de Belém. E vou receber um envelope...
    Seus postais e envelopes estão com os dias contados, interrompeu minha vizinha. Daqui a cinco anos você só vai receber extrato bancário. Ou nem isso. Vão entupir seu computador com postais eletrônicos. Por isso vou rezar por esses mensageiros andarilhos em extinção.
    Mensageiros andarilhos em extinção...
    Agora, ao ver um carteiro na calçada, a frase da minha vizinha piedosa me vem à mente. Não sei se os postais, as cartas e os carteiros vão sumir. Sei que a amizade está ficando virtual demais. Temo que os amigos desapareçam, já nem ouço a voz de alguns deles, nem ao telefone. Porque ver e abraçar um amigo tornou-se uma coisa complicada, quase uma façanha numa cidade cujos moradores só se deslocam com rapidez por baixo da terra. E há poucas estações de metrô numa metrópole do tamanho de São Paulo. Uma mensagem eletrônica é um contato muito mais rápido, quase instantâneo. Mas será mais humano? (...)
    Mas devo à internet o contato com uma amiga espanhola, que não via desde o século passado. Ela me enviou uma mensagem em catalão, e recordou a brincadeira que eu fazia sobre sua língua materna: muitas palavras catalãs hesitavam em terminar ou não terminavam totalmente, palavras que parecem desprezar o som final, nasalizado, tão forte em outras línguas românicas.
    Reatamos pela internet uma amizade interrompida há quase 30 anos, e na longa carta virtual lembrou passagens da nossa vida no bairro de Gracia, onde dividíamos um apartamento em frente ao pequeno teatro Lliure, que encenava as melhores dramaturgias de Barcelona.(...)
    Carmen, minha amiga espanhola, revelou que havia encontrado um caderno branco, agora manchado pelo tempo: meu diário catalão, onde registrara minhas andanças por vários lugares da Espanha.
    Já dava esse diário por perdido, que é o destino das palavras de muitos diários: pura perdição. Agora esse achado da minha amiga voará de Barcelona até São Paulo num envelope que um mensageiro andarilho me entregará antes de perder seu emprego para a internet. Às vezes um mero acaso pode extraviar envelopes, mas espero que dessa vez o correio não seja “el correo del azar”.
(Milton Hatoum, O Estado de S.Paulo, 16.10.2009. Adaptado)
De acordo com o narrador,
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Q724195 Português

Histórias das três batalhas de Rosario


    Nos livros de história, há duas batalhas de Rosario. A de 18 de junho de 1978 é a segunda. Essa de hoje [05.09.2009], pelo visto, corre o risco de ser a terceira. Espera-se que nesta, pela primeira vez, os brasileiros ganhem.

    Na primeira, batalha de verdade, com canhão e cavalaria, ocorrida no século 19, os republicanos da aliança argentino-uruguaia levaram a melhor sobre as tropas imperiais brasileiras. Não foi uma vitória acachapante, mas os “castelhanos” ficaram com o terreno.

    Ganharam e ainda se apropriaram da partitura de uma marcha, que tocam sempre que um presidente brasileiro vai a Buenos Aires.

    Essa primeira batalha aconteceu em 1827. Morreram cerca de 400 pessoas – e o nome da batalha na verdade era “Passo do Rosario”, ou ainda “de Ituzaingó”, e aconteceu no Rio Grande do Sul, um pouco distante do Pampa argentino.

    Na segunda, não morreu ninguém, que se saiba (ao menos não em campo). Nos dois países, estava-se em uma ditadura, mas, como o jogo era em Rosario, os ditadores de lá estavam mais perto do evento em si.

    Batalha horrível, diga-se. Joguinho feio, que acabou em empate. A Argentina, nem invicta era. Perdera da Itália na fase inicial. Se perdesse do Brasil, provavelmente ficaria fora da final. Provavelmente, não, ficaria. Note-se: o Brasil, com Maracanazo e tudo, era tri; a Argentina nunca vencera nada.

    O jogo, a batalha, acabou no 0 a 0. Os argentinos tinham um jogador, Luque, que deveria ter sido preso. Bateu o jogo inteiro, abaixo da linha da cintura. Bateu no primeiro lance, um pontapé em Batista ouvido no planeta. O árbitro, um húngaro de nome Palotay e lisura sem par, não viu nada demais, já que de modo geral saía pouco sangue.

    Para compensar a classe alviceleste, o Brasil colocou em campo o ínclito meio-campista Chicão, conhecido pela sua técnica admirável. Na base da pancada mútua, o jogo acabou parelho, com Roberto Dinamite perdendo um gol no finzinho.

    Empate na batalha, faltava um jogo pra cada lado.

    O Brasil pegou a Polônia e, aos trancos e barrancos, enfiou 3 a 0. A Argentina precisava ganhar de quatro do Peru.

    A alegria brasileira durou algumas horas. À noite, os comandados de Menotti, o técnico argentino, surraram os peruanos (cujo goleiro era... argentino naturalizado peruano, coitado). O jogo foi 6 a 0. Finalistas e campeões.

    Parte da torcida no Brasil ficou até feliz, assim a ditadura não poderia usar a Copa a seu favor. Já a ditadura deles, usou. Sem nenhum pudor.

(Folha de S.Paulo, 05.09.2009. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão 
Quase sempre foi muito mais difícil para a seleção brasileira ganhar a vaga numa Copa. Mas nunca foi tão saboroso carimbar o passaporte para o Mundial como ontem, em Rosario. Com uma vitória por 3 a 1 sobre a Argentina de Maradona, o time nacional se garantiu na Copa da África de 2010 e vai continuar como o único país do mundo a ir a todos Mundiais. (Folha de S.Paulo, 06.09.2009)

Este texto, comparado com as informações do 1.º parágrafo de Histórias das três batalhas de Rosario, deixa evidente que
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Q724191 Português

Histórias das três batalhas de Rosario


    Nos livros de história, há duas batalhas de Rosario. A de 18 de junho de 1978 é a segunda. Essa de hoje [05.09.2009], pelo visto, corre o risco de ser a terceira. Espera-se que nesta, pela primeira vez, os brasileiros ganhem.

    Na primeira, batalha de verdade, com canhão e cavalaria, ocorrida no século 19, os republicanos da aliança argentino-uruguaia levaram a melhor sobre as tropas imperiais brasileiras. Não foi uma vitória acachapante, mas os “castelhanos” ficaram com o terreno.

    Ganharam e ainda se apropriaram da partitura de uma marcha, que tocam sempre que um presidente brasileiro vai a Buenos Aires.

    Essa primeira batalha aconteceu em 1827. Morreram cerca de 400 pessoas – e o nome da batalha na verdade era “Passo do Rosario”, ou ainda “de Ituzaingó”, e aconteceu no Rio Grande do Sul, um pouco distante do Pampa argentino.

    Na segunda, não morreu ninguém, que se saiba (ao menos não em campo). Nos dois países, estava-se em uma ditadura, mas, como o jogo era em Rosario, os ditadores de lá estavam mais perto do evento em si.

    Batalha horrível, diga-se. Joguinho feio, que acabou em empate. A Argentina, nem invicta era. Perdera da Itália na fase inicial. Se perdesse do Brasil, provavelmente ficaria fora da final. Provavelmente, não, ficaria. Note-se: o Brasil, com Maracanazo e tudo, era tri; a Argentina nunca vencera nada.

    O jogo, a batalha, acabou no 0 a 0. Os argentinos tinham um jogador, Luque, que deveria ter sido preso. Bateu o jogo inteiro, abaixo da linha da cintura. Bateu no primeiro lance, um pontapé em Batista ouvido no planeta. O árbitro, um húngaro de nome Palotay e lisura sem par, não viu nada demais, já que de modo geral saía pouco sangue.

    Para compensar a classe alviceleste, o Brasil colocou em campo o ínclito meio-campista Chicão, conhecido pela sua técnica admirável. Na base da pancada mútua, o jogo acabou parelho, com Roberto Dinamite perdendo um gol no finzinho.

    Empate na batalha, faltava um jogo pra cada lado.

    O Brasil pegou a Polônia e, aos trancos e barrancos, enfiou 3 a 0. A Argentina precisava ganhar de quatro do Peru.

    A alegria brasileira durou algumas horas. À noite, os comandados de Menotti, o técnico argentino, surraram os peruanos (cujo goleiro era... argentino naturalizado peruano, coitado). O jogo foi 6 a 0. Finalistas e campeões.

    Parte da torcida no Brasil ficou até feliz, assim a ditadura não poderia usar a Copa a seu favor. Já a ditadura deles, usou. Sem nenhum pudor.

(Folha de S.Paulo, 05.09.2009. Adaptado)

Ao referir-se ao comportamento do árbitro húngaro, o autor o faz com
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Q724188 Português

Histórias das três batalhas de Rosario


    Nos livros de história, há duas batalhas de Rosario. A de 18 de junho de 1978 é a segunda. Essa de hoje [05.09.2009], pelo visto, corre o risco de ser a terceira. Espera-se que nesta, pela primeira vez, os brasileiros ganhem.

    Na primeira, batalha de verdade, com canhão e cavalaria, ocorrida no século 19, os republicanos da aliança argentino-uruguaia levaram a melhor sobre as tropas imperiais brasileiras. Não foi uma vitória acachapante, mas os “castelhanos” ficaram com o terreno.

    Ganharam e ainda se apropriaram da partitura de uma marcha, que tocam sempre que um presidente brasileiro vai a Buenos Aires.

    Essa primeira batalha aconteceu em 1827. Morreram cerca de 400 pessoas – e o nome da batalha na verdade era “Passo do Rosario”, ou ainda “de Ituzaingó”, e aconteceu no Rio Grande do Sul, um pouco distante do Pampa argentino.

    Na segunda, não morreu ninguém, que se saiba (ao menos não em campo). Nos dois países, estava-se em uma ditadura, mas, como o jogo era em Rosario, os ditadores de lá estavam mais perto do evento em si.

    Batalha horrível, diga-se. Joguinho feio, que acabou em empate. A Argentina, nem invicta era. Perdera da Itália na fase inicial. Se perdesse do Brasil, provavelmente ficaria fora da final. Provavelmente, não, ficaria. Note-se: o Brasil, com Maracanazo e tudo, era tri; a Argentina nunca vencera nada.

    O jogo, a batalha, acabou no 0 a 0. Os argentinos tinham um jogador, Luque, que deveria ter sido preso. Bateu o jogo inteiro, abaixo da linha da cintura. Bateu no primeiro lance, um pontapé em Batista ouvido no planeta. O árbitro, um húngaro de nome Palotay e lisura sem par, não viu nada demais, já que de modo geral saía pouco sangue.

    Para compensar a classe alviceleste, o Brasil colocou em campo o ínclito meio-campista Chicão, conhecido pela sua técnica admirável. Na base da pancada mútua, o jogo acabou parelho, com Roberto Dinamite perdendo um gol no finzinho.

    Empate na batalha, faltava um jogo pra cada lado.

    O Brasil pegou a Polônia e, aos trancos e barrancos, enfiou 3 a 0. A Argentina precisava ganhar de quatro do Peru.

    A alegria brasileira durou algumas horas. À noite, os comandados de Menotti, o técnico argentino, surraram os peruanos (cujo goleiro era... argentino naturalizado peruano, coitado). O jogo foi 6 a 0. Finalistas e campeões.

    Parte da torcida no Brasil ficou até feliz, assim a ditadura não poderia usar a Copa a seu favor. Já a ditadura deles, usou. Sem nenhum pudor.

(Folha de S.Paulo, 05.09.2009. Adaptado)

No texto, afirma-se que a primeira batalha de Rosario foi de verdade, pois ela
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Q724187 Português

Histórias das três batalhas de Rosario


    Nos livros de história, há duas batalhas de Rosario. A de 18 de junho de 1978 é a segunda. Essa de hoje [05.09.2009], pelo visto, corre o risco de ser a terceira. Espera-se que nesta, pela primeira vez, os brasileiros ganhem.

    Na primeira, batalha de verdade, com canhão e cavalaria, ocorrida no século 19, os republicanos da aliança argentino-uruguaia levaram a melhor sobre as tropas imperiais brasileiras. Não foi uma vitória acachapante, mas os “castelhanos” ficaram com o terreno.

    Ganharam e ainda se apropriaram da partitura de uma marcha, que tocam sempre que um presidente brasileiro vai a Buenos Aires.

    Essa primeira batalha aconteceu em 1827. Morreram cerca de 400 pessoas – e o nome da batalha na verdade era “Passo do Rosario”, ou ainda “de Ituzaingó”, e aconteceu no Rio Grande do Sul, um pouco distante do Pampa argentino.

    Na segunda, não morreu ninguém, que se saiba (ao menos não em campo). Nos dois países, estava-se em uma ditadura, mas, como o jogo era em Rosario, os ditadores de lá estavam mais perto do evento em si.

    Batalha horrível, diga-se. Joguinho feio, que acabou em empate. A Argentina, nem invicta era. Perdera da Itália na fase inicial. Se perdesse do Brasil, provavelmente ficaria fora da final. Provavelmente, não, ficaria. Note-se: o Brasil, com Maracanazo e tudo, era tri; a Argentina nunca vencera nada.

    O jogo, a batalha, acabou no 0 a 0. Os argentinos tinham um jogador, Luque, que deveria ter sido preso. Bateu o jogo inteiro, abaixo da linha da cintura. Bateu no primeiro lance, um pontapé em Batista ouvido no planeta. O árbitro, um húngaro de nome Palotay e lisura sem par, não viu nada demais, já que de modo geral saía pouco sangue.

    Para compensar a classe alviceleste, o Brasil colocou em campo o ínclito meio-campista Chicão, conhecido pela sua técnica admirável. Na base da pancada mútua, o jogo acabou parelho, com Roberto Dinamite perdendo um gol no finzinho.

    Empate na batalha, faltava um jogo pra cada lado.

    O Brasil pegou a Polônia e, aos trancos e barrancos, enfiou 3 a 0. A Argentina precisava ganhar de quatro do Peru.

    A alegria brasileira durou algumas horas. À noite, os comandados de Menotti, o técnico argentino, surraram os peruanos (cujo goleiro era... argentino naturalizado peruano, coitado). O jogo foi 6 a 0. Finalistas e campeões.

    Parte da torcida no Brasil ficou até feliz, assim a ditadura não poderia usar a Copa a seu favor. Já a ditadura deles, usou. Sem nenhum pudor.

(Folha de S.Paulo, 05.09.2009. Adaptado)

Sobre as batalhas de Rosario referidas no texto, é correto afirmar que
Alternativas
Respostas
2101: D
2102: E
2103: E
2104: E
2105: E
2106: E
2107: D
2108: A
2109: D
2110: A
2111: A
2112: B
2113: C
2114: E
2115: C
2116: E
2117: D
2118: A
2119: A
2120: E