Questões Militares Sobre funções morfossintáticas da palavra que em português

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Q4350938 Português
Considerando as relações sintáticas de subordinação estabelecidas no período composto abaixo, bem como a classificação das orações e dos termos que as constituem, analise a estrutura e identifique a alternativa que apresenta interpretação tecnicamente correta, em estrita conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa.
“Embora os alunos que se dedicaram intensamente ao estudo tenham alcançado bom desempenho, é necessário que se reconheça que a complexidade do conteúdo, cuja abordagem exige domínio teórico aprofundado, impõe dificuldades que nem sempre podem ser superadas apenas com esforço individual.” 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: CBM-MG Prova: IDECAN - 2026 - CBM-MG - Cadete BM |
Q4349416 Português

Texto para a questão. 

O Silêncio sob os Escombros e a Geopolítica do Terror

Antenor Teixeira de Almeida Júnior

A conivência internacional diante da sistemática aniquilação de estruturas civis no Irã atingiu um patamar de degradação moral insustentável após o bombardeio que ceifou a vida de 168 crianças em uma instituição de ensino. Sob o pretexto de neutralizar alvos estratégicos, a coalizão entre Estados Unidos e Israel transgride não apenas as fronteiras geográficas, mas os pilares mais elementares do Direito Internacional Humanitário, convertendo escolas em necrópoles e o futuro de uma nação em dano colateral. O que se testemunha não é uma manobra defensiva de precisão, mas uma demonstração de força bruta que utiliza a assimetria bélica para punir populações vulneráveis, revelando um desprezo absoluto pela distinção entre combatentes e inocentes.

O argumento da autodefesa, frequentemente esgrimido por Washington e Tel Aviv para justificar incursões em solo iraniano, desmorona diante do massacre de crianças em idade escolar. Quando mísseis de alta tecnologia são direcionados a um ambiente de aprendizado, a narrativa de erro técnico ou de escudos humanos torna-se uma retórica cínica que visa mascarar o terrorismo de Estado. A história ensina que a destruição de infraestruturas educacionais é um método eficaz de desarticulação social a longo prazo, mas o custo humanitário dessa estratégia é uma mancha indelével na consciência das potências que se autointitulam guardiãs da democracia e da liberdade.

Ademais, a paralisia dos órgãos multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU, diante da agressão unilateral das forças ocidentais, reforça a percepção de uma justiça seletiva que opera conforme os interesses do capital e do controle energético. Ao ignorar as vozes que clamam por sanções contra os agressores e ao permitir que 168 vidas infantis sejam reduzidas a estatísticas em relatórios burocráticos, a comunidade internacional torna-se cúmplice por omissão. A paz não será alcançada por meio de ataques que semeiam o ódio em gerações inteiras; ao contrário, a violência desenfreada contra o Irã apenas alimenta o ciclo de retaliações que ameaça a estabilidade global.

Em suma, é imperativo que o mundo desperte para a urgência de cessar a impunidade que protege os autores desse infanticídio deliberado. A condenação dos ataques de Estados Unidos e Israel não deve ser apenas um gesto diplomático de conveniência, mas um movimento concreto de ruptura com a lógica da barbárie travestida de ordem mundial. Se a morte de centenas de crianças dentro de uma sala de aula não for capaz de reverter a engrenagem da guerra, o que restará da nossa humanidade será apenas o eco de um silêncio covarde sobre os escombros da civilização.

A arquitetura do período composto é o alicerce sobre o qual se constrói a progressão argumentativa. No texto, o autor utiliza uma rede de subordinações para encadear causas, consequências e qualificações. Com base na análise das relações de dependência sintática e na classificação dos termos e orações do texto, assinale a alternativa tecnicamente correta.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: PM-RR Prova: IDECAN - 2026 - PM-RR - Sargento QPC PM - Geral |
Q4322068 Português
 Texto para a questão.


A semente da verdade


    Havia um imperador na China que não tinha filhos nem parentes próximos. Como necessitava de um sucessor, decidiu chamar todas as crianças do reino. Thai foi uma delas. Era um ótimo menino, que se dedicava ao jardim de sua casa; cada planta tocada por ele crescia viçosa e forte. No dia marcado, dirigiu-se até o palácio, onde havia milhares de pequenos súditos. O imperador disse:

    — Crianças, preciso escolher o meu sucessor entre vocês. Vou lhes dar uma tarefa. Aqui estão algumas sementes; quero que vocês as cultivem. O trono será daquele que me trouxer, daqui a um ano, a planta mais bonita.

    Thai era um excelente jardineiro e, com certeza, faria muito bem o que o imperador pedira. Porém, por mais que se esforçasse, a semente não brotava. O menino fez tudo o que podia, mas seus esforços não adiantaram. Até o dia de apresentar a planta ao imperador, a semente de Thai não havia brotado, e o menino estava tão preocupado que não queria enfrentar as outras crianças; porém, seu avô disse:

    — Você é honesto. Vá até o imperador e diga a verdade. Sua dedicação foi máxima, mas a semente não brotou. Não se envergonhe. Apenas explique o que você fez, pois devemos sempre agir com honestidade, buscando a felicidade, sem que a nossa alegria faça alguém infeliz.

    Thai obedeceu ao avô e foi ao palácio. Entretanto, ao chegar lá, ficou assustado, pois era a única criança que não levava consigo uma belíssima planta. O imperador chamava as crianças e examinava os vasos, mas não sorria nem esboçava contentamento. Thai estava muito nervoso, pois se o imperador não havia até então aprovado aquelas plantas maravilhosas, o que não diria de seu vaso sem nada? Thai foi ficando para trás e, quando se deu conta, era o último da fila. Mas sua vez chegou, e ele não poderia mais adiar o encontro com o imperador.

    — Vejamos, meu jovem, o que tem aí para mim.

    Thai não pôde mais evitar as lágrimas. Com a cabeça baixa, mostrou o vaso com terra ao imperador e disse:

    — Senhor, sou um jardineiro e uma de minhas virtudes é a perseverança, mas por mais que eu tenha me esforçado, a semente não brotou. Meu avô ajudou-me a pensar sobre o que fazer e optei por dizer a verdade, contar meu esforço e pedir-lhe perdão.

     O imperador encarou o menino e, diante da multidão, declarou:

    — Não se envergonhe, criança, você fez o certo. A sua grande virtude foi dizer a verdade, pois eu havia queimado todas as sementes e nenhuma poderia germinar. Portanto, você foi o único que, de fato, plantou a semente da verdade. Você será o meu sucessor.


SECCO, Patrícia Engel. A semente da verdade. Adaptação de conto folclórico oriental. São Paulo: Editora DPaschoal, 2002 (Adaptado). 
A classificação das palavras depende simultaneamente de propriedades morfológicas e da função que desempenham no contexto em que aparecem. Considerando os diferentes empregos do vocábulo “que” presentes no texto, indique a alternativa correta.
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Q4175939 Português

TEXTO


O Pavão


Eu considerei a glória de um pavão ostentando о esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.


Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.


Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.


(BRAGA, Rubem. O pavão. Disponível em https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/11513/o-pavao São Paulo. Global, 2005. <https://cronicabrasileira.orgbr/cronicas/11513/o-pavao%20São%20Paulo,%20Global,%202005.>  Acesso em 14 de setembro de 2025) 

No trecho, "Eu considerei que este é o luxo do grande artista [...]." (2°§), a conjunção integrante destacada inicia uma oração subordinada substantiva: 
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Q4175838 Português

TEXTO 


Uma ideia toda azul


    Um dia o Rei teve uma ideia.


    Era a primeira vida toda, e tão maravilhado ficou com aquela ideia azul, que não quis saber de contar aos ministros. Desceu com ela para o jardim, correu com ela nos gramados, brincou com ela de esconder entre outros pensamentos, encontrando-a sempre com igual alegria, linda ideia dele toda azul.


    Brincaram até o Rei adormecer encostado numa árvore.


    Foi acordar tateando a coroa e procurando a ideia, para perceber o perigo. Sozinha no seu sono, solta e tão bonita, a ideia poderia ter chamado a atenção de alguém. Bastaria esse alguém pegá-la e levar. É tão fácil roubar uma ideia. Quem jamais saberia que já tinha dono?


    Com a ideia escondida debaixo do manto, o Rei voltou para o castelo. Esperou a noite. Quando todos os olhos se fecharam, saiu dos seus aposentos, atravessou salões, desceu escadas, subiu degraus, até chegar ao Corredor das Salas do Tempo. Portas fechadas, e o silêncio. Que sala escolher?


    Diante de cada porta o Rei parava, pensava, e seguia adiante. Até chegar à Sala do Sono. Abriu. Na sala acolchoada, os pés do Rei afundavam até o tornozelo, o olhar se embaraçava em gases, cortinas e véus pendurados como teias. Sala de quase escuro, sempre igual. O Rei deitou a ideia adormecida na cama de marfim, baixou o cortinado, saiu e trancou a porta.


    A chave, prendeu no pescoço em grossa corrente.


    E nunca mais mexeu nela.


    O tempo correu seus anos. Ideias o Rei não teve mais, nem sentiu falta, tão ocupado estava em governar. Envelhecia sem perceber, diante dos educados espelhos que mentiam a verdade.


    Apenas sentia-se mais triste e mais só, sem que nunca mais tivesse tido vontade de brincar nos jardins.


    Só os ministros viam a velhice do Rei. Quando a cabeça ficou toda branca, disseram-lhe que já podia descansar e lhe libertaram do manto.


    Posta a coroa sobre a almofada, o Rei logo levou a mão à corrente.


    — Ninguém mais se ocupa de mim — dizia atravessando salões e descendo escadas a caminho das Salas do Tempo — ninguém mais me olha. Agora posso buscar minha linda ideia e guardá-la só para mim.


    Abriu a porta, levantou o cortinado.


    Na cama de marfim, a ideia dormia azul como naquele dia. E linda. Mas o Rei não era mais o Rei daquele dia. Entre ele e a ideia estava todo o tempo passado lá fora, o tempo todo parado na Sala do Sono. Seus olhos não viam na ideia a mesma graça. Brincar não queria, nem rir. Que fazer com ela? Nunca mais saberiam estar juntos como naquele dia.


    Tentando na beira da cama o Rei chorou suas duas últimas lágrimas, as que tinha guardado para a maior tristeza. Depois baixou o cortinado, e deixando a ideia adormecida, fechou para sempre a porta.


(COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo, Global, 2005.)

Qual é a função sintática do pronome relativo destacado no trecho: "[...] diante dos educados espelhos reais que mentiam a verdade." (8°§)?
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Q3963199 Português

Oziel Mabundo Quibuila



    Oziel Mabundo Quibuila nasceu no Luongo, bairro do município de Catumbela, província de Benguela, em Angola. Não era herdeiro, nem membro da administração pública, apenas um menino cheio de vida e de sonhos, descendentes de agricultores e artesãos. Um dia, uma ideia começou a brincar em sua cabeça. Mal sabia ele que viraria coisa séria no futuro.


    Estava brincando com seu amigo Daniel e meninos do bairro, com a bola que ganhara de presente de seu tio, Bakari Ombela Quibuila, que morava na capital. Não era muito bom em futebol. Tinha mania de construir. E uma vez ou outra era flagrado sozinho, absorto em seu mundo, brincando de qualquer coisa que ninguém compreendia.


    Numa dessas vezes, Daniel notou que Oziel brincava de amontoar pedras e as amontoava de um jeito tão especial, que parecia familiar:


    - O que é isso, Ozi?


    Ele não respondeu. O amigo parou um instante e observou com mais cuidado. Então, olhou para Oziel e disse:


    - Parece a Ponte 4 de Abril.


    Em um natal, sem ninguém esperar, a família de Oziel recebeu a visita de Bakari Ombela. Ele falou sobre o curso de habilitação que fez para a Marinha Mercante e sobre como estava começando a se tornar bem-sucedido no ramo, trabalhando com suporte e salvatagem a navios e plataformas offshore. Eles conversaram e celebraram, inclusive Oziel, que se divertiu muito com as brincadeiras e presentes do tio


    (…).



Disponível em <https://folhadabaixada.com.br/noticia/2209/oziel-mabundo-quibuila>.. Acesso em 12/01/2026.

“(…) e as amontoava de um jeito tão especial, que parecia familiar (...)” (3º§)



A conjunção “que”, em correlação com a palavra “tão” introduz uma ideia de: 

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Q3963193 Português

Oziel Mabundo Quibuila



    Oziel Mabundo Quibuila nasceu no Luongo, bairro do município de Catumbela, província de Benguela, em Angola. Não era herdeiro, nem membro da administração pública, apenas um menino cheio de vida e de sonhos, descendentes de agricultores e artesãos. Um dia, uma ideia começou a brincar em sua cabeça. Mal sabia ele que viraria coisa séria no futuro.


    Estava brincando com seu amigo Daniel e meninos do bairro, com a bola que ganhara de presente de seu tio, Bakari Ombela Quibuila, que morava na capital. Não era muito bom em futebol. Tinha mania de construir. E uma vez ou outra era flagrado sozinho, absorto em seu mundo, brincando de qualquer coisa que ninguém compreendia.


    Numa dessas vezes, Daniel notou que Oziel brincava de amontoar pedras e as amontoava de um jeito tão especial, que parecia familiar:


    - O que é isso, Ozi?


    Ele não respondeu. O amigo parou um instante e observou com mais cuidado. Então, olhou para Oziel e disse:


    - Parece a Ponte 4 de Abril.


    Em um natal, sem ninguém esperar, a família de Oziel recebeu a visita de Bakari Ombela. Ele falou sobre o curso de habilitação que fez para a Marinha Mercante e sobre como estava começando a se tornar bem-sucedido no ramo, trabalhando com suporte e salvatagem a navios e plataformas offshore. Eles conversaram e celebraram, inclusive Oziel, que se divertiu muito com as brincadeiras e presentes do tio


    (…).



Disponível em <https://folhadabaixada.com.br/noticia/2209/oziel-mabundo-quibuila>.. Acesso em 12/01/2026.

“Eles conversaram e celebraram, inclusive Oziel, que se divertiu muito com as brincadeiras e presentes do tio (…)” (7º§).



O termo destacado nesse trecho classifica-se como:

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Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: PM-AP Prova: FCC - 2025 - PM-AP - Oficial Combatente |
Q4180904 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


[A força necessária dos princípios]


    Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo sobre o qual não temos quase nenhum controle. O senso comum e o sentido de autoproteção nos dizem para nos acomodarmos àquilo que não podemos mudar.

    Não é difícil ver como alguns de nós poderíamos ser convencidos da justiça, da necessidade das violências. Pense-se numa guerra que é formulada como série de ações militares pequenas, que irão de fato contribuir para a paz ou reforçar a segurança. Todas as violências na guerra foram justificadas como uma retaliação necessária: estamos nos defendendo, eles é que querem nos matar.

    Diante das violências em curso, alguém dotado de um princípio moral parece alguém que corre ao lado de um trem e grita: "Pare! Pare!" O trem pode ser detido? Será que outras pessoas dentro do trem vão se sentir dispostas a saltar e unir-se aos que estão fora? Talvez alguns o façam, mas não a maioria.

    Agir por princípio é um gesto político, no sentido de que não estamos fazendo isso por nós mesmos. Não fazemos isso só para agir corretamente ou para aplacara nossa consciência; muito menos porque estamos certos de que a nossa ação vai de fato alcançar o seu objetivo. Resistimos como um ato de solidariedade com todas as pessoas e comunidades que agem igualmente por algum principio moral.

    As ações comandadas por um bom princípio nos dizem que não temos de pensar se agir por princípio é adequado, ou se podemos contar com o êxito final das ações que levamos a efeito. Agir por princípio é bom em si mesmo. Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente. Os princípios nos convidam a ter mais rigor em nossas ações, ser intolerantes com a frouxidão moral, a contemporização, a covardia e com a fuga diante do que é perturbador. No curso da História encontram-se os grandes modelos de resistência, os feitos daqueles que, por princípio, agiram dizendo não à negação dos princípios justos. Inspiremo-nos nesses modelos.


(Adaptado de: SONTAG, Susan. Ao mesmo tempo. Trad. Rubens Figueiredo. São Paulo, Companhia das Letras, p.192-193, passim)
Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente.

O período acima permanecerá coerente e correto caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
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Q4171529 Português

Texto 3



NÃO AMEIS À DISTÂNCIA! 


    Em uma cidade há um milhão e meio de pessoas, em outra há outros milhões; e as cidades são tão longe uma da outra que nesta é verão quando naquela é inverno. Em cada uma dessas cidades há uma pessoa; e essas pessoas tão distantes acaso pensareis que podem cultivar em segredo, como plantinha de estufa, um amor à distância?


    Andam em ruas tão diferentes e passam o dia falando línguas diversas; cada uma tem em torno de si uma presença constante e inumerável de olhos, vozes, notícias. Não se telefonam mais; é tão caro e demorado e tão ruim e além disso, que se diriam? Escrevem-se. Mas uma carta leva dias para chegar; ainda que venha vibrando, cálida, cheia de sentimento, quem sabe se no momento em que é lida já não poderia ter sido escrita? A carta não diz o que a outra pessoa está sentindo, diz o que sentiu na semana passada... e as semanas passam de maneira assustadora, os domingos se precipitam mal começam as noites de sábado, as segundas retornam com veemência gritando - "outra semana!", e as quartas já têm um gosto de sexta, e o abril de de-já-hoje é mudado em agosto...


    Sim, há uma frase na carta cheia de calor, cheia de luz; mas a vida presente é traiçoeira e os astrônomos não dizem que muita vez ficamos como patetas a ver uma linda estrela jurando pela sua existência - e no entanto há séculos ela se apagou na escuridão do caos, sua luz é que custou a fazer a viagem? Direi que não importa a estrela em si mesma, e sim a luz que ela nos manda; e eu vos direi: amai para entendê-las!


    Ao que ama o que lhe importa não é a luz nem o som, é a própria, pessoa amada mesma, o seu vero cabelo, e o vero pelo, o osso de seu joelho, sua terna e úmida presença carnal, o imediato calor; é o de hoje, o agora, o aqui - e isso não há.


    Então a outra pessoa vira retratinho no bolso, borboleta perdida no ar, brisa que a testa recebe na esquina, tudo o que for eco, sombra, imagem, um pequeno fantasma, e nada mais. E a vida de todo dia vai gastando insensivelmente a outra pessoa, hoje lhe tira um modesto fio de cabelo, amanhã apenas passa a unha de leve fazendo um traço branco na sua coxa queimada pelo sol, de súbito a outra pessoa entra em fading um sábado inteiro, está-se gastando, perdendo seu poder emissor à distância.


    Cuidai amar uma pessoa, e ao fim vosso amor é um maço de cartas e fotografias no fundo de uma gaveta que se abre cada vez menos... Não ameis à distância, não ameis, não ameis!


BRAGA, Rubem. A Traição das Elegantes. Rio de Janeiro:

Editora Record, 1982. (Adaptado).

Leia o trecho: "(...) quem sabe se no momento em que é lida já não poderia ter sido escrita?"-2°§. Assinale a opção em que o termo destacado possui a mesma classificação gramatical que o vocábulo destacado acima.
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Q4171498 Português

Texto 1



O FIM DO MUNDO


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembrava-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.


    Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as flores do tapete.


Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.


    Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?


    Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido muito peculiar a cada uma.


    Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.


    O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que ainda nem numa crônica.


    Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.


    Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.


    Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.


    Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...


MEIRELES, Cecília. Quatro Vozes. Rio de Janeiro:

Editora Record, 2002.

Leia o trecho "Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco."-7°§. Assinale a opção em que o vocábulo destacado possui a mesma classe gramatical que a palavra sublinhada acima.
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Ano: 2025 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2025 - EPCAR - Cadete |
Q4170578 Português

TEXTO IV


O ano passado


Erasmo Carlos / Roberto Carlos





(CARLOS, Erasmo; CARLOS, Roberto. O ano passado. Ecra Realizacoes

Artisticas S.c. Ltda., Editora Musical Amigos Ltda., Sony Music Publishing).  

Na oração “Se o dólar é verde é mais forte que o verde que havia” (L. 11), analise a estrutura sintática e assinale a alternativa correta.
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Q4157501 Português

O trabalho remunerado e mal pago e a crise global da desigualdade


O trabalho de cuidado é essencial para nossas sociedades e para a economia. Ele inclui o trabalho de cuidar de crianças, idosos e pessoas com doenças e deficiências físicas e mentais, bem como o trabalho doméstico diário que inclui cozinhar, limpar, lavar, consertar coisas e buscar água e lenha. Se ninguém investisse tempo, esforços e recursos nessas tarefas diárias essenciais, comunidades, locais de trabalho e economias inteiras ficariam estagnadas. Em todo o mundo, o trabalho de cuidado não remunerado e mal pago é desproporcionalmente assumido por mulheres e meninas em situação de pobreza, especialmente por aquelas que pertencem a grupos que, além da discriminação de gênero, sofrem preconceito em decorrência de sua raça, etnia, nacionalidade, sexualidade e casta. As mulheres são responsáveis por mais de três quartos do cuidado não remunerado e compõem dois terços da força de trabalho envolvida em atividades de cuidado remuneradas.


Disponível em: https://www.oxfam.org.br/wp-content/uploads/2021/04/1579272776200120_Tempo_de_Cuidar_PT-BR_sumario_executivo.pdf. Acesso em: 7 set. 2025.

As orações iniciadas pelos termos destacados, no excerto que segue, são respectivamente:
“[...] especialmente por aquelas que pertencem a grupos que, além da discriminação de gênero, sofrem preconceito.”
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Q3864341 Português
A Biblioteca de Alexandria não foi destruída pelo fogo, mas pelo esquecimento

Por Bruno Vaiano


"Há crimes piores do que queimar livros. Não lê-los é um deles." – Ray Bradbury.


    Três séculos antes de Cristo, Alexandre, o Grande, conquistou o Egito e mandou erguer, do zero, uma metrópole no litoral norte do país. Alexandria, batizada em homenagem a seu patrono desumilde, seria a nova capital da região. A estética faraônica clichê, dourada e azul, prevaleceu por lá (bem como o hábito egípcio de os nobres se casarem entre irmãos, à moda Cersei em Game of Thrones). Mas esse novo Egito Antigo, assim como o próprio Alexandre, tinha uma pinta grega inegável.

    O sucessor de Alexandre, o Grande, por aquelas bandas, nomeado Ptolomeu I, ordenou a construção de um centro de ensino e pesquisa em Alexandria para atrair a elite intelectual da época. Tipo uma versão helênica e antiquíssima do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde monstros sagrados das exatas como Einstein, Gödel e Neumann trabalharam juntos na década de 1950.

    O nome dessa instituição era Mouseion. Em português, “Museu”. O significado original da palavra é “templo dedicado às musas” — as deusas do panteão grego que, na tradição helênica, inspiravam as artes, a literatura e a ciência. Essa também é a origem etimológica de “música”, diga-se. Compôs uma bela canção? Legal, mas não foi bem você. Tudo que é belo emana dessas divas – artistas são só os meros mortais que, volta e meia, têm o privilégio de receber um download de versos do Olimpo.

    A Biblioteca de Alexandria acabou se tornando o mais famoso dos prédios desse complexo. Bibliotecas não eram novidade. Já existiam na Suméria; são quase tão antigas quanto a escrita em si. Mas essa almejava um passo além: Ptolomeu queria uma cópia de cada obra já escrita na Terra. Por isso, os tripulantes de toda embarcação que aportava em Alexandria eram forçados, por decreto, a fornecer ao Museu os pergaminhos que tivessem a bordo – que então eram copiados por escribas e armazenados na coleção. Deu certo.

    Essa Harvard ptolomaica prosperou por séculos, e não acabou por causa de um incêndio – nem qualquer outro ato pontual de vandalismo. Júlio César danificou parte da coleção quando sitiou Alexandria e ateou fogo ao porto, em 48 a.C. Mas, nessa época, o Museu já havia perdido prestígio e os acadêmicos preferiam trabalhar em outros lugares.

    Em 297 d.C., quando Diocleciano incendiou a cidade novamente para conter uma rebelião, é provável que o prédio original da Biblioteca já não existisse mais: as últimas evidências inequívocas da contratação de funcionários datam de 260 d.C.

    Não era fácil sustentar um exército de bibliotecários e escribas copistas para manter a coleção atualizada, higiênica e catalogada. Bastava um fiapo de desinteresse coletivo para a coisa degringolar. O território egípcio mudou de mãos e crenças muitas vezes ao longo da História – os califados árabes vieram por último e estabeleceram sua capital intelectual em Bagdá, relegando Alexandria à periferia do avanço científico-tecnológico durante a Idade Média.

    O fato é que você não precisa atear fogo a um livro para queimá-lo. O conhecimento não desaparece da noite para o dia só porque seu suporte material foi destruído.

    Hoje, qualquer sebo parrudo contém mais conhecimento do que a Biblioteca de Alexandria. Mesmo assim, 73% dos estudantes brasileiros estão abaixo do nível de conhecimento sobre Matemática que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) considera mínimo para que se possa exercer a cidadania satisfatoriamente.

    Na avaliação de Leitura, são 50%. Em Ciências, 55%. Mais da metade da população em idade escolar do País, nas palavras dos organizadores do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), tem algum prejuízo na hora de “participar plenamente da vida social, econômica e cívica em um mundo globalizado”.

    Pode soar o alarme: nossa biblioteca está (metaforicamente) em chamas.


Adaptado de: https://super.abril.com.br/historia/a-biblioteca-dealexandria-nao-foi-destruida-pelo-fogo-mas-pelo-esquecimento/. Acesso em: 28 mai. 2025.  
Assinale a alternativa cujo termo em destaque exerce a mesma função do termo destacado a seguir “O significado original da palavra é ‘templo dedicado às musas’ — as deusas do panteão grego que, na tradição helênica, inspiravam as artes, a literatura e a ciência.”. 
Alternativas
Q3832568 Português
Texto 2


       A coisa mais misteriosa que existe: o tempo.

      O tempo acaba com tudo: com as árvores, com as montanhas, com as pedras, com a água - que se evapora -, com os sentimentos, com os bichos, com os homens.

      O tempo acaba com o vigor físico, com o paladar, com o olfato, com o interesse pelas coisas; com a vontade de viajar, de comprar uma roupa nova, de reencontrar um velho amigo, até com a vontade de viver. É cruel, o tempo.

     Quem se salva do passar do tempo? Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só pensem no momento, aquele que estão vivendo; mas mesmo assim podem .pensar que já viveram momentos parecidos e muito melhores que nunca mais vão se repetir, por culpa do tempo.

     Qual de nós não foi mais feliz do que agora? E se não éramos, achávamos que iríamos ser um dia, quando tivéssemos mais dinheiro, quando encontrássemos o verdadeiro amor, quando tivéssemos filhos, quando eles crescessem, quando, quando, quando. E agora, você espera exatamente o quê, e a culpa é de quem? Apenas do tempo. Dele, nada escapa: é o tempo que acaba com os grandes amores, e com os grandes entusiasmos que não resistem a ele, que passa e passa. Não são as coisas que passam: é ele.

     Passar é modo de dizer: quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está esperando muito por alguma coisa, é como se ele tivesse parado.

    É como se estivesse sempre contra nós, e quando acontece de se ter uma vida razoavelmente feliz, um dia se vê que ela já passou, e com que rapidez.

   Mas o tempo às vezes é amigo; quando se tem uma grande dor, não há dinheiro, viagens, distrações, trabalho ou aventuras que ajudem: só o tempo.

     Não chega a ser um tratamento de choque, rápido, como se gostaria; é uma coisa vaga, lenta, que não dá nem para perceber que está acontecendo, mas um dia você acorda e se dá conta de que o sol está brilhando — coisa que passou meses sem perceber que acontecia diariamente -, se olha no espelho, tem uma súbita vontade de abrir a janela e respirar fundo. Ainda não sabe, mas está salva. E um dia, muito depois, vai saber que foi o tempo, e só ele, que a salvou.

    Nunca se pensa no poder do tempo, do quanto ele comanda nossa vida; também nunca se pensa no quanto ele é precioso, mas um dia você vai lembrar que ele passou e não volta mais. Lembra quando você tinha 20, 30 anos, e se achava infeliz? Se achava, não: era mesmo.

    E quando era adolescente, não era também profundamente infeliz, como é obrigação de todos os adolescentes?

    Mas será que ninguém tem um tio, desses meio doidos que todo mundo tem, que pegue um desses meninos ou meninas de 13, 15 anos, sacuda pelos ombros e diga "pare de achar que tem problemas, viva sua juventude, não perca tempo sendo complicada, neurótica, reclamando que sua mãe não te entende e que seu pai não te dá a devida atenção [...], aproveite a vida".

    Para ter uma maturidade com poucos arrependimentos, é preciso não perder tempo, e mesmo fazendo uma bobagem atrás da outra, é melhor do que não fazer nada. Os pais querem que os filhos estudem para ter uma profissão, e estão certos; mas quem vai dizer aos adolescentes para eles aproveitarem o tempo para serem felizes em todos os minutos da vida? Quem? [...]


LEÃO, Danuza. O tempo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1906201104.htm.
Acesso em: 23 set. 2024-Adaptado.
No trecho: "Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só. pensem no momento, [...]."(§4°), o termo em destaque tem a mesma função sintática que:
Alternativas
Q3810994 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir.


A vida imaginária


       Uma das vantagens de envelhecer – existem algumas sim, sabiam, jovens? – é poder botar em prática aquilo que os orientais chamam de “desiludir-se”, no sentido real da palavra. Embora o termo tenha ganhado um sentido negativo, desiludir-se não é ruim; na verdade faz um bem danado. Assentamo-nos calmamente, tomamos um gole de água fresca e começamos a jogar fora as ilusões: conceitos ultrapassados e preconceitos, lembranças, modos repetidos de agir, mágoas, besteiras inúteis, sucatas antigas e tranqueiras gerais. De quebra, temos a chance de esvaziar a mochila carregada com as pedras do caminho, onde tropeçamos e estropiamos os dedões do pé. Como recompensa, vamos ficando mais leves, mais tolerantes com os outros e com nós mesmos; menos chatos, dogmáticos e implicantes.

        Felizmente, por uma gentileza do destino, tive a sorte de ir esvaziando a minha mochila, assim como fizeram outros amigos hoje denominados sexagenários, com os quais vou trocando impressões sobre a riqueza desse ritual típico do outono da vida. Porém, não somos todos afortunados. Com pesar, vejo que existem os que fazem o contrário: não só mantem a mochila abarrotada de velhas pedras pontiagudas como também colecionam novos cascalhos pela estrada. De posse desses pedregulhos constroem fortalezas sombrias dentro das quais se escondem, emburrados e agarrados aos seus frágeis tesouros, a maldizer o mundo. No alto, sobre a ponte levadiça e o fosso dos crocodilos, uma placa enferrujada identifica o jeitão do morador: “Cuidado! Dono bravo!”.

       Percebo que a TV e sobretudo a publicidade são grandes culpadas pelo fornecimento maciço de pedras, tijolos e cimento para a construção daquilo que chamam levianamente de “felicidade”. O castelo fascinante da eterna juventude, por exemplo, anda muito em moda – seja no Instagram ou nas academias. Nada contra uma vida saudável na primeira, segunda e terceira idade, pelo contrário – desde que isso não vire uma obsessão. Vamos fazendo ginástica, alimentando-nos bem, livrando-nos dos estresses inúteis – porém aceitando o inexorável escorrer da areia na ampulheta do deus Cronos, aquele senhor compenetrado que nos lembra que, um belo dia, a coisa acaba mesmo.

      Seriam cômicas se não fossem capciosas as milhares de mensagens que tentam nos empurrar conceitos do tipo “viver é isso” e “isso não é viver” – apenas para vender bugigangas. Com qual autoridade invadem os subconscientes da galera divulgando, impunes, tantas asneiras? Para ser “feliz” depois de velho devo obrigatoriamente possuir um off-road 4X4, trilhar despenhadeiros na Califórnia ou descer as corredeiras de um rio turbulento ao som de música histérica, parado no tempo com a aparência jovial dos 30 anos e sempre a sorrir como um idiota? É muita sacanagem o que andam fazendo com os pobres e incautos telespectadores.

       A tal vida imaginária é mesmo uma pedra pesada na mochila. Ou pior: no sapato. Dura até quando saímos da frente da TV, tomamos coragem, nos livramos dela e pisamos no chão da vida real. Que alívio.


Texto Adaptado

FABBRINI, Fernando. A vida imaginária. O TEMPO, Belo Horizonte, 7 ago. 2025. Opinião.
Disponível em: https://www.otempo.com.br/. Acesso em: 1° set. 2025.
No período “Percebo que a TV e sobretudo a publicidade são grandes culpadas pelo fornecimento maciço de pedras, tijolos e cimento para a construção daquilo que chamam levianamente de ‘felicidade’”, os dois termos introduzidos pela conjunção “que” exercem funções sintáticas distintas. Acerca dessas ocorrências, assinale a alternativa que analisa corretamente as orações subordinadas e a função de cada “que” no período. 
Alternativas
Q3692537 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
Nos trechos do texto 2: “Acho que, em um conflito real [...]" (linha 38) e “Ele acrescenta ainda que todos precisam [...]” (linha 39), as palavras destacadas desempenham, considerado o contexto em que são empregadas, respectivamente, as seguintes funções gramaticais: 
Alternativas
Q3691849 Português
TEXTO III

CASAIS COSTUMAM COMPARTILHAR TRANSTORNOS MENTAIS, DIZ ESTUDO


    Alguns têm necessidade de lavar as mãos 20 vezes por dia. Outros mal conseguem sair da cama por conta de quadros depressivos. Para outros, ainda, é difícil domar os pensamentos, que voam rapidamente pela cabeça. De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas sofrem de algum transtorno mental. Ao mesmo tempo em que o número soa elevado, o dado indica que a maioria das pessoas no mundo é saudável.

    Um estudo publicado no final de agosto pela revista especializada Nature Human Behaviour mostrou que pessoas que apresentam transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que têm o mesmo caso clínico. Para o estudo, os pesquisadores colheram dados de 15 milhões de pessoas. Eles analisaram amostras de nove quadros clínicos: esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, ansiedade, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo, transtornos obsessivo-compulsivos, abuso de substâncias e anorexia.

    Quando um parceiro era diagnosticado com um dos nove transtornos, a probabilidade de o outro também ter um transtorno era muito maior. Muitas vezes, a doença era a mesma. “Presumíamos que, quando alguém sofre de ansiedade ou depressão, essa pessoa procura um parceiro que transmitisse estabilidade e segurança”, diz Robert Plomin, professor de genética comportamental no King’s College de Londres, que não participou do estudo. “Mas acontece exatamente o contrário.”

    Uma limitação da pesquisa, segundo Plomin, é que é preciso procurar no anexo do estudo para descobrir o quão forte é a correlação acima. Para ele, isso é incomum e um pouco desonesto. Apesar disso, o efeito é consistente e o número de pessoas analisadas – 15 milhões – dá peso ao resultado.

    Os primeiros indícios de que pessoas com transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que também apresentam quadros similares surgiram na década de 1960. No entanto, os estudos realizados naquela época eram geralmente pequenos. Foi apenas há cerca de dez anos que surgiu a primeira pesquisa de maior escala, mas que considerou apenas pacientes do norte da Europa.

    No estudo atual, a equipe liderada pelo pesquisador em genética populacional Chun Chieh Fan, do Laureate Institute for Brain Research, em Oklahoma, quis descobrir se o padrão de escolha de parceiros se mantém em diferentes culturas. Com esse objetivo, eles coletaram dados em três países: Dinamarca, Suécia e Taiwan. “O surpreendente foi que o padrão de similaridade entre culturas era quase idêntico”, diz o autor do estudo. Apenas em casos de transtornos obsessivos, transtorno bipolar e anorexia foram observadas diferenças. Em Taiwan, por exemplo, parceiros casados sofriam com mais frequência de transtornos obsessivos do que no norte da Europa.

    Outra constatação: para a maioria dos transtornos, a probabilidade de os parceiros receberem o mesmo diagnóstico permaneceu estável ao longo das décadas. Isso é evidenciado pelos dados de Taiwan, que foram coletados ao longo de mais de 50 anos. No caso de consumo de substâncias, essa probabilidade até ficou mais elevada. Apenas no caso de transtornos obsessivos ela diminuiu. “E isso apesar de o sistema de saúde, a política e a sociedade taiwanesa terem mudado bastante nesse período”, afirma Chun Chieh Fan.

    Mas por que pessoas com doenças mentais tendem a se relacionar com outras que sofrem de problemas semelhantes? Há três explicações possíveis. Primeiro, as pessoas procuram alguém com quem se identificam. Segundo, um ambiente compartilhado pode adoecer de forma semelhante. Ou terceiro, o estigma associado à doença mental condiciona a escolha dos parceiros.

    De acordo com o autor do estudo, há algum tempo se acredita que é a primeira opção que explica essa tendência. Seguindo essa lógica, a escolha de parceiros com características semelhantes é chamada, na linguagem técnica, de “escolha assortativa de parceiros”. Os possíveis motivos podem ser o fato de que a outra pessoa tem uma melhor compreensão da doença ou que características positivas semelhantes unem o casal – por exemplo, ambos serem mais criativos do que outras pessoas.

    O estudo não consegue responder, porém, o que estava lá primeiro: a relação ou o transtorno mental? Para entender isso, uma observação de longo prazo seria interessante, diz Robert Plomin. Além disso, permanece incerto se esses casais convivem em harmonia no casamento. Apresentar um quadro psicológico semelhante seria a receita para uma relação compreensiva? Ou apenas piora ainda mais o transtorno? Também faltam estudos de longo prazo para responder a essas questões.

    Resumindo: não é possível tirar recomendações sobre escolhas de parceiros por meio do estudo. Em um ponto, o estudo é ainda mais claro sobre o que ocorre em longo prazo: os pesquisadores descobriram que crianças, cujos pais sofrem do mesmo transtorno, apresentam o dobro de chance de desenvolver transtornos mentais em relação a outras crianças em que só um dos pais é afetado.

    “A transmissão de um transtorno mental se intensifica por meio da escolha do parceiro”, diz Fan.

    O efeito foi especialmente forte em casos de esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar ou dependência. Para médicos e terapeutas, isso significa que o tratamento deve considerar também a família. Com frequência, parceiros e filhos de afetados também podem se beneficiar da terapia e acompanhamento psicológico.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/casaiscompartilham-transtornos-mentais-revela-estudo/a-74022892>. Adaptado. Acesso em: 30 de setembro de 2025.
No trecho “há algum tempo se acredita que é a primeira opção que explica essa tendência”, as palavras destacadas são classificadas, respectivamente, como: 
Alternativas
Q3691848 Português
TEXTO III

CASAIS COSTUMAM COMPARTILHAR TRANSTORNOS MENTAIS, DIZ ESTUDO


    Alguns têm necessidade de lavar as mãos 20 vezes por dia. Outros mal conseguem sair da cama por conta de quadros depressivos. Para outros, ainda, é difícil domar os pensamentos, que voam rapidamente pela cabeça. De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas sofrem de algum transtorno mental. Ao mesmo tempo em que o número soa elevado, o dado indica que a maioria das pessoas no mundo é saudável.

    Um estudo publicado no final de agosto pela revista especializada Nature Human Behaviour mostrou que pessoas que apresentam transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que têm o mesmo caso clínico. Para o estudo, os pesquisadores colheram dados de 15 milhões de pessoas. Eles analisaram amostras de nove quadros clínicos: esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, ansiedade, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo, transtornos obsessivo-compulsivos, abuso de substâncias e anorexia.

    Quando um parceiro era diagnosticado com um dos nove transtornos, a probabilidade de o outro também ter um transtorno era muito maior. Muitas vezes, a doença era a mesma. “Presumíamos que, quando alguém sofre de ansiedade ou depressão, essa pessoa procura um parceiro que transmitisse estabilidade e segurança”, diz Robert Plomin, professor de genética comportamental no King’s College de Londres, que não participou do estudo. “Mas acontece exatamente o contrário.”

    Uma limitação da pesquisa, segundo Plomin, é que é preciso procurar no anexo do estudo para descobrir o quão forte é a correlação acima. Para ele, isso é incomum e um pouco desonesto. Apesar disso, o efeito é consistente e o número de pessoas analisadas – 15 milhões – dá peso ao resultado.

    Os primeiros indícios de que pessoas com transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que também apresentam quadros similares surgiram na década de 1960. No entanto, os estudos realizados naquela época eram geralmente pequenos. Foi apenas há cerca de dez anos que surgiu a primeira pesquisa de maior escala, mas que considerou apenas pacientes do norte da Europa.

    No estudo atual, a equipe liderada pelo pesquisador em genética populacional Chun Chieh Fan, do Laureate Institute for Brain Research, em Oklahoma, quis descobrir se o padrão de escolha de parceiros se mantém em diferentes culturas. Com esse objetivo, eles coletaram dados em três países: Dinamarca, Suécia e Taiwan. “O surpreendente foi que o padrão de similaridade entre culturas era quase idêntico”, diz o autor do estudo. Apenas em casos de transtornos obsessivos, transtorno bipolar e anorexia foram observadas diferenças. Em Taiwan, por exemplo, parceiros casados sofriam com mais frequência de transtornos obsessivos do que no norte da Europa.

    Outra constatação: para a maioria dos transtornos, a probabilidade de os parceiros receberem o mesmo diagnóstico permaneceu estável ao longo das décadas. Isso é evidenciado pelos dados de Taiwan, que foram coletados ao longo de mais de 50 anos. No caso de consumo de substâncias, essa probabilidade até ficou mais elevada. Apenas no caso de transtornos obsessivos ela diminuiu. “E isso apesar de o sistema de saúde, a política e a sociedade taiwanesa terem mudado bastante nesse período”, afirma Chun Chieh Fan.

    Mas por que pessoas com doenças mentais tendem a se relacionar com outras que sofrem de problemas semelhantes? Há três explicações possíveis. Primeiro, as pessoas procuram alguém com quem se identificam. Segundo, um ambiente compartilhado pode adoecer de forma semelhante. Ou terceiro, o estigma associado à doença mental condiciona a escolha dos parceiros.

    De acordo com o autor do estudo, há algum tempo se acredita que é a primeira opção que explica essa tendência. Seguindo essa lógica, a escolha de parceiros com características semelhantes é chamada, na linguagem técnica, de “escolha assortativa de parceiros”. Os possíveis motivos podem ser o fato de que a outra pessoa tem uma melhor compreensão da doença ou que características positivas semelhantes unem o casal – por exemplo, ambos serem mais criativos do que outras pessoas.

    O estudo não consegue responder, porém, o que estava lá primeiro: a relação ou o transtorno mental? Para entender isso, uma observação de longo prazo seria interessante, diz Robert Plomin. Além disso, permanece incerto se esses casais convivem em harmonia no casamento. Apresentar um quadro psicológico semelhante seria a receita para uma relação compreensiva? Ou apenas piora ainda mais o transtorno? Também faltam estudos de longo prazo para responder a essas questões.

    Resumindo: não é possível tirar recomendações sobre escolhas de parceiros por meio do estudo. Em um ponto, o estudo é ainda mais claro sobre o que ocorre em longo prazo: os pesquisadores descobriram que crianças, cujos pais sofrem do mesmo transtorno, apresentam o dobro de chance de desenvolver transtornos mentais em relação a outras crianças em que só um dos pais é afetado.

    “A transmissão de um transtorno mental se intensifica por meio da escolha do parceiro”, diz Fan.

    O efeito foi especialmente forte em casos de esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar ou dependência. Para médicos e terapeutas, isso significa que o tratamento deve considerar também a família. Com frequência, parceiros e filhos de afetados também podem se beneficiar da terapia e acompanhamento psicológico.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/casaiscompartilham-transtornos-mentais-revela-estudo/a-74022892>. Adaptado. Acesso em: 30 de setembro de 2025.
No trecho “O surpreendente foi que o padrão de similaridade entre culturas era quase idêntico”, o termo destacado deve ser classificada como:
Alternativas
Q3517286 Português
Texto 2


Como plataformas digitais usam o extrativismo da atenção para nos prender

Erick Carlier e Kim Loeb


     Muitos se preocupam com a dependência em telas, celulares e redes sociais e este parece ser um dos grandes assuntos do momento. E importante identificar e nomear o problema real, afinal, existem coisas muito boas na nossa tecnologia. Por isso, falamos de "extrativismo de atenção" e da sua consequência, o "rebaixamento humano".

    Fazendo um paralelo, conteúdos são como comida. Alguns são mais nutritivos que outros. Você pode ler um artigo profundo e embasado, o que é mais "nutritivo". Ou ver o vídeo de um gatinho fofo, o que seria como comer uma barrinha de chocolate o que também é gostoso. Indo além, as plataformas digitais são como restaurantes eles levam a comida até você enquanto as plataformas sociais trazem conteúdos do mundo inteiro. Quanto mais você consome em um restaurante, mais ele lucra. Ou seja, não é interessante que você entre, sirva-se de apenas uma entradinha e saia. Nas plataformas digitais é parecido. Quanto mais conteúdo você consome, mais elas lucram com impactos de publicidades em meio aos scrolls, por exemplo.

  Agora, imagine que você entre em um restaurante. Mas, desta vez, sem que você saiba, o estabelecimento recorre a vários truques para te fazer consumir mais e mais comida. Secretamente despeja ingredientes que aumentam o seu apetite, te espiona em momentos inimagináveis da sua vida para estudar os seus hábitos, gostos e preferências. Então, passa a te oferecer comida o tempo todo. Enquanto você dirige, quando está no cinema, ao lado da sua cama à noite.

   Nessas condições, este restaurante saberia exatamente o que e quando te oferecer, entregando de bandeja aquilo que você acharia o mais irresistível possível. Isso seria errado, não? Sinto por Ihe dizer, mas é exatamente isso que as plataformas digitais estão fazendo com a nossa atenção. E é isso que chamamos de "extrativismo de atenção".

   Essas plataformas utilizam artifícios que manipulam nossa dopamina e aplicam recursos que exploram as vulnerabilidades da psicologia humana, sempre testando fundamentos científicos, utilizando tecnologia avançada para rastrear e estudar nossos comportamentos digitais, além de enviar mensagens e notificações intrusivas. Tudo habilmente operado por algoritmos poderosos com a intenção de fisgar e reter nossa atenção, modificando comportamentos que mal percebemos.

   Você já foi olhar uma coisa rapidinha no celular e se perdeu em mil outros interesses, sem lembrar o que foi fazer em primeiro lugar? Já teve dificuldades para parar? "Só mais um pouquinho...só mais uma partidinha". Confere o celular incontáveis vezes ao dia, mesmo quando não está esperando nada? No tédio, pegar o celular é a primeira coisa que você faz.

  Se restaurantes realmente aplicassem os truques que comentamos, especialmente com crianças, teríamos problemas de saúde decorrentes de um consumo insustentável: diabetes, obesidade, problemas cardíacos e assim por diante. Com essas mesmas técnicas, muitas plataformas estão causando problemas de cognição, memória, afetando a nossa saúde mental. Impulsionando inclusive consequências coletivas como a polarização, о extremismo e o negacionismo.

   Estamos presenciando o crescimento da primeira geração com Ql inferior ao dos pais, e não é à toa que nomeamos esses efeitos de "rebaixamento humano". Não há nada essencialmente errado com conteúdos videos, posts, artigos. Da mesma forma que não há nada de errado com restaurantes, plataformas e celulares. Mas as técnicas utilizadas no extrativismo de atenção precisam acabar.


Disponível em: < https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/opiniao/2025/06/09/nemas- telas-nem-as-redes-sociais-o-problema-e-o-extrativismo-deatencao.htm>. Acesso em: 02 de setembro de 2024.
Assinale a opção em que o vocábulo destacado tem a mesma classificação gramatical que o sublinhado no trecho: "(...) não é interessante que você entre (...)" 2° §.
Alternativas
Q3517284 Português
Texto 2


Como plataformas digitais usam o extrativismo da atenção para nos prender

Erick Carlier e Kim Loeb


     Muitos se preocupam com a dependência em telas, celulares e redes sociais e este parece ser um dos grandes assuntos do momento. E importante identificar e nomear o problema real, afinal, existem coisas muito boas na nossa tecnologia. Por isso, falamos de "extrativismo de atenção" e da sua consequência, o "rebaixamento humano".

    Fazendo um paralelo, conteúdos são como comida. Alguns são mais nutritivos que outros. Você pode ler um artigo profundo e embasado, o que é mais "nutritivo". Ou ver o vídeo de um gatinho fofo, o que seria como comer uma barrinha de chocolate o que também é gostoso. Indo além, as plataformas digitais são como restaurantes eles levam a comida até você enquanto as plataformas sociais trazem conteúdos do mundo inteiro. Quanto mais você consome em um restaurante, mais ele lucra. Ou seja, não é interessante que você entre, sirva-se de apenas uma entradinha e saia. Nas plataformas digitais é parecido. Quanto mais conteúdo você consome, mais elas lucram com impactos de publicidades em meio aos scrolls, por exemplo.

  Agora, imagine que você entre em um restaurante. Mas, desta vez, sem que você saiba, o estabelecimento recorre a vários truques para te fazer consumir mais e mais comida. Secretamente despeja ingredientes que aumentam o seu apetite, te espiona em momentos inimagináveis da sua vida para estudar os seus hábitos, gostos e preferências. Então, passa a te oferecer comida o tempo todo. Enquanto você dirige, quando está no cinema, ao lado da sua cama à noite.

   Nessas condições, este restaurante saberia exatamente o que e quando te oferecer, entregando de bandeja aquilo que você acharia o mais irresistível possível. Isso seria errado, não? Sinto por Ihe dizer, mas é exatamente isso que as plataformas digitais estão fazendo com a nossa atenção. E é isso que chamamos de "extrativismo de atenção".

   Essas plataformas utilizam artifícios que manipulam nossa dopamina e aplicam recursos que exploram as vulnerabilidades da psicologia humana, sempre testando fundamentos científicos, utilizando tecnologia avançada para rastrear e estudar nossos comportamentos digitais, além de enviar mensagens e notificações intrusivas. Tudo habilmente operado por algoritmos poderosos com a intenção de fisgar e reter nossa atenção, modificando comportamentos que mal percebemos.

   Você já foi olhar uma coisa rapidinha no celular e se perdeu em mil outros interesses, sem lembrar o que foi fazer em primeiro lugar? Já teve dificuldades para parar? "Só mais um pouquinho...só mais uma partidinha". Confere o celular incontáveis vezes ao dia, mesmo quando não está esperando nada? No tédio, pegar o celular é a primeira coisa que você faz.

  Se restaurantes realmente aplicassem os truques que comentamos, especialmente com crianças, teríamos problemas de saúde decorrentes de um consumo insustentável: diabetes, obesidade, problemas cardíacos e assim por diante. Com essas mesmas técnicas, muitas plataformas estão causando problemas de cognição, memória, afetando a nossa saúde mental. Impulsionando inclusive consequências coletivas como a polarização, о extremismo e o negacionismo.

   Estamos presenciando o crescimento da primeira geração com Ql inferior ao dos pais, e não é à toa que nomeamos esses efeitos de "rebaixamento humano". Não há nada essencialmente errado com conteúdos videos, posts, artigos. Da mesma forma que não há nada de errado com restaurantes, plataformas e celulares. Mas as técnicas utilizadas no extrativismo de atenção precisam acabar.


Disponível em: < https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/opiniao/2025/06/09/nemas- telas-nem-as-redes-sociais-o-problema-e-o-extrativismo-deatencao.htm>. Acesso em: 02 de setembro de 2024.
Assinale a opção que apresenta a sentença transcrita em que há a correta correspondência entre o vocábulo destacado e o referente a ele atribuído no contexto. 
Alternativas
Respostas
1: C
2: D
3: D
4: D
5: E
6: A
7: A
8: E
9: D
10: C
11: D
12: A
13: A
14: D
15: B
16: C
17: D
18: E
19: A
20: E