Questões Militares Comentadas sobre figuras de linguagem em português

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Q632162 Português
Para responder a questão, considere o texto a seguir:

Pontes entre os muros 

Há quem queira ensinar padre-nosso ao vigário. Mas isso não se compara a querer ensinar ao papa sobre a vida de Cristo. “Jesus viveu aqui, nesta terra. Ele falava hebraico”, garantiu o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a Jorge Bergoglio, em Jerusalém. “Aramaico”, corrigiu imediatamente o pontífice. “Falava aramaico, mas sabia hebraico”, insistiu Bibi. 

Pode parecer um pormenor irrelevante, mas ajuda a entender por que essa visita aparentemente inócua foi sentida em Israel como uma ameaça. A cena mais emblemática foi o papa descer do carro sem aviso, na Cisjordânia, para rezar junto ao Muro da Separação, ou “Muro da Vergonha”, construído por Israel para concretizar fisicamente a exclusão do povo palestino. Bem debaixo de pichações nas quais se lia “Palestina Livre”, “Papa, precisamos de alguém para falar sobre justiça”, e “Belém parece o Gueto de Varsóvia”. 

Foi óbvia a alusão ao “Muro das Lamentações” de Jerusalém, tido como vestígio do Templo destruído por Tito (é um muro de arrimo acrescentado por Herodes), onde durante milênios peregrinos foram suplicar pela vinda do Messias, pelo retomo dos judeus da Diáspora, pela reconstrução do templo e do idealizado reino de Israel. Sem usar palavras, o líder católico equiparou os hebreus do passado aos palestinos do presente e assinalou ao mundo em geral e a Israel em particular que o ponto de vista de Tel-Avivi sobre a história é um entre outros e os judeus não são tão diferentes dos árabes. Nem dos romanos. [...] 

Mais tarde, do lado israelense da fronteira, o papa Francisco não se negou a visitar o Muro das Lamentações original antes de subir às mesquitas do Morro do Templo e aceitou a exigência de Netanyahu de repetir seu gesto perto do muro do Memorial das Vítimas (judaicas) dos Ataques Terroristas, em Jerusalém. Essas cenas não tiveram o mesmo impacto [...]. A questão não é tomar partido pelo Estado da Palestina (oficialmente reconhecido pelo Vaticano), e sim relativizar a narrativa sionista na qual Israel insiste, apesar de se tomar cada vez mais insustentável no cenário internacional.

O primeiro-ministro, vale ressaltar, não representa o sionismo mais extremista. Está sob pressão dos radicais de seu próprio partido e dos aliados ainda mais à direita de sua coalizão, especialmente o chanceler Avigdor Lieberman e o ministro da Economia, Naftali Bennett, representante dos colonos do partido Lar Judeu, que exige a anexação da Cisjordânia. [...]

O papa ofereceu “sua casa”, o Vaticano, para um encontro entre o presidente palestino Mahmoud Abbas e o presidente israelense Shimon Peres. Ambos aceitaram, mas o desafio continua a ser encontrar uma linguagem comum. Não haverá saída da embrulhada do Oriente Médio enquanto os israelenses se fecharem aos palestinos e ao mundo tanto com muralhas físicas quanto com as de seus mitos e preconceitos. O chefe da Igreja Católica agiu corretamente ao enfatizar o quanto esses muros são lamentáveis e tomar sua visita a mais ecumênica possível. [...] Desta vez, fez jus ao primeiro título de seu cargo, herdado dos sumos sacerdotes e imperadores de Roma e muito mais velho que o próprio cristianismo: Pontifex, “fazedor de pontes”. Ou pelo menos tentou. 

(Antônio Luiz M. C. Costa, CARTA CAPITAL, 802, 04/06/2014)
Considerando o aspecto semântico presente no título do texto, em que a palavra “pontes”, representaria meios de estabelecer a aproximação e o contato entre israelenses e palestinos, povos separados por barreiras e obstáculos, representados pela palavra “muros”, pode-se considerar que há aí uma relação:
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Ano: 2014 Banca: Exército Órgão: EsFCEx Prova: Exército - 2014 - EsFCEx - Oficial - v |
Q587256 Português
O Laço de Fita

Castro Alves

NÃO SABES, criança? 'Stou louco de amores...

Prendi meus afetos, formosa Pepita.

Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!

Não rias, prendi-me

                         Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas, (1)

Nos negros cabelos da moça bonita,

Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,

Formoso enroscava-se

                          O laço de fita. 

Meu ser, que voava nas luzes da festa,

Qual pássaro bravo, que os ares agita, (2)

Eu vi de repente cativo, submisso

Rolar prisioneiro

                        Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia

Debalde minh'alma se embate, se irrita... (3)

O braço, que rompe cadeias de ferro,

Não quebra teus elos,

                         Ó laço de fita!

Meu Deus! As falenas têm asas de opala,

Os astros se libram na plaga infinita.

Os anjos repousam nas penas brilhantes... 

Mas tu... tens por asas

Um laço de fita. (4)

Há pouco voavas na célere valsa,

Na valsa que anseia, que estua e palpita.

Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...

Beijava-te apenas...

                          Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos

N'alcova onde a vela ciosa... crepita,

Talvez da cadeia libertes as tranças

Mas eu... fico preso

                         No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale

Abrirem-me a cova... formosa Pepita!

Ao menos arranca meus louros da fronte,

E dá-me por c'roa...

                           Teu laço de fita.

(ALVES, Castro. Obra completa. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1997, p. 84-85.
Assinale a alternativa que relaciona a sequência correta das principais figuras de linguagem presentes no poema “O Laço de Fita", de Castro Alves, no texto destacadas em negrito (1-2-3-4):
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Ano: 2014 Banca: Exército Órgão: EsFCEx Prova: Exército - 2014 - EsFCEx - Oficial - v |
Q587253 Português
DE PONTA A PONTA TUDO É PRAIA-PALMA

Thiago Amud

De ponta a ponta tudo é praia-palma
Quebranto na vertente das montanhas
As aves evasivas embalsamadas
País de saúva e mar, vivi pra te desvelar

Mercúrio, chumbo e césio nas aguadas
Quilombos entocados na caliça
As alegrias azinhavrando as almas
País de febre e luar, morri pra te decantar

Quando olhei a terra inteira ardendo em vasto fogaréu
Eu vi que o Morro da Mangueira parecia um inferno no céu

Grassou Saturno, tudo está em transe
O Presidente Zambo, a musa louca
Mas súbito as nascentes destilam sangue
País que agoniza luz, teu nome é a minha cruz

Não permita Deus que valhas menos que teu coração
Teus flancos de maracangalhas, tua língua de Grande Sertão

(AMUD, Thiago. De ponta a ponta tudo é praia-palma. Edição: L.PE – Universal Pub. Produção: JR Tostoi. Rio de Janeiro: Delira Música, 2013.) 

Considerando o texto “De ponta a ponta tudo é praia-palma", canção do compositor brasileiro Thiago Amud, é correto afirmar que: 
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Ano: 2014 Banca: Exército Órgão: EsFCEx Prova: Exército - 2014 - EsFCEx - Oficial - v |
Q587251 Português
Tendo em vista as noções de tipo e gênero textuais propostas por Marcuschi (2005), associe a coluna da esquerda com a coluna da direita e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

1.Características relacionadas à noção de tipos textuais

2.Características relacionadas à noção de gêneros textuais

( ) Sua nomeação abrange um conjunto limitado de categorias teóricas determinadas por aspectos lexicais, sintáticos, relações lógicas, tempo verbal.

( ) Constructos teóricos definidos por propriedades linguísticas intrínsecas.

( ) Constituem textos empiricamente realizados cumprindo funções em situações comunicativas.

( ) Realizações linguísticas concretas definidas por propriedades sócio-comunicativas. 
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Q524187 Português
Assinale a alternativa que analisa de maneira adequada a figura de linguagem utilizada.
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Q520301 Português
Assinale a alternativa que completa adequadamente a lacuna abaixo.


“______________ é um fenômeno linguístico, de origem semântica, caracterizado pela possibilidade de se atribuir mais de um significado a uma palavra ou mesmo uma sentença completa. Tal fenômeno pode promover problemas na comunicação quando ocorre no processo de interação entre os participantes de determinado discurso."

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Q515414 Português
Texto I
                                    Aí pelas três da tarde
                                                                              (Raduan Nassar)

Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes dividiram entre si o bom-senso do mundo, aplicando-se em ideias claras apesar do ruído e do mormaço, seguros ao se pronunciarem sobre problemas que afligem o homem moderno (espécie da qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um tanto excluído), largue tudo de repente sob os olhares à sua volta, componha uma cara de louco quieto e perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais escribas mais severos, dê um largo “ciao" ao trabalho do dia, assim como quem se despede da vida, e surpreenda pouco mais tarde, com sua presença em hora tão insólita, os que estiveram em casa ocupados na limpeza dos armários, que você não sabia antes como era conduzida. Convém não responder aos olhares interrogativos, deixando crescer, por instantes, a intensa expectativa que se instala. Mas não exagere na medida e suba sem demora ao quarto, libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo como se retirasse a importância das coisas, pondo-se enfim em vestes mínimas, quem sabe até em pelo, mas sem ferir o pudor (o seu pudor bem entendido), e aceitando ao mesmo tempo, como boa verdade provisória, toda mudança de comportamento. Feito um banhista incerto, assome depois com uma nudez no trampolim do patamar e avance dois passos como se fosse beirar um salto, silenciando de vez, embaixo, o surto abafado dos comentários. Nada de grandes lances. Desça, sem pressa, degrau por degrau, sendo tolerante com o espanto (coitados!) dos pobres familiares, que cobrem a boca com a mão enquanto se comprimem ao pé da escada. Passe por eles calado, circule pela casa toda como se andasse numa praia deserta (mas sempre com a mesma cara de louco ainda não precipitado), e se achegue depois, com cuidado e ternura, junto à rede languidamente envergada entre plantas la no terraço. Largue-se nela como quem se larga na vida, e vá fundo nesse mergulho: cerre as abas da rede sobre os olhos e, com um impulso do pé ( já não importa em que apoio), goze a fantasia de se sentir embalado pelo mundo.




O autor baseia seu texto na representação de várias imagens simbólicas. Por exemplo, no trecho “dê um largo “ciao" ao trabalho do dia, assim como quem se despede da vida.", há um fragmento destacado que combina duas figuras de linguagem. São elas:
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Q503004 Português
Assinale a alternativa que apresenta a figura de linguagem anacoluto.
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Q494094 Português
Leia:

I. “Tremia ainda ao contar as suas impressões.
    Descrevia a Câmara, tribunas, galerias cheias
    Que não cabia um alfinete."

II. “Lúcio pôs-se a observar a agonia da lenha verde
     Que se estorcia, estalava de dor."

III. “Meu pensamento é um rio subterrâneo.
      Para que terras vai e donde vem?"

As figuras de linguagem dos trechos destacados acima são, respectivamente,
Alternativas
Q418580 Português
A afirmação de que "O otimismo é o vinho tinto das emoções” constitui um exemplo da seguinte figura de linguagem:
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Q393289 Português
Leia o poema para responder à questão:

        Pálida à luz da lâmpada sombria,
        Sobre o leito de flores reclinada,
        Como a lua por noite embalsamada,
        Entre as nuvens do amor ela dormia!

        Era a virgem do mar, na escuma fria
        Pela maré das águas embalada!
        Era um anjo entre nuvens d’alvorada
        Que em sonhos se banhava e se esquecia!

        Era mais bela! o seio palpitando
        Negros olhos as pálpebras abrindo
        Formas nuas no leito resvalando

        Não te rias de mim, meu anjo lindo!
        Por ti - as noites eu velei chorando,
        Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!

                                   (Álvares de Azevedo, Poesias Completas)


Assinale a alternativa em que se indica corretamente a relação estabelecida entre os versos transcritos.
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Q682105 Português
Leia o texto a seguir: A gaiola de Maria do Carmo B. C. de Melo
E era a gaiola e era a vida era a gaiola e era o muro a cerca e o preconceito e era o filho a família e a aliança e era a grade a filha e era o conceito e era o relógio o horário o apontamento e era o estatuto a lei e o mandamento e a tabuleta dizendo é proibido.
E era a vida era o mundo e era a gaiola e era a casa o nome a vestimenta e era o imposto o aluguel a ferramenta e era o orgulho e o coração fechado e o sentimento trancado a cadeado.
E era o amor e o desamor e o medo de magoar e eram os laços e o sinal de não passar.
E era a vida era a vida o mundo e a gaiola
e era a vida e a vida era a gaiola. (Apud Alda Beraldo. Trabalhando com poesia. São Paulo: Ática, 1990. v. 2, p. 17.),
As palavras em textos literários não apresentam um sentido único, cujos valores gramaticais são relativizados em virtude da criatividade do autor. Na construção do poema tem-se a repetição da conjunção “e” que cumpre o papel de ligar as palavras e orações. Essa conjunção estabelece entre as ideias relacionadas no texto um sentido de: 
Alternativas
Q680850 Português
Assinale a alternativa em que ocorre uma prosopopeia (ou personificação).
Alternativas
Q655642 Português

Leia:

I. Um violão chorava suas canções com saudade.

II. Luísa, ó Luísa! Longe dos olhos e perto do coração!

Nas frases acima há, respectivamente, as seguintes figuras de linguagem:

Alternativas
Q654675 Português

Relacione as colunas e, em seguida, assinale a alternativa com a sequência correta.

(1) Eufemismo

(2) Prosopopeia

(3) Antítese

(4) Metáfora


( ) Um frio inteligente percorria o jardim.

( ) Onde queres prazer eu sou o que dói.

( ) Ele vivia de caridade pública.

( ) Teu corpo é brasa do lume.

Alternativas
Q646515 Português
Na frase “A pessoa estava com tanta fome que comeu dois pratos”, encontra-se a seguinte figura de linguagem
Alternativas
Q636915 Português

Analise as afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta.

I. Um magnata comprou um Leonardo da Vinci no leilão ontem.

II. José trabalha como um cavalo e come como um passarinho.

III. O samba é o pai do prazer e é o filho da dor.

Alternativas
Q632842 Português

Analise o trecho abaixo e, em seguida, assinale a alternativa que contém o fenômeno semântico presente no texto.


“O Brasil se prepara para fazer uma limpeza nas condições precárias e na informalidade dos serviços domésticos. Só falta tirar a poeira da Lei Trabalhista.”

(Fonte: Revista Época. Edição 775. 28/03/2013)

Alternativas
Q632421 Português

Analise as afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa em que os fenômenos semânticos estão respectivamente presentes nos trechos.


I. Aquela música nasceu quando João Gilberto viu uma mulata descendo uma ladeira no Rio de Janeiro.

II. A casa de leilão mais famosa de Londres vendeu um Renoir por mais de 30 milhões de libras esterlinas.

III. Ontem os meios de comunicação divulgaram o falecimento do sambista Emílio Santiago no Rio. 

Alternativas
Q614962 Português
Campeonato do desperdício
     No campeonato do desperdício, somos campeões em várias modalidades. Algumas de que nos orgulhamos e outras de que nem tanto. Meu amigo Adamastor, antropólogo das horas vagas, não me deu as causas primeiras de nossa primazia, mas forneceu-me uma lista em que somos imbatíveis. Claro, das modalidades que "nem tanto".
     Vocês já ouviram falar em lixo rico? Somos os campeões. Nosso lixo faria a fartura de um Haiti. Com o que jogamos fora e que poderia ser aproveitado, poder-se-ia alimentar muito mais do que a população do Haiti. Há pesquisas do assunto e cálculos exatos que "nem tanto". Somos um país pobre com mania de rico. E nosso lixo é mais rico do que o lixo dos países ricos. Meu falecido pai costumava dizer: rico raspa o queijo com as costas da faca; remediado corta uma casca bem fininha; pobre, contudo, arranca uma lasca imensa do queijo. Meu pai dizia, e tenho a impressão que meu pai era um homem preconceituoso, mas em termos de manuseio dos alimentos nacionais, arrancamos uma lasca imensa do queijo, ah, sim, arrancamos.
     Outra modalidade em que somos campeões absolutos, o desperdício do transporte. Ninguém no mundo consegue, tanto quanto nós, jogar grãos nas estradas. Não viajo pouco e me considero testemunha ocular. A Anhanguera, por exemplo, tem verdadeiras plantações de soja em suas margens. Quando pego uma traseira de caminhão e aquela chuva de grãos me assusta, penso rápido e fico calmo: faz parte da competição e temos de ser campeões.
    Na construção civil o desperdício chega a ser escandaloso. Um dia o Adamastor, antropólogo das horas vagas, me veio com uma folha de jornal onde se liam estatísticas indecentes. Com o que se joga fora de material (do mais bruto ao mais sofisticado) , o Brasil poderia construir todos os estádios que a FIFA exige e ainda poderia exportar cidades para o mundo.
     Antigamente, este que vos atormenta, levava um litro lavado para trocar por outro cheio de leite. Você, caro leitor, talvez nem tenha notícia disso. Mas era assim. Agora, compra-se o leite e sua embalagem internamente aluminizada para jogá-la no lixo. Quanto de nosso petróleo vai para o lixo em forma de sacos plásticos? Vocês já ouviram falar que o petróleo é um recurso inesgotável? Claro que não! Mas sente algum remorso ao jogar os sacos trazidos do supermercado no lixo? Claro que não. Nossa cultura de mosaico nos tirou a capacidade de ligar os fenômenos entre si.
    E o que desperdiçamos de talentos, de esforço educacional? São advogados atendendo em balcão de banco, engenheiros vendendo cachorro-quente nas avenidas de São Paulo, são gênios que se desperdiçam diariamente como se fossem recursos, eles também, inesgotáveis. No dia em que a gente precisar, vai lá e pega. No dia em que a gente precisar, pode não existir mais. Não importa, vivemos no melhor dos mundos, segundo a opinião do Adamastor, o gigante, plagiando um tal de Dr. Pangloss, que ironizava um tal de Leibniz.BRAFF, Menalton.

Em www.cartacapital.com.br - Acesso em 14 jan., 2013 - adaptado.

Dr.Pangloss - personagem de Cândido, de Voltaire. Caracteriza-se pelo extremo otimismo.
Leibniz - Autor da teoria de que nada acontece ao acaso. Estamos no melhor dos mundos possíveis, o ser só é, só existe, porque é o melhor possível. Adamastor, o- gigante - personificação do Cabo das Tormentas, em Os Lusíadas, do escritor português Luiz Vaz de Camões,
Dentre as opções a seguir, em qual se percebe um tom irônico?
Alternativas
Respostas
221: D
222: E
223: A
224: A
225: C
226: C
227: A
228: A
229: C
230: E
231: E
232: D
233: B
234: C
235: D
236: D
237: C
238: A
239: A
240: B