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Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944454 Português

Aquela triste e leda madrugada, 
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade 
quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada 
saía, dando ao mundo claridade, 
viu apartar-se de uma outra vontade,
 que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio 
que, de uns e de outros olhos derivadas, 
se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas
 que puderam tornar o fogo frio,
 e dar descanso às almas condenadas.

 (Sonetos, 2001.)

Observa-se a elipse (supressão) do termo “vontade” no verso:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944453 Português

Aquela triste e leda madrugada, 
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade 
quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada 
saía, dando ao mundo claridade, 
viu apartar-se de uma outra vontade,
 que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio 
que, de uns e de outros olhos derivadas, 
se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas
 que puderam tornar o fogo frio,
 e dar descanso às almas condenadas.

 (Sonetos, 2001.)

A imagem das lágrimas a formarem um “largo rio” (3a estrofe) produz um efeito expressivo que se classifica como
Alternativas
Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944452 Português

Aquela triste e leda madrugada, 
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade 
quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada 
saía, dando ao mundo claridade, 
viu apartar-se de uma outra vontade,
 que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio 
que, de uns e de outros olhos derivadas, 
se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas
 que puderam tornar o fogo frio,
 e dar descanso às almas condenadas.

 (Sonetos, 2001.)

O pronome “Ela”, que se repete no início de três estrofes, refere-se a
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Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944451 Português

Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

      Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

“Não saia casa 3 outubro abraços”.

     O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

    Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

    Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

    Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

(70 historinhas, 2016.)

1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

“Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano” (3o parágrafo) Os termos em destaque constituem, respectivamente,
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Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944450 Português

Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

      Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

“Não saia casa 3 outubro abraços”.

     O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

    Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

    Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

    Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

(70 historinhas, 2016.)

1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

“Deliberou deitar-se, embora a noite apenas começasse.” (4º parágrafo)

Em relação à oração anterior, a oração destacada exprime ideia de

Alternativas
Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944449 Português

Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

      Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

“Não saia casa 3 outubro abraços”.

     O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

    Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

    Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

    Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

(70 historinhas, 2016.)

1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

•  “A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. ‘O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo’ – disse-lhe o chefe.” (5o parágrafo)

•  “‘E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?’ Emudeceu. ‘Diga, vamos!’ ‘Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.’” (5o parágrafo)

No contexto em que se inserem, as palavras “bonitinho” e “versinhos” exprimem, respectivamente,

Alternativas
Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944448 Português

Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

      Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

“Não saia casa 3 outubro abraços”.

     O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

    Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

    Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

    Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

(70 historinhas, 2016.)

1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

Estão empregados em sentido figurado os termos destacados nos trechos:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944447 Português

Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

      Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

“Não saia casa 3 outubro abraços”.

     O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

    Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

    Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

    Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

(70 historinhas, 2016.)

1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

    Metonímia: figura de retórica que consiste no uso de uma palavra fora do seu contexto semântico normal, por ter uma significação que tenha relação objetiva, de contiguidade [vizinhança, proximidade], material ou conceitual, com o conteúdo ou o referente ocasionalmente pensado.
(Dicionário Houaiss da língua portuguesa, 2009.)
Verifica-se a ocorrência de metonímia no trecho:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944446 Português

Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

      Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

“Não saia casa 3 outubro abraços”.

     O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

    Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

    Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

    Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

(70 historinhas, 2016.)

1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

O chamado discurso indireto livre constitui uma construção em que a voz do personagem se mescla à voz do narrador. Verifica-se a ocorrência de discurso indireto livre em:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944445 Português

Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

      Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

“Não saia casa 3 outubro abraços”.

     O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

    Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

    Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

    Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

(70 historinhas, 2016.)

1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

Depreende-se da crônica que o telegrama demorou a chegar
Alternativas
Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944444 Português

Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

      Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

“Não saia casa 3 outubro abraços”.

     O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

    Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

    Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

    Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

(70 historinhas, 2016.)

1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

Em relação ao sonho do pai, a reação do filho é de
Alternativas
Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2017 - UNIFESP - Vestibular |
Q944443 Português

Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

      Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

“Não saia casa 3 outubro abraços”.

     O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

    Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

    Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

    Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

(70 historinhas, 2016.)

1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

De acordo com a crônica, o filho recebeu o telegrama do pai no dia
Alternativas
Ano: 2017 Banca: UECE-CEV Órgão: UECE Prova: UECE-CEV - 2017 - UECE - Vestibular - Segundo Semestre |
Q938814 Inglês

                                              T E X T


      If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

      Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

      The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

      But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

      The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

      The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

      The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

      As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

      The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

      But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

      Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

      The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                     From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

According to the findings of the research, another aspect related to the consequences of children’s sedentary lifestyle is the fact that when becoming adults they would also
Alternativas
Ano: 2017 Banca: UECE-CEV Órgão: UECE Prova: UECE-CEV - 2017 - UECE - Vestibular - Segundo Semestre |
Q938813 Inglês

                                              T E X T


      If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

      Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

      The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

      But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

      The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

      The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

      The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

      As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

      The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

      But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

      Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

      The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                     From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

Still in terms of the electronic avatar research, the text mentions that, when scientists analyzed the grown up models (once the sedentary children), they got to the conclusion that they would
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Ano: 2017 Banca: UECE-CEV Órgão: UECE Prova: UECE-CEV - 2017 - UECE - Vestibular - Segundo Semestre |
Q938812 Inglês

                                              T E X T


      If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

      Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

      The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

      But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

      The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

      The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

      The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

      As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

      The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

      But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

      Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

      The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                     From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

According to the article, the researchers, taking into account the current reality of children in the US, fed the computer program with the information about the lack of exercising and the calorie intaking patterns and made the computer model go through the growing process year by year, thus revealing that these children
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Ano: 2017 Banca: UECE-CEV Órgão: UECE Prova: UECE-CEV - 2017 - UECE - Vestibular - Segundo Semestre |
Q938811 Inglês

                                              T E X T


      If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

      Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

      The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

      But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

      The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

      The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

      The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

      As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

      The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

      But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

      Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

      The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                     From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

In terms of how the study was conducted, the text mentions that researchers used a computer program that made it possible for every child to be
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Ano: 2017 Banca: UECE-CEV Órgão: UECE Prova: UECE-CEV - 2017 - UECE - Vestibular - Segundo Semestre |
Q938810 Inglês

                                              T E X T


      If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

      Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

      The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

      But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

      The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

      The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

      The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

      As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

      The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

      But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

      Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

      The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                     From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

The new study conducted in the US linking the lack of children’s physical activity and the huge expenses in the coming years was carried out with data about children
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Ano: 2017 Banca: UECE-CEV Órgão: UECE Prova: UECE-CEV - 2017 - UECE - Vestibular - Segundo Semestre |
Q938809 Inglês

                                              T E X T


      If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

      Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

      The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

      But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

      The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

      The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

      The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

      As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

      The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

      But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

      Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

      The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                     From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

In terms of the future financial costs for individuals and the society as a result of inactivity in young people, it is mentioned that they
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Ano: 2017 Banca: UECE-CEV Órgão: UECE Prova: UECE-CEV - 2017 - UECE - Vestibular - Segundo Semestre |
Q938808 Inglês

                                              T E X T


      If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

      Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

      The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

      But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

      The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

      The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

      The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

      As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

      The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

      But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

      Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

      The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

                                                     From: https://www.nytimes.com May 3, 2017

According to the text, the lack of exercise in childhood years is associated with very early health problems such as
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Ano: 2017 Banca: UECE-CEV Órgão: UECE Prova: UECE-CEV - 2017 - UECE - Vestibular - Segundo Semestre |
Q938807 Inglês

                                              T E X T


      If all of the children who currently are sedentary started exercising every day, societies could save enormous amounts of money in the coming decades and have healthier citizens as a whole, according to a remarkable new study. In the United States alone, we could expect to save more than $120 billion every year in health care and associated expenses. The study is the first to use sophisticated computer simulations to arrive at a literal and sobering societal price tag for allowing our children to be sedentary.

      Inactivity is, of course, widespread among young people today. Recent research shows that in the United States and Europe, physical activity tends to peak at about age 7 for both boys and girls and tail off continually throughout adolescence. More than two-thirds of children in the United States rarely exercise at all.

      The immediate health consequences for inactive children and their families are worrisome. Childhood obesity, which is linked to lack of exercise, is common, as is the incidence of Type 2 diabetes and other health problems related to being overweight among children as young as 6.

      But the long-term financial costs of inactivity in the young, both for them and society as a whole, have never been quantified. So for the new study, which was published this week in Health Affairs, researchers with the Global Obesity Prevention Center at Johns Hopkins University in Baltimore and other institutions decided to create a bogglingly complex computer model of what the future could look like if we do or do not get more of our children moving.

      The researchers began by gathering as much public data as is currently available about the health, weight and physical activity patterns of all 31.7 million American children now aged 8 to 11, using large-scale databases from the Census Bureau, the Centers for Disease Control and Prevention, and other groups.

      The researchers fed this information into a computerized modeling program that created an electronic avatar for every American child today. In line with reality, two-thirds of these children were programmed to rarely exercise and many were overweight or obese.

      The scientists then had the simulated children grow up. Using estimations about how calorie intake and activity patterns affect body weight, the program changed each virtual child’s body day-by-day and year-by-year into adulthood. Most became increasingly overweight.

      As the simulated children became adults, the scientists then modeled each one’s health, based on obesity-associated risks for heart disease, diabetes, stroke and cancer, and also the probable financial price of dealing with those diseases (adjusted for future inflation), both in terms of direct expenses for hospitalizations, drugs and so on, and lost productivity because of someone’s being ill.

      The results were staggering. According to the computer model, the costs of today’s 8- to 11- year-olds being inactive and consequently overweight would be almost $3 trillion in medical expenses and lost productivity every year once the children reached adulthood and for decades until their deaths.

      But when the researchers tweaked children’s activity levels within their model, the numbers began to look quite different. If they presumed that, in an imaginary America, half of all children exercised vigorously for about 25 minutes three times a week, such as during active recess or sports or, more ambitiously, ran around and moved for at least an hour every day, which is the amount of youth exercise recommended by the C.D.C., their virtual lives were transformed.

      Most obviously, the incidence of childhood obesity fell by more than 4 percent, a change that resonated throughout the simulated children’s lives and society. There were about half a million fewer cases of adult-onset heart disease, diabetes, cancer and strokes in this simulation, and the society-wide costs associated with these illnesses dropped by about $32 billion every year if the children romped about for 25 minutes three times per week and by almost $37 billion if they moved for an hour every day.

      The impacts were even more substantial when the researchers assumed that 100 percent of the children who are now sedentary got regular exercise. In this scenario, the annual total costs during adulthood from obesity-associated medical expenses and lost productivity plummeted by about $62 billion when children were active three times a week and by more than $120 billion every year when all of the virtual children played and moved for at least an hour each day.

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As to how physically active American and European children are, recent studies show that
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