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Q583450 História

Leia o fragmento a seguir, extraído de um artigo do jornalista Carlos Lacerda, publicado no jornal A Tribuna da Imprensa, em de junho de 1950.

O Sr. Getúlio Vargas senador, não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar.

A partir do fragmento, assinale a alternativa que apresenta a interpretação correta do discurso de Carlos Lacerda.

Alternativas

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Resposta correta: D

Tema central: o fragmento revela o posicionamento político de Carlos Lacerda frente a Getúlio Vargas em 1950. Para resolver a questão é preciso conhecer o contexto político do pós‑Guerra no Brasil (a atuação da UDN e da imprensa anti‑varguista) e interpretar palavras‑chave do texto — especialmente a defesa explícita de medidas extra‑legais.

Resumo teórico (progressivo e prático): Lacerda era líder da oposição conservadora (UDN) e articulador de ataques públicos ao “trabalhismo” de Vargas. O trecho afirma sequencialmente que Vargas não deve ser candidato, eleito, empossado e, se o for, que se recorra à “revolução” para impedi‑lo — indicativo claro de um discurso de oposição intransigente e antagônico ao trabalhismo, disposto a meios fora do processo institucional.

Justificativa da alternativa D: A alternativa D diz que o fragmento “representa o posicionamento político de setores contrários ao trabalhismo”. Isso corresponde exatamente ao contexto: Lacerda e setores da UDN atacavam Vargas e o trabalhismo, defendendo sua exclusão política mesmo por vias extra‑legais. O apelo à revolução confirma que se trata de oposição radical desses setores.

Análise das alternativas incorretas:

A — “Rompimento público com o trabalhismo, devido aos planos ditatoriais de Vargas.” Errada: o texto não descreve ou comprova “planos ditatoriais” de Vargas; trata‑se de oposição, não de prova de intenção ditatorial.

B — “Reflete posição contra aproximação com o Leste europeu.” Errada: nada no fragmento refere‑se à política externa ou ao bloco soviético; o foco é interno e antagônico a Vargas.

C — “Denuncia Vargas que pretendia modificar a constituição para se candidatar.” Errada: o trecho não menciona alteração constitucional nem legalismos — apenas rejeição e apelo à revolução.

E — “Defesa intransigente do processo eleitoral.” Errada e contraditória: o autor propõe impedir Vargas mesmo se eleito, inclusive com “revolução”, o que é claramente anti‑institucional e não uma defesa do processo democrático.

Estratégia de interpretação útil: procure no enunciado palavras‑chave (ex.: “revolução”, “não deve tomar posse”) e relacione ao contexto histórico e ao perfil do autor. Se o texto sugere ação extra‑legal contra um eleito, trate‑o como oposição radical, não como defesa do regime.

Fontes/contexto recomendados: estudos sobre a UDN e a imprensa antagônica a Vargas; obras de história política do Brasil (ex.: José Murilo de Carvalho, estudos sobre 1945–1954) e acervos de jornais da época (A Tribuna da Imprensa).

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Gabarito D

Resolução

Trata-se de um claro discurso contrário a Getúlio Vargas, feito por Carlos Lacerda, que era um dos principais, se não o principal, opositor do presidente. Por conta do chamado atentado da Rua Tonelero, ao que se seguiu a chamada "República do Galeão", a pressão sobre Getúlio acabou levando-o ao suicídio em 1954.

Como opositor de Vargas, Lacerda se opunha ao chamado trabalhismo - que nada mais é do que uma vertente política baseada nos interesses dos operários e demais trabalhadores, pelo menos no discurso. Na época em questão, Vargas era o principal nome desse movimento político no Brasil, a tal ponto que se fala em "trabalhismo da Era Vargas". Entretanto, o trabalhismo não é apenas isso e nem surgiu no Brasil.

percebam que existe uma condiçao eliptica no discurso.

se condidato nao deve ser eleito

se eleito nao deve tomar posse

se empossado deveria haver um golpe para impedir

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