[...] historicamente, os quilombos foram comunidades dinâmicas forjadas não fora, mas dentro da sociedade escravista; comunidades que simultaneamente transformaram o mundo no qual todos viviam. As geografias
insurgentes [...] foram claramente baseadas na existência
de laços e práticas econômicas forjadas dentro da escravidão e motivadas por camaradagem, medo ou oportunismo.
Nenhum deles expressou uma explícita ideologia antiescravista, mas suas ações desestabilizaram a escravidão por
dentro. Para os quilombolas, abandonar seus senhores e
trabalhar como pessoas livres diante dos olhos dos proprietários foi uma forma de rejeitar a escravidão.
(Yuko Miki. “Fugir para a escravidão: as geografias insurgentes dos
quilombolas brasileiros, 1880-1881”. In: Flávio Gomes e
Petrônio Domingues (orgs.). Políticas da raça: experiências e
legados da abolição e da pós-emancipação no Brasil, 2014.)
O excerto caracteriza a ação dos quilombos no Brasil
pré-abolição como