Questões de Vestibular UFU-MG 2026 para Vestibular - Segundo Semestre 2026
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A operação foi pouco dolorosa e extraordinariamente rápida: colocaram-nos numa fila e, um por um, conforme a ordem alfabética dos nossos nomes, passamos por um hábil funcionário, munido de uma espécie de punção com uma agulha minúscula.
Ao que parece, esta é a verdadeira iniciação: só "mostrando o número" recebe-se o pão e a sopa.
Necessitamos de vários dias e de muitos socos e bofetadas, até criarmos o hábito de mostrar prontamente o número, de modo a não atrapalhar as cotidianas operações de distribuição de víveres; necessitamos de semanas e meses para acostumarmo-nos ao som do número em alemão. E durante muitos dias, quando o hábito da vida em liberdade me levava a olhar a hora no relógio, no pulso aparecia-me, ironicamente, meu novo nome, esse número tatuado em marcas azuladas.
LEVI, P. É isto um homem? Rio de Janeiro: Rocco, 1988, p. 25-26.
O livro É isto um homem? foi publicado em 1947 por Primo Levi, um judeu que sobreviveu às intempéries de um campo de concentração nazista. Sobre seu testemunho e o contexto histórico da Segunda Guerra Mundial, analise as asserções.
I. O regime nazista promoveu um processo de desumanização que reduziu as pessoas à condição de objetos, ofuscando suas identidades.
II. A tatuagem de um número no braço dos prisioneiros expressava a tentativa nazista de organização burocrática dos campos, sem implicações de ordem ideológica ou simbólica.
III. O uso de números nos campos de concentração tinha a finalidade de proteger os prisioneiros, evitando que fossem identificados e perseguidos após a guerra.
IV. A perda de identidade é uma experiência que torna o relato e a representação de vivências no cárcere um desafio para as testemunhas.
Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.
VOVELLE, M. A Revolução Francesa (1789-1799). São Paulo: Editora da Unesp, 2019. p. 1.
Sobre a Revolução Francesa e o conceito de Antigo Regime, analise as asserções.
I. O conceito de Antigo Regime, que nasceu com a Revolução Francesa, é definido como uma forma democrática de governo.
II. A França e outras monarquias absolutistas sofreram com a fraqueza e com a incoerência do sistema tributário.
III. A cobrança de impostos na França absolutista variava entre grupos sociais e diferia conforme lugar e região.
IV. A monarquia absolutista francesa não produziu sociedade estamental como outras monarquias europeias.
Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.
A partir da perspectiva do materialismo histórico, o fascismo não é definido por personalidades nem grupos. É uma forma excepcional do Estado capitalista, com características absolutamente únicas e irrepetíveis, que irrompeu quando seu modo ideal de dominação, a democracia burguesa, enfrentou uma gravíssima crise no período entre a Primeira e a Segunda Guerra mundiais. Por isso dizemos que é uma “categoria histórica” e que já não pode ser reproduzida porque as condições que tornaram possível seu surgimento desapareceram para sempre.
[…]
Os fascismos europeus foram regimes de organização e mobilização de massas, especialmente de camadas médias. Ao mesmo tempo que perseguiam e destruíam as organizações sindicais do proletariado, enquadravam diversos movimentos das ameaçadas camadas médias e, no caso italiano, levaram esses esforços ao âmbito do trabalho, dando origem a um sindicalismo vertical e subordinado às decisões do governo.
Disponível em: https://tinyurl.com/5bsz252b. Acesso em: 30 jan. 2026.
Texto II
Pois bem, no Brasil de hoje temos a ideologia neofascista, o movimento neofascista, governo no qual os neofascistas disputam a hegemonia com o grupo militar – esse último apegado a um autoritarismo mais propenso a outro tipo de ditadura – mas não temos um regime político fascista – o que temos é uma democracia burguesa deteriorada e em crise.
As definições são sempre problemáticas, mas podemos arriscar a afirmação de que, nas suas características mais gerais, o fascismo é um movimento reacionário de massa enraizado em classes intermediárias das formações sociais capitalistas. Ele é movido por um discurso superficialmente crítico – e, ao mesmo tempo, profundamente conservador – sobre a economia capitalista e a democracia burguesa. A sua ideologia é heterogênea, pouco sistemática, e nela se destacam a designação da esquerda como o inimigo a ser destruído, o culto da violência, um nacionalismo autoritário e conservador e a politização do racismo e do machismo. É um movimento que chega ao poder, não como representante de tais classes intermediárias, mas, sim, após ter sido politicamente confiscado pela burguesia ou uma de suas frações com o objetivo de, apoiada nele, superar uma crise política e implantar um governo antidemocrático, antioperário e antipopular.
Disponível em: https://tinyurl.com/2mebd3ry. Acesso em: 30 jan. 2026.
O uso de “fascismo” para caracterizar movimentos de extrema-direita na atualidade gera um debate controverso. Nos textos I e II, os autores apresentam posições contrastantes, porém concordam que o fascismo é