Questões de Vestibular UFRGS 2024 para Vestibular - 1º Dia
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Leia o trecho abaixo, retirado da crônica “de volta ao campus”, de José Falero. Considere-o no contexto do livro Mas em que mundo tu vive?.
Quando o galpão finalmente ficou pronto, eu dei graças a Deus. Creia-me, leitor: não existe ambiente mais hostil para um pé-rapado do que um ambiente acadêmico. É impossível ficar à vontade. Nada ao redor traz sensação de conforto, nada ao redor lembra minimamente as vielas e os barracos que estamos acostumados a ver à nossa volta, ninguém ao redor nos desperta a mínima sensação de identificação ou nos inspira empatia, é todo mundo pálido demais, é todo mundo civilizado demais, é todo mundo bem-vestido demais, é todo mundo sem ginga, é todo mundo sem suingue, é todo mundo tão diferente de nós, e em tantos sentidos! Eu dei graças a Deus quando o galpão finalmente ficou pronto e eu soube que não precisaria mais ir comprar refrigerante no meio dos universitários. Fiz uma promessa boba para mim mesmo naquele dia: quando eu voltasse àquele ambiente, seria como estudante de letras. Jurei para mim mesmo, tendo como testemunha o matagal que circunda aqueles prédios: em nenhuma circunstância eu voltaria ali, exceto como estudante de letras. Ou bem eu voltava como estudante de letras, ou bem não voltava jamais.
Considere as afirmações abaixo, sobre o segmento.
I - O narrador indica que voltou à universidade como estudante de Letras depois de pronto o galpão.
II - O narrador dialoga diretamente com o leitor – um procedimento típico desta e de outras crônicas do livro.
III - O ponto de vista periférico caracteriza o olhar lançado pelo narrador sobre os acadêmicos que circulam no campus da universidade.
Quais estão corretas?
Para responder a questão 25, considere os fragmentos retirados de A terra dos mil povos, de Kaká Werá Jecupé.
I. Nessas andanças conheci mil povos, vivenciei suas riquezas: o pensamento, a sabedoria, os ritos, os mitos e a medicina sagrada nativa. [...] A peregrinação na terra e o encontro espiritual me permitiam vivenciar a essência desses mil povos, a qual pretendo expor aqui, como parte da tarefa que desenvolvo atualmente, que é difundir os ensinamentos ancestrais: a tradição do Sol, a tradição da Lua e a tradição do sonho.
II. Ao contar sua história, um índio, um clã, uma tribo, parte do momento em que sua essência-espírito permeou a terra e relata a passagem dessa essência-espírito pelos reinos vegetal, mineral e animal. Há tribos que começam sua história desde quando o clã era formado por seres do espírito das águas, outras trazem sua memória animal como início da história, e há aquelas que iniciam sua história a partir da árvore que foram.
Assinale a alternativa correta sobre os fragmentos acima, considerando, também, a leitura integral da obra A terra dos mil povos.
Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados da seção “3 poemas com o auxílio do google”, do livro Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas.
a mulher vai
a mulher vai ao cinema
a mulher vai aprontar
a mulher vai ovular
a mulher vai sentir prazer
a mulher vai implorar por mais
a mulher vai ficar louca por você
a mulher vai dormir
a mulher pensa
a mulher pensa com o coração
a mulher pensa de outra maneira
a mulher pensa em nada ou em algo muito semelhante
a mulher pensa será em compras talvez
a mulher pensa por metáforas
a mulher pensa sobre sexo
a mulher pensa mais em sexo
a mulher quer
a mulher quer ser amada
a mulher quer um cara rico
a mulher quer conquistar um homem
a mulher quer um homem
a mulher quer sexo
a mulher quer tanto sexo quanto o homem
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esses excertos, considerando, também, a leitura integral da obra Um útero é do tamanho de um punho.
( ) Os três poemas são construídos com frases prontas, a partir de uma mesma base: a mulher vai; a mulher pensa; a mulher quer.
( ) A estrutura repetitiva, com sentenças contraditórias, mostra o quanto a mulher contemporânea é confusa e não sabe agir, nem definir o que quer.
( ) A colagem de frases feitas, divulgadas pelo Google, instrui como a mulher deve agir, pensar e desejar.
( ) A originalidade do conjunto encontra-se na montagem das frases coletadas no Google.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Leia o poema, a seguir, de Sophia de Mello Andresen.
Com fúria e raiva
Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
Junho de 1974
Assinale a alternativa que se refere adequadamente ao poema “Com fúria e raiva”, considerando, também, a leitura integral da obra Coral e outros poemas.
Instrução: Para responder a questão 30, leia os excertos abaixo, retirados respectivamente de A terra dos mil povos, de Kaká Werá Jecupé, e de “A fonte”, parte inicial de O continente, de Erico Verissimo.
Tiaraju – o santo guerreiro
Tiaraju é um nome épico. Alguns historiadores chegam a dizer que graças a ele o Rio Grande do Sul é parte do Brasil. Foi um líder nascido em 1723 e que morreu na batalha no dia 7 de fevereiro de 1756. É considerado herói guarani missioneiro rio-grandense. Chefe dos Sete Povos das Missões Jesuíticas de São Miguel.
A fonte
— Vi o combate. O alferes foi derrubado do cavalo por um golpe de lança. Vi quando ele quis erguer-se e um homem... um general... de cima do cavalo varou-lhe o peito com uma bala.
Alonzo segurou a cabeça do menino com ambas as mãos e aproximou-a de seu rosto como se quisesse ler-lhe os pensamentos no fundo dos olhos.
— Como podias ter visto isso tudo se o combate foi travado tão longe daqui?
Pedro respondeu simplesmente:
— Eu vi.
— Disseste que estavas conversando com o corregedor.
— Estava.
— E que te dizia ele?
— Dizia que seu corpo tinha sido atirado num mato perto dum rio. E que a batalha estava perdida.
— Onde estava ele quando te falou?
— Lá em cima. A alma de Sepé subiu ao céu e virou estrela.
Alonzo largou a cabeça do menino, que fez meia-volta e se encaminhou para a janela, puxando o padre docemente pela manga da sobretúnica. Ergueu o dedo e mostrou o crescente:
— Deus botou também na testa da noite um lunar como o de são Sepé.
— São Sepé? — repetiu o padre, meio estonteado.
Sem dizer palavra e sem fazer o menor gesto, Alonzo viu o menino guardar o punhal entre a camisa e o peito, e sair da cela em silêncio.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esses excertos, considerando, também, a leitura integral da obra A terra dos mil povos.
( ) Como se observa, a visão dos dois autores é oposta sobre Sepé Tiaraju. No segundo caso, é um homem derrotado e morto.
( ) No primeiro excerto, Jecupé traz a primeiro plano um herói do enfrentamento “O Brasil de pindorama versus o Brasil das capitanias”.
( ) No segundo excerto, o menino Pedro Alonzo conta ao padre sua visão e que Sepé “virou estrela”.
( ) Nos dois trechos, de Jecupé e de Verissimo, Sepé tem a força de um herói fundacional.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é