Questões de Vestibular UFRGS 2023 para Vestibular 2024 - 1º Dia
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Ernesto não ia trabalhar há três dias. Era preto e os pretos eram preguiçosos, queriam era passar o dia estendidos na esteira a beber cerveja e vinho de caju, enquanto as pretas trabalhavam na terra, plantavam amendoim ao sol, suando com os filhos às costas, ao peito, e a enxada a subir e descer para o chão. Preto era má rês. Vivia da preta. Não pensava na vida, no futuro, nos filhos. Só queria descansar, dormitar, dançar, cantar, beber, comer, viver vida boa. Era absolutamente necessário ensinar os pretos a trabalhar, para seu próprio bem. Para evoluírem através do reconhecimento do valor do trabalho. Trabalhando, poderiam ganhar dinheiro, e com o dinheiro poderiam prosperar, desde que prosperassem como negros. Poderiam deixar de ter uma palhota e construir uma casa de cimento com telhado de zinco. Poderiam calçar sapatos e mandar os filhos à escola para aprender ofícios que fossem úteis aos brancos. Havia muito a fazer pelo homem negro, cuja natureza animal deveria ser anulada – para seu bem.
Considere as afirmações sobre o excerto.
I - No trecho acima, Isabela Figueiredo revela com crueza a perspectiva colonial que testemunhou no convívio com seu pai, em Moçambique.
II - Na relação entre colonizador português e colonizado, o preconceito racial fazia parte do cotidiano de Moçambique, no período colonial.
III- No trecho acima, a narradora mostra o interesse humanitário dos portugueses para que os colonizados prosperassem pelo trabalho.
Quais estão corretas?
( ) A República expandiu seus domínios da Itália central para a Península Itálica, norte da África, estabelecendo domínios em diversas áreas do Mediterrâneo.
( ) Os Latinos-Faliscanos e os Etruscos constituíram os principais grupos que dominavam a política romana durante a República.
( ) A República romana pode ser definida como um modelo de organização política, democrática e popular.
( ) As lutas políticas e sociais de caráter heterogêneo, que eclodiram durante a crise da República romana, evidenciaram as fraquezas do sistema republicano.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
No dia 12 de Janeiro de 1616, o capitão Francisco Caldeira Castelo Branco aportou na Baía do Guajará, onde fundou o forte do presépio – núcleo original do que mais tarde se tornaria Belém. Tendo assegurada essa região, restou confrontar os holandeses e, no ano de 1623, Pedro Texeira parte do forte para expulsar os inimigos batavos, cujo último ataque e derrota final ocorreu em 1639 na fortaleza portuguesa de Gurupá. Ainda no século XVII, com a chamada revolta de Cumã (1617), houve um repentino e eficaz levante dos grupos Tupinambás desde a capitania de Cumã, passando por São Luís e chegando até Belém. Nesta ocasião, os nativos se posicionaram contra a recém-instaurada administração colonial lusa no Estado do Maranhão e Grão-Pará, respondendo de forma armada e articulada às tentativas de colonização. Dado o caráter da presença francesa e holandesa baseada em uma economia de trocas e que ao máximo estabelecia feitorias, tanto francos quanto batavos construíram uma relação de escambo cuja demanda por produtos não afetava tão profundamente a dinâmica das populações autóctones. Dessa maneira, havia uma política de aliança e comércio que era na medida do possível harmoniosa entre Tupinambás, franceses, holandeses e ingleses. Estes Tupinambás ainda mantinham em sua memória coletiva a lembrança da exploradora e conflituosa relação com os portugueses. A revolta de Cumã, enquanto uma revolta colonial, se insere justamente nesse contexto: os Tupinambás, que já conheciam os portugueses, passaram a usar ferramentas adquiridas no contato com os colonizadores e se impuseram como o verdadeiro inimigo na empreitada de consolidação do território luso na Amazônia. O início do conflito foi o ataque feito por um grupo de indígenas Tupinambás da região de Cumã que levou a óbito 30 soldados portugueses. A suposta causa do ataque teria sido a descoberta, por parte daqueles indígenas, dos interesses portugueses em escravizar os povos da região que não se submetessem à vassalagem imposta pelos colonizadores ibéricos.
RAMALHO, J. P. G.; RENDEIRO NETO, M.; MALULY, V. S.; e GIL, T. L. Os grupos nativos e a morfologia da conquista na América Portuguesa. Nuevo Mundo Mundos Nuevos. Disponível em: <http://journals.openedition.org/nuevomundo/80168>. Acesso em: 29 jul. 2023.
Com base no texto, assinale a alternativa correta.
( ) A cana-de-açúcar foi um dos elementos importantes da economia na América Portuguesa, no século XVI, baseada, entre outros fatores, na mão de obra de pessoas escravizadas.
( ) Diferentes movimentos, como os ocorridos em Minas Gerais e na Bahia, no século XVIII, explicitam que houve resistência à dominação portuguesa.
( ) A coroa portuguesa, no século XVIII, com a extração de ouro nas Minas Gerais e o aumento da fiscalização, conseguiu banir o contrabando nas terras dominadas.
( ) A vinda da Família Real portuguesa, no início do século XIX, não está relacionada à crise do sistema colonial e à crise do antigo regime.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
O ........ do século XIX foi caracterizado por ações de dominação política e militar nos continentes ........ e ........ por potências europeias, como a Inglaterra e a França. Esse período também está relacionado ao desenvolvimento industrial, marcado por aceleração da produção, que também gerou necessidade de ........ barata e de ........ .
O processo de trabalho na indústria da carne é historicamente apontado como uma das mais insalubres experiências da produção humana. Esta constatação se estabelece bem antes do advento dos frigoríficos, nos primórdios da indústria de carnes. O exemplo mais evidente é o das charqueadas, instaladas na região sul do Brasil desde o fim do século XVIII, que eram conhecidas tanto pelas condições extremamente difíceis de labuta para seus trabalhadores escravizados quanto pela importância econômica. [...] Entre fins do século XIX e início do século XX, a produção de charque nas repúblicas do Prata e também no sul do Brasil sofreu uma grande transformação tecnológica com a implantação dos frigoríficos e a adoção de um processo muito mais eficaz de conservação das carnes, através do resfriamento. [...] Se o processamento da carne já era insalubre no modelo das charqueadas, pelo próprio manejo da carne, o processo de trabalho dos frigoríficos acrescentou ao setor não apenas a modernização tecnológica, mas também a administração programada dos tempos e movimentos dos trabalhadores. [...] Essa situação altamente insalubre foi fortemente agravada pela eclosão da pandemia de Covid-19 em 2020. Enquadrados como serviços essenciais, por se tratar da indústria de alimentação, os frigoríficos não foram afetados pelos decretos de distanciamento social. De fato, com o aumento da demanda mundial por alimentos, a produção acelerou-se, especialmente no primeiro ano da pandemia.
GONTARSKI SPERANZA, C. Pandemia, trabalho em frigoríficos e cultura de direitos. Revista Mundos do Trabalho, Florianópolis, v. 15, p. 1-16, 2023.
O texto perpassa, a partir da produção de carnes, diferentes fases da produção industrial (do século XVIII ao XXI). Considerando o texto, as chamadas fases da revolução industrial e o mundo globalizado duramente afetado pela pandemia de Covid-19 na atualidade, assinale a alternativa correta.
I - O papel imperial da Espanha se fortaleceu a partir da guerra estabelecida com a Inglaterra, no final do século XVIII.
II - A independência dos Estados Unidos e as ideias iluministas influenciaram as elites criollas a organizar projetos de emancipação.
III- A revolução protagonizada por escravizados negros, desencadeada em Saint-Domingue (então colônia francesa), que resultou na conquista da independência do Haiti, serviu de inspiração para as elites americanas da América Espanhola.
Quais estão corretas?
[…] o título 2º da Constituição marcando os cidadaos brasileiros não distinguio o roxo do amarello o vermelho do preto, mas o dictador Zeferino, na Patria dos Agostinhos e Caneeas, ouzou em menos cabo da grande Lei cravar agudo punhal em os peitos Brasileiros.
Disponível em: <https://bdlb.bn.gov.br/acervo/handle/20.500.12156.3/41594>. Acesso em: 29 jul. 2023.
O texto em questão faz uma crítica à tentativa do Presidente da Província de Pernambuco de proibir a participação de negros em determinados postos da Guarda Nacional. Trata-se de um documento histórico que pode ser utilizado para compreender as práticas de resistência e organização
A disputa pelo Marrocos está relacionada aos conflitos que deram origem à
A partir do início de 1942, em Auschwitz e nos Lager subordinados (em 1944, cerca de quarenta), o número de controle dos prisioneiros não era mais somente costurado nas roupas, mas tatuado no antebraço esquerdo. […] A operação era pouco dolorosa e não durava mais que um minuto, mas era traumática. Seu significado simbólico estava claro para todos: este é um sinal indelével, daqui não sairão mais; [...] Vocês não têm mais nome: este é seu nome. A violência da tatuagem era gratuita, um fim em si mesmo, pura ofensa: não bastavam os três números de pano costurados nas calças, no casaco e no agasalho de inverno? Não, não bastavam: era preciso algo mais, uma mensagem não verbal, a fim de que o inocente sentisse escrita na carne sua condenação. […] Quarenta anos depois, minha tatuagem se tornou parte do meu corpo. Não me vanglorio dela nem me envergonho, não a exibo nem a escondo. Mostro-a de má vontade a quem me pede por pura curiosidade; prontamente e com ira, a quem se declara incrédulo. Muitas vezes os jovens me perguntam por que não a retiro, e isto me espanta: por que deveria? Não somos muitos no mundo a trazer esse testemunho.
LEVI, P. Os afogados e os sobreviventes. São Paulo/Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2016. p. 96-97.
No trecho acima, Primo Levi, italiano que sobreviveu aos campos de concentração nazistas, narra aspectos da sua experiência em Auschwitz que sintetizam um dos objetivos fundamentais dos campos de concentração. Esse objetivo diz respeito
Após a derrubada do presidente João Goulart, o Brasil se tornou importante base contrarrevolucionária e aliado estratégico da política dos Estados Unidos (EUA) na região, capacitando militares de outros países em cursos de ação contraguerrilheira, técnicas de interrogatório e métodos de repressão. Além de dar apoio permanente à ditadura do Paraguai, as ações mais ousadas do Brasil nesse período foram a participação no golpe de Estado que derrubou o governo do general Juan José Torres, na Bolívia, e a preparação do plano para invadir o Uruguai – denominado Operação 30 Horas - caso ocorresse a possibilidade de uma vitória eleitoral da Frente Ampla no processo eleitoral de 1971.
PADRÓS, E. S.; SIMÕES, S. A ditadura brasileira e o golpe de estado chileno. Outros Tempos, v. 10, n. 16, p. 233, 2013.
Com relação à política externa da ditadura civil-militar, considere as afirmações abaixo.
I - Atuou em consonância com os interesses políticos e econômicos dos Estados Unidos para exercer um controle sobre possíveis avanços das forças de esquerda no continente.
II - Manteve uma política neutra em relação às realizações de eleições democráticas nos países vizinhos, ainda que elas pudessem conduzir à vitória de partidos de esquerda.
III- Buscou uma aproximação com agentes repressivos dos países vizinhos como forma de monitorar as atividades de políticos brasileiros de oposição que se encontravam no exílio.
Quais estão corretas?
I - As redes sociais tiveram importância no compartilhamento de informações e na repercussão dos acontecimentos.
II - As manifestações ocorreram em países como Tunísia, Egito e Líbia.
III- A Tunísia é o único país no qual foi instalada uma ditadura após as manifestações.
Quais estão corretas?