Questões de Vestibular UEMA 2023 para Vestibular

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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728671 Português

Antônio Gonçalves Dias, filho de um comerciante português e de uma mestiça de negro com índio, nasceu em um sítio próximo à cidade maranhense de Caxias, em 1823. Além dos temas de amor, o poeta engajou-se com uma poética de cunho social, centrada, sobretudo, nas questões dos povos originários, ao enobrecer o indígena, em uma perspectiva do conhecido “Mito do bom selvagem”.


Leia as estrofes extraídas de “O Canto do Piaga” para responder à questão.


O CANTO DO PIAGA

I



Ó Guerreiros da Taba sagrada,

Ó Guerreiros da Tribo Tupi,

Falam Deuses nos cantos do Piaga,

Ó Guerreiros, meus cantos ouvi.


Esta noite - era a lua já morta –

Anhangá me vedava sonhar;

Eis na horrível caverna, que habito,

Rouca voz começou-me a chamar.


Abro os olhos, inquieto, medroso,

Manitôs! que prodígios que vi!

Arde o pau de resina fumosa,

Não fui eu, não fui eu, que o acendi!


Eis rebenta a meus pés um fantasma,

Um fantasma d’imensa extensão;

Liso crânio repousa a meu lado,

Feia cobra se enrosca no chão. 


O meu sangue gelou-se nas veias,

Todo inteiro - ossos, carnes – tremi.

Frio horror me coou pelos membros,

Frio vento no rosto senti.

Era feio, medonho, tremendo


Ó Guerreiros, o espectro que eu vi.

Falam Deuses nos cantos do Piaga,

Ó Guerreiros, meus cantos ouvi!

[...]

Vem trazer-vos crueza, impiedade –

Dons cruéis do cruel Anhangá;

Vem quebrar-vos a maça valente,

Profanar Manitôs, Maracás.


Vem trazer-vos algemas pesadas,

Com que a tribo Tupi vai gemer;

Hão-de os velhos servirem de escravos

Mesmo o Piaga inda escravo há de ser!


Fugireis procurando um asilo,

Triste asilo por ínvio sertão;

Anhangá de prazer há de rir-se,

Vendo os vossos quão poucos serão.


Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,

Susta as iras do fero Anhangá.

Manitôs já fugiram da Taba,

Ó desgraça! ó ruína!! ó Tupá!


DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. Belo Horizonte:Autêntica Ed.: 1998. 

Pode-se afirmar que, ao iniciar seu canto, o eu lírico confere ao Piaga
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728672 Português

Antônio Gonçalves Dias, filho de um comerciante português e de uma mestiça de negro com índio, nasceu em um sítio próximo à cidade maranhense de Caxias, em 1823. Além dos temas de amor, o poeta engajou-se com uma poética de cunho social, centrada, sobretudo, nas questões dos povos originários, ao enobrecer o indígena, em uma perspectiva do conhecido “Mito do bom selvagem”.


Leia as estrofes extraídas de “O Canto do Piaga” para responder à questão.


O CANTO DO PIAGA

I



Ó Guerreiros da Taba sagrada,

Ó Guerreiros da Tribo Tupi,

Falam Deuses nos cantos do Piaga,

Ó Guerreiros, meus cantos ouvi.


Esta noite - era a lua já morta –

Anhangá me vedava sonhar;

Eis na horrível caverna, que habito,

Rouca voz começou-me a chamar.


Abro os olhos, inquieto, medroso,

Manitôs! que prodígios que vi!

Arde o pau de resina fumosa,

Não fui eu, não fui eu, que o acendi!


Eis rebenta a meus pés um fantasma,

Um fantasma d’imensa extensão;

Liso crânio repousa a meu lado,

Feia cobra se enrosca no chão. 


O meu sangue gelou-se nas veias,

Todo inteiro - ossos, carnes – tremi.

Frio horror me coou pelos membros,

Frio vento no rosto senti.

Era feio, medonho, tremendo


Ó Guerreiros, o espectro que eu vi.

Falam Deuses nos cantos do Piaga,

Ó Guerreiros, meus cantos ouvi!

[...]

Vem trazer-vos crueza, impiedade –

Dons cruéis do cruel Anhangá;

Vem quebrar-vos a maça valente,

Profanar Manitôs, Maracás.


Vem trazer-vos algemas pesadas,

Com que a tribo Tupi vai gemer;

Hão-de os velhos servirem de escravos

Mesmo o Piaga inda escravo há de ser!


Fugireis procurando um asilo,

Triste asilo por ínvio sertão;

Anhangá de prazer há de rir-se,

Vendo os vossos quão poucos serão.


Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,

Susta as iras do fero Anhangá.

Manitôs já fugiram da Taba,

Ó desgraça! ó ruína!! ó Tupá!


DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. Belo Horizonte:Autêntica Ed.: 1998. 

No contexto poético, são versos que mais caracterizam enfaticamente o pavor do homem branco:
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728673 Português
Na década de 80, a canção Mulher (Sexo frágil) fez muito sucesso. Trata-se de uma declaração sobre a força feminina, que se vale do poder que as mulheres têm na relação com os homens. Ao mesmo tempo que a canção mostra a realidade de como a mulher é vista na sociedade, o eu lírico marca a posição de quão equivocada é essa perspectiva.
Mulher (Sexo frágil) Canção de Erasmo Carlos

Dizem que a mulher é o sexo frágil Mas que mentira absurda! Eu que faço parte da rotina de uma delas Sei que a força está com elas
Vejam como é forte a que eu conheço Sua sapiência não tem preço Satisfaz meu ego se fingindo submissa Mas no fundo me enfeitiça
Quando eu chego em casa à noitinha Quero uma mulher só minha Mas pra quem deu luz não tem mais jeito Porque um filho quer seu peito
O outro já reclama a sua mão E o outro quer o amor que ela tiver Quatro homens dependentes e carentes Da força da mulher   Mulher, mulher Do barro de que você foi gerada Me veio inspiração Pra decantar você nessa canção
Na escola em que você foi ensinada Jamais tirei um dez Sou forte mas não chego aos seus pés
Mulher, mulher Mulher, mulher

https://www.letras.mus.br/erasmo-carlos/  
A letra da canção deixa transparecer o machismo vigente na sociedade. Essa assertiva está comprovada nos seguintes versos:
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728674 Literatura
Leia, agora, um fragmento do poema A Leviana, de Gonçalves Dias para responder à questão.

 
És engraçada e formosa
Como a rosa,
Como a rosa em mês d'Abril;
És como a nuvem doirada
Deslizada,
Deslizada em céus d'anil.

Tu és vária e melindrosa,
Qual formosa
Borboleta num jardim,
Que as flores todas afaga,
E divaga
Em devaneio sem fim.

És pura, como uma estrela
Doce e bela,
Que treme incerta no mar:
Mostras nos olhos tua alma
Terna e calma,
Como a luz d'almo luar.
 
Tuas formas tão donosas,
Tão airosas,
Formas da terra não são;
Pareces anjo formoso,
Vaporoso,
Vindo da etérea mansão.

Assim, beijar-te receio, Contra o seio
Eu tremo de te apertar:
Pois me parece que um beijo É sobejo
Para o teu corpo quebrar. [...]

DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. Belo Horizonte:Autêntica Ed.: 1998.
A leitura comparativa do poema de Gonçalves Dias e da canção de Erasmo Carlos, quanto à figura da mulher e seu papel na sociedade, indica que a mulher,
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728675 Português
Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

O conto Maria serve de base para responder à questão.


MARIA

    Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
[...]
 
    Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
[...]

    O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
[...]

    Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

— Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

    Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

    Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
No início do conto, primeiro parágrafo, a personagem Maria não é definida, nem apresentada ao leitor, porque o enunciador tem a expectativa de
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728676 Português
Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

O conto Maria serve de base para responder à questão.


MARIA

    Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
[...]
 
    Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
[...]

    O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
[...]

    Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

— Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

    Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

    Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
“Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Por que não podia ser de outra forma? Por que não podiam ser felizes?”
Essa passagem inicia uma sequência que caracteriza a
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728677 Português
Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

O conto Maria serve de base para responder à questão.


MARIA

    Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
[...]
 
    Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
[...]

    O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
[...]

    Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

— Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

    Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

    Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
Em “Ouviu uma voz: negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois.” e “Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!...” , a seleção vocabular dos fragmentos revela, com veemência, por parte dos demais personagens da cena narrada, uma atitude (de)
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728678 Português
Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

O conto Maria serve de base para responder à questão.


MARIA

    Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
[...]
 
    Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
[...]

    O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
[...]

    Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

— Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

    Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

    Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
As palavras denotativas, modernamente, são consideradas marcadores discursivos, que contribuem para a coesão, a ligação entre as partes do texto.
No trecho “Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher.”, a função semântica do termo sublinhado é
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728679 Português
Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água.

O conto Maria serve de base para responder à questão.


MARIA

    Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos.
[...]
 
    Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também.
[...]

    O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos?
[...]

    Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira:

— Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos...

    Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão?

    Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado.

Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho.


EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
A linguagem tem funções que levam em consideração a intencionalidade do emissor, o que pode ser exemplificado na cena final do conto que, apesar de retratar uma situação que se poderia tornar manchete de jornal, portanto referencial, leva o leitor a observar
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728680 Português
Sobre a charge da venezuelana Suprani, analise as seguintes assertivas e julgue aquelas que são verdadeiras.

I) A expressão fisionômica da noiva, imagem à direita, é de surpresa em relação à imagem refletida no espelho, à esquerda.
II) A imagem da noiva e seu reflexo descrevem, de forma precisa, as relações humanas em tempos globalizados.
III) A charge apresenta uma crítica social contundente ao papel da mulher na sociedade.
IV) A imagem, ao fazer uma crítica social, celebra as posições invertidas da mulher na sociedade.
V) A charge desnuda, de forma crítica, o sonho do casamento e a realidade de estar casada.

Estão corretas, apenas, as seguintes assertivas:
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728681 Literatura
Jorge Amado de Faria, autor de vasta obra literária, adotou como temas principais a miséria, as relações sociais e humanas do povo da Bahia. Dentre suas obras cita-se Mar morto, incluído nas crônicas de costumes.
Mar morto, de Jorge Amado, difere do Mar morto, localizado no Oriente Médio, caracterizado por sua alta salinidade, o que impede quase toda a forma de vida naquele lago. Em contrapartida, no romance, os impedimentos existentes são de ordem social e enigmática. Nessa obra, o autor enfoca
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728682 Literatura
Em Mar morto, ambiente predominantemente masculino, as personagens femininas adquirem vida própria. Considerando as características de bravura e de persistência, destaca-se a seguinte personagem:
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728683 Português
A tese defendida pela articulista pode ser atestada na seguinte premissa:
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728684 Português
Entre as diferentes estratégias de argumentação utilizadas na construção do artigo de opinião, destaca-se, de forma proeminente, a
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728685 Português
Há relação semântica adequada nas ideias expressas entre os seguintes trechos:
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728686 Inglês

This text refers to question.


Sprowston mother in stand-off with school over bullying

                                     By David HannantDHannant87Specialist reporter: health and education



A Sprowston mother is locked in a stand-off with her daughter's school after keeping her at home for the past six weeks to avoid what she describes as "brutal" bullying.


Rebecca Everson says the treatment her 12-year-old daughter Phoebe suffers has become so severe that the youngster has been left "a shell of a girl".


She says the Year 8 Sprowston Community Academy pupil is subjected to cruel messages on social media platforms like Whatsapp, Instagram and Snapchat and has abuse hurled at her by classmates regularly.


After raising her concerns with school leaders, Ms. Everson said her daughter's issues only got worse so for the past six weeks she has refused to send her in. However, she now claims the school is threatening her with fines over Phoebe's attendance record.


She said: "The bullying Phoebe has suffered has been awful. They send her messages calling her every name under the sun. It is brutal.


"I have rung the school and told them she does not feel safe at school and requested work to be sent home for her, but they have done nothing."


Ms. Everson the issue started in October last year, which she reported to Phoebe's teachers.


She said: "The school said they would talk to the girls involved, but when they did it just aggravated the situation.


"Some of the girls involved in the cyberbullying attend other schools nearby too, so moving schools is just not viable.


"Phoebe is a shell of the girl she was before this all began. She has done nothing to deserve this but now she's terrified to even go to school.


"I just feel like I'm going around and around in circles trying to get something done - it's terribly awful."


Sprowston Community Academy was approached for comment but said the school was unable to comment on individual cases.



Sprowston mother in stand-off with school over bullying | Extract taken from Eastern Daily Press (edp24.co.uk) and slightly modified.

Based on Phoebe’s mother complaining about her suffering bullying daughter, one can say that, after such a negative experience, Phoebe
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728687 Inglês

This text refers to question.


Sprowston mother in stand-off with school over bullying

                                     By David HannantDHannant87Specialist reporter: health and education



A Sprowston mother is locked in a stand-off with her daughter's school after keeping her at home for the past six weeks to avoid what she describes as "brutal" bullying.


Rebecca Everson says the treatment her 12-year-old daughter Phoebe suffers has become so severe that the youngster has been left "a shell of a girl".


She says the Year 8 Sprowston Community Academy pupil is subjected to cruel messages on social media platforms like Whatsapp, Instagram and Snapchat and has abuse hurled at her by classmates regularly.


After raising her concerns with school leaders, Ms. Everson said her daughter's issues only got worse so for the past six weeks she has refused to send her in. However, she now claims the school is threatening her with fines over Phoebe's attendance record.


She said: "The bullying Phoebe has suffered has been awful. They send her messages calling her every name under the sun. It is brutal.


"I have rung the school and told them she does not feel safe at school and requested work to be sent home for her, but they have done nothing."


Ms. Everson the issue started in October last year, which she reported to Phoebe's teachers.


She said: "The school said they would talk to the girls involved, but when they did it just aggravated the situation.


"Some of the girls involved in the cyberbullying attend other schools nearby too, so moving schools is just not viable.


"Phoebe is a shell of the girl she was before this all began. She has done nothing to deserve this but now she's terrified to even go to school.


"I just feel like I'm going around and around in circles trying to get something done - it's terribly awful."


Sprowston Community Academy was approached for comment but said the school was unable to comment on individual cases.



Sprowston mother in stand-off with school over bullying | Extract taken from Eastern Daily Press (edp24.co.uk) and slightly modified.

The English grammar has been established by the usage of strict rules along the time. The following group of options has been used under the same core grammar fundament EXCEPT one. It is the option in letter
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728688 Inglês
This text refers to question.


Wangari Maathai

TEXTO_18-19.png (176×233)

        Wangari Maathai, in full Wangari Muta Maathai, (born April 1, 1940, Nyeri, Kenya—died September 25, 2011, Nairobi), Kenyan politician and environmental activist who was awarded the 2004 Nobel Prize for Peace, becoming the first Black African woman to win a Nobel Prize.

        Maathai was educated in the United States at Mount St. Scholastica College (1964) and at the University of Pittsburgh (M.S., 1966). In 1971 she received a Ph.D. at the University of Nairobi, effectively becoming the first woman in either East or Central Africa to earn a doctorate.

        Maathai developed the idea that village women could improve the environment by planting trees to provide a fuel source and to slow the processes of deforestation and desertification. The Green Belt Movement, an organization she founded in 1977, had by the early 21st century planted some 30 million trees. Leaders of the Green Belt Movement established the Pan African Green Belt Network in 1986 in order to educate world leaders about conservation and environmental improvement.

        In addition to her conservation work, Maathai was elected to Kenya’s National Assembly in 2002 with 98 percent of the vote, and in 2003 she was appointed assistant minister of environment, natural resources, and wildlife. When she won the Nobel Prize in 2004, the committee commended her “holistic approach to sustainable development that embraces democracy, human rights, and women’s rights in particular.” She published an autobiography, Unbowed, in 2007. Another volume, The Challenge for Africa (2009), criticized Africa’s leadership as ineffectual and urged Africans to try to solve their problems without Western assistance. Maathai was a frequent contributor to international publications such as the Los Angeles Times and the Guardian.

Wangari Maathai | Extract taken from Biography, Nobel Peace Prize, Books, Green Belt Movement, & Facts | Britannica
Wangari Maathai developed a project to improve the environment. If they fail the main goal of this project, one would have, as a consequence
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728689 Inglês
This text refers to question.


Wangari Maathai

TEXTO_18-19.png (176×233)

        Wangari Maathai, in full Wangari Muta Maathai, (born April 1, 1940, Nyeri, Kenya—died September 25, 2011, Nairobi), Kenyan politician and environmental activist who was awarded the 2004 Nobel Prize for Peace, becoming the first Black African woman to win a Nobel Prize.

        Maathai was educated in the United States at Mount St. Scholastica College (1964) and at the University of Pittsburgh (M.S., 1966). In 1971 she received a Ph.D. at the University of Nairobi, effectively becoming the first woman in either East or Central Africa to earn a doctorate.

        Maathai developed the idea that village women could improve the environment by planting trees to provide a fuel source and to slow the processes of deforestation and desertification. The Green Belt Movement, an organization she founded in 1977, had by the early 21st century planted some 30 million trees. Leaders of the Green Belt Movement established the Pan African Green Belt Network in 1986 in order to educate world leaders about conservation and environmental improvement.

        In addition to her conservation work, Maathai was elected to Kenya’s National Assembly in 2002 with 98 percent of the vote, and in 2003 she was appointed assistant minister of environment, natural resources, and wildlife. When she won the Nobel Prize in 2004, the committee commended her “holistic approach to sustainable development that embraces democracy, human rights, and women’s rights in particular.” She published an autobiography, Unbowed, in 2007. Another volume, The Challenge for Africa (2009), criticized Africa’s leadership as ineffectual and urged Africans to try to solve their problems without Western assistance. Maathai was a frequent contributor to international publications such as the Los Angeles Times and the Guardian.

Wangari Maathai | Extract taken from Biography, Nobel Peace Prize, Books, Green Belt Movement, & Facts | Britannica
The underlined words environmental (3rd par.), National (4th par.), and natural (4th par.), according to the english morphology, are respectively
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Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728690 Inglês
This text refers to question.


P U R E Z A

TEXTO20.png (177×152)

Mrs. Pureza’s son, Abel, left Maranhão with great plans, but ended up as a victim of modern slavery inside a farm in the southeast of Pará. Similar stories are shared by many workers coming from different Brazilian states, mostly in the Northeast of the country, such as Maranhão, Piauí, Ceará and Bahia. The protagonists of many of these stories end up becoming numbers, or not even that, they simply “disappeared into the world”.

With the lack of news from her son, Pureza did not observe this situation inertly, but instead waged a colossal struggle, probably much greater and more complex than she could have imagined when she started the three-year journey in search of her son.

Clues led Pureza to a farm where she was able to unmask a major modern slavery scheme. With immense courage, she was able to change not only the life of her son but also lives connected to several other families and friends, bringing into focus the violation of human rights happening openly in Pará. A region that has been made invisible on the national scene and even more ignored on an international scale.

LIMA, Ana Rosa de. Extract taken from Recommendation: Pureza (movie) – Meli (meli-bees.org). Accessed on June 6th. Text slightly modified
Based on the reading of this extract as well as the other two triggered texts in this English Test, one can affirm that the main common linking-points among them is that they
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Respostas
1: B
2: E
3: C
4: B
5: D
6: A
7: B
8: E
9: D
10: C
11: C
12: E
13: B
14: B
15: A
16: E
17: D
18: C
19: A
20: B