Questões de Vestibular UFPR 2023 para Prova de Conhecimentos Gerais

Foram encontradas 6 questões

Ano: 2023 Banca: NC-UFPR Órgão: UFPR Prova: NC-UFPR - 2023 - UFPR - Prova de Conhecimentos Gerais |
Q3264144 Literatura
Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, abre-se com falas dos personagens Johann e Bertran:

— Silêncio, moços! acabai com essas cantilenas horríveis! Não vedes que as mulheres dormem ébrias, macilentas como defuntos? Não sentis que o sono da embriaguez pesa negro naquelas pálpebras onde a beleza cinzelou os olhares da volúpia? — Cala-te, Johann! Enquanto as mulheres dormem e Arnold-o-loiro cambaleia e adormece murmurando as canções de orgia de Tieck, que música mais bela que o alarido da saturnal? Quando as nuvens correm negras no céu, como um bando de corvos errantes, e a lua desmaia, como a luz de uma lâmpada sobre a alvura de uma beleza que dorme, que melhor noite que a passada ao reflexo das taças?

AZEVEDO, Álvares de. Noite na Taverna. Lisboa: Tipografia de J.H. Verde, 1878, p. 1.

Em relação às histórias envolvendo os três personagens mencionados na abertura de Noite na Taverna, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Ano: 2023 Banca: NC-UFPR Órgão: UFPR Prova: NC-UFPR - 2023 - UFPR - Prova de Conhecimentos Gerais |
Q3264145 Literatura
Leia o trecho a seguir, retirado de A Falência:

“E tudo nela repugnava a Ruth: a estupidez, a humildade, a cor, a forma, o cheiro; mas percebera que também ali havia uma alma e sofrimento, e então, com lágrimas nos olhos, perguntava a Deus, ao grande Pai misericordioso, por que a criara, a ela, tão branca e tão bonita, e fizera com o mesmo sopro aquela carne de trevas, aquele corpo feio da Sancha imunda? Que reparasse aquela injustiça e alegrasse em felicidade perfeita o coração da negra.”

ALMEIDA, Júlia Lopes de. A Falência. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2019. p. 200.

Com base na leitura integral do livro de Júlia Lopes de Almeida e do fragmento destacado acima, assinale a alternativa correta.
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Ano: 2023 Banca: NC-UFPR Órgão: UFPR Prova: NC-UFPR - 2023 - UFPR - Prova de Conhecimentos Gerais |
Q3264146 Literatura
Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, apresenta o relato de sua vida na favela, na forma de um diário. Considerando o trecho seguinte e a integridade do livro, assinale a alternativa correta.

3 de fevereiro (1959) Tenho de dizer que não escrevi nos dias que decorreram porque eu fiquei doente. Vou recapitular o que ocorreu comigo nestes dias (...) A Fernanda veio e perguntou-me se eu sei onde está o cigano. É a mesma coisa que ela perguntar-me onde é a casa do vento. Disse que ele é muito bonito e que ela ia lá comprar pimenta só para vê-lo. Durante os dias que eu estive doente o senhor Manoel não me deixou sem dinheiro.

JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014. p. 159.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: NC-UFPR Órgão: UFPR Prova: NC-UFPR - 2023 - UFPR - Prova de Conhecimentos Gerais |
Q3264147 Literatura

Leia a “Lira XIV”, da primeira parte de Liras de Marília de Dirceu, de Tomás Antonio Gonzaga.


 Lira XIV


Minha bela Marília, tudo passa;

A sorte deste mundo é mal segura;

Se vem depois dos males a ventura,

Vem depois dos prazeres a desgraça,

Estão os mesmos Deuses

Sujeitos ao poder do ímpio Fado:

Apolo já fugiu do céu brilhante

Já foi Pastor de gado.


A devorante mão da negra Morte

Acaba de roubar o bem que temos

Até na triste campa não podemos

Zombar do braço da inconstante sorte;

Qual fica no Sepulcro,

Que seus avós ergueram, descansado;

Qual no campo, e lhe arranca os frios ossos

Ferro do torto arado.


Ah! enquanto os Destinos impiedosos

Não voltam contra nós a face irada,

Façamos, sim, façamos, doce amada,

Os nossos breves dias mais ditosos.

Um coração que, frouxo,

A grata posse de seu bem difere,

A si, Marília, a si próprio rouba,

E a si próprio fere.


Ornemos nossas testas com as flores

E façamos de feno um brando leito;

Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,

Gozemos do prazer de sãos Amores,

Sobre as nossas cabeças,

Sem que o possa deter, o tempo corre;

E para nós o tempo, que se passa,

Também, Marília, morre.


Com os anos, Marília, o gosto falta,

E se entorpece o corpo já cansado;

Triste, o velho cordeiro está deitado,

E o leve filho sempre alegre salta.

A mesma formosura

É dote que só goza a mocidade:

Rugam-se as faces, o cabelo alveja,

Mal chega a longa idade.


Que havemos d’esperar, Marília bela?

Que vão passando os florescentes dias?

As glórias, que vêm tarde, já vêm frias;

E pode enfim mudar-se a nossa estrela.

Ah! não, minha Marília,

Aproveite-se o tempo, antes que faça

O estrago de roubar ao corpo as forças,

E ao semblante a graça. 


GONZAGA, Tomás Antonio. Marília de Dirceu. Org.e edição de Melânia Silva de Aguiar. Rio de Janeiro: Garnier, 1992.



Considerando a lira, a integridade do livro e as características gerais do poeta, assinale a alternativa correta.  



Alternativas
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Q3264148 Literatura
A respeito de O livro das semelhanças, de Ana Martins Marques, considere as seguintes afirmativas:

1. A obra possui caráter explicitamente confessional, o que se materializa na forma dos poemas, que simulam registros de um diário pessoal.
2. O livro está dividido em quatro partes, “Livro”, “Cartografias”, “Visitas ao lugar-comum” e “O livro das semelhanças”, sendo a última a mais longa delas.
3. A seção intitulada “Livro” possui um aspecto metaliterário, organizando-se conforme a estrutura de um livro de poemas.
4. Os poemas desta obra se caracterizam pelo emprego de métrica e de esquemas de rimas regulares.

Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
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Q3264149 Literatura
Leia o seguinte trecho, do romance de Bernardo Carvalho:

Leusipo perguntou o que eu tinha ido fazer na aldeia. Preferi achar que o tom era amistoso e, no meu paternalismo ingênuo, comecei a lhe explicar o que era um romance. Ele não estava interessado. Queria saber o que eu tinha ido fazer na aldeia. Os velhos estavam preocupados, queriam saber por que eu vinha remexer no passado, e ele não gostava quando os velhos ficavam preocupados. Eu tentava convencê-lo de que não havia motivo para preocupação. Tudo o que eu queria saber já era conhecido. E ele me perguntava: “Então, por que você quer saber, se já sabe?”. Tentei lhe explicar que pretendia escrever um livro e mais uma vez o que era um romance, o que era um livro de ficção (e mostrava o que tinha nas mãos), que seria tudo historinha, sem nenhuma consequência na realidade. Ele seguia incrédulo. Fazia-se desentendido, mas na verdade só queria me intimidar. Eu estava entre irritado e amedrontado. Tinha vontade de mandar o índio à puta que o pariu, mas não podia me indispor com a aldeia. Se é que havia alguma coisa a descobrir (e Leusipo a me intimidar punha ainda mais lenha nessa minha fantasia), era preciso ser diplomático.

CARVALHO, Bernardo. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 85.

Com base no fragmento acima transcrito e na leitura integral de Nove noites, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Respostas
1: C
2: B
3: E
4: D
5: B
6: A