“Os pacientes do Hospital Colônia morriam de frio, de
fome, de doença. Morriam também de choque. Em alguns
dias, os eletrochoques eram tantos e tão fortes, que a
sobrecarga derrubava a rede do município. Nos períodos
de maior lotação, dezesseis pessoas morriam a cada dia.
Morriam de tudo — e também de invisibilidade. Ao
morrer, davam lucro. Entre 1969 e 1980, 1.853 corpos de
pacientes do manicômio foram vendidos para dezessete
faculdades de medicina do país, sem que ninguém
questionasse. Quando houve excesso de cadáveres e o
mercado encolheu, os corpos foram decompostos em
ácido, no pátio do Colônia, na frente dos pacientes, para
que as ossadas pudessem ser comercializadas. Nada se
perdia, exceto a vida. Pelo menos trinta bebês foram
roubados de suas mães.”
Fonte: ARBEX, Daniela. Holocausto brasileiro. São Paulo: Geração
Editorial, 2013.
O excerto do livro Holacausto brasileiro da jornalista
Daniela Arbex narra acontecimentos relacionados ao
chamado Holocausto brasileiro ocorridos ao longo da
maior parte do século 20 no Hospital Colônia, como era
chamado o maior hospício do Brasil na época, localizado
na cidade mineira de Barbacena. Sobre a história
brasileira no século 20, considerando o contexto político
e social da ditadura militar brasileira, é correto afirmar: