Questões de Vestibular
Sobre variação linguística em português
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Na formação da nossa sociedade, o mau regime alimentar decorrente da monocultura, por um lado, e por outro da inadaptação ao clima, agiu sobre o desenvolvimento físico e sobre a eficiência econômica do brasileiro no mesmo mau sentido do clima deprimente e do solo quimicamente pobre. A mesma economia latifundiária e escravocrata que tornou possível o desenvolvimento econômico do Brasil, sua relativa estabilidade em contraste com as turbulências nos países vizinhos, envenenou-o e perverteu-o nas suas fontes de nutrição e de vida. (FREYRE, 2003, p. 48).
Esse tipo de variação está evidenciado no seguinte texto: Zé ganhou um smartphone. O amigo perguntou: – E aí, Zé, o que você vai fazer com esse smartphone? Zé respondeu: – O fone vou ficar, e o smart vou dá pra mirmã pintá azunhas... (ZÉ ganhou... 2013).
Nos dois casos, há uma variação linguística, ou seja, o uso de formas diferentes para expressar o mesmo significado.
Quando cheguei em casa pude perceber qui os minino estavam meio duente e não pudiam ir pra iscola. Acho qui foi o pobrema da dengue. De modo que estou escreveno pra pidir a profesora pra num botar falta nos minino. Eu garanto qui eles estam realmente duente.
As construções linguísticas presentes nesse texto evidenciam que nenhuma norma pode ser considerada isoladamente, em função do continuum que se estabelece entre elas.

A análise do cartum permite afirmar:
Classificar algumas construções como erros, do tipo “num tamo achano manêro", implica uma avaliação valorativa, de acordo com os fatores sociais determinados pelas elites dominantes de uma sociedade.

A análise do cartum permite afirmar:
A partir do que o garoto diz, pode-se entender que há um choque linguístico entre o que é ensinado pela escola como norma padrão e a norma popular falada pelos alunos.

A análise do cartum permite afirmar:
As construções linguísticas usadas pelo garoto apontam para o fato de que a norma popular não consegue produzir um pensamento coerente, por isso a professora não entendeu o que o garoto disse.
Cada comunidade desenvolve uma norma linguística comum a todos os falantes e, por isso, compreendida por todos.
Em assim sendo, os falantes da Bahia somente conseguem entender o que é produzido linguisticamente pelos falantes de sua comunidade.
De acordo com Rajagopalan (1998, p. 41), “A identidade de um indivíduo se constrói na língua e através dela. Isso significa que o indivíduo não tem uma identidade fixa anterior e fora da língua. Além disso, a construção da identidade de um indivíduo na língua e através dela depende do fato de a própria língua em si ser uma atividade em evolução e vice-versa. Em outras palavras, as identidades da língua e do indivíduo têm implicações mútuas".
A identidade linguística assumida por um indivíduo é fixa porque não há evolução dos fenômenos linguísticos assumidos pelo grupo social do qual ele faz parte, ou seja, a forma de falar de determinados grupos mantém-se imutável, porque os elementos linguísticos que promovem a identidade desse grupo são fixos.
De acordo com Rajagopalan (1998, p. 41), “A identidade de um indivíduo se constrói na língua e através dela. Isso significa que o indivíduo não tem uma identidade fixa anterior e fora da língua. Além disso, a construção da identidade de um indivíduo na língua e através dela depende do fato de a própria língua em si ser uma atividade em evolução e vice-versa. Em outras palavras, as identidades da língua e do indivíduo têm implicações mútuas".
A partir dessas informações, é possível compreender que o indivíduo não escolhe uma identidade linguística, ao contrário, esta é imposta por uma língua, o que se reflete nas formas linguísticas usadas por falantes pertencentes a grupos sociais, como, por exemplo, os grafiteiros, os roqueiros, os professores, os religiosos ou os partidários políticos.
Marque C, se a proposição é certo; E, se a proposição é errado.
A variação que se encontra nesse cartum é do tipo diamésica.

Marque C, se a proposição é certo; E, se a proposição é errado.
A ideia presente nesse cartum não procede, visto que, se todos os brasileiros conseguem se entender em todo o país, não se pode defender que exista uma forma de falar exclusiva de determinado lugar.
Uma variação linguística pode ser diacrônica, ou seja, relacionada com a mudança de diferentes períodos dentro de uma mesma língua.
Esse tipo de variação está evidenciado no seguinte texto:
Zé ganhou um smartphone.
O amigo perguntou:
– E aí, Zé, o que você vai fazer com esse smartphone?
Zé respondeu:
– O fone vou ficar, e o smart vou dá pra mirmã pintá azunhas... (ZÉ ganhou... 2013)
No Rio Grande do Sul, diz-se: Hoje vai ter fuzarca.
Marque C, se a proposição é certo; E, se a proposição é errado.
Nos dois casos, há uma variação linguística, ou seja, o uso de formas diferentes para expressar o mesmo significado.
Apesar do contato linguístico entre diferentes povos na formação do português brasileiro, há um silêncio em relação à participação linguística de outros povos frente ao enaltecimento do português, o que se confirma no fato de, no Brasil, se falar a língua portuguesa.
(afr. = termo africano); (ind. = termo indígena)
Marque C, se a proposição é certo; E, se a proposição é errado.
A constituição histórica da língua portuguesa falada no Brasil aponta para o fato de que esse idioma entrou em contato com mais de 200 línguas africanas e mais de 1000 línguas indígenas, uma parte dessa contribuição pode ser identificada nesse texto.
(afr. = termo africano); (ind. = termo indígena)
Marque C, se a proposição é certo; E, se a proposição é errado.
O Brasil é considerado um país pluriétnico, o que se reflete nas construções linguísticas, conforme exemplificado nesse texto.
INF: Bem, e depois, meu pai faleceu, tinha eu treze anos. […] E então, daí, deu-se o caso, é claro, arrumei-me então à arte. Digo assim: "Bem, isto já não dá nada o campo, também". Arrumei-me à arte. Trabalhava, então, ali numa quinta do prado, ali em baixo. Trabalhei ali, à roda dos vinte anos, lá. Fazia um biscatito assim nos domingos, cá em casa, mas o mais trabalhava ali, assim de jorna. E depois então acabei por pôr loja por minha conta, até à data de hoje. Faço cinquenta e sete no dia quatorze de Junho. […] E então aqui vou fazendo aquilo que posso. O que não posso, é claro, digo logo que não posso; (Inf.1 – Castelo de Vide, Portugal). (BEM... 2013).
II
Olha, eu só compro à vista. Eu sou absolutamente contra a compra a crédito, não tenho por hábito fazer compra a crédito a não ser nas grandes coisas. Eu acho, por exemplo, pra comprar uma casa, aí é preciso (inint.) despender uma quantia tão grande assim pra comprar uma casa, então isso é válido. O automóvel ainda é mais ou menos válido, mas outras coisas eu não admito essa compra a crédito porque você fica sem controle daquilo que você tem. [...] Eu sou mulher de militar, a vida pra nós no começo foi dura e então nos restringíamos àquilo que ele recebia, o que nós recebíamos, porque eu também trabalhava. (Loc. 159 – Rio de Janeiro, Brasil). (OLHA... 2013).
Algumas construções sintáticas do português europeu, como se observa no uso do pronome átono, "deu-se", "arrumei-me", no texto I, indicam que essa variedade do português, mesmo na zona rural, apresenta rigor gramatical, o que deveria ser seguido pelos falantes do português do Brasil, em todas as áreas geográficas.
