Questões de Vestibular
Comentadas sobre sintaxe em português
Foram encontradas 870 questões
Leia o texto para responder à questão.
Nascer
Era manhã nova, quando ele telefonou:
— Aída Isabel acabou de nascer! No entressono, que sabia eu de Aída Isabel, como podia avaliar o ato de responsabilidade que ela cometera?
— Quem?
— Aída Isabel.
Agora mesmo!
— E é forte, bonita?
— Não sei não senhor. Ainda não pude ver.
Estranhei que a um pai fosse defeso* espiar sua filha. Explicou-me que o regulamento era dureza, mas ele daria um jeito. E de fato, mais tarde, comunicou-me que conhecera afinal Aída Isabel.
— Como é que você entrou?
— Por baixo. A dona da portaria estava de costas, lendo jornal, eu me agachei e passei juntinho dela, debaixo do balcão.
Sorria ao contá-lo, pois gosta dessas experiências marotas, e se pudesse ir ver a filha ao jeito comum, perderia o sabor.
— Era para ela chegar na semana passada, internei Lucinha no Hospital dos Servidores, à noite a criança cismou de atrasar, as dores pararam. Então o médico disse que carecia desocupar o leito, o funcionalismo está assim de menino fazendo fila para nascer. Voltamos para Olaria, desapontados. Na noite seguinte, acordamos com um estrondo, lá longe; os vidros da casa retiniram. Eu disse comigo: é agora. A explosão de Deodoro ajudou. Pedi a Lucinha que aguentasse firme até o dia clarear. Voltamos ao hospital, não havia vaga, mas eles foram camaradas, mandaram a gente para uma casa de saúde em Botafogo, negócio alinhado, valeu a pena. Só que não recebe visita. Pessoa da família nem nada.
(Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas. 2016)
(https://www.estadao.com.br/sao-paulo. Adaptado)
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Leia o texto para responder à questão.
A biodiversidade na Amazônia
Os 5.015.067,749 quilômetros quadrados da Amazônia brasileira abrigam uma enorme biodiversidade. Cientistas já classificaram cerca de 40.000 espécies vegetais, 3.000 peixes, 1.000 aves, 450 mamíferos, 400 anfíbios, 400 répteis e quase 130.000 invertebrados, e estima-se que ainda há várias espécies desconhecidas.
Todos os seres vivos fazem parte de uma cadeia e desempenham uma função. Diferentes animais são essenciais para a polinização e contribuem para a dispersão de sementes, por exemplo, favorecendo a regeneração em outras áreas e o plantio natural de florestas. As plantas podem abrigar outras espécies e servir de alimento para animais herbívoros, que por sua vez também podem ser alimentos para tantos outros. Em um sistema com grande biodiversidade, ou seja, com tamanha diversidade de espécies, como na Amazônia, essas relações são muito ricas e complexas.
Alterar um sistema natural pode trazer desequilíbrio à densidade populacional das espécies e acarretar tanto o aparecimento de pragas, dada a remoção de espécies predadoras, quanto conflitos entre fauna e humanos, devido à escassez de presas.
As pragas podem invadir lavouras, infestar áreas urbanas e transmitir doenças para nós, humanos. A escassez de presas pode levar grandes espécies predadoras a buscar alimentos entre as criações nas fazendas, por exemplo.
Além disso, a biodiversidade nos oferece recursos, tais como medicamentos, que podem ser desenvolvidos tanto a partir de venenos de animais quanto a partir de plantas. Perder biodiversidade é, portanto, perder uma riqueza que ainda nem conhecemos completamente.
(Ulisses Galatti e Tainá Oliveira Assis.
https://amazonia.exame.com/biodiversidades. Adaptado)
Sem prejuízo ao sentido original do texto, a passagem pode ser reescrita da seguinte forma:
Leia o texto para responder à questão.
A biodiversidade na Amazônia
Os 5.015.067,749 quilômetros quadrados da Amazônia brasileira abrigam uma enorme biodiversidade. Cientistas já classificaram cerca de 40.000 espécies vegetais, 3.000 peixes, 1.000 aves, 450 mamíferos, 400 anfíbios, 400 répteis e quase 130.000 invertebrados, e estima-se que ainda há várias espécies desconhecidas.
Todos os seres vivos fazem parte de uma cadeia e desempenham uma função. Diferentes animais são essenciais para a polinização e contribuem para a dispersão de sementes, por exemplo, favorecendo a regeneração em outras áreas e o plantio natural de florestas. As plantas podem abrigar outras espécies e servir de alimento para animais herbívoros, que por sua vez também podem ser alimentos para tantos outros. Em um sistema com grande biodiversidade, ou seja, com tamanha diversidade de espécies, como na Amazônia, essas relações são muito ricas e complexas.
Alterar um sistema natural pode trazer desequilíbrio à densidade populacional das espécies e acarretar tanto o aparecimento de pragas, dada a remoção de espécies predadoras, quanto conflitos entre fauna e humanos, devido à escassez de presas.
As pragas podem invadir lavouras, infestar áreas urbanas e transmitir doenças para nós, humanos. A escassez de presas pode levar grandes espécies predadoras a buscar alimentos entre as criações nas fazendas, por exemplo.
Além disso, a biodiversidade nos oferece recursos, tais como medicamentos, que podem ser desenvolvidos tanto a partir de venenos de animais quanto a partir de plantas. Perder biodiversidade é, portanto, perder uma riqueza que ainda nem conhecemos completamente.
(Ulisses Galatti e Tainá Oliveira Assis.
https://amazonia.exame.com/biodiversidades. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
A biodiversidade na Amazônia
Os 5.015.067,749 quilômetros quadrados da Amazônia brasileira abrigam uma enorme biodiversidade. Cientistas já classificaram cerca de 40.000 espécies vegetais, 3.000 peixes, 1.000 aves, 450 mamíferos, 400 anfíbios, 400 répteis e quase 130.000 invertebrados, e estima-se que ainda há várias espécies desconhecidas.
Todos os seres vivos fazem parte de uma cadeia e desempenham uma função. Diferentes animais são essenciais para a polinização e contribuem para a dispersão de sementes, por exemplo, favorecendo a regeneração em outras áreas e o plantio natural de florestas. As plantas podem abrigar outras espécies e servir de alimento para animais herbívoros, que por sua vez também podem ser alimentos para tantos outros. Em um sistema com grande biodiversidade, ou seja, com tamanha diversidade de espécies, como na Amazônia, essas relações são muito ricas e complexas.
Alterar um sistema natural pode trazer desequilíbrio à densidade populacional das espécies e acarretar tanto o aparecimento de pragas, dada a remoção de espécies predadoras, quanto conflitos entre fauna e humanos, devido à escassez de presas.
As pragas podem invadir lavouras, infestar áreas urbanas e transmitir doenças para nós, humanos. A escassez de presas pode levar grandes espécies predadoras a buscar alimentos entre as criações nas fazendas, por exemplo.
Além disso, a biodiversidade nos oferece recursos, tais como medicamentos, que podem ser desenvolvidos tanto a partir de venenos de animais quanto a partir de plantas. Perder biodiversidade é, portanto, perder uma riqueza que ainda nem conhecemos completamente.
(Ulisses Galatti e Tainá Oliveira Assis.
https://amazonia.exame.com/biodiversidades. Adaptado)
De acordo com as regras de regência verbal, os verbos destacados nesta frase funcionam, respectivamente, como:
Sintaticamente, é correto afirmar que, nesta frase:
A expressão destacada na frase trata-se de uma oração:
Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Cada competência traz a proposta de um aluno ativo, que consegue não apenas compreender e reconhecer a importância do que foi aprendido, mas, principalmente, refletir sobre como ocorre a construção do conhecimento, conquistando autonomia para estudar e aprender em diversos contextos, inclusive fora da escola.
Disponível em: https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/5/competencia-1-conhecimento. Acesso em: 30 mar. 2025.
A respeito do vocábulo “que” no contexto: “Cada competência traz a proposta de um aluno ativo, que consegue não apenas compreender e reconhecer a importância...”, assinale a alternativa correta.
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Pra sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus
[...]
Disponível em: https://www.letras.mus.br/adriana-calcanhotto/43856/. Acesso em: 28 mar. 2025.
Com base na construção dos versos: “Prestando atenção em cores / Que eu não sei o nome”, da música Esquadros, de Adriana Calcanhotto, e, considerando a estrutura morfossintática, dadas as afirmativas,
I. Como acontece com as orações relativas-padrão, houve nos versos em questão uma drástica alteração da ordem “antecedente - preposição - consequente”.
II. Pelas regras da norma-padrão, a autora deveria ter usado uma adequada preposição no verso: “Que eu não sei o nome”.
III. O verso: “Que eu não sei o nome” poderia ser substituído, sem prejuízos semânticos, por: “Das quais eu não sei o nome”.
verifica-se que está/ão correta/s
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma, me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver
Disponível em: https://www.letras.mus.br/marisa-monte/47268/. Acesso em: 28 mar. 2025.
Dadas as afirmativas acerca do pronome em destaque nos versos: “Deixa eu dizer que te amo / Deixa eu pensar em você”,
I. Evidencia-se, nos versos, a prática da maioria dos falantes do português brasileiro (de todas as regiões, de todos os níveis de escolaridade) em usar os pronomes pessoais retos para exercer as funções sintáticas: objeto direto do primeiro verbo e sujeito do segundo.
II. Nota-se uma tendência cada vez mais acentuada que leva o português do Brasil a preferir usar o pronome sujeito (reto) quando a norma-padrão conservadora cobra um pronome-objeto (oblíquo).
III. Nos versos, há um fenômeno sintático que, na tradição gramatical, recebe o nome de sujeito acusativo, usado praticamente pelos falantes incultos brasileiros.
verifica-se que está/ão correta/s
“A influenciadora, que nunca se considerou uma corredora, encontrou prazer na corrida ao se permitir ser mais lenta, superando a pressão do desempenho.”
Na oração em destaque, a colocação pronominal justifica‑se pela
“Os médicos permitiram que Raquel participasse da maratona do Rio de Janeiro, já que o tratamento começaria algumas semanas depois.”
Considerando a gramática normativa, assinale a alternativa que apresenta a reescrita desse trecho sem que haja alteração do sentido original.
INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão.
TEXTO I
Inovação em saúde: os caminhos da evolução
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta o desafio de atender mais de 140 milhões de pessoas com recursos limitados, o que impulsiona a busca por inovação. Contudo, apesar dos investimentos em tecnologias “revolucionárias” como inteligência artificial para diagnósticos ou blockchain para prontuários, muitas dessas soluções fracassam na prática.
Esse insucesso não é exclusivo do Brasil, sendo um padrão global onde a tecnologia perfeita falha devido à implementação inadequada. Como afirmou Atul Gawande, “a maior barreira para a inovação em saúde não é a tecnologia, mas sua adoção”.
Com base em quase uma década de experiência em tecnologia na saúde brasileira, identificamos cinco verdades ignoradas por quem propõe “ideias disruptivas”.
A primeira delas é que a saúde avança na velocidade da confiança, não da inovação. Profissionais de saúde têm receio de errar em algo que pode custar vidas, exigindo validação científica e segurança para pacientes. No Brasil, essa barreira é maior devido ao acesso desigual à informação e à desconfiança institucional. Eric Topol resume: “Não se trata de resistência à mudança. Trata‑se de cautela diante de algo que mexe com vidas”.
Em segundo lugar, a integração sempre vence a inovação. Uma ferramenta, por mais genial que seja, será abandonada se não se integrar aos sistemas existentes do SUS, prontuários eletrônicos ou ao fluxo de trabalho dos profissionais. Leana Wen compara: “Tecnologia que não se encaixa no dia a dia do profissional é como uma receita médica que ninguém segue”.
O terceiro ponto é que o “fator legal” não define o sucesso, mas o uso real sim. Um aplicativo pode ser impressionante em demonstrações, mas se os usuários reais — enfermeiros, técnicos, médicos — o considerarem difícil de usar, não o adotarão. Clayton Christensen defende: “As melhores inovações não são as mais complexas, mas as que resolvem problemas reais, de forma simples e eficaz”.
Um quarto fator a se considerar é que o reembolso define tudo. Mesmo a melhor plataforma de telemedicina será ignorada se não houver um código de cobrança reconhecido por órgãos reguladores ou operadoras de planos de saúde. David Blumenthal afirma: “Nenhuma inovação sobrevive sem um modelo financeiro claro. A saúde não é uma startup de apps sociais”.
Por fim, as lideranças clínicas são o motor da mudança. É essencial ter aliados internos — médicos, enfermeiros, coordenadores engajados. Eles só se envolvem se a tecnologia resolver um problema real e imediato. Danielle Ofri destaca: “Os médicos não resistem à tecnologia. Resistem a tecnologias que tornam seu trabalho mais difícil”.
A lição para o Brasil é que devemos focar em soluções evolutivas que respeitem o ritmo e as necessidades do sistema existente. Inovações devem ser construídas com os profissionais de saúde, priorizando integração e simplicidade e com um modelo de negócios sustentável.
CERRI, Giovanni Guido; MORAES, Fabio Ynoe de. Inovação em saúde: os caminhos da evolução. Folha de S.Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/07/inovacao-em-saude-oscaminhos-da-evolucao.shtml. Acesso em: 2 set. 2025 (adaptado).
“A lição para o Brasil é que devemos focar em soluções evolutivas que respeitem o ritmo e as necessidades do sistema existente.”
A função da oração subordinada em destaque no período é
Texto para a questão.

Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 1ª ed. São
Paulo: Penguin Classics, Companhia das Letras, 2014 (originalmente
publicado em folhetins a partir de 1880).