Questões de Vestibular Comentadas sobre português

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Ano: 2011 Banca: UFGD Órgão: UFGD Prova: UFGD - 2011 - UFGD - Vestibular - Prova 1 |
Q1265644 Português
Considere as normas da língua portuguesa padrão e assinale a alternativa em que NÃO ocorre inadequação.
Alternativas
Ano: 2011 Banca: UFGD Órgão: UFGD Prova: UFGD - 2011 - UFGD - Vestibular - Prova 1 |
Q1265643 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


    [...] Se concordamos em considerar a proposição como um nome, é evidente que todo nome que designa um objeto pode se tornar objeto de um novo nome que designa seu sentido: n1 sendo dado remete a n2 que designa o sentido de n1, n2 a n3 etc. para cada um de seus nomes, a linguagem deve conter um nome para o sentido deste nome. Esta proliferação infinita das entidades verbais é conhecida como paradoxo de Frege. Mas é também o paradoxo de Lewis Carroll. Ele aparece rigorosamente do outro lado do espelho, no encontro de Alice com o cavaleiro. O cavaleiro anuncia o título da canção que vai cantar ''O nome da canção é Olhos esbugalhados‖ – ''Oh, é o nome da canção?'', diz Alice – ''Não, você não compreendeu, diz o cavaleiro. É como o nome é chamado. O Verdadeiro nome é: O Velho, o velho homem‖ – ''Então eu deveria ter dito: é assim que a canção é chamada?'' corrigiu Alice, - ''Não, não deveria: trata-se de coisa bem diferente. A canção é chamada Vias e meios. Mas isto é somente como ela é chamada, compreendeu?'' – ''Mas então, o que é que ela é?'' – ''Já chego aí, diz o cavaleiro, a canção é na realidade Sentado sobre uma barreira''.

(DELEUZE, Gilles. Lógica do Sentido. Editora Perspectiva: São Paulo, 1974. P. 32).

Avalie as afirmações a seguir.
I. No contexto do diálogo de Alice, ''Vias e meios'' e ''Sentado sobre uma barreira‖ designam a mesma canção. II. A expressão ''Sentado sobre uma barreira'' é ambígua, e pode-se referir a uma barreira física ou a um sentido figurado. Como neste caso, toda ambiguidade se deve à existência de substantivos polissêmicos. III. A relação entre as expressões ''O Velho, o velho homem'' e ''Olhos Esbugalhados'' é similar à que ocorre entre as expressões ''Brasil'' e ''Terra em que tudo dá''.
Assinale a alternativa que apresenta afirmações corretas. 
Alternativas
Ano: 2011 Banca: UFGD Órgão: UFGD Prova: UFGD - 2011 - UFGD - Vestibular - Prova 1 |
Q1265642 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


    [...] Se concordamos em considerar a proposição como um nome, é evidente que todo nome que designa um objeto pode se tornar objeto de um novo nome que designa seu sentido: n1 sendo dado remete a n2 que designa o sentido de n1, n2 a n3 etc. para cada um de seus nomes, a linguagem deve conter um nome para o sentido deste nome. Esta proliferação infinita das entidades verbais é conhecida como paradoxo de Frege. Mas é também o paradoxo de Lewis Carroll. Ele aparece rigorosamente do outro lado do espelho, no encontro de Alice com o cavaleiro. O cavaleiro anuncia o título da canção que vai cantar ''O nome da canção é Olhos esbugalhados‖ – ''Oh, é o nome da canção?'', diz Alice – ''Não, você não compreendeu, diz o cavaleiro. É como o nome é chamado. O Verdadeiro nome é: O Velho, o velho homem‖ – ''Então eu deveria ter dito: é assim que a canção é chamada?'' corrigiu Alice, - ''Não, não deveria: trata-se de coisa bem diferente. A canção é chamada Vias e meios. Mas isto é somente como ela é chamada, compreendeu?'' – ''Mas então, o que é que ela é?'' – ''Já chego aí, diz o cavaleiro, a canção é na realidade Sentado sobre uma barreira''.

(DELEUZE, Gilles. Lógica do Sentido. Editora Perspectiva: São Paulo, 1974. P. 32).

Levando em consideração a leitura do texto acima, selecione a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2011 Banca: UFGD Órgão: UFGD Prova: UFGD - 2011 - UFGD - Vestibular - Prova 1 |
Q1265640 Português
Leia o texto “O espetáculo nunca para”, de Vilma Gryzinski, para responder à questão.

         Até depois de morto Michael Jackson continua a provocar a escândalos
   
    Todo mundo em Hollywood e adjacências sabe: quem tem dinheiro consegue qualquer coisa de médicos desvirtuados. Michael Jackson conseguiu até uma mãe para dois de seus filhos, Prince e Paris (a linhagem materna do menor continua misteriosa). Debbie Rowe era enfermeira do dermatologista Arnold Kelin, que tratava do vitiligo e do branqueamento do cantor, quando foi promovida a barriga de aluguel. Um julgamento momentoso agora tenta determinar quem foi o responsável pela morte precoce de Jackson, em junho de 2009. O acusado de homicídio culposo é o cardiologista Conrad Murray, contratado como médico particular para dopar o cantor com o anestésico propofol, de uso exclusivo em procedimentos hospitalares, mas informalmente receitado aos ricos e insones como último recurso. Murray alega que, sem seu conhecimento, o cantor continuava a receber do velho Klein doses viciantes de Demerol. Não conseguia dormir nem com anestesia na veia por causa desse acachapante analgésico similar à morfina. É possível que esteja com a razão – assim como é possível que sua própria e inaceitável conduta médica tenha condenado o cantor. Um segurança já testemunhou que Murray mandou tirar frascos de medicamento do quarto de Michael Jackson antes mesmo de ligar para a emergência. Naqueles momentos dramáticos, Prince e Paris chegaram a entrar no quarto – chorando, a menina gritou: ―Papai‖. Ele já estava com a morte estampada no rosto, exatamente como na chocante foto, reminiscente de quadros de grandes mestres mostrando o Cristo morto, divulgada pela promotoria para enfatizar a acusação contra Murray. Todo mundo em Hollywood e adjacências sabe que julgamento envolvendo celebridades pode significar fama e dinheiro para muita gente, inclusive promotores exibicionistas.

(GRYZINSKI, Vilma. In. Veja, Ed. 2237, p. 49, 5 de outubro de 2011. A imagem foi retirada)
Avalie as afirmativas seguintes.
I. Em ''Até depois de morto Michael Jackson continua a provocar escândalos'', a forma verbal em destaque instaura um pressuposto.  II. Michael Jackson tem apenas dois filhos, Prince e Paris. III. Conrad Murray foi responsável pela morte precoce do cantor. IV. Debbie Rowe, Arnold Kelin e Conrad Murray teriam sido corrompidos pelo dinheiro de Jackson. 
Estão corretas apenas as afirmações em
Alternativas
Ano: 2011 Banca: UFGD Órgão: UFGD Prova: UFGD - 2011 - UFGD - Vestibular - Prova 1 |
Q1265639 Português
Leia o texto “O espetáculo nunca para”, de Vilma Gryzinski, para responder à questão.

         Até depois de morto Michael Jackson continua a provocar a escândalos
   
    Todo mundo em Hollywood e adjacências sabe: quem tem dinheiro consegue qualquer coisa de médicos desvirtuados. Michael Jackson conseguiu até uma mãe para dois de seus filhos, Prince e Paris (a linhagem materna do menor continua misteriosa). Debbie Rowe era enfermeira do dermatologista Arnold Kelin, que tratava do vitiligo e do branqueamento do cantor, quando foi promovida a barriga de aluguel. Um julgamento momentoso agora tenta determinar quem foi o responsável pela morte precoce de Jackson, em junho de 2009. O acusado de homicídio culposo é o cardiologista Conrad Murray, contratado como médico particular para dopar o cantor com o anestésico propofol, de uso exclusivo em procedimentos hospitalares, mas informalmente receitado aos ricos e insones como último recurso. Murray alega que, sem seu conhecimento, o cantor continuava a receber do velho Klein doses viciantes de Demerol. Não conseguia dormir nem com anestesia na veia por causa desse acachapante analgésico similar à morfina. É possível que esteja com a razão – assim como é possível que sua própria e inaceitável conduta médica tenha condenado o cantor. Um segurança já testemunhou que Murray mandou tirar frascos de medicamento do quarto de Michael Jackson antes mesmo de ligar para a emergência. Naqueles momentos dramáticos, Prince e Paris chegaram a entrar no quarto – chorando, a menina gritou: ―Papai‖. Ele já estava com a morte estampada no rosto, exatamente como na chocante foto, reminiscente de quadros de grandes mestres mostrando o Cristo morto, divulgada pela promotoria para enfatizar a acusação contra Murray. Todo mundo em Hollywood e adjacências sabe que julgamento envolvendo celebridades pode significar fama e dinheiro para muita gente, inclusive promotores exibicionistas.

(GRYZINSKI, Vilma. In. Veja, Ed. 2237, p. 49, 5 de outubro de 2011. A imagem foi retirada)
Assinale a alternativa em que o termo destacado no trecho transcrito corresponde, quanto à significação, à explicação apresentada entre parênteses. 
Alternativas
Ano: 2011 Banca: UFGD Órgão: UFGD Prova: UFGD - 2011 - UFGD - Vestibular - Prova 1 |
Q1265638 Português
Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles, é composta por 
Alternativas
Ano: 2011 Banca: UFGD Órgão: UFGD Prova: UFGD - 2011 - UFGD - Vestibular - Prova 1 |
Q1265636 Português
Leia os fragmentos a seguir, selecionados do livro Silvino Jacques: O último dos bandoleiros, de Brígido Ibanhes.
    ''O cidadão Silvino Helmiro Jacques, também conhecido como Silvino Hermiro Jacques, Sylvino Jacques, nasceu em 17 de fevereiro de 1906, no Rincão de Santana, distrito de Camaquã, município de São Borja, na região das Missões do Estado do Rio Grande do Sul. Era um dos filhos de Leão Pedro Jacques e de Máxima Santa Ana Jacques e afilhado de Getúlio Dornelles Vargas. Seu pai trabalhava como carneador no sítio do eminente estadista quando do seu nascimento''.
     ''Nessa viagem iam o Aniceto, o Bernabé, o Chico Espinosa e outro porterenho num comboio de quatro carretas. Eles retornaram de Porto Murtinho, chegando ao anoitecer na região do Carandazinho. Na hora que desatrelavam as juntas de bois tambeiros, avistaram os cavaleiros que vinham pela trilha do lado de Porteiras.      Foram se achegando devagar e apearam a alguma distância. Largaram os cavalos no pasto e se encaminharam em direção às carretas. Aniceto reconheceu o Silvino e o Pedro Cruz, equipados para viagem.       - Vocês já tomaram mate? – perguntou o capitão.      - Ainda não... – respondeu Bernabé, convidandoos a se ajeitarem que ele já ia servi-los. Por cortesia e hospitalidade o mascate atendia bem a todos e a qualquer viajante que poderia acabar lhe comprando alguma mercadoria''.
A partir dos trechos destacados, pode-se afirmar que essa obra é
Alternativas
Ano: 2011 Banca: UFGD Órgão: UFGD Prova: UFGD - 2011 - UFGD - Vestibular - Prova 1 |
Q1265635 Português
Em Corpo Vivo, Adonias Filho constrói uma narrativa centrada no sul da Bahia, rica região produtora de Cacau. É nesse espaço regional que o autor faz eclodir uma das características mais universais do ser humano: o antagonismo entre o mal (guerra, ambição, crueldade, violência) e o bem (lealdade, perseverança, amor); dois lados que se entrecruzam ao longo da narrativa. Para torná-la certa “representação da vida”, no dizer do próprio autor, a obra foi estruturada em três grandes momentos, representando as travessias pelas quais passa Cajango. Isso considerando, assinale a alternativa que apresenta, pela ordem dos acontecimentos, as três etapas ou transformações vividas pelo protagonista de Corpo Vivo.
Alternativas
Q1262713 Português

A sentença “Ele anda ouvindo música” pode ser interpretada de duas formas: a) ele ouve música enquanto caminha – neste caso, o verbo “andar” funciona como verbo pleno, significando “caminhar”; b) a atividade de ele ouvir música tem se repetido ultimamente – neste caso, o verbo “andar” se esvazia de seu sentido pleno e funciona como elemento gramatical, um auxiliar. Podemos identificar no português outros verbos que podem ter esses dois usos: um com seu sentido lexical pleno e outro funcionando como elemento gramatical. Tendo isso em vista, considere os conjuntos de sentenças abaixo:

1. Ele chegou na festa e bagunçou o tempo todo.

    Ele chegou a interferir no processo, mas foi neutralizado.

2. Ela está querendo comer camarão.

    Ela está querendo ficar doente.

3. O que ela fez com a faca que estava no chão? Ela pegou e guardou na gaveta.

    Como ele agiu quando se deparou com o grupo? Ah, ele pegou e foi batendo em todo mundo.

4. Todos trabalham pela causa.

    Eles trabalham vendendo computadores.


Em qualquer caso, independente do contexto, o verbo grifado pode ser interpretado com sentido lexical pleno em ambas as ocorrências:  

Alternativas
Q1262711 Português

Leia como o dicionário Aurélio explica o significado e o uso dos seguintes verbos.


Atender. V. t. i. 1. Dar, prestar atenção: Não atendeu à observação que lhe fizeram. 2. Tomar em consideração; levar em conta; ter em vista; considerar: Não atende a súplicas. 3. Atentar, observar, notar: Atendia, de longe, aos acontecimentos. T. d. 4. Acolher, receber com atenção ou cortesia: Sempre atende aqueles que o procuram. Dar ou prestar atenção a. Tomar em consideração; considerar: Atende antes de tudo as suas conveniências.

Desfrutar. V. t. d. 1. V. usufruir (2): Agora desfruta benefícios prestados; 2. Deliciar-se com; apreciar: Sádico, desfrutou as cenas brutais do filme. 3. Viver à custa de. 4. Zombar de; troçar, chacotear. T. i. 5. Fruir (3): Desfruta de bom conceito no meio científico.

Precisar. V. t. d. 1. Indicar com exatidão; particularizar, distinguir, especializar: Não sabe precisar a época de sua viagem. 2. Ter precisão ou necessidade de; necessitar: (...) precisa espairecer. 3. Citar ou mencionar especialmente: a testemunha precisou o criminoso. T. i. 4. Ter necessidade; carecer, necessitar: Precisa de dinheiro. Int. 5. Ser pobre, necessitado.Trabalha porque precisa.

Proceder. V. t. i. 1. Ter origem; originar-se, derivar(-se): O amor não procede do hábito. (...) 2. Provir por geração; descender: Segundo o cristianismo, todos os homens são irmãos porque procedem de Adão e Eva. 3. Instaurar processo: O governo procederá contra os agiotas. 4. Levar a efeito; executar, realizar: As juntas apuradoras procederam à contagem dos votos. (...)

Revidar. V. t. d. 1. Responder ou compensar (uma ofensa física ou moral) com outra maior: O rapaz revidou os socos do agressor. 2. Responder, replicar, contestando: O deputado revidou o discurso que o incriminava. T. d. e i. e Int. 3. Vingar uma ofensa com outra maior: Revidou a alusão pérfida com as mais violentas injúrias.

Visar. V. t. d. 1. Dirigir a vista fixamente para; mirar: visar um alvo. 2. Apontar arma de fogo contra: Visou o ladrão, imobilizando-o. 3. Pôr o sinal de visto em: visar um cheque. 4. Ter por fim ou objetivo; ter em vista: Ao escrever esta novela, visava um fim moral. T. i. 4. Ter por fim ou objetivo; ter em vista: Estas medidas visavam ao bem público

Agora, considere os seguintes períodos:


1. O caçador, depois de visar ao lobo na floresta, parou para revidar ao chamado dos companheiros de caça.

2. Depois de precisar os detalhes do contrato, o vendedor pediu aos interessados que aguardassem, pois teria de atender o chamado do escritório.

3. Para revidar as investidas dos clientes, o gerente adiou o início da liquidação e procedeu a investigação do percentual de aumento de preços praticado pela loja, o que permitiu que os funcionários desfrutassem de algumas horas extras de descanso.

4. Os representantes do povo demoram a atender a demandas dos cidadãos, mas sabem desfrutar as benesses do poder.


Assumindo que as explicações sobre os verbos disponibilizadas acima constituem a única possibilidade de uso segundo a norma culta da língua portuguesa, que períodos estariam adequados a essa norma?

Alternativas
Q1262707 Português

      Qualquer livro intitulado Como a mente funciona deveria começar com uma nota de humildade; começarei com duas.

      Primeiro, não entendemos como a mente funciona – nem de longe tão bem quanto compreendemos como funciona o corpo, e certamente não o suficiente para projetar utopias ou curar a infelicidade. Então, por que esse título audacioso? O linguista Noam Chomsky declarou certa vez que nossa ignorância pode ser dividida em problemas e mistérios. Quando estamos diante de um problema, podemos não saber a solução, mas temos insights, acumulamos um conhecimento crescente sobre ele e temos uma vaga ideia do que buscamos. Porém, quando defrontamos um mistério, ficamos entre maravilhados e perplexos, sem ao menos uma ideia de como seria a explicação. Escrevi este livro porque dezenas de mistérios da mente, das imagens mentais ao amor romântico, foram recentemente promovidos a problemas (embora ainda haja também alguns mistérios!). Cada ideia deste livro pode revelar-se errônea, mas isso seria um progresso, pois nossas velhas ideias eram muito sem graça para estar erradas.

      Em segundo lugar, eu não descobri o que de fato sabemos sobre o funcionamento da mente. Poucas das ideias apresentadas nas páginas seguintes são minhas. Selecionei, de muitas disciplinas, teorias que me parecem oferecer um insight especial a respeito dos nossos pensamentos e sentimentos, que se ajustam aos fatos, predizem fatos novos e são coerentes em seu conteúdo e estilo explicativo. Meu objetivo foi tecer essas ideias em um quadro coeso, usando duas ideias ainda maiores que não são minhas: a teoria computacional da mente e a teoria da seleção natural dos replicadores.

(PINKER, Steven. Como a Mente Funciona. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 9.) 

Assinale a alternativa que resume as duas declarações de humildade do autor.
Alternativas
Q1262706 Português

      Qualquer livro intitulado Como a mente funciona deveria começar com uma nota de humildade; começarei com duas.

      Primeiro, não entendemos como a mente funciona – nem de longe tão bem quanto compreendemos como funciona o corpo, e certamente não o suficiente para projetar utopias ou curar a infelicidade. Então, por que esse título audacioso? O linguista Noam Chomsky declarou certa vez que nossa ignorância pode ser dividida em problemas e mistérios. Quando estamos diante de um problema, podemos não saber a solução, mas temos insights, acumulamos um conhecimento crescente sobre ele e temos uma vaga ideia do que buscamos. Porém, quando defrontamos um mistério, ficamos entre maravilhados e perplexos, sem ao menos uma ideia de como seria a explicação. Escrevi este livro porque dezenas de mistérios da mente, das imagens mentais ao amor romântico, foram recentemente promovidos a problemas (embora ainda haja também alguns mistérios!). Cada ideia deste livro pode revelar-se errônea, mas isso seria um progresso, pois nossas velhas ideias eram muito sem graça para estar erradas.

      Em segundo lugar, eu não descobri o que de fato sabemos sobre o funcionamento da mente. Poucas das ideias apresentadas nas páginas seguintes são minhas. Selecionei, de muitas disciplinas, teorias que me parecem oferecer um insight especial a respeito dos nossos pensamentos e sentimentos, que se ajustam aos fatos, predizem fatos novos e são coerentes em seu conteúdo e estilo explicativo. Meu objetivo foi tecer essas ideias em um quadro coeso, usando duas ideias ainda maiores que não são minhas: a teoria computacional da mente e a teoria da seleção natural dos replicadores.

(PINKER, Steven. Como a Mente Funciona. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 9.) 

O autor apresenta convicções sobre seu objeto de estudos: a mente humana. Assinale a alternativa que apresenta uma delas.
Alternativas
Ano: 2011 Banca: PUC - GO Órgão: PUC-GO Prova: PUC - GO - 2011 - PUC-GO - Vestibular - Prova 1 |
Q1261819 Português
    Fabiano curou no rasto a bicheira da novilha raposa. Levava no aió um frasco de creolina, e se houvesse achado o animal, teria feito o curativo ordinário. Não o encontrou, mas supôs distinguir as pisadas dele na areia, baixou-se, cruzou dois gravetos no chão e rezou. Se o bicho não estivesse morto, voltaria para o curral, que a oração era forte.
    Cumprida a obrigação, Fabiano levantou-se com a consciência tranqüila e marchou para casa. [...]
    Chape-chape. Os três pares de alpercatas batiam na lama rachada, seca e branca por cima, preta e mole por baixo. [...]
   A cachorra Baleia corria na frente, o focinho arregaçado, procurando na catinga a novilha raposa.
  Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. [...]
    Pisou com firmeza no chão gretado, puxou a faca de ponta, esgaravatou as unhas sujas. [...]
    – Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta. 
    Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. [...]
   Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:
   – Você é um bicho, Fabiano.
   Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades.
    – Um bicho, Fabiano.
   Era. Apossara-se da casa porque não tinha onde cair morto, passara uns dias mastigando raiz de imbu e sementes de mucunã. Viera a trovoada. E, com ela, o fazendeiro, que o expulsara. Fabiano fizera-se desentendido e oferecera os seus préstimos [...].
(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 100. ed. Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 17-19.). 
Com relação ao texto 08, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Ano: 2011 Banca: PUC - GO Órgão: PUC-GO Prova: PUC - GO - 2011 - PUC-GO - Vestibular - Prova 1 |
Q1261811 Português
    A morte de Roberto Mitry teve ampla cobertura dos jornais. Editoriais condenaram com energia a escalada da violência e a falta de segurança dos cidadãos. Os outros cento e cinqüenta homicídios ocorridos naquele mês no Grande Rio, a maioria das vítimas, negros e mulatos pobres, havia recebido apenas a atenção parca e rotineira da imprensa, mas o assassinato de Mitry era uma novidade atraente – um homem rico da sociedade morto na cama com duas ninfetas. Os jornais publicaram glamourosas fotos das duas irmãs, Titi e Tatá, de topless em Ipanema; de Mitry a bordo de seu iate em Angra dos Reis; do edifício da Vieira Souto onde o milionário residia; do interior do apartamento destacando as valiosas obras de arte nele existentes. [...]
    Encontrei-me com Raul no necrotério do Médico Legal. A morte de Mitry deixara-nos perplexos. [...]
    “Mitry foi morto enquanto dormia. A expressão de horror no rosto das meninas indica que tiveram consciência de que estavam sendo mortas. Acreditamos que houve apenas um assassino, usando a mão direita. Não há dúvida, pela natureza e disposição dos ferimentos, de que ele é destro, e muito, muito hábil. Havia sangue no box do chuveiro, provavelmente das vítimas. [...]”
    Um homem de avental aproximou-se. “O doutor Sette Neto está esperando.” 
    “Sette Neto?” 
    “Ele.”
     “Pensei que tinha morrido.”
    Atravessamos um largo e comprido salão de paredes de ladrilho branco, passando por mesas de aço sobre as quais cadáveres nus aguardavam autópsia. 
    “Alguém disse que ele havia morrido.”
    “Esse tipo de gente não morre nunca.”
    “Lembra do nosso tempo?” 
    “Como eu poderia esquecer reminiscências tão agradáveis?”, respondi.
(FONSECA, Rubem. A grande arte. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 198-199)
Com relação ao texto 06, assinale a afirmativa correta:
Alternativas
Ano: 2011 Banca: PUC - GO Órgão: PUC-GO Prova: PUC - GO - 2011 - PUC-GO - Vestibular - Prova 1 |
Q1261806 Português
    A morte de Roberto Mitry teve ampla cobertura dos jornais. Editoriais condenaram com energia a escalada da violência e a falta de segurança dos cidadãos. Os outros cento e cinqüenta homicídios ocorridos naquele mês no Grande Rio, a maioria das vítimas, negros e mulatos pobres, havia recebido apenas a atenção parca e rotineira da imprensa, mas o assassinato de Mitry era uma novidade atraente – um homem rico da sociedade morto na cama com duas ninfetas. Os jornais publicaram glamourosas fotos das duas irmãs, Titi e Tatá, de topless em Ipanema; de Mitry a bordo de seu iate em Angra dos Reis; do edifício da Vieira Souto onde o milionário residia; do interior do apartamento destacando as valiosas obras de arte nele existentes. [...]
    Encontrei-me com Raul no necrotério do Médico Legal. A morte de Mitry deixara-nos perplexos. [...]
    “Mitry foi morto enquanto dormia. A expressão de horror no rosto das meninas indica que tiveram consciência de que estavam sendo mortas. Acreditamos que houve apenas um assassino, usando a mão direita. Não há dúvida, pela natureza e disposição dos ferimentos, de que ele é destro, e muito, muito hábil. Havia sangue no box do chuveiro, provavelmente das vítimas. [...]”
    Um homem de avental aproximou-se. “O doutor Sette Neto está esperando.” 
    “Sette Neto?” 
    “Ele.”
     “Pensei que tinha morrido.”
    Atravessamos um largo e comprido salão de paredes de ladrilho branco, passando por mesas de aço sobre as quais cadáveres nus aguardavam autópsia. 
    “Alguém disse que ele havia morrido.”
    “Esse tipo de gente não morre nunca.”
    “Lembra do nosso tempo?” 
    “Como eu poderia esquecer reminiscências tão agradáveis?”, respondi.
(FONSECA, Rubem. A grande arte. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 198-199)
Por meio da internet, jovens desequilibrados aprendem a usar armas, publicam fotos e vídeos com ameaças e copiam métodos de outros assassinos. Vimos, no início de abril, o massacre de doze crianças em uma escola do Rio de Janeiro, uma marca expressiva de violência urbana comentada e sendo interpretada pelos mais diferentes profissionais. As causas podem ser inúmeras, porém suas consequências deixaram o mundo estarrecido com mais uma atrocidade ocorrida em uma metrópole brasileira. Refletindo sobre a violência urbana, marque a alternativa correta:
Alternativas
Ano: 2011 Banca: PUC - GO Órgão: PUC-GO Prova: PUC - GO - 2011 - PUC-GO - Vestibular - Prova 1 |
Q1261805 Português

IX. Ascensão de Vasco da Gama 

Os deuses da tormenta e os gigantes da terra Suspendem de repente o ódio da sua guerra E pasmam. Pelo vale onde se ascende aos céus Surge um silêncio, e vai, da névoa ondeando os véus, Primeiro um movimento e depois um assombro. Ladeiam-no, ao durar, os medos, ombro a ombro, E ao longe o rastro ruge em nuvens e clarões 

Embaixo, onde a terra é, o pastor gela, e a flauta Cai-lhe, e em êxtase vê, à luz de mil trovões, O céu abrir o abismo à alma do Argonauta. 

(PESSOA, Fernando. Mensagem. 2. ed. 1. reim. São Paulo: Martin Claret, 2009. p. 47.)

Considerando o texto 05, indique a alternativa correta:
Alternativas
Ano: 2011 Banca: PUC - GO Órgão: PUC-GO Prova: PUC - GO - 2011 - PUC-GO - Vestibular - Prova 1 |
Q1261804 Português

IX. Ascensão de Vasco da Gama 

Os deuses da tormenta e os gigantes da terra Suspendem de repente o ódio da sua guerra E pasmam. Pelo vale onde se ascende aos céus Surge um silêncio, e vai, da névoa ondeando os véus, Primeiro um movimento e depois um assombro. Ladeiam-no, ao durar, os medos, ombro a ombro, E ao longe o rastro ruge em nuvens e clarões 

Embaixo, onde a terra é, o pastor gela, e a flauta Cai-lhe, e em êxtase vê, à luz de mil trovões, O céu abrir o abismo à alma do Argonauta. 

(PESSOA, Fernando. Mensagem. 2. ed. 1. reim. São Paulo: Martin Claret, 2009. p. 47.)

Assinale a alternativa que contém a correspondência adequada para o termo argonauta, em “Cai-lhe, e em êxtase vê, à luz de mil trovões,/O céu abrir o abismo à alma do Argonauta.”:
Alternativas
Ano: 2011 Banca: PUC - GO Órgão: PUC-GO Prova: PUC - GO - 2011 - PUC-GO - Vestibular - Prova 1 |
Q1261798 Português
   - Amanhã cedo a senhora volte aqui, em jejum. É necessário o exame de Galli Mainini. Antes disso, posso adiantar-lhe que todos os sintomas levam à gravidez. 
     - Gravidez? O senhor está achando que eu sou o quê?
     - Achando que a senhora é uma mulher feliz, como toda mulher que vai ser mãe.
    - O senhor está muito enganado. Saiba que sou uma viúva honesta, respeitada, e que vivo exclusivamente para meu filho. E saiba mais, há dezoito anos que enviuvei, dezoito anos de castidade, de respeito à memória de meu saudoso marido, viu?
     [...]
    - Ora essa! Grávida, grávida é a m... E saiu deitando palavrões pelo corredor do consultório.
     [...]
   Um cheiro de carne assada parece sair da cozinha, misturando-se com os pensamentos medrosos de Amélia. Julinho levanta-se, beija carinhosamente a face da mãe e vai para a mesa aguardar a refeição. Horas depois, sai para o seu habitual encontro com a jovem guarda. O local é a rua Oito, no trecho que se estende da Anhanguera à rua Três, passarela dos sonhos fantásticos e dos desejos exóticos, mini-Augusta, pasto dos desocupados, dos cabeludos, recanto dos “papos-firmes” e dos “brasas-mora!”.
     [...]
    Acorda tarde no outro dia, sente-se mais ainda indisposta, com os vômitos aumentando cada vez mais. Levanta-se, vai à cozinha, passa pela porta do quarto de Julinho que ainda dorme, profundo. Contempla o rosto do filho, acha-o bonito: os mesmos traços do pai. E uma clara sensação maternal revolve as suas entranhas, como se uma estranha felicidade duplamente a sacudisse entre o céu e o inferno, terrivelmente.
    ***
    Os tocos de cigarros abandonados no cinzeiro parecem paralisados sob o peso de um enorme silêncio que se mistura com o cheiro enjoativo e traiçoeiro da maconha.

(TELES, José Mendonça. A Cidade do Ócio. 4. ed. Goiânia: Kelps, 2011. p. 69-70 e 72.)
Com relação ao trecho do texto 04, destacado do livro de contos A Cidade do Ócio, de José Mendonça Teles, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Ano: 2011 Banca: PUC - GO Órgão: PUC-GO Prova: PUC - GO - 2011 - PUC-GO - Vestibular - Prova 1 |
Q1261797 Português
   - Amanhã cedo a senhora volte aqui, em jejum. É necessário o exame de Galli Mainini. Antes disso, posso adiantar-lhe que todos os sintomas levam à gravidez. 
     - Gravidez? O senhor está achando que eu sou o quê?
     - Achando que a senhora é uma mulher feliz, como toda mulher que vai ser mãe.
    - O senhor está muito enganado. Saiba que sou uma viúva honesta, respeitada, e que vivo exclusivamente para meu filho. E saiba mais, há dezoito anos que enviuvei, dezoito anos de castidade, de respeito à memória de meu saudoso marido, viu?
     [...]
    - Ora essa! Grávida, grávida é a m... E saiu deitando palavrões pelo corredor do consultório.
     [...]
   Um cheiro de carne assada parece sair da cozinha, misturando-se com os pensamentos medrosos de Amélia. Julinho levanta-se, beija carinhosamente a face da mãe e vai para a mesa aguardar a refeição. Horas depois, sai para o seu habitual encontro com a jovem guarda. O local é a rua Oito, no trecho que se estende da Anhanguera à rua Três, passarela dos sonhos fantásticos e dos desejos exóticos, mini-Augusta, pasto dos desocupados, dos cabeludos, recanto dos “papos-firmes” e dos “brasas-mora!”.
     [...]
    Acorda tarde no outro dia, sente-se mais ainda indisposta, com os vômitos aumentando cada vez mais. Levanta-se, vai à cozinha, passa pela porta do quarto de Julinho que ainda dorme, profundo. Contempla o rosto do filho, acha-o bonito: os mesmos traços do pai. E uma clara sensação maternal revolve as suas entranhas, como se uma estranha felicidade duplamente a sacudisse entre o céu e o inferno, terrivelmente.
    ***
    Os tocos de cigarros abandonados no cinzeiro parecem paralisados sob o peso de um enorme silêncio que se mistura com o cheiro enjoativo e traiçoeiro da maconha.

(TELES, José Mendonça. A Cidade do Ócio. 4. ed. Goiânia: Kelps, 2011. p. 69-70 e 72.)
Observe, no texto 04, o processo de textualização, no que se refere à gramática da palavra, da frase e do discurso, e marque a alternativa cujo comentário é pertinente aos fatos da Língua Portuguesa:
Alternativas
Ano: 2011 Banca: PUC - GO Órgão: PUC-GO Prova: PUC - GO - 2011 - PUC-GO - Vestibular - Prova 1 |
Q1261793 Português
Sinestesia é uma figura de estilo resultante da fusão de sensações percebidas por diferentes órgãos dos sentidos. Em “Os tocos de cigarros abandonados no cinzeiro parecem paralisados sob o peso de um enorme silêncio que se mistura com o cheiro enjoativo e traiçoeiro da maconha.” tem-se a interpenetração de campos sensoriais por meio de palavras que exprimem sensações (marque a alternativa correta)
Alternativas
Respostas
5701: C
5702: C
5703: E
5704: B
5705: E
5706: B
5707: C
5708: B
5709: B
5710: B
5711: C
5712: A
5713: C
5714: D
5715: A
5716: D
5717: C
5718: B
5719: D
5720: C