Questões de Vestibular Comentadas sobre português
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“Apesar desta explicação, houve uma semana em que a alegria de Camilo foi extraordinária. Ides ver. Que a posteridade me ouça. Camilo, pela primeira vez, jogou no bicho. Jogar no bicho não é um eufemismo como matar o bicho. O jogador escolhe um número, que convencionalmente representa um bicho, e se tal número acerta de ser o fnal da sorte grande, todos os que arriscaram nele os seus vinténs ganham, e todos os que faram dos outros perdem. Começou a vinténs e dizem que está em contos de réis; mas, vamos ao nosso caso. Pela primeira vez Camilo jogou no bicho, escolheu o macaco, e, entrando com cinco tostões, ganhou não sei quantas vezes mais. Achou nisto tal despropósito que não quis crer, mas afnal foi obrigado a crer, ver e receber o dinheiro. Naturalmente tornou ao macaco, duas, três, quatro vezes, mas o animal, meio-homem, falhou às esperanças do primeiro dia. Camilo recorreu a outros bichos, sem melhor fortuna, e o lucro inteiro tornou à gaveta do bicheiro. Entendeu que era melhor descansar algum tempo; mas não há descanso eterno, nem ainda o das sepulturas. Um dia lá vem a mão do arqueólogo a pesquisar os ossos e as idades. Camilo tinha fé. A fé abala as montanhas.”
Jogo do bicho, conto de Machado de Assis (fragmento).
Um dos grandes mestres do Realismo, Gustave Flaubert, afrmou que o escritor, em sua obra, deve ser como um Deus no universo: onipresente e invisível. Portanto, em tese, os narradores realistas deveriam apresentar suas histórias de forma neutra, sem interferências.
Sobre o narrador de Jogo do bicho, NÃO é correto afirmar que ele
INSTRUÇÃO: Responder à questão 31 com base no fragmento de texto e nas afrmativas a seguir.
“Com um relance da vista, Naziazeno percebe que o jogo já está quase feito. Mete nervosamente a mão no bolso da calça e tira os cinco mil réis. (...) A bolinha já gira. O olhar acostumado encontra facilmente o 28. Já abriu uma passagem. O seu braço estende- se, levando os cinco mil réis para aquele número. Mas um medo prudente o detém. E como o tempo urge, deposita rapidamente a cédula no retângulo da terceira dúzia.
– Feito! – observa o croupier. E, passado um momento de silêncio e de expectativa, anuncia: – 28.
Um tumulto e um estado de confusão enchem a cabeça de Naziazeno. Tem apenas uma vaga ideia de que ganhou. (...) É quando recebe o dinheiro que faz o cálculo: cinco mil réis... cento e setenta e cinco!... Tudo resolvido assim num segundo.”
Sobre o fragmento, afrma-se:
I. Pertence à obra Os ratos, texto com forte caráter psicológico.
II. Seu autor é Luiz Antonio de Assis Brasil, escritor gaúcho profícuo na construção de uma narrativa voltada para o histórico.
III. Naziazeno é um personagem resoluto, de atitu- des frmes e decididas, caráter evidenciado no excerto.
IV. A passagem “Tudo resolvido assim num segundo” faz referência à laboriosa incumbência de Nazia- zeno: conseguir dinheiro sufciente para saldar a dívida com o leiteiro.
Estão corretas apenas as afrmativas
Esse trecho alude a um personagem solitário e visionário, um dos mais representativos da Literatura Brasileira.
Quem é o autor que criou este personagem?
Assinale a alternativa em que esse mito está corretamente descrito.
Assinale a alternativa em que essas características estão representadas.

Jaime Bunda comia cada vez mais lentamente, para não perder palavra daquela conversa subversiva. Assuntos que interessavam ao mais alto ponto a segurança nacional eram ali contados sem rebuço, em voz tão alta que se podia ouvir na rua. E metendo altas tecnologias, como essa de discos voadores caçarem pacaças. Este Kiko era mesmo suspeito, pena que fosse o único restaurante que servia aqueles pitéus, senão passavalhe já as algemas. Bem, era maneira de dizer, pois não tinha arma nem algemas. Bunda se definia como um detetive cerebral, diferente dos que prendem e arrebentam. Tinha de contar todos os detalhes desta conversa ao chefe Chiquinho, ele lá saberia o que fazer. E vigiar de mais perto os dois escribas, cúmplices descarados do dono do restaurante. (PEPETELA, 2003)

Use, então, tudo isso e identifique a alternativa em que há um erro grosseiro de compreensão (considerandose o que se espera de um leitor proficiente préuniversitário).
é ve-lo como fazendo parte de um diálogo entre sujeitos em que a compreensão é imprescindível. Demonstre sua participação na atividade dialógica de construção de sentido, marcando, para tanto, a alternativa que traz a afirmação que mais se afasta do centro temático desse texto.
“...concluir-se-ia rapidamente que devia tratar-se de alguém vindo de Paris ou New York. Vangloriavam-se, do rio que cortava Matozinho.” (linhas 08 a 10).
O uso do pronome se encontra justificativa nas regras gramaticais do português padrão. Dadas as alternativas, a que não se justifica por essas regras é:
I) O parágrafo introdutório é predominantemente descritivo, o que contribui para a familiarização do espaço, bem como para prenunciar o fluxo da ação dramática.
II) O texto não pode ser considerado crônica, já que apresenta vozes de personagens e fragmentos de poesia popular.
III) O texto apresenta estrutura meramente narrativa.
IV) Há, no texto, um narrador personagem.
Dadas as proposições:
Que anda cagando goma,
Uma bainha pros chifre
E as cueca de Zé Maromba” (linhas 32 a 35)
Sintaticamente, o termo em destaque é núcleo de:
I) O texto apresenta uma linguagem regionalista nos termos, dizeres e provérbios, fato promotor de verossimilhança.
II) O fato de ter sido fuzilado era motivo de vergonha para os munícipes.
III) O texto é exemplo de literatura universal, Matozinho não apresenta qualquer fidedignidade ao regional.
IV) Rico em linguagem artística, nada é gratuito no texto, a denominação é caracterizadora, o enredo prosódico aliase ao poético, o trágico e o cômico se interligam.
Estão CORRETOS os itens:

O fragmento destacado e a leitura integral do conto trazem como inferência possível a

