Questões de Vestibular Comentadas sobre português
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Conseguiu aprontar-se mas não teve tempo de guardar o material de maquiagem espalhado sobre a penteadeira. [...] Devo me pintar, vestir -me bem, mas sem exagero. Beleza mesmo é pra fim de semana. Nem bonita, nem feia, disse consigo mesma. Concluiu que não havia tempo nem para o café. [...] Louca de pressa, ia sair, avançou a mão para a maçaneta da porta e assustou-se. A campainha tocou naquele exato momento. Quem haveria de ser àquela hora? A campainha era insistente. Algum dedo nervoso apertava-a sem tréguas. A campainha. Su acordou finalmente com o tilintar vibrante do despertador Westclox e se deu conta de que sequer havia-se levantado. Raios. Tudo por fazer. Mesmo que acordasse a tempo, tinha sempre que correr, correr. [...]
LADEIRA, Jul ieta de Godoy (Org.). Contos brasileiros contemporâneos. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2005. p. 139-140.
Esse conto apresenta, como temática central,
Muito prazer. Por favor, quer ver o meu saldo? Acho que sim. Que bom telefonar, foi ótimo, agora mesmo estava pensando em você. Puro, com gelo. Passe mais tarde, ainda não fiz, não está pronto. Amanhã eu ligo, e digo alguma coisa. Guarde o troco. Penso que sim. Este mês, não, fica para o outro. Desculpe, não me lembrei . Veja logo a conta, sim? É uma pena, mas hoje não posso, tenho um jantar. Vinte litros, da comum. Acho que não. Nas próximas férias, vou até lá, de carro. Gosto mais assim, com azul. Bem, obrigado, e você? [...] É um chato, um perigo público. Foi há muito tempo. Tudo bem, tudo legal? Gostei de ver. Acho que não, penso que não, creio que não. Acredito que sim. Claro, fechei a porta e botei o carro pra dentro. Vamos dormir? É, leia que é bom. Ainda agosto e esse calor. Me acorde cedo amanhã, viu?
LADEIRA, Jul ieta de Godoy (Org.). Contos brasileiros contemporâneos. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2005. p.126-127.
Esse conto pode ser visto como uma representação literária do automatismo da vida cotidiana moderna. Os procedimentos dos quais o autor se vale para representar esse automatismo são:
EURICÃO — Ai, gritaram "Pega o ladrão!". Quem foi? Onde está? Pega, pega! Santo Antônio, Santo Antônio, que diabo de proteção é essa? Ouvi gritar ?Pega o ladrão!". Ai, a porca, ai meu sangue, ai minha vida, ai minha porquinha do coração! Levaram, roubaram! Ai, não, está lá, graças a Deus! Que terá havido, minha Nossa Senhora? Terão desconfiado porque tirei a porca do lugar? Deve ter sido isso, desconfiaram e começaram a rondar para furtá-la! É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos, assim ninguém lhe dará importância! Ou não? Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a para aqui, sob sua proteção?
SUASSUNA, Ariano. O santo e a porca. 22. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010. p. 97.
Nessa passagem, a recorrência da interrogação é um recurso literário revelador da
O padre José Pedro dizia que a culpa era da vida e tudo fazia para remediar a vida deles, pois sabia que era a única maneira de fazer com que eles tivessem uma existência limpa. Porém uma tarde em que estava o padre e estava o João de Adão, o doqueiro diss e que a culpa era da sociedade mal organizada, era dos ricos... Que enquanto tudo não mudasse, os meninos não poderiam ser homens de bem. E disse que o padre José Pedro nunca poderia fazer nada por eles porque os ricos não deixariam. O padre José Pedro naquele dia tinha ficado muito triste, e quando Pirulito o foi consolar, explicando que ele não ligasse ao que João de Adão dizia, o padre respondeu balançando a cabeça magra.
– Tem vezes que eu chego a pensar que ele tem razão, que isso tudo está errado. Mas Deus é bom e saberá dar o remédio...
AMADO, Jorge. Capitães da areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 107-108.
Considerando as duas visões presentes no fragmento, Pedro Bala, no final da trama, adota um ponto de vista que

Leia as duas construções linguísticas a seguir, extraídas do infográfico.
I - Transitar em velocidade superior à máxima permitida.
II - Desobedecer a ordens de autoridades.
Sobre essas construções, é correto afirmar que,

Sobre a linguagem do Texto 2, é correto afirmar que

A charge ironiza
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roêlos,
E há de deixarme apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Nesses versos, o eu lírico enfatiza
(http://noticias.uol.com.br. Adaptado.)
As lacunas do texto são preenchidas, correta e respectivamente, por

As informações contidas nos quadrinhos permitem concluir que
Texto 1
“Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.
(...)
Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.
E, ao fm de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca ...”
(“A Boneca, Olavo Bilac”)
Texto 2
“A BELA bola
rola:
a bela bola do Raul.
Bola amarela,
a de Arabela.
A do Raul,
azul.
(...)
A bola é bela,
é bela e pura.
É bela, rola e pula,
é mole, amarela, azul.
(...)”
(“Jogo de Bola”, Cecília Meireles)
Sobre os fragmentos acima, afrma-se:
1. Embora “Jogo de Bola” apresente características simbolistas e “A Boneca” alinhe-se à estética modernista, em ambos se percebe uma preocupação com a rima e com a métrica clássica.
2. O texto 1, de Olavo Bilac, tematiza a amizade de duas meninas, que desistem de brincar depois da disputa por uma boneca.
3. No texto 2, de Cecília Meireles, percebem-se, na forma e no conteúdo, características da linguagem infantil.
4. No poema 2, as aliterações constroem um efeito sonoro signifcativo.
Estão corretas apenas as afrmativas
Texto 1
“Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.
Ritmo líquido se infltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o.
(...)”
(“Ademir da Guia”)
Texto 2
“A bola não é a inimiga como o touro, numa corrida; e, embora seja um utensílio caseiro e que se usa sem risco, não é o utensílio impessoal, sempre manso, de gesto usual: é um utensílio semivivo, de reações próprias como bicho e que, como bicho, é mister (mais que bicho, como mulher) usar com malícia e atenção dando aos pés astúcias de mão.”
(“O futebol brasileiro evocado na Europa”)
Sobre os fragmentos acima, afrma-se:
1. O texto 1 utiliza várias imagens para caracterizar um jogador de futebol que apresenta ritmo lento e pesado, mas destruidor.
2. O texto 2 metaforiza a bola de futebol, considerando-a um organismo vivo, que carrega atributos naturalizados num estado de semivivência de bola- bicho.
3. O primeiro texto centra-se num personagem em ação, enquanto o segundo tematiza o instrumento que possibilita essa ação.
Está/Estão correta(s) a(s) afrmativa(s)
“Vancê sabe como é que se joga o osso?
Ansim:
Escolhe-se um chão parelho, nem duro, que faz saltar, nem mole, que acama, nem areento, que enterra o osso.”
Sobre a obra de Simões Lopes Neto, NÃO é correto afrmar que esse autor
“E o título sairia muito maior, só que não caberia numa única linha. Não leio todos os dias Armando Nogueira – embora todos os dias dê pelo menos uma espiada rápida – porque “meu futebol” não dá pra entender tudo. Se bem que Armando escreve tão bonito (não digo apenas “bem”), que às vezes, atrapalhada com a parte técnica de sua crônica, leio só pelo bonito. (...) Armando dizia: “De bom grado eu trocaria a vitória de meu time num grande jogo por uma crônica…” e aí vem o surpreendente: continua dizendo que trocaria tudo isso por uma crônica minha sobre futebol.
(...)
Meu primeiro impulso foi o de uma vingança carinhosa: dizer aqui que trocaria muita coisa que me vale muito por uma crônica de Armando Nogueira sobre digamos a vida. Aliás, meu primeiro impulso, já sem vingança, continua: desafo você, Armando Nogueira, a perder o pudor e escrever sobre a vida e você mesmo (...).
E agora vou contar o pior: fora as vezes que vi por televisão, só assisti a um jogo de futebol na vida, quero dizer, de corpo presente. Sinto que isso é tão errado como se eu fosse uma brasileira errada.
(...) Não, não imagine que vou dizer que futebol é um verdadeiro balé. Lembrou-me foi uma luta entre vida e morte, como de gladiadores. E eu – provavelmente coitada de novo – tinha a impressão de que a luta só não saía das regras do jogo e se tornava sangrenta porque um juiz vigiava, não deixava, e mandaria para fora de campo quem como eu faria, se jogasse (!). Bem, por mais amor que eu tivesse por futebol, jamais me ocorreria jogar… Ia preferir balé mesmo. Mas futebol parecer-se com balé? O futebol tem uma beleza própria de movimentos que não precisa de comparações.”
A crônica “Armando Nogueira, futebol e eu, coitada”
1. sugere uma disputa carinhosa entre derrotas e sucessos do ato de escrever, metaforizado como jogo de palavras.
2. mostra que a cronista às vezes aprecia mais o estilo do que o conteúdo dos textos de Armando Nogueira.
3. revela uma narradora que nada sabe sobre futebol, considerando essa alienação como algo natural.
4. aponta semelhanças entre os movimentos do futebol e os do balé.
Estão corretas apenas as afrmativas
I. Macunaíma é uma obra que pertence à escola modernista.
II. No excerto, o narrador refere-se ao futebol de forma positiva.
III. Na linguagem presente no fragmento, percebe-se a valorização da oralidade e do coloquialismo.
Está/Estão correta(s) a(s) afrmativa(s)

Nesse excerto,
( ) o sertão é apresentado como sinônimo de solidão, devido à vastidão de um mundo onde se marcham léguas à procura de alguém.
( ) perante as travessias e as larguezas do chapadão, o sertão está localizado na interioridade e na subjetividade humanas.
( ) o autor demonstra a força inovadora de uma transfiguração estilística que busca potencializar o léxico próprio e o falar sertanejo.
( ) não existem temáticas místicas e religiosas associadas às manifestações da natureza do sertão.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Texto 1
“João Grande vem vindo para o trapiche. O vento quer impedir seus passos e ele se curva todo, resistindo contra o vento que levanta a areia. Ele foi à Porta do Mar beber um trago de cachaça com o Querido-de-Deus, que chegou hoje dos mares do Sul, de uma pescaria. O Querido-de-Deus é o mais célebre capoeirista da cidade. Quem não o respeita na Bahia? No jogo de capoeira de Angola ninguém pode se medir com o Querido-de-Deus, nem mesmo Zé Moleque, que deixou fama no Rio de Janeiro. O Querido-de-Deus contou as novidades e avisou que no dia seguinte apareceria no trapiche para continuar as lições de capoeira que Pedro Bala, João Grande e o Gato tomam.”
(Capitães da Areia, Jorge Amado – excerto)
Texto 2
“– Qué apanhá sordado?
– O quê?
– Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada”
(“O Capoeira”, Oswald de Andrade)
Texto 3
“Seja de noite ou de dia
não importa o lugar
quando toca o berimbau
dá vontade de jogar
Na roda de capoeira
todos têm o seu valor
eu respeito um aluno
quanto mais um professor”
(“Capoeira que tem sangue na veia” – canção de roda de capoeira, autor desconhecido)
Sobre os textos, afrma-se:
( ) No texto 1, a capoeira é o instrumento que confere destaque a um personagem marginalizado.
( ) No texto 2, Oswald de Andrade relaciona capoeira a violência, usando linguagem de acentuada ora- lidade.
( ) No texto 3, a capoeira traz um contexto não discriminatório.
( ) Os “Capitães da Areia”, embora pouco mais que meninos, apresentam atitudes e hábitos de adultos.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
“Aurélia sentou-se à mesa de mosaico, voltando as costas ao jardim para não ver a formosa noite que lhe caíra no desagrado. (...) Havia em cima da mesa uma caixa de jogo, donde Aurélia tirou um baralho, com que se entreteve a fazer sortes.
– Vamos jogar? disse dirigindo-se ao marido”.
Sobre o romance Senhora e a obra de Alencar, NÃO é correto afrmar:

