Questões de Vestibular Comentadas sobre português
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Meu pai determinou que eu principiasse a leitura. Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando, gemendo uma cantilena medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas e repisando linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. Parei surpreendido, virei a folha, continuei a arrastar-me na gemedeira, como um carro em estrada cheia de buracos.
Com certeza o negociante recebera alguma dívida perdida: no meio do capítulo pôs-se a conversar comigo, perguntou-me se eu estava compreendendo o que lia. Explicou-me que se tratava de uma história, um romance, exigiu atenção e resumiu a parte já lida. Um casal com filhos andava numa floresta, em noite de inverno, perseguido por lobos, cachorros selvagens. Depois de muito correr, essas criaturas chegavam à cabana de um lenhador. Era ou não era? Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Animei-me a parolar. Sim, realmente havia alguma coisa no livro, mas era difícil conhecer tudo.
Alinhavei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa confusa, aventurando-me às vezes a inquirir. E uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se, ressurgia, vacilante, nas trevas do meu espírito.
Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos e o lenhador agitaram-me o sono. Dormi com eles, acordei com eles. As horas voaram. Alheio à escola, aos brinquedos de minhas irmãs, à tagarelice dos moleques, vivi com essas criaturas de sonho, incompletas e misteriosas.
À noite meu pai me pediu novamente o volume, e a cena da véspera se reproduziu: leitura emperrada, mal-entendidos, explicações.
Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso. E no dia seguinte, quando me preparei para moer a narrativa, afastou-me com um gesto, carrancudo.
Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito preciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de me haver ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sensação de perda e ruína, em seguida uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto eram boas demais para mim e não podiam durar.
RAMOS, Graciliano. Infância. São Paulo: Record, 1995. p.187-191.
Com base nessa definição, pode-se caracterizar como “movimento social" o que está explicitado em
Os protestos que derrubaram o presidente do Egito em julho em 2013.
Com base nessas informações é correto afirmar:
O conhecimento pluriversitário é descrito como aquele que estabelece a ponte entre a universidade e a sociedade, devido ao imbricamento necessário entre ambas.

A análise do cartum permite afirmar:
A partir do que o garoto diz, pode-se entender que há um choque linguístico entre o que é ensinado pela escola como norma padrão e a norma popular falada pelos alunos.

A análise do cartum permite afirmar:
As construções linguísticas usadas pelo garoto apontam para o fato de que a norma popular não consegue produzir um pensamento coerente, por isso a professora não entendeu o que o garoto disse.
Cada comunidade desenvolve uma norma linguística comum a todos os falantes e, por isso, compreendida por todos.
Em assim sendo, os falantes da Bahia somente conseguem entender o que é produzido linguisticamente pelos falantes de sua comunidade.
Marque C, se a proposição é certo; E, se a proposição é errado.
A variação que se encontra nesse cartum é do tipo diamésica.
No Rio Grande do Sul, diz-se: Hoje vai ter fuzarca.
Marque C, se a proposição é certo; E, se a proposição é errado.
Nos dois casos, há uma variação linguística, ou seja, o uso de formas diferentes para expressar o mesmo significado.
(afr. = termo africano); (ind. = termo indígena)
Marque C, se a proposição é certo; E, se a proposição é errado.
O Brasil é considerado um país pluriétnico, o que se reflete nas construções linguísticas, conforme exemplificado nesse texto.
Relacionando-se esse texto, do autor Jean Nardi, com o processo histórico de transmissão da língua portuguesa fora da esfera de Portugal, pode-se dizer que a cultura dos povos dominados por esse país sofreu algum tipo de interferência da língua portuguesa e, consequentemente, da cultura portuguesa.
A fala é parte final de um conjunto mais amplo, visto que, em uma gradação, se entende que a fala – produção individual – faz parte da língua – conhecimento coletivo de uma determinada comunidade –, que faz parte da linguagem – universal –, comum a todos os seres humanos.
Essa ideia encontra evidência no poema rabiscado de Valdelice Pinheiro:
Marque C, se a proposição é certo; E, se a proposição é errado.

(AZEVEDO, Aluísio. trecho de O cortiço. São Paulo, Ed. Hartra, 2009. p. 106-107)
Está correto o que se afirma em:

I. O humor da tirinha provém do fato de Calvin usar a palavra “rua" em sentido figurado em um quadro e em sentido literal em outro.
II. Na expressão sabedoria das ruas, percebe-se o uso de linguagem denotativa.
III. Na frase ele não é inteligente, mas tem a sabedoria das ruas, há uma crítica e uma ressalva que atenua essa mesma crítica.
IV. Infere-se da tirinha que um menino visto como “valentão" não pode ser inteligente.
Está correto o que se afirma APENAS em
O segmento que exerce a mesma função sintática do sublinhado acima está em:
O verbo empregado nos tempo e modo descritos acima está sublinhado em:
Quanto às funções de linguagem, no segmento acima, predomina a função