Questões de Vestibular
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Carta do Pleistoceno
Senhores cientistas, quem daqui lhes escreve – daqui não sendo o além exatamente mas uma espécie de ponto de vista – é o mamute. O mamute aquele que vocês trouxeram recentemente à luz lá pelos lados da Rússia – à luz ofuscante dos flashes e dos holofotes de TV, é bom que se diga, porque uma certa luz fraca e opalinada me alcançou sempre através do gelo. E escrevo porque chegou-me a notícia – como chegam depressa as notícias nesse tempo vosso! – de que estão tentando me clonar. Estão planejando tirar um pedaço de mim, daquilo que vocês chamam de DNA, manipulá-lo de alguma maneira que para meu cérebro parece assaz complicada, mas que deveria se concluir com a minha presença implantada num óvulo de elefanta, decorrente gravidez, e posterior nascimento. Peço-lhes encarecidamente que não façam isso. Poderia invocar os direitos do autor pois, embora mínimo, qualquer pedaço de mim me pertence, mas receio não estar coberto por vossas leis autorais. Apelo então para aqueles sentimentos caridosos que dizeis habitar vosso coração. E para o bom senso, que infelizmente nem sempre tem esse mesmo endereço. (COLASANTI, 2012).
A partir do trecho e do conto, em sua integralidade, assinale a alternativa INCORRETA.
Num daqueles dias em que, ao sair à rua, eu ouvira as pessoas falando e rindo de mim, cheguei em casa tão deprimido que, sem parar, comecei a andar de quatro. Mamãe deu um grito, e só aí eu percebi a coisa. “Meu filho!”, ela disse e veio correndo me abraçar. Ao levantar-me para ela é que percebi que eu estava de quatro; tive de fazer um esforço enorme para acabar de me levantar e para, depois manter-me de pé. “Que mal fizemos para merecer essa desgraça?”, ela chorava, me apertando em seus braços. (VILELA, 2017, p. 22).
A partir da leitura do fragmento e do conto, integralmente, assinale a alternativa INCORRETA.

Os Retirantes, de Candido Portinari. Obra inspirada no livro “Vidas Secas”.Fonte:<http://zip.net/bctKDn>
Leia o fragmento do texto “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos:
“Olhou a catinga amarela, que o poente avermelhava. Se a seca chegasse, não ficaria planta verde. Arrepiou-se. Chegaria, naturalmente. Sempre tinha sido assim, desde que ele se entendera. E antes de se entender, antes de nascer, sucedera o mesmo – anos bons misturados com anos ruins. A desgraça estava em caminho, talvez andasse perto. Nem valia a pena trabalhar.”
Disponível em: <http://www.lettere.uniroma1.it/sites/default/files/528/GRACILIANO-RAMOSVidas-secas-livro-completo.pdf>
Considerando o romance “Vidas Secas”, julgue os itens e marque a alternativa correta.
I - Vidas Secas apresenta o cenário da seca, que impõe a uma mísera família do sertão o sofrido destino de vagar tristemente à procura de um lugar para sobreviver.
II - O romance aborda a estrutura histórica, social e econômica brasileira daquele decênio, fazendo com que os aspectos documentais estejam presentes no contexto narrativo.
III - O mundo de injustiça e opressão retratado no romance é decorrente do minifúndio nordestino, responsável pela desigualdade social.
TEXTO 4
NO MEIO DO CAMINHO
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
ANDRADE, Carlos Drummond de. No meio do caminho. Disponível em: http://www.algumapoesia.com.br/drummond/ drummond04.htm. Acesso: 12 out. 2017.
TEXTO 5
POEMA DE SETE FACES
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu
coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me
abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma
solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como
o diabo.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poema de sete faces. Disponível em: http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/poema-das-sete-faces-carlos-drummond-de-andrade/. Acesso: 12 out. 2017
O TEXTO 5 é literário e, portanto, possui uma linguagem carregada de significados, possibilitada pelo uso de figuras de linguagem e outras estratégias. Considerando isso, analise as proposições a seguir e, em seguida, assinale a alternativa CORRETA.
I. No terceiro verso da primeira estrofe do TEXTO 5, percebemos a inserção do poeta quando ele dá seu próprio nome ao eu-lírico.
II. A terceira estrofe do TEXTO 5 revela a massificação das pessoas, refletida no transporte que “passa cheio de pernas”. Neste mesmo verso, o poeta faz uso de metonímia ao trocar “pessoas” por “pernas”.
III.A inexistência de pontuação no interior de alguns versos do TEXTO 5 está ligada à liberdade de expressão e à licença poética do Modernismo brasileiro.
IV.As “pernas brancas pretas amarelas”, mencionadas na terceira estrofe do TEXTO 5, ilustram a diversidade de raças que compõem o povo brasileiro.
V. Na penúltima estrofe do TEXTO 5, através de uma metalinguagem, Drummond reflete sobre a composição das rimas do poema.
Estão CORRETAS as proposições

DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Alguma poesia [1930]. Poesia Completa. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 2002. p. 26.
Marque com V ou com F, conforme sejam, respectivamente, verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre o texto.
( ) Uma comparação entre o início do poema (v. 1-2) e seu final (v. 18) permite inferir que o poeta, frente à trágica configuração do mundo, desiste de procurar entende-lo através de sua poesia.
( ) Na segunda estrofe (v. 5-9), as constatações do poeta se voltam para a difusão generalizada da tecnologia que retira a naturalidade das ações humanas, sufocando até mesmo o lirismo do amor.
( ) Em relação à possibilidade de melhoria do ser humano e de progresso do mundo, o poeta expressa pessimismo, nos versos de 10 a 12, revelando seu senso crítico e sua ironia.
( ) A comparação entre homens e percevejos (v. 13-14) destaca a irracionalidade da destruição da humanidade provocada pelas guerras e, ao mesmo tempo, a insistência heroica na preservação da espécie humana.
( ) O título do poema é uma alusão à esperança do poeta de que ele e sua poesia possam atravessar incólumes as grandes adversidades anunciadas para o século XX.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a

CUNHA, Helena Parente. Inéditos (Em tempo de Fim de Mundo). Além de estar: antologia poética. Rio de Janeiro: Imago; Salvador: fundação Cultural do Estado da Bahia, 2000. p. 192-193.
Há uma afirmação verdadeira sobre os poemas de Helena Parente Cunha em
I. . “brilho” (v. 4) e “tochas” (v. 6), no poema Tempo do fim, sugerem conclusão vitoriosa de um processo longo e penoso.
II. “quatro estações” (v. 5) e “prazos do zodíaco” (v. 6) no poema Depois, se referem às limitações que o tempo impõe à possibilidade de superar situações adversas.
III. “a fumaça e o sangue” (v. 3), no poema Tempo do fim, sugerem sofrimento e morte; “cicatriz” (v. 1) e “células renascidas” (v. 3), no poema Depois sugerem cura e superação.
IV. Em Tempo do fim, há uma constatação negativa, sobre a violência; em Depois, a autora acena com uma perspectiva positiva, de recuperação do equilíbrio.
V. Ao usar a primeira pessoa do plural nos dois poemas, a autora se inclui como integrante da humanidade, a respeito da qual faz constatações e previsões.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
''Caía então luz de chapa sobre ela, iluminando-lhe o rosto, parte do colo e da cabeça, coberta por um lenço vermelho atado por trás da nuca.
Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência de beleza deslumbrante.
Do seu rosto irradiava singela expressão de encantadora ingenuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno que, a custo, parecia coar por entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras, e compridos a ponto de projetarem sombras nas mimosas faces.
Era o nariz fino, um bocadinho arqueado; a boca pequena, e o queixo admiravelmente torneado.
Ao erguer a cabeça para tirar o braço de sob o lençol, descera um nada a camisinha de crivo que vestia, deixando nu um colo de fascinadora alvura, em que ressaltava um ou outro sinal de nascença.''
TAUNAY, Visconde de. Inocência. São Paulo: DCL, 2013.
Leia o texto abaixo e responda a questão.
TEXTO II
UM APÓLOGO
Lira I
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, Que viva de guardar alheio gado; De tosco trato, d’expressões grosseiro, Dos frios gelos, e dos sóis queimado. Tenho próprio casal, e nele assisto; Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; Das brancas ovelhinhas tiro o leite, E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
TEXTO I
"Após encontrar um abrigo seguro sob uma copa de maçaranduba caída, ainda ofegante, e com dores fortes em sua pata esquerda e coxa direita, começou a averiguar o que aquele estrondo havia lhe causado. A pata estava completamente dilacerada, com sangramento. As duas garras da região esquerda tinham sido arrancadas. Observou a mutilação. Em sua memória automática, associava o ferimento ao barulho alto e aterrorizante.
Pelo instinto, a onça vislumbrou que, geralmente antes e durante as chuvas torrenciais, estrondos ecoavam pela floresta. Não eram parecidos com os dois que acabara de ouvir, mas às vezes, quando acontecia, isso a assustava como se a floresta estivesse sendo engolida por um animal maior e mais forte. Olhou novamente para a pata, e diante de sua imponência, iniciou uma tentativa de escoamento do sangramento com sua língua, o que logo pressentiu ser inútil.
Ao passar do tempo, a coxa direita latejava cada vez mais. Tentou levantar da toca provisória com o intuito de chegar até sua caverna próxima à cachoeira. Constatou ser impossível conseguir se apoiar sem firmar o corpo com as regiões atingidas. O sangramento da pata diminuiu de intensidade. Iniciou sua peregrinação arrastando-se pela floresta. Sentiu a pele de seu peito sendo esfolada pelas folhas, galhos e ouriços de castanha da Amazônia.
Um rastro de sangue era visível ao longo da tentativa exaustiva de chegar à sua toca. Ao se deparar com um igarapé, vacilou várias vezes até entrar n‘água. Mas não tinha alternativa. Na situação em que se encontrava, não teria como se equilibrar nos troncos das árvores caídas que serviam de ponte e eram facilmente transpassados.
Entrando no igarapé, a onça sentiu um alívio em sua pata flagelada. De súbito, deitou-se na água e aliviou a coxa atingida pelo impacto desconhecido. Aproveitou e tomou longos goles do líquido. O ferimento na coxa não sangrava mais como antes, porém, a pata dianteira manchava o igarapé atraindo pequenos peixes que mordiscavam seu pelo e a carne dilacerada do ferimento. No movimento de afastar os peixes, enterrou a pata na lama do fundo do igarapé e o sangue parou de manchar a água. Logo a onça afundou mais a pata, e aos poucos a dor foi diminuindo."
DANTAS, Ricardo. Meia Pata. São Paulo: Kazuá, 2013. p. 20-21
A- construções sintáticas pouco usuais; B- palavras de origem indígena; C- linguagem coloquial; D- figuras do folclore nacional.
Faça a correspondência dessas características da obra de Mário de Andrade com os excertos do TEXTO, a seguir.
( ) “Voltava a ficar imóvel escutando assuntando maquinando”. ( ) “mais cantadeira que a Mãe-d’água”. ( ) “Mas as três cunhãs deram muitas risadas”. ( ) “que não tinha deus não”.
Então, assinale a alternativa que representa as características do trecho de Macunaíma na ordem em que aparecem, respectivamente, os excertos retirados do TEXTO.

Disponível em:<http://guicresportifolio.blogspot.com.br/> . Acesso: 10 maio 2017.
Com base na propaganda, analise as afirmativas abaixo.
I. Na propaganda das sandálias Havaianas, o caráter intertextual só pôde ser conferido por meio do diálogo entre o texto verbal e o texto não verbal. II. O texto imagético tem por base uma importante obra de Anita Malfati, membro do movimento indianista brasileiro. III.Abaporu, obra parodiada no TEXTO 4, é um marco do movimento antropofágico brasileiro. IV.Ocorre entre Abaporu e a campanha de Havaianas uma intertextualidade implícita, uma vez que não se dá na superfície textual. V. O cacto e o sol, em segundo plano, não favorecem o diálogo entre a pintura de Tarsila do Amaral e a propaganda de Havaianas.
Estão CORRETAS apenas as proposições
A pesquisa coletou informações sobre práticas esportivas e atividades físicas relativas a 2013. Ao todo, foram realizadas 8.902 entrevistas. Os dados foram ponderados com base em uma projeção da população brasileira por região, gênero e grupos de idade, feita pelo IBGE para o ano de 2013, de aproximadamente 146.748.000 brasileiros, quantidade equivalente à população entre 14 e 75 anos.
Ministério dos Esportes. A prática de Esportes no Brasil. Disponível em:<http://www.esporte.gov.br/diesporte/2.html>. Acesso: 10 maio 2017 (adaptado).A partir da leitura, julgue as proposições a seguir.
I. Mais de 30% dos homens e mulheres entrevistados têm consciência da necessidade da prática esportiva. II. Quase um quarto da população masculina, tomando por base a margem de erro da pesquisa, alega não ter tempo para a prática esportiva. III.Com base nos dados coletados na pesquisa, os homens brasileiros mostraram-se mais conscientes dos riscos causados pelo sedentarismo. IV.Somando-se homens e mulheres, mais de 10% dos entrevistados alegaram que não praticam esportes e/ou atividades físicas por não gostarem. V. Ao se somarem os números percentuais de homens e mulheres que não responderam à pergunta, não se chega a 1% dos entrevistados.
Estão CORRETAS apenas as proposições
Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, do Ministério da Saúde, mostram que, em 2013, aproximadamente 8% de todas as crianças de 0 a 5 anos eram consideradas obesas no Brasil. Em números absolutos, eram 345.270 crianças nessa condição, dentro da faixa etária, o que representa um aumento de 79,3% desde 2008. A nutricionista Andréa Santa Rosa destaca os maus hábitos alimentares como a principal causa do aumento. “Cada vez mais a indústria alimentícia lança no mercado produtos que colaboram para o aumento na obesidade no país. Há um excesso de carboidratos refinados (açúcar invertido, maltodrextina, frutose, açúcar branco, xarope de glicose), gordura trans, hidrogenada, saturada, corante, edulcorantes e outras substâncias artificiais que são inseridos nos produtos sem necessidade”, afirma. Segundo ela, uma alimentação inadequada da mãe durante a gestação e a introdução à alimentação complementar sem orientação de um profissional também contribuem para o desenvolvimento da obesidade infantil. “A rejeição por alguns alimentos é comum na criança que está começando a alimentação complementar, afinal ela passou os seis primeiros meses de vida se alimentando apenas do leite materno. Cabe à mãe ser firme e não desistir de oferecer frutas, legumes e verduras, o que não acontece na maior parte das vezes, pois há uma preocupação do filho ficar com fome e perder peso”, diz.
Disponível em:<https://www.fadc.org.br/noticias/183-crescimento-nos-indices-de-obesidade-infantil-e-novo-desafio-para-o-brasil.html> . Acesso: 09 maio 2017.
A partir da leitura, pode-se afirmar que
Esse amor deve