Questões de Vestibular
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Observe o parágrafo abaixo:
“O ex-prefeito de Juiz de Fora Carlos Alberto
Bejani é mesmo um fenômeno. Em pleno Brasil do
ano de 2008, onde tão pouca gente chega a se meter
em algum problema mais sério, de verdade, por
cometer atos de delinqüência na vida pública, ele
conseguiu ser preso duas vezes seguidas, entre abril
e junho. Para começar, deixou-se pegar em
flagrante, naquele tipo de cena que hoje em dia se
tornou um clássico da nossa política: recebendo
pacotes de dinheiro vivo, em valor um pouco acima
de 1,1 milhão de reais, numa gravação com imagem
e som. Ficou catorze dias na cadeia e foi solto, como
acontece sempre: e, como acontece sempre, tudo
deveria ir acabando por aí. Neste caso, porém, nem
mesmo a incomparável proteção que as leis e a
justiça brasileira oferecem a gente como o exprefeito foi suficiente para mantê-lo solto. O
documento que ele apresentou para justificar a
origem do dinheiro – a já tradicional venda de uma
‘fazenda’, variante da venda de bois, cavalos etc. –
foi considerado falso. Diante de sua absoluta falta de
cuidado com o que dizia enquanto era gravado,
ficou claro que o dinheiro lhe fora entregue em troca
da concessão de diversos aumentos no preço das
passagens municipais de ônibus. Contra todas as
expectativas, o homem teve de voltar ao presídio.”
(GUZZO, J. R. Agravo x embargo. Veja, São Paulo,
25 jun. 2008. Seções, p. 140)
O autor utiliza um recurso de repetição no meio do parágrafo (como acontece sempre) que enfatiza um aspecto importante para o reforço da idéia a ser desenvolvida. Isso demonstra, na seqüência, que ele:
Em obra sobre o poeta, afrma um de seus críticos:
A passagem dos três primeiros livros para Libertinagem [que é o quarto livro] talvez seja o assunto mais abordado pelos estudiosos do poeta. Lúcia Miguel Pereira se refere a ela como a vitória da “vida exterior sobre a interior”, o resultado do “esforço que o poeta fez para sair de si, para se objetivar”.
MOURA, Murilo Marcondes de. Manuel Bandeira. São Paulo: Publifolha, 2001. p. 40
Esse traço, que apareceu na passagem do terceiro para o quarto livro, persistiu nas obras posteriores do autor.
Assinale a alternativa em que, segundo a perspectiva apontada pelos críticos, os versos transcritos, de Meus poemas preferidos, pertencem a um dos três primeiros livros de Manuel Bandeira.
O meu fto na vida foi apossar-me das terras de S. Bernardo, construir esta casa, plantar algodão, plantar mamona, levantar a serraria e o descaroçador, introduzir nestas brenhas a pomicultura e a avicultura, adquirir um rebanho bovino regular.
RAMOS, Graciliano. S. Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 12.
Assinale a alternativa em que a ação narrada NÃO contribuiu para que Paulo Honório alcançasse seu objetivo.
Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri.


Estabelecendo-se uma relação entre os traços expressionistas da pintura de Cândido Portinari e o estilo seco e exato de Graciliano Ramos, é correto afirmar que o efeito da seca sobre os grupos humanos é apresentado com
A opção em que as duas crônicas apresentam tais características é:
Contos de aprendiz, de Carlos Drummond de Andrade.
Texto V
Óbito do autor
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas
A comparação do Pentateuco com o livro de que o narrador do texto se declara autor é:

Assinale a afirmativa que não corresponde ao texto de Machado de Assis.

O texto aborda a questão da relação da sociedade com o seu espaço e o seu tempo vividos, ou seja, a questão da experiência de vida do indivíduo com o seu lugar, representado pelo bairro do Brás, na cidade de São Paulo.
Na experiência do indivíduo com o lugar, em foco na história acima, enfatiza-se a dimensão:
“(Olímpio e Lucília saem, abraçados, pela porta em arco. Ao mesmo tempo, Marcelo aparece à porta de seu quarto no Primeiro Plano e Helena, com uma bandeja de xícaras, à porta da cozinha no Segundo Plano. Helena volta-se e sai novamente. Marcelo encosta-se ao batente da porta, completamente atordoado.)”
ANDRADE, Jorge. A moratória. Rio de Janeiro: Agir, 2003. p. 116.
Nessa orientação, o autor indica um traço psicológico que, ao longo da peça, caracteriza uma das personagens. O trecho em que isso se verifica é:
A declaração abaixo inicia o conto “Flor, telefone, moça”:
“NÃO, não é conto. Sou apenas um sujeito que escuta algumas vezes, que outras não escuta, e vai passando.”
ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos de aprendiz. 48. ed. Rio de Janeiro: Record, 2004. p. 77.
Por meio dessa declaração, o narrador faz referência a uma característica básica
PESCADORES
Chegou do mar!
Quanta arrogância no pescador...
O mar fê-lo forte, resoluto.
Tem ímpetos de ondas o seu olhar...
Olhem o calão do peixe que ele trouxe!!?...
São peixes monstros que ele pescou...
Quando há tormenta e a jangada vira
O homem forte matou a fome
Do irmão do mero que ele comeu...
FERNANDES, Jorge. Livro de poemas de Jorge Fernandes. 4.
ed. Natal: EDUFRN, 2007. p. 37.
PESCADORES
Chegou do mar!
Quanta arrogância no pescador...
O mar fê-lo forte, resoluto.
Tem ímpetos de ondas o seu olhar...
Olhem o calão do peixe que ele trouxe!!?...
São peixes monstros que ele pescou...
Quando há tormenta e a jangada vira
O homem forte matou a fome
Do irmão do mero que ele comeu...
FERNANDES, Jorge. Livro de poemas de Jorge Fernandes. 4.
ed. Natal: EDUFRN, 2007. p. 37.

Em relação à charge acima, pode-se inferir que
I. o texto verbal apresenta aspectos que se opõem entre si e partilham da construção do sentido do texto, como um todo.
II. o autor incorpora explicitamente uma intertextualidade da linguagem popular.
III. o leitor deve atribuir um único sentido para o enunciado “a coisa tá ficando preta”.
IV. a temática sugere ao leitor um posicionamento crítico sobre as mudanças no planeta Terra.
Está(ão) CORRETA(S) apenas a(s) proposição(ões)