Questões de Vestibular
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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LEMINSKI, Paulo. Caprichos e relaxos. São Paulo: Círculo do Livro, [s.d.]. p. 54.
Identifique com V ou F, conforme sejam as afirmativas verdadeiras ou falsas.
O poema comprova
( ) o uso de linguagem polissêmica.
( ) a ruptura com a linearidade do verso.
( ) o enfoque crítico de uma temática social.
( ) o sentimento de dúvida do sujeito poético decorrente do desejo não concretizado.
( ) a disposição das palavras construindo imagens fônica e visual significativas na tradução do tema.
A alternativa que contem a sequência correta, de cima para baixo, é a
TEXTO:
Prezados senhores, somos todos
da mesma cepa se vistos de binóculo.
Mas não somos os mesmos.
Eu, com meus poemas indevassáveis
vós, com vossas gravatas coloridas /
eu, com esta consciência de mim
vós, com vossa mesa farta /
eu, buscando o sempre inatingível
vós, com vossas gravatas coloridas /
eu, meditando muito sobre vós
vós, com vossa mesa farta.
Não somos da mesma cepa, mas vistos
de binóculo somos os mesmos.
Eis uma grande injustiça.
BRASILEIRO, Antônio. Divisor de águas. Antologia poética. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado; COPENE, 1996. p. 77
Homem não chora
Nem por dor
Nem por amor
E antes que eu me esqueça
5 Nunca me passou pela cabeça
Lhe pedir perdão
E só porque eu estou aqui
Ajoelhado no chão
Com o coração na mão
10 Não quer dizer
Que tudo mudou
Que o tempo parou
Que você ganhou
Meu rosto vermelho e molhado
15 É só dos olhos pra fora
Todo mundo sabe
Que homem não chora
Esse meu rosto vermelho e molhado
É só dos olhos pra fora
20 Todo mundo sabe
Que homem não chora
Homem não chora
Nem por ter
Nem por perder
25 Lágrimas são água
Caem do meu queixo
E secam sem tocar o chão
E só porque você me viu
Cair em contradição
30 Dormindo em sua mão
Não vai fazer
A chuva passar
O mundo ficar
No mesmo lugar
35 Meu rosto vermelho e molhado...
Embora o sujeito da letra da canção afirme que “Homem não chora” (linha 1), suas atitudes contrariam suas palavras.
Falamos a todo momento em dois mundos, em sua possível guerra, esquecendo quase sempre que existe um terceiro. É o conjunto daqueles que são chamados, no estilo Nações Unidas, de países subdesenvolvidos. Pois esse Terceiro Mundo ignorado, explorado, desprezado como o Terceiro Estado, deseja também ser alguma coisa.
ALFRED SAUVY
Adaptado de France-Observateur, 14/08/1952
Com essas palavras, o demógrafo e economista francês Alfred Sauvy caracterizou, na década de 1950, a expressão Terceiro Mundo.
No contexto das relações internacionais a que se refere o texto, esse conceito foi utilizado para a
crítica da:
Leia o enunciado a seguir e responda à questão.
“Um comediante popular, como Tom
Cavalcante, costuma dizer que a diferença
está no uso da voz, não na idade da piada.”
(linhas 16-18)
Pode-se afirmar que no enunciado:
I - Há um discurso direto explicitado pelo autor que cita uma informação, introduzida por um verbo “dicendi”.
II - Existe um verbo de elocução que introduz uma oração completiva precedida de um conectivo integrante.
III - Há um enunciado completivo, antecedido por uma locução verbal, cujo verbo principal introduz um discurso apelativo.
Analise as proposições e marque a alternativa que apresenta a(s) correta(s).
"De repente, vi minha pessoa num brejal, a cem braças do recinto da onça, nadando em minha infância nado de cachorrinho. E na segurança de umas tábuas e paus-de-mangue, fui ancorar a barba, espingarda a salvo para o que desse e viesse. [...] E andava eu nessas minudências, quando vi sair, do atrás de um panelão de formiga, aquele tiro sem pai. A pintada, que não esperava chumbo, pulou em modos de voar de imediato e caiu nos estrebuchos da agonia. Avivei a atenção para descobrir Barbirato e quem apareceu, no encaracolado da fumaça, foi o molecote pegador de papa-capim e caboclinho que vez por outra pernoitava no Sobradinho. Veio fagueiro, espingarda no ombro, sem medir consequência. Soltei do banhado meu grito de aviso:
― Afasta! Afasta!
E em dois pulos larguei a água em hora de correr o moleque na ponta da botina, tarefa de que só abri mão ao ver o desmiolado em distância segura, sem risco de vida. Como arremate, parado junto de uns pés de guriri, ainda esbravejei:
― Sujeito sem tino! Cuida que onça é gato de borralho.
Então, voltando atrás, passei ao ouvido da pintada toda a munição do meu paude-fogo que nem a água do brejo teve força de emperrar. Quebrada a jura por um, quebrada por mil. E, mais alto do que o estrondo do tiro, berrei eu:
― Conheceu, papuda!"
(José Cândido de Carvalho. O coronel e o lobisomem. José Olympio Editora: 41ª ed., p. 60-61)
TEXTO III
O filhinho diz à mãe que chegou de viagem:
- Eu dormiu com o papai ontem.
A empregada o corrige:
- Eu dormi com o papai.
O menino responde:
- Só se foi depois que eu peguei no sono.
(Sírio Possenti. In: Humores da língua. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1998, p. 145)
O texto acima apresenta um duplo efeito de sentido, em conseqüência:
TEXTO II
Desculpe, querida, mas eu tenho a impressão de que você quer casar comigo só porque eu herdei uma fortuna do meu tio. – Imagina, meu bem! Eu me casaria com você mesmo que tivesse herdado a fortuna de outro parente qualquer!
(Sírio Possenti. In: Humores da língua. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1998, p.31)
No texto II, a partir da fala da mulher, o leitor pode ser levado a deduzir que ela quer se casar, não por interesse, mas por amor. Essa dedução, no entanto, é desconstruída quando
I. Em “Na realidade, não existe filosofia em geral: existem diversas filosofias ou concepções...”, as formas verbais destacadas podem ser substituídas pela forma verbal “há” preservando-se a correção gramatical.
II. O pronome “esta” em “É esta escolha um fato puramente intelectual, ou é um fato mais complexo?” exerce a função de termo que retoma uma ideia já enunciada.
III. Em “logicamente afirmada como fato intelectual” – os termos grifados participam da mesma classe gramatical.
IV. No período “A má-fé pode ser uma explicação satisfatória para alguns indivíduos considerados isoladamente, ou até mesmo para grupos mais ou menos numerosos...”, estalece-se uma relação de oposição entre as duas orações.
Estão corretas: