Questões de Vestibular
Comentadas sobre morfologia em português
Foram encontradas 418 questões
(https://www.estadao.com.br/sao-paulo. Adaptado)
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Leia o texto para responder à questão.
Nascer
Era manhã nova, quando ele telefonou:
— Aída Isabel acabou de nascer! No entressono, que sabia eu de Aída Isabel, como podia avaliar o ato de responsabilidade que ela cometera?
— Quem?
— Aída Isabel.
Agora mesmo!
— E é forte, bonita?
— Não sei não senhor. Ainda não pude ver.
Estranhei que a um pai fosse defeso* espiar sua filha. Explicou-me que o regulamento era dureza, mas ele daria um jeito. E de fato, mais tarde, comunicou-me que conhecera afinal Aída Isabel.
— Como é que você entrou?
— Por baixo. A dona da portaria estava de costas, lendo jornal, eu me agachei e passei juntinho dela, debaixo do balcão.
Sorria ao contá-lo, pois gosta dessas experiências marotas, e se pudesse ir ver a filha ao jeito comum, perderia o sabor.
— Era para ela chegar na semana passada, internei Lucinha no Hospital dos Servidores, à noite a criança cismou de atrasar, as dores pararam. Então o médico disse que carecia desocupar o leito, o funcionalismo está assim de menino fazendo fila para nascer. Voltamos para Olaria, desapontados. Na noite seguinte, acordamos com um estrondo, lá longe; os vidros da casa retiniram. Eu disse comigo: é agora. A explosão de Deodoro ajudou. Pedi a Lucinha que aguentasse firme até o dia clarear. Voltamos ao hospital, não havia vaga, mas eles foram camaradas, mandaram a gente para uma casa de saúde em Botafogo, negócio alinhado, valeu a pena. Só que não recebe visita. Pessoa da família nem nada.
(Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas. 2016)
(https://www.estadao.com.br/sao-paulo. Adaptado)
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Os termos sublinhados referem-se, respectivamente, a
Texto II
Inculta e Bela
Como todos sabemos, essa expressão saiu da pena de nosso aclamado príncipe dos poetas, Olavo Bilac, logo no primeiro verso do seu famoso soneto “A Língua Portuguesa.” Bela, sim, por que não? As vezes que primeiro ouvimos dos lábios de nossas mães ficam-nos no espírito como pura melodia. “Todos cantam sua terra / Também vou cantar a minha.” E esse canto encantado é música das palavras que nos afagaram no colo materno. Mas inculta? Como assim? O próprio poeta se desmente e contradiz ao se imortalizar no mesmo idioma em que Camões se irmanou ao gênio de Virgílio e Dante. Língua culta e de cultura, eis a coroa que há séculos lhe ornara a fronte, onde resplandecem as galas de patrimônio de uma civilização.
Nada, pois, que admirar venha a língua portuguesa continuamente atraindo inteligências e dedicações para o seu estudo em tantos dos recantos deste mundo de Deus. E isso em qualquer de suas fases ou de suas modalidades coloquial ou popular.
ELIA, Sílvio. 50 textos errados e corrigidos, Rio de Janeiro: Gráfica Olímpica.
Assinale a opção em que o vocábulo primeiro está empregado na mesma classe gramatical em que aparece na frase acima.
Morfologicamente, é correto afirmar que, nesta frase:
Disponível em: https://brainly.com.br/tarefa/16552491. Acesso em: 1º abr. 2025. Adaptada. O texto acima trabalha com a possibilidade da ambiguidade obtida devido à/ao
Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder à questão.
1 Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo- -se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...
2 — Bom dia.
3 — Bom dia!
4 — Bom dia, Carvalho!...
5 ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...
6 A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.
7 Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitualmente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.
(Os ratos, 2022.)
1 porte-monnaie: porta-moedas.
Para responder à questão, analise o trecho a seguir.
Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateu-lhe mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou. Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia do estômago, ele olhou para a dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio currupaco, meio miau-miau-au, mas perfeitamente compreensível):
— Madame, foge pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair! Corre, madame, que o prédio vai cair!
Texto 1

(Adaptado de Instagram de @midianinja. Disponível em https://www.instagram.com/p/CB QdmZZJFmA/?igsh=aXduZmgybDJ1aW1r. Acesso em 04/09/2024.)
Texto 2

(Instagram de @andrevargassantos. Disponível em https://www.instagram.com/p/C46fe85J JjX/?igsh=YjFodmJjM3NmbmM3. Acesso em 04/09/2024.)
As palavras em destaque nos textos 1 e 2 são:
Mantendo o sentido original e a correção gramatical, a palavra sublinhada pode ser substituída por:
A seguir, são apresentados quatro relatos retirados da dissertação de Mestrado intitulada “A reconfiguração da experiência de ser doméstica através da página ‘Eu, empregada doméstica’”, de Enise de Castro Silva, textos III, IV e V. Leia-os, para resolver a questão.
TEXTO III
[...] Filhos sem educação que faziam de mim gato e sapato a filha dessa minha patroa tinha minha idade 14 anos a época e ela até me batia mas isso eu não deixava revidava então era uma brigaiada mas como eles não podiam perder a escravinha não me mandavam embora só ameaçavam!
TEXTO IV
Sem falar em outro doutorzinho que expõe sua empregada ao ridículo lá no meu trabalho ele sai mostrando a foto do perfil dela do whatsap para seus outros colegas e debochando. Olha só essa foto que cara de pobre que pose de vagabunda só podia ser doméstica mesmo!
TEXTO V
[...] a D. da casa é uma dondoca mesquinha que vive pra gastar o dinheiro do marido e ser servida. Um dia na hora do jantar usei um pouco de pimenta do reino dela para colocar no meu prato. A mulher fez um escândalo disse que aquilo era muito caro que aquelas pimentas era dela e da família dela. Não era pra eu usar na comida da empregada. Onde já se viu? Uma pimenta de 17 reais (só porque vinha naqueles moedores) a empregadinha colocar no prato. No dia seguinte comprei as pimentas com moedor mais caras do supermercado levei pra casa dela. Usava em todas as comidas da casa colocava na mesa a minha pimenta oferecia para os convidados dela usava a rodo. Eu sentia o constrangimento e a raiva dela mas ela não podia fazer nada eu estava sendo legal. Uns 3 anos depois vocês não sabem o que eu encontro vencida bem escondidinha. AS PIMENTAS. Era tão caras e ela deixou apodrecer.
Trechos retirados de SILVA, Enise de Castro. A reconfiguração da experiência de ser doméstica através da página “Eu, empregada doméstica”. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, 2019, p. 71-88. Textos adaptados para fins didáticos.