Questões de Vestibular
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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1. “O meu nome é Severino,/não tenho outro de pia./Como há muitos Severinos,/que é santo de romaria,/deram então de me chamar/ Severino de Maria [...] Somos muitos Severinos/iguais em tudo na vida” (seis primeiros versos do poema Morte e vida severina)
2. “[...] E aqui arribou, onde havia tantos outros, Rosálios, chegados pelas mesmas veredas, macambúzios, revestidos de cinzenta tristeza [...]” (O vôo da guará vermelha. p. 12)
A leitura dos fragmentos permite o leitor perceber
I - que ambos convergem para um mesmo ponto semântico: a aproximação entre Severino e Rosálio, que, pelo nome, comum ou adotado de uma “linhagem sem precedentes”, enfatiza um sujeito social sem grande “função”, espécie de “peso morto”, aparentemente vivendo à revelia dos prazeres, uma vez que a prioridade na vida de ambos é a sobrevivência.
II - que, diferentemente de Severino, Rosálio sobrepõe-se à mera atividade funcional por ele desenvolvida, porque encontra alimento para o seu espírito no “prazer de ler”, e somente isso na vida lhe basta.
III - que Severino, assim como Rosálio, encontra nas tradições culturais de sua comunidade respostas para uma vida melhor, daí migrar do interior para centros urbanos mais desenvolvidos, onde, à custa de bastante sacrifício, encontra uma forma de viver dignamente.
É(São) correto(s) apenas:
I - Poema narrativo no qual predomina a construção imaginária de um Nordeste rico em tradições culturais, idealizando um espaço social sem divisões rígidas, onde a morte, tema principal do autor, aparece como signo da renovação constante, do nascimento e da vida.
II - Poema narrativo que usa preferencialmente o verso heptassílabo, ou redondilha maior, próprio à tradição ibérico-medieval e ao folclore nordestino, as duas principais influências temático-formais do texto.
III - Severino, que conota ao mesmo tempo sujeito e condição, substantivo e adjetivo (Severina), vai em busca da própria vida, retirando-se de um espaço pautado pela exclusão sócio-econômica em que predominam as diversas facetas da morte, reveladoras da própria divisão social;
IV - O acentuado cunho social de Morte e vida severina destoa da obra de João Cabral de Melo Neto, preocupada exclusivamente com os aspectos formais da poesia.

Assinale a alternativa que NÃO SE APLICA ao romance de Raul Pompéia:
I - Poesia de profunda consciência formal, que conseguiu aliar as conquistas poéticas do modernismo a uma reflexão sobre a realidade social brasileira, sobretudo do homem nordestino.
II - Filiou-se à Geração de 45, sendo um dos seus principais expoentes e o grande disseminador de seus pressupostos estéticos e ideológicos.
III - Opôs-se ao lirismo sentimental, dominante na história da poesia brasileira, e construiu uma poesia impessoal, com o intuito de alcançar pela palavra a dimensão mais concreta possível da realidade.

Entre as expressões “bancos de dados” (linha 16) do texto 01 e “banco de dados” do segundo quadrinho da história “Navegar é preciso”, pode-se inferir que:
( ) A articulação intertextual promovida pela interação entre tema e figura compõe um todo significativo.
( ) A coerência discursiva ocasionada pela ruptura aparentemente existente entre figura e tema se justifica por conta do humor criado pelo autor.
( ) A relação de incongruência entre as expressões “bancos de dados” e “banco de dados” se estabelece pela contradição das figuras em relação ao tema, ocasionando uma ambigüidade.
( ) O uso de “banco de dados” no segundo quadrinho estabelece uma relação dialógica entre os enunciados, produzindo o efeito de sentido.
Analise as proposições acima, coloque V para a verdadeira e F para a falsa a alternativa correta.
Em “Sarapalha”, de Guimarães Rosa, essa integração e também a humanização da natureza com Argemiro expressa-se na seguinte alternativa:

Em ambos os textos, percebe-se a utilização de uma mesma temática, mas com tratamentos distintos, que se expressa na seguinte alternativa:
“Nas árvores as frutas eram pretas, doces como mel. Havia no chão caroços secos cheios de circunvoluções, como pequenos cérebros apodrecidos. O banco estava manchado de sucos roxos. Com suavidade intensa rumorejavam as águas. No tronco da árvore pregavam-se as luxuosas patas de uma aranha. A crueza do mundo era tranqüila. O assassinato era profundo. E a morte não era o que pensávamos. Ao mesmo tempo que imaginário – era um mundo de se comer com os dentes, um mundo de volumosas dálias e tulipas. Os troncos eram percorridos por parasitas folhudos, o abraço era macio, colado. Como a repulsa que precedesse uma entrega – era fascinante, a mulher tinha nojo, e era fascinante. As árvores estavam carregadas, o mundo era tão rico que apodrecia. Quando Ana pensou que havia crianças e homens grandes com fome, a náusea subiu-lhe à garganta, como se ela estivesse grávida e abandonada. A moral do jardim era outra. Agora que o cego a guiara até ele, estremecia nos primeiros passos de um mundo faiscante, sombrio, onde vitórias-régias boiavam monstruosas. As pequenas flores espalhadas na relva não lhe pareciam amarelas ou rosadas, mas cor de mau ouro e escarlates. A decomposição era profunda, perfumada... Mas todas as pesadas coisas, ela via com a cabeça rodeada por um enxame de insetos, enviados pela vida mais fina do mundo. A brisa se insinuava entre as flores. Ana mais adivinhava que sentia o seu cheio adocicado...
O jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno.” (LISPECTOR, C. Amor. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. P. 25)
A personagem Ana, uma dona de casa comum, tem um momento privilegiado de revelação quando desce errado do ponto e acaba indo parar quase sem querer no Jardim Botânico. Neste momento, várias imagens vão configurando um universo de sensações inesperadas em contato com uma natureza que sempre esteve no mesmo lugar. Por que agora a percepção desse mundo se torna diferente?



