Questões de Vestibular
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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Texto 1
“Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.
Ritmo líquido se infltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o.
(...)”
(“Ademir da Guia”)
Texto 2
“A bola não é a inimiga como o touro, numa corrida; e, embora seja um utensílio caseiro e que se usa sem risco, não é o utensílio impessoal, sempre manso, de gesto usual: é um utensílio semivivo, de reações próprias como bicho e que, como bicho, é mister (mais que bicho, como mulher) usar com malícia e atenção dando aos pés astúcias de mão.”
(“O futebol brasileiro evocado na Europa”)
Sobre os fragmentos acima, afrma-se:
1. O texto 1 utiliza várias imagens para caracterizar um jogador de futebol que apresenta ritmo lento e pesado, mas destruidor.
2. O texto 2 metaforiza a bola de futebol, considerando-a um organismo vivo, que carrega atributos naturalizados num estado de semivivência de bola- bicho.
3. O primeiro texto centra-se num personagem em ação, enquanto o segundo tematiza o instrumento que possibilita essa ação.
Está/Estão correta(s) a(s) afrmativa(s)
“Vancê sabe como é que se joga o osso?
Ansim:
Escolhe-se um chão parelho, nem duro, que faz saltar, nem mole, que acama, nem areento, que enterra o osso.”
Sobre a obra de Simões Lopes Neto, NÃO é correto afrmar que esse autor
“E o título sairia muito maior, só que não caberia numa única linha. Não leio todos os dias Armando Nogueira – embora todos os dias dê pelo menos uma espiada rápida – porque “meu futebol” não dá pra entender tudo. Se bem que Armando escreve tão bonito (não digo apenas “bem”), que às vezes, atrapalhada com a parte técnica de sua crônica, leio só pelo bonito. (...) Armando dizia: “De bom grado eu trocaria a vitória de meu time num grande jogo por uma crônica…” e aí vem o surpreendente: continua dizendo que trocaria tudo isso por uma crônica minha sobre futebol.
(...)
Meu primeiro impulso foi o de uma vingança carinhosa: dizer aqui que trocaria muita coisa que me vale muito por uma crônica de Armando Nogueira sobre digamos a vida. Aliás, meu primeiro impulso, já sem vingança, continua: desafo você, Armando Nogueira, a perder o pudor e escrever sobre a vida e você mesmo (...).
E agora vou contar o pior: fora as vezes que vi por televisão, só assisti a um jogo de futebol na vida, quero dizer, de corpo presente. Sinto que isso é tão errado como se eu fosse uma brasileira errada.
(...) Não, não imagine que vou dizer que futebol é um verdadeiro balé. Lembrou-me foi uma luta entre vida e morte, como de gladiadores. E eu – provavelmente coitada de novo – tinha a impressão de que a luta só não saía das regras do jogo e se tornava sangrenta porque um juiz vigiava, não deixava, e mandaria para fora de campo quem como eu faria, se jogasse (!). Bem, por mais amor que eu tivesse por futebol, jamais me ocorreria jogar… Ia preferir balé mesmo. Mas futebol parecer-se com balé? O futebol tem uma beleza própria de movimentos que não precisa de comparações.”
A crônica “Armando Nogueira, futebol e eu, coitada”
1. sugere uma disputa carinhosa entre derrotas e sucessos do ato de escrever, metaforizado como jogo de palavras.
2. mostra que a cronista às vezes aprecia mais o estilo do que o conteúdo dos textos de Armando Nogueira.
3. revela uma narradora que nada sabe sobre futebol, considerando essa alienação como algo natural.
4. aponta semelhanças entre os movimentos do futebol e os do balé.
Estão corretas apenas as afrmativas
I. Macunaíma é uma obra que pertence à escola modernista.
II. No excerto, o narrador refere-se ao futebol de forma positiva.
III. Na linguagem presente no fragmento, percebe-se a valorização da oralidade e do coloquialismo.
Está/Estão correta(s) a(s) afrmativa(s)

Nesse excerto,
( ) o sertão é apresentado como sinônimo de solidão, devido à vastidão de um mundo onde se marcham léguas à procura de alguém.
( ) perante as travessias e as larguezas do chapadão, o sertão está localizado na interioridade e na subjetividade humanas.
( ) o autor demonstra a força inovadora de uma transfiguração estilística que busca potencializar o léxico próprio e o falar sertanejo.
( ) não existem temáticas místicas e religiosas associadas às manifestações da natureza do sertão.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Texto 1
“João Grande vem vindo para o trapiche. O vento quer impedir seus passos e ele se curva todo, resistindo contra o vento que levanta a areia. Ele foi à Porta do Mar beber um trago de cachaça com o Querido-de-Deus, que chegou hoje dos mares do Sul, de uma pescaria. O Querido-de-Deus é o mais célebre capoeirista da cidade. Quem não o respeita na Bahia? No jogo de capoeira de Angola ninguém pode se medir com o Querido-de-Deus, nem mesmo Zé Moleque, que deixou fama no Rio de Janeiro. O Querido-de-Deus contou as novidades e avisou que no dia seguinte apareceria no trapiche para continuar as lições de capoeira que Pedro Bala, João Grande e o Gato tomam.”
(Capitães da Areia, Jorge Amado – excerto)
Texto 2
“– Qué apanhá sordado?
– O quê?
– Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada”
(“O Capoeira”, Oswald de Andrade)
Texto 3
“Seja de noite ou de dia
não importa o lugar
quando toca o berimbau
dá vontade de jogar
Na roda de capoeira
todos têm o seu valor
eu respeito um aluno
quanto mais um professor”
(“Capoeira que tem sangue na veia” – canção de roda de capoeira, autor desconhecido)
Sobre os textos, afrma-se:
( ) No texto 1, a capoeira é o instrumento que confere destaque a um personagem marginalizado.
( ) No texto 2, Oswald de Andrade relaciona capoeira a violência, usando linguagem de acentuada ora- lidade.
( ) No texto 3, a capoeira traz um contexto não discriminatório.
( ) Os “Capitães da Areia”, embora pouco mais que meninos, apresentam atitudes e hábitos de adultos.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
“Aurélia sentou-se à mesa de mosaico, voltando as costas ao jardim para não ver a formosa noite que lhe caíra no desagrado. (...) Havia em cima da mesa uma caixa de jogo, donde Aurélia tirou um baralho, com que se entreteve a fazer sortes.
– Vamos jogar? disse dirigindo-se ao marido”.
Sobre o romance Senhora e a obra de Alencar, NÃO é correto afrmar:
“Apesar desta explicação, houve uma semana em que a alegria de Camilo foi extraordinária. Ides ver. Que a posteridade me ouça. Camilo, pela primeira vez, jogou no bicho. Jogar no bicho não é um eufemismo como matar o bicho. O jogador escolhe um número, que convencionalmente representa um bicho, e se tal número acerta de ser o fnal da sorte grande, todos os que arriscaram nele os seus vinténs ganham, e todos os que faram dos outros perdem. Começou a vinténs e dizem que está em contos de réis; mas, vamos ao nosso caso. Pela primeira vez Camilo jogou no bicho, escolheu o macaco, e, entrando com cinco tostões, ganhou não sei quantas vezes mais. Achou nisto tal despropósito que não quis crer, mas afnal foi obrigado a crer, ver e receber o dinheiro. Naturalmente tornou ao macaco, duas, três, quatro vezes, mas o animal, meio-homem, falhou às esperanças do primeiro dia. Camilo recorreu a outros bichos, sem melhor fortuna, e o lucro inteiro tornou à gaveta do bicheiro. Entendeu que era melhor descansar algum tempo; mas não há descanso eterno, nem ainda o das sepulturas. Um dia lá vem a mão do arqueólogo a pesquisar os ossos e as idades. Camilo tinha fé. A fé abala as montanhas.”
Jogo do bicho, conto de Machado de Assis (fragmento).
Um dos grandes mestres do Realismo, Gustave Flaubert, afrmou que o escritor, em sua obra, deve ser como um Deus no universo: onipresente e invisível. Portanto, em tese, os narradores realistas deveriam apresentar suas histórias de forma neutra, sem interferências.
Sobre o narrador de Jogo do bicho, NÃO é correto afirmar que ele
INSTRUÇÃO: Responder à questão 31 com base no fragmento de texto e nas afrmativas a seguir.
“Com um relance da vista, Naziazeno percebe que o jogo já está quase feito. Mete nervosamente a mão no bolso da calça e tira os cinco mil réis. (...) A bolinha já gira. O olhar acostumado encontra facilmente o 28. Já abriu uma passagem. O seu braço estende- se, levando os cinco mil réis para aquele número. Mas um medo prudente o detém. E como o tempo urge, deposita rapidamente a cédula no retângulo da terceira dúzia.
– Feito! – observa o croupier. E, passado um momento de silêncio e de expectativa, anuncia: – 28.
Um tumulto e um estado de confusão enchem a cabeça de Naziazeno. Tem apenas uma vaga ideia de que ganhou. (...) É quando recebe o dinheiro que faz o cálculo: cinco mil réis... cento e setenta e cinco!... Tudo resolvido assim num segundo.”
Sobre o fragmento, afrma-se:
I. Pertence à obra Os ratos, texto com forte caráter psicológico.
II. Seu autor é Luiz Antonio de Assis Brasil, escritor gaúcho profícuo na construção de uma narrativa voltada para o histórico.
III. Naziazeno é um personagem resoluto, de atitu- des frmes e decididas, caráter evidenciado no excerto.
IV. A passagem “Tudo resolvido assim num segundo” faz referência à laboriosa incumbência de Nazia- zeno: conseguir dinheiro sufciente para saldar a dívida com o leiteiro.
Estão corretas apenas as afrmativas
Esse trecho alude a um personagem solitário e visionário, um dos mais representativos da Literatura Brasileira.
Quem é o autor que criou este personagem?
Assinale a alternativa em que esse mito está corretamente descrito.
Assinale a alternativa em que essas características estão representadas.

Jaime Bunda comia cada vez mais lentamente, para não perder palavra daquela conversa subversiva. Assuntos que interessavam ao mais alto ponto a segurança nacional eram ali contados sem rebuço, em voz tão alta que se podia ouvir na rua. E metendo altas tecnologias, como essa de discos voadores caçarem pacaças. Este Kiko era mesmo suspeito, pena que fosse o único restaurante que servia aqueles pitéus, senão passavalhe já as algemas. Bem, era maneira de dizer, pois não tinha arma nem algemas. Bunda se definia como um detetive cerebral, diferente dos que prendem e arrebentam. Tinha de contar todos os detalhes desta conversa ao chefe Chiquinho, ele lá saberia o que fazer. E vigiar de mais perto os dois escribas, cúmplices descarados do dono do restaurante. (PEPETELA, 2003)

Use, então, tudo isso e identifique a alternativa em que há um erro grosseiro de compreensão (considerandose o que se espera de um leitor proficiente préuniversitário).

