Questões de Vestibular
Comentadas sobre interpretação de textos em português
Foram encontradas 5.341 questões
A forma utilizada no capítulo apresentado acima revela um conjunto de atos e sensações que explicam a escolha do título.
O tom irônico do poema revela uma leitura do fazer poético que contrasta os aspectos jocoso e sério dessa atividade criativa
A ideia de mastigação das palavras representa um julgamento negativo da produção poética, expresso como constatação de que o poeta não sabe, de fato, articular seu discurso.
O que diferencia o segundo verso do primeiro é a supressão do verbo “parecer” e a substituição da palavra “reflexão” por “salivação”, alterações que implicam mudança da simples meditação acerca da semelhança do trabalho poético a qualquer ato de pensamento para uma percepção agudamente metafórica.
Os “espaços de salivação e silêncio” podem ser interpretados como os espaços deixados pelo poeta entre um verso e outro e, ainda, por meio da diminuição gradativa do tamanho de cada verso do poema
“O maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar” (Machado de Assis).
No verdô da minha idade
mode acalentá meu choro
minha vovó de bondade
falava em grandes tesôro
era históra de reinado
prencesa, prinspe, incantado
com feiticêra e condão
essas históra ingraçada
tá selada e carimbada
dentro do meu coração.
[...]
(Patativa do Assaré. Digo e não peço segredo. São Paulo: Escrituras Editora, 2001. p. 15)
A respeito do fragmento poético de Patativa do Assaré, é incorreto dizer:
XI
Aquela senhora tem um piano
Que é agradável, mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...
Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.
PESSOA, Fernando. O guardador de rebanhos. Poemas completos de Alberto Caeiro.
In:GALHOZ, Maria Aliete. Fernando Pessoa: obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999. p. 213 (Fragmento).
“O rumor crescia, condensando-se; o zum-zum de todos os dias acentuava-se; já não se destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço” (O Cortiço – Aluízio Azevedo).
o autor
O Brasil nunca sofrerá um grande terremoto?
Não dá para descartar uma megatragédia desse tipo, mas
a possibilidade é muito pequena. Pelo menos enquanto a gente
estiver vivo. “Já devem ter ocorridos grandes terremotos no
Brasil há centenas de milhões de anos. Mas, nos dados
sismológicos coletados desde o século 18, não há registro de
tremor forte em nosso território”, afirma o geólogo João Carlos
Dourado, especialista em sismologia da UNESP de Rio Claro (SP).
A certeza de que o Brasil era uma terra abençoada por Deus e
imune de terremotos, porém, foi abalada no início de
dezembro, quando um tremor de 4,9 graus na escala Richter no
vilarejo de Caraíbas (MG) causou a primeira morte no país. De
fato, o Brasil tem pelo menos 48 falhas pequenas sob sua crosta
– uma delas teria causado o chacoalhão fatal.
Mas a imagem de um país remendado não é para assustar.
Primeiro, porque o Brasil fica no meio de uma placa tectônica, a
Sul-Americana, longe das instáveis regiões de contato entre
placas. Segundo, porque as fraturas daqui geram no máximo
terremotos médios como o de Caraíbas. Mesmo que um abalo
atinja uma cidade grande, provavelmente os efeitos não serão
devastadores. “As casas do vilarejo desabaram por serem
construções muito simples, sem suporte estrutural. Em áreas
urbanas, as estruturas são reforçadas e mais resistentes a
tremores dessa intensidade”, diz João Carlos.
RATIER, Rodrigo. Superinteressante,
São Paulo, n. 248, p. 42, jan. 2008 (Fragmento).
I. Grandes cataclismos como terremotos dificilmente serão vistos no Brasil pelo fato de esse território estar situado no centro de uma grande placa tectônica.
II. Um caso inédito teria, na época, motivado a publicação desse texto: uma pessoa morreu após um abalo sísmico ocorrido no interior de Minas Gerais.
III. O geólogo citado no texto consegue minimizar a preocupação dos leitores, afirmando que, se houver terremotos no Brasil, as consequências não serão graves, pois eles ocorrerão em escalas menores.
IV. O geólogo não minimiza a preocupação dos leitores e ratifica que, se houver terremotos em áreas urbanas, provavelmente os efeitos serão devastadores, uma vez que as fraturas daqui geram máximos tremores, por ser na junção entre placas, em que elas se movimentam.
verifica-se que somente
O texto a seguir é referência para as questões de 7 a 9.
[...]
Os outros admiravam-se da serenidade de Rodrigo, que
encarava Bento a sorrir. E quando falou, dirigiu-se aos que o
cercavam:
– Vosmecês estão vendo. Esse moço está me
provocando...
Insolente, Bento Amaral botou as mãos na cintura e disse:
– Pois ainda não tinha compreendido?
Bibiana sentiu que alguém lhe pegava do braço e arrastava
para longe dos dois rivais, abrindo caminho por entre os
convivas. Não ergueu os olhos, mas sentiu que esse alguém era
seu pai.
– Vamos lá pra dentro resolver isso como cavalheiros... –
sugeriu Joca Rodrigues, batendo timidamente no ombro de
Bento.
– Não vejo nenhum cavalheiro na minha frente – retrucou
este, mais moderado do que pronunciando as palavras. – Vejo é
um patife!
O sangue subiu à cabeça de Rodrigo, que teve de fazer um
esforço desesperado para não saltar sobre o outro.
[...]
VERÍSSIMO, Érico. Um certo capitão Rodrigo.
São Paulo: Globo, 1991. p. 93 (Fragmento).
“Nacib olhava pela janela do bar: não poderiam existir mundos distantes que o tirassem do olhar de Gabriela.
Pensava” (Jorge Amado).
A parte sublinhada do trecho pode também ser reescrita da seguinte forma:
“Este é o meu lugar, entranhado em meu sangue
como a lama no fundo da noite lacustre.
E por mais que me afaste, estarei sempre aqui
e serei este vento e a luz do farol,
e minha morte vive na cioba encurralada” (Ledo Ivo)
Remissão
Tua memória, pasto de poesia,
tua poesia, pasto dos vulgares,
vão se engastando numa coisa fria
a que tu chamas: vida e seus pesares.
Mas pesares de quê? perguntaria,
se esse travo de angústia nos cantares,
se o que dorme na base da elegia
vai correndo e secando pelos ares,
e nada resta, mesmo, do que escreves
e te forçou ao exílio das palavras,
senão contentamento de escrever,
enquanto o tempo, em suas formas breves
ou longas, que sutil interpretavas,
se evapora no fundo de teu ser?
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
2002.
é correto dizer:
O texto acima se refere à autora alagoana de Marechal Deodoro, que, dentre tantas obras, escreveu também: Eu, em versos e prosa; Recados; Dos destroços, o regate; Farpa, Fantasia e avesso e Grande baú – a infância.
Qual opção completa corretamente a lacuna do texto acima?
“Decididamente era indispensável que a campanha de Canudos tivesse um objetivo superior à função estúpida e bem pouco gloriosa de destruir um povoado dos sertões. Havia um inimigo mais sério a combater, em guerra mais demorada e digna. Toda aquela campanha seria um crime inútil e bárbaro, se não se aproveitassem os caminhos abertos à artilharia para uma propaganda tenaz, contínua e persistente, visando trazer para o nosso tempo e incorporar à nossa existência aqueles rudes compatriotas retardatários”
CUNHA, Euclides da. Os sertões. São Paulo: Cultrix/Brasília: INL, 1975, p. 342.
“Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinquenta, nem vinte, quando muito, dez. Dez? talvez cinco.”
ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: W.M. Jackson Editores, 1970, p. 9
A partir desse trecho, pode-se concluir que
LISPECTOR, Clarice. Laços de família. 6. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1974, p. 30.
Dadas as assertivas seguintes sobre a escrita de Clarice Lispector, como se pode perceber no fragmento acima,
I. Caracterizada pela presença de uma visão subjetiva, a partir da qual são apresentados o tempo, o espaço, as personagens, as ações e o tempo da narrativa.
II. Direta e objetiva, sem uso de metáforas ou comparações inovadoras, no âmbito da narrativa brasileira do século XX.
III. Marcada por associações inusitadas, que rompem com a noção de causalidade e renovam a tradição narrativa brasileira.
IV. Típica da literatura regionalista nordestina da década de 30, tanto pela temática abordada, quanto pela linguagem utilizada, o que a aproxima de Rachel de Queiroz.
verifica-se que estão corretas apenas