Questões de Vestibular
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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Em um país de tanta abundância e tão pouca oportunidade para tantos, há quem acredite que a nova classe C está destinada a ficar por cima da carne seca e tirar a barriga da miséria. Nem nos causa estranheza que nossos ministros sejam fritados ou a liberação de recursos para a saúde e a educação seja eternamente cozinhada em banho-maria. Aliás, quem é que não sabe que tudo aqui acaba em pizza?
No Brasil, fast-food e alopatia convivem na boa com a mamadeira, a canjica, os chás de erva-cidreira e erva-doce. Geleia global. Tudo bem que os americanos tenham o seu “piece of cake”, designativo das coisas fáceis de obter. Houve tempo em que eles só souberam da fartura e não sentiram na carne o que é ter de descascar um abacaxi, resolver um pepino, encarar uma batata quente e enfrentar o angu de caroço que é o nosso dia.
Afinal, mesmo em crise, eles ainda ganham em dólar. E comem como poucos...
OLIVEIRA, José Paulo. Revista Língua Portuguesa. Ano 7. Nº 78. Abril de 2012.
Do texto, infere-se que o autor José Paulo Oliveira
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Disponível em: http://www.dietasaude.com.br. Acesso em: 19 nov. 2013 (fragmento).
O fragmento do texto é instrucional e apresenta elementos persuasivos. Isso se explica
I. em razão da linguagem, que visa influenciar e modificar o comportamento do público leitor.
II. pelo emprego dos verbos no imperativo, que soam como uma ordem.
III. porque qualquer problema de saúde acarretado pela má alimentação é mais combatido com dietas.
IV. porque todos devem preferir os alimentos crus aos cozidos.
Quais das explicações estão corretas?
será que a cabeça tem o mesmo tempo que a mão? o tempo do pensamento, o tempo da ação
será que o teto tem o mesmo tempo que o chão? o tempo de decompo tempo de decomposição
será que o filho tem o mesmo tempo que o pai? o tempo do nascimento, crescimento, envelhecimento,
um momento como matar o tempo
Disponível em: http://www.arnaldoantunes.com.br. Acesso em: 18 nov. 2013 (adaptado).
Considerando o gênero textual, pode-se inferir que
PRADO, Adélia. Poesia Reunida, São Paulo, Siciliano, 1991 (fragmento).
De acordo com os versos de Adélia Prado, quando Deus lhe tira a poesia, resta-lhe a linguagem

Disponível em: http://ralfofurtado.blogspot.com.br. Acesso em: 01 dez. 2013.
Verifica-se na fala do cliente do banco a figura de linguagem
Como se pode verificar nesse texto, a forma como o falante produz, foneticamente, os fatos de sua língua pode interferir na produção de um texto escrito, a depender do seu nível de escolaridade.
Nos dois casos, há uma variação linguística, ou seja, o uso de formas diferentes para expressar o mesmo significado.
Veio para a biblioteca, sentou-se a uma cadeira de balanço, descansando. Estava num vasto aposento. Quem examinasse vagarosamente aquela grande coleção de livros havia de espantar-se ao perceber o espírito que presidia a sua reunião. Na ficção, havia unicamente autores nacionais ou tidos como tais: o Bento Teixeira, da Prosopopeia; o Gregório de Matos, o Basílio da Gama, o Santa Rita Durão, o José de Alencar (todo), o Macedo, o Gonçalves Dias (todo), além de muitos outros. Podia-se afiançar que nem um dos autores nacionais ou nacionalizados faltava nas estantes do major. A razão tinha de ser encontrada numa disposição particular de seu espírito, no forte sentimento que guiava sua vida: era um patriota.
O trecho refere-se à personagem
Parece mentira: Detroit, a cidade-símbolo da cultura do automóvel, quebrou. Deve US$ 20 bilhões, que não tem como pagar, e, de lá, saem agora apenas 5% dos carros montados nos EUA. Sua população passou de 1,8 milhão para 700 mil, dos quais 40% vivem abaixo da linha da pobreza. Além disso, é hoje a cidade mais violenta do país. As justificativas apontadas são as crises econômicas e a concorrência da Ásia. Mas há também um fator que me toca mais: o declínio da dita cultura – a do automóvel. Segundo pesquisas, 20% dos jovens americanos hoje, entre 20 e 24 anos, não têm carteira de habilitação. Se essa idade cair para 18 anos, o número sobe para 40%. Isso num país em que, até há pouco, o carro era mais importante para um adolescente do que jogar beisebol ou beijar a coleguinha de classe. Era como se a identidade do indivíduo estivesse atrelada a uma máquina e, sem esta, ele não existisse. Claro que, nos países novos-ricos e grotões mais atrasados, a obsessão pelo carro continua. (Folha de S. Paulo, 29.07.2013. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a relação entre causa e consequência corresponde, corretamente, às ideias expostas pelo autor.
“Recriamos a língua na medida em que somos capazes de produzir um pensamento novo, um pensamento nosso. O idioma, afinal, o que é senão o ovo das galinhas de ouro?
Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo.
Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas? Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:
Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?
A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
O mato desconhecido é que é o anonimato?
O pequeno viaduto é um abreviaduto? [...]”
(COUTO, Mia. Perguntas à língua portuguesa. Disponível em: http://ciberduvidas.sapo.pt/antologia.php?rid=118. Acesso: 7 de março de 2007).
Mia Couto é um importante escritor da literatura moçambicana. No trecho em análise, seus questionamentos à língua portuguesa