Questões de Vestibular
Comentadas sobre interpretação de textos em português
Foram encontradas 5.386 questões
Texto 2
Nada cai do céu
O racionamento a que pode ser submetida boa parte da
população paulistana – e de outras cidades e estados
brasileiros – poderia ser evitado? A questão é muito mais
complexa do que possa parecer. Afinal, todos que vivemos
nessas áreas já somos e seremos ainda mais afetados.
O calor bate recordes no mundo. Dados recentes apontam
2014 como o ano mais quente da história. A temperatura
média no solo e nos oceanos aumentou 0,69 graus,
superando recordes anteriores. Parece pouco, mas não é.
A cada 20 ou 30 anos, em média, o Oceano Pacífico, a
maior massa de água do Planeta, sofre variações de
temperatura, ficando mais quente ou mais frio que o normal.
Essas oscilações interferem nos ventos, na chuva e na
temperatura em muitas regiões do globo. No Brasil,
diversos estados já sentem os impactos dessa alteração
climática. O verão passado foi um dos mais secos e
quentes, não apenas na região da capital paulista e seu
entorno, mas também em grande parte do Sudeste,
sobretudo em Minas Gerais, de onde vem a maior parte da
água que abastece a região metropolitana, por meio do
sistema Cantareira. Áreas dessa região registraram
anomalias de até 5 graus nas temperaturas máximas.
Com pouca água e maior consumo, devido ao calor, os rios
e represas que abastecem o sistema caíram aos menores
níveis já vistos. Em São Paulo, desde 2012, o Cantareira
vem sofrendo com chuva abaixo do normal.
As previsões não são as melhores. Segundo o estudo da
Climatempo, apenas no verão de 2017, é que se poderá
esperar por uma chuva normal ou acima da média, para
uma consistente recuperação do sistema.
Reverter a situação é um desafio. Trata-se de algo muito
mais educativo do que meteorológico. Desde o final de
2013, meteorologistas têm alertado sobre esse cenário
crítico. Já se sabe que o quadro não é favorável, e há
pouca chance de mudança em curto prazo. Porém, em um
planeta onde 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos é ocupado
por água, o ser humano ainda parece acreditar que ela
nunca irá acabar. Com ou sem chuva à vista, a população
precisa entender que a água pode – e vai – acabar se não
forem tomadas medidas preventivas.
A conscientização sobre o consumo deve ser permanente.
O que as nossas autoridades precisam entender é que não
dá para passar uma vida acreditando na ajuda divina. É
preciso arregaçar as mangas e se preparar. Ainda há muito
a fazer e a investir. Porque nada cai do céu – nem mesmo a
água tem caído, ultimamente.
MAGNO, Carlos. Folha de S. Paulo. Opinião,
25 fev. 2015. Adaptado.
Texto 2
Nada cai do céu
O racionamento a que pode ser submetida boa parte da
população paulistana – e de outras cidades e estados
brasileiros – poderia ser evitado? A questão é muito mais
complexa do que possa parecer. Afinal, todos que vivemos
nessas áreas já somos e seremos ainda mais afetados.
O calor bate recordes no mundo. Dados recentes apontam
2014 como o ano mais quente da história. A temperatura
média no solo e nos oceanos aumentou 0,69 graus,
superando recordes anteriores. Parece pouco, mas não é.
A cada 20 ou 30 anos, em média, o Oceano Pacífico, a
maior massa de água do Planeta, sofre variações de
temperatura, ficando mais quente ou mais frio que o normal.
Essas oscilações interferem nos ventos, na chuva e na
temperatura em muitas regiões do globo. No Brasil,
diversos estados já sentem os impactos dessa alteração
climática. O verão passado foi um dos mais secos e
quentes, não apenas na região da capital paulista e seu
entorno, mas também em grande parte do Sudeste,
sobretudo em Minas Gerais, de onde vem a maior parte da
água que abastece a região metropolitana, por meio do
sistema Cantareira. Áreas dessa região registraram
anomalias de até 5 graus nas temperaturas máximas.
Com pouca água e maior consumo, devido ao calor, os rios
e represas que abastecem o sistema caíram aos menores
níveis já vistos. Em São Paulo, desde 2012, o Cantareira
vem sofrendo com chuva abaixo do normal.
As previsões não são as melhores. Segundo o estudo da
Climatempo, apenas no verão de 2017, é que se poderá
esperar por uma chuva normal ou acima da média, para
uma consistente recuperação do sistema.
Reverter a situação é um desafio. Trata-se de algo muito
mais educativo do que meteorológico. Desde o final de
2013, meteorologistas têm alertado sobre esse cenário
crítico. Já se sabe que o quadro não é favorável, e há
pouca chance de mudança em curto prazo. Porém, em um
planeta onde 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos é ocupado
por água, o ser humano ainda parece acreditar que ela
nunca irá acabar. Com ou sem chuva à vista, a população
precisa entender que a água pode – e vai – acabar se não
forem tomadas medidas preventivas.
A conscientização sobre o consumo deve ser permanente.
O que as nossas autoridades precisam entender é que não
dá para passar uma vida acreditando na ajuda divina. É
preciso arregaçar as mangas e se preparar. Ainda há muito
a fazer e a investir. Porque nada cai do céu – nem mesmo a
água tem caído, ultimamente.
MAGNO, Carlos. Folha de S. Paulo. Opinião,
25 fev. 2015. Adaptado.
Texto1
Em busca de um conceito dinâmico de saúde
A despeito das diferentes possibilidades de encarar o
processo saúde/doença, não se pode compreender a saúde
de indivíduos e coletividades sem levar em conta que ela é
produzida nas relações com o meio físico, social e cultural.
Intrincados mecanismos determinam as condições de vida
das pessoas e a maneira como nascem, vivem e morrem,
bem como suas vivências em saúde e doença. Entre os
inúmeros fatores decisivos da condição de saúde, incluemse os condicionantes biológicos (sexo, idade,
características geradas pela herança genética), o meio
físico (condições geográficas, modos da ocupação, fontes
de água para consumo, disponibilidade e qualidade dos
alimentos, condições de habitação), assim como o meio
socioeconômico e cultural, que expressa os níveis de
ocupação e renda, o acesso à educação formal e ao lazer,
os graus de liberdade, hábitos e formas de relacionamento
interpessoal, as possibilidades de acesso aos serviços
destinados à promoção e à recuperação da saúde e a
qualidade da atenção por eles prestada.
Falar de saúde, portanto, envolve componentes
aparentemente tão díspares como a qualidade da água que
se consome e do ar que se respira, o consumismo
desenfreado e a miséria, a degradação social e a
desnutrição, os estilos de vida pessoais e as formas de
inserção das diferentes parcelas da população no mundo
do trabalho. Implica, ainda, a consideração dos aspectos
éticos relacionados ao direito à vida e à saúde, aos direitos
e deveres, às ações e omissões de indivíduos e grupos
sociais, dos serviços privados e do poder público.
A humanidade já dispõe de conhecimentos e de tecnologias
que podem melhorar significativamente a qualidade de vida
das pessoas. No entanto, além de não serem aplicados em
benefício de todos por falta de priorização de políticas sociais,
há uma série de enfermidades relacionadas ao potencial
genético de indivíduos ou etnias ou ao risco pura e
simplesmente de viver. Por melhores que sejam as condições
de vida, necessariamente, convive-se com doenças e
deficiências, com problemas de saúde e com a morte.
A busca do entendimento do processo saúde/doença e
seus múltiplos determinantes leva a concluir que nenhum
ser humano pode ser considerado totalmente saudável ou
totalmente doente: ao longo de sua existência, vive
condições de saúde/doença, conforme suas
potencialidades, condições de vida e interação com elas.
A saúde deixa de ser o avesso ou a imagem complementar
da doença, expressando-se na luta pela ampliação do uso
das potencialidades de cada pessoa e da sociedade,
refletindo sua capacidade de defender a vida. E a vitalidade
física, mental e social para a atuação frente às permanentes
transformações pessoais e sociais, e frente aos desafios e
conflitos, expressa esse potencial. Saúde é, portanto, produto
e parte do estilo de vida e das condições de existência,
sendo a vivência do processo saúde/doença uma forma de
representação da inserção humana no mundo.
Parâmetros Curriculares Nacionais – Saúde.
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/saude.pdf. Acesso
em 26/04/17. Adaptado.
Texto1
Em busca de um conceito dinâmico de saúde
A despeito das diferentes possibilidades de encarar o
processo saúde/doença, não se pode compreender a saúde
de indivíduos e coletividades sem levar em conta que ela é
produzida nas relações com o meio físico, social e cultural.
Intrincados mecanismos determinam as condições de vida
das pessoas e a maneira como nascem, vivem e morrem,
bem como suas vivências em saúde e doença. Entre os
inúmeros fatores decisivos da condição de saúde, incluemse os condicionantes biológicos (sexo, idade,
características geradas pela herança genética), o meio
físico (condições geográficas, modos da ocupação, fontes
de água para consumo, disponibilidade e qualidade dos
alimentos, condições de habitação), assim como o meio
socioeconômico e cultural, que expressa os níveis de
ocupação e renda, o acesso à educação formal e ao lazer,
os graus de liberdade, hábitos e formas de relacionamento
interpessoal, as possibilidades de acesso aos serviços
destinados à promoção e à recuperação da saúde e a
qualidade da atenção por eles prestada.
Falar de saúde, portanto, envolve componentes
aparentemente tão díspares como a qualidade da água que
se consome e do ar que se respira, o consumismo
desenfreado e a miséria, a degradação social e a
desnutrição, os estilos de vida pessoais e as formas de
inserção das diferentes parcelas da população no mundo
do trabalho. Implica, ainda, a consideração dos aspectos
éticos relacionados ao direito à vida e à saúde, aos direitos
e deveres, às ações e omissões de indivíduos e grupos
sociais, dos serviços privados e do poder público.
A humanidade já dispõe de conhecimentos e de tecnologias
que podem melhorar significativamente a qualidade de vida
das pessoas. No entanto, além de não serem aplicados em
benefício de todos por falta de priorização de políticas sociais,
há uma série de enfermidades relacionadas ao potencial
genético de indivíduos ou etnias ou ao risco pura e
simplesmente de viver. Por melhores que sejam as condições
de vida, necessariamente, convive-se com doenças e
deficiências, com problemas de saúde e com a morte.
A busca do entendimento do processo saúde/doença e
seus múltiplos determinantes leva a concluir que nenhum
ser humano pode ser considerado totalmente saudável ou
totalmente doente: ao longo de sua existência, vive
condições de saúde/doença, conforme suas
potencialidades, condições de vida e interação com elas.
A saúde deixa de ser o avesso ou a imagem complementar
da doença, expressando-se na luta pela ampliação do uso
das potencialidades de cada pessoa e da sociedade,
refletindo sua capacidade de defender a vida. E a vitalidade
física, mental e social para a atuação frente às permanentes
transformações pessoais e sociais, e frente aos desafios e
conflitos, expressa esse potencial. Saúde é, portanto, produto
e parte do estilo de vida e das condições de existência,
sendo a vivência do processo saúde/doença uma forma de
representação da inserção humana no mundo.
Parâmetros Curriculares Nacionais – Saúde.
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/saude.pdf. Acesso
em 26/04/17. Adaptado.
Texto1
Em busca de um conceito dinâmico de saúde
A despeito das diferentes possibilidades de encarar o
processo saúde/doença, não se pode compreender a saúde
de indivíduos e coletividades sem levar em conta que ela é
produzida nas relações com o meio físico, social e cultural.
Intrincados mecanismos determinam as condições de vida
das pessoas e a maneira como nascem, vivem e morrem,
bem como suas vivências em saúde e doença. Entre os
inúmeros fatores decisivos da condição de saúde, incluemse os condicionantes biológicos (sexo, idade,
características geradas pela herança genética), o meio
físico (condições geográficas, modos da ocupação, fontes
de água para consumo, disponibilidade e qualidade dos
alimentos, condições de habitação), assim como o meio
socioeconômico e cultural, que expressa os níveis de
ocupação e renda, o acesso à educação formal e ao lazer,
os graus de liberdade, hábitos e formas de relacionamento
interpessoal, as possibilidades de acesso aos serviços
destinados à promoção e à recuperação da saúde e a
qualidade da atenção por eles prestada.
Falar de saúde, portanto, envolve componentes
aparentemente tão díspares como a qualidade da água que
se consome e do ar que se respira, o consumismo
desenfreado e a miséria, a degradação social e a
desnutrição, os estilos de vida pessoais e as formas de
inserção das diferentes parcelas da população no mundo
do trabalho. Implica, ainda, a consideração dos aspectos
éticos relacionados ao direito à vida e à saúde, aos direitos
e deveres, às ações e omissões de indivíduos e grupos
sociais, dos serviços privados e do poder público.
A humanidade já dispõe de conhecimentos e de tecnologias
que podem melhorar significativamente a qualidade de vida
das pessoas. No entanto, além de não serem aplicados em
benefício de todos por falta de priorização de políticas sociais,
há uma série de enfermidades relacionadas ao potencial
genético de indivíduos ou etnias ou ao risco pura e
simplesmente de viver. Por melhores que sejam as condições
de vida, necessariamente, convive-se com doenças e
deficiências, com problemas de saúde e com a morte.
A busca do entendimento do processo saúde/doença e
seus múltiplos determinantes leva a concluir que nenhum
ser humano pode ser considerado totalmente saudável ou
totalmente doente: ao longo de sua existência, vive
condições de saúde/doença, conforme suas
potencialidades, condições de vida e interação com elas.
A saúde deixa de ser o avesso ou a imagem complementar
da doença, expressando-se na luta pela ampliação do uso
das potencialidades de cada pessoa e da sociedade,
refletindo sua capacidade de defender a vida. E a vitalidade
física, mental e social para a atuação frente às permanentes
transformações pessoais e sociais, e frente aos desafios e
conflitos, expressa esse potencial. Saúde é, portanto, produto
e parte do estilo de vida e das condições de existência,
sendo a vivência do processo saúde/doença uma forma de
representação da inserção humana no mundo.
Parâmetros Curriculares Nacionais – Saúde.
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/saude.pdf. Acesso
em 26/04/17. Adaptado.
Texto1
Em busca de um conceito dinâmico de saúde
A despeito das diferentes possibilidades de encarar o
processo saúde/doença, não se pode compreender a saúde
de indivíduos e coletividades sem levar em conta que ela é
produzida nas relações com o meio físico, social e cultural.
Intrincados mecanismos determinam as condições de vida
das pessoas e a maneira como nascem, vivem e morrem,
bem como suas vivências em saúde e doença. Entre os
inúmeros fatores decisivos da condição de saúde, incluemse os condicionantes biológicos (sexo, idade,
características geradas pela herança genética), o meio
físico (condições geográficas, modos da ocupação, fontes
de água para consumo, disponibilidade e qualidade dos
alimentos, condições de habitação), assim como o meio
socioeconômico e cultural, que expressa os níveis de
ocupação e renda, o acesso à educação formal e ao lazer,
os graus de liberdade, hábitos e formas de relacionamento
interpessoal, as possibilidades de acesso aos serviços
destinados à promoção e à recuperação da saúde e a
qualidade da atenção por eles prestada.
Falar de saúde, portanto, envolve componentes
aparentemente tão díspares como a qualidade da água que
se consome e do ar que se respira, o consumismo
desenfreado e a miséria, a degradação social e a
desnutrição, os estilos de vida pessoais e as formas de
inserção das diferentes parcelas da população no mundo
do trabalho. Implica, ainda, a consideração dos aspectos
éticos relacionados ao direito à vida e à saúde, aos direitos
e deveres, às ações e omissões de indivíduos e grupos
sociais, dos serviços privados e do poder público.
A humanidade já dispõe de conhecimentos e de tecnologias
que podem melhorar significativamente a qualidade de vida
das pessoas. No entanto, além de não serem aplicados em
benefício de todos por falta de priorização de políticas sociais,
há uma série de enfermidades relacionadas ao potencial
genético de indivíduos ou etnias ou ao risco pura e
simplesmente de viver. Por melhores que sejam as condições
de vida, necessariamente, convive-se com doenças e
deficiências, com problemas de saúde e com a morte.
A busca do entendimento do processo saúde/doença e
seus múltiplos determinantes leva a concluir que nenhum
ser humano pode ser considerado totalmente saudável ou
totalmente doente: ao longo de sua existência, vive
condições de saúde/doença, conforme suas
potencialidades, condições de vida e interação com elas.
A saúde deixa de ser o avesso ou a imagem complementar
da doença, expressando-se na luta pela ampliação do uso
das potencialidades de cada pessoa e da sociedade,
refletindo sua capacidade de defender a vida. E a vitalidade
física, mental e social para a atuação frente às permanentes
transformações pessoais e sociais, e frente aos desafios e
conflitos, expressa esse potencial. Saúde é, portanto, produto
e parte do estilo de vida e das condições de existência,
sendo a vivência do processo saúde/doença uma forma de
representação da inserção humana no mundo.
Parâmetros Curriculares Nacionais – Saúde.
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/saude.pdf. Acesso
em 26/04/17. Adaptado.
I. De acordo com o texto, podemos afirmar que as garotas entre 15 e 24 anos são as vítimas mais frequentes de acidentes e violência. II. Segundo o texto, incentivar jovens a seguirem uma religião e a adotarem práticas heterossexuais é uma boa forma de diminuir o elevado índice de suicídios. III. Com base no texto, podemos depreender que o preconceito é um dos fatores que pode prejudicar a saúde mental dos jovens.
Quais estão corretas?
Texto
Marketing sonhático
Produtos com ingredientes orgânicos e fabricados respeitando as tradições locais tendem a ganhar pontos. Por isso, um número crescente de empresas exagera um tantinho na hora de se "vender". A fabricante carioca de sucos Do Bem, criada em 2007, publica verdadeiros manifestos em suas caixinhas.
A Do Bem não usa açúcar, corantes ou conservantes para fazer uma "bebida verdadeira". Um desses manifestos diz que suas laranjas, "colhidas fresquinhas todos os dias, vêm da fazenda do senhor Francesco do interior de São Paulo, um esconderijo tão secreto que nem o Capitão Nascimento poderia descobrir".
Os sucos custam cerca de 10% mais do que os da concorrência. Mas as laranjas não são tão especiais assim. Na verdade, quem fornece o suco para a Do Bem não é seu Francesco, que jamais existiu, mas empresas como a Brasil Citrus, que vende o mesmo produto para as marcas próprias de supermercados.
Em nota, a empresa disse que não comenta a política de fornecedores e que o personagem Francesco é "inspirado em pessoas reais". Até grandes empresas estão enveredando para esse marketing mais, digamos, sonhático. A Coca-Cola, por exemplo, lançou em 2011 no Brasil um suco chamado Limão & Nada.
A promessa, a julgar pelo nome, era que aquele fosse um suco natural de limão. Mas a bebida tinha outros ingredientes na formulação, açúcar entre eles, e acabou saindo de linha no ano passado [2013]. A CocaCola diz, em nota, que os ingredientes eram informados na embalagem e que o nome não pretendia confundir o consumidor.
Nos Estados Unidos, uma reportagem desmascarou dezenas de destilarias de uísque ditas artesanais. Algumas delas, criadas há poucos anos, vendiam bebidas envelhecidas 15 anos, o que chamou a atenção de consumidores mais desconfiados. Descobriu-se que mais de 40 marcas compravam uísque de um mesmo fornecedor, a fábrica MGP, uma das maiores do país, localizada no estado de Indiana.
Entre as desmascaradas está a Breaker Bourbon, que afirmava produzir sua bebida numa destilaria nas montanhas douradas da costa californiana. "Todo mundo tem uma história boa e verdadeira para contar. As empresas não precisam ser desonestas com seus clientes", diz Mauricio Mota, sócio da agência de conteúdo The Alchemists.
Para o publicitário Washington Olivetto, presidente da WMcCann, que ajudou na criação da Diletto, "um lindo produto merece uma linda história". Se a história for verdadeira, tanto melhor.
Fonte: Adaptado de: Leal, Ana Luiza. Toda empresa quer ter uma boa história. Algumas são mentira. Revista Exame, 23/10/14. Acesso em: 23/10/17. Disponível em: https://exame.abril.com.br/revista-exame/marketing-ou-mentira/
Texto
Marketing sonhático
Produtos com ingredientes orgânicos e fabricados respeitando as tradições locais tendem a ganhar pontos. Por isso, um número crescente de empresas exagera um tantinho na hora de se "vender". A fabricante carioca de sucos Do Bem, criada em 2007, publica verdadeiros manifestos em suas caixinhas.
A Do Bem não usa açúcar, corantes ou conservantes para fazer uma "bebida verdadeira". Um desses manifestos diz que suas laranjas, "colhidas fresquinhas todos os dias, vêm da fazenda do senhor Francesco do interior de São Paulo, um esconderijo tão secreto que nem o Capitão Nascimento poderia descobrir".
Os sucos custam cerca de 10% mais do que os da concorrência. Mas as laranjas não são tão especiais assim. Na verdade, quem fornece o suco para a Do Bem não é seu Francesco, que jamais existiu, mas empresas como a Brasil Citrus, que vende o mesmo produto para as marcas próprias de supermercados.
Em nota, a empresa disse que não comenta a política de fornecedores e que o personagem Francesco é "inspirado em pessoas reais". Até grandes empresas estão enveredando para esse marketing mais, digamos, sonhático. A Coca-Cola, por exemplo, lançou em 2011 no Brasil um suco chamado Limão & Nada.
A promessa, a julgar pelo nome, era que aquele fosse um suco natural de limão. Mas a bebida tinha outros ingredientes na formulação, açúcar entre eles, e acabou saindo de linha no ano passado [2013]. A CocaCola diz, em nota, que os ingredientes eram informados na embalagem e que o nome não pretendia confundir o consumidor.
Nos Estados Unidos, uma reportagem desmascarou dezenas de destilarias de uísque ditas artesanais. Algumas delas, criadas há poucos anos, vendiam bebidas envelhecidas 15 anos, o que chamou a atenção de consumidores mais desconfiados. Descobriu-se que mais de 40 marcas compravam uísque de um mesmo fornecedor, a fábrica MGP, uma das maiores do país, localizada no estado de Indiana.
Entre as desmascaradas está a Breaker Bourbon, que afirmava produzir sua bebida numa destilaria nas montanhas douradas da costa californiana. "Todo mundo tem uma história boa e verdadeira para contar. As empresas não precisam ser desonestas com seus clientes", diz Mauricio Mota, sócio da agência de conteúdo The Alchemists.
Para o publicitário Washington Olivetto, presidente da WMcCann, que ajudou na criação da Diletto, "um lindo produto merece uma linda história". Se a história for verdadeira, tanto melhor.
Fonte: Adaptado de: Leal, Ana Luiza. Toda empresa quer ter uma boa história. Algumas são mentira. Revista Exame, 23/10/14. Acesso em: 23/10/17. Disponível em: https://exame.abril.com.br/revista-exame/marketing-ou-mentira/
02 as proas giram sozinhas…
03 Numa das naves que afundaram
04 é que certamente tu vinhas.
05 Eu te esperei todos os séculos
06 sem desespero e sem desgosto,
07 e morri de infinitas mortes
08 guardando sempre o mesmo rosto
09 Quando as ondas te carregaram
10 meu olhos, entre águas e areias,
11 cegaram como os das estátuas,
12 a tudo quanto existe alheias.
13 Minhas mãos pararam sobre o ar
14 e endureceram junto ao vento,
15 e perderam a cor que tinham
16 e a lembrança do movimento.
17 E o sorriso que eu te levava
18 desprendeu-se e caiu de mim:
19 e só talvez ele ainda viva
20 dentro destas águas sem fim.
I. Os versos Eu te esperei todos os séculos (verso 05) e e morri de infinitas mortes (verso 07) lançam mão da figura de linguagem conhecida como hipérbole.
II. Na última estrofe E o sorriso que eu te levava/desprendeu-se e caiu de mim:/e só talvez ele ainda viva/dentro destas águas sem fim, o eu lírico sinaliza uma superação das suas dores amorosas.
III. A referência a “estátuas”, no poema, nos faz classificar “Canção” como um poema parnasiano tardio.
Assinale a alternativa correta:
02 as proas giram sozinhas…
03 Numa das naves que afundaram
04 é que certamente tu vinhas.
05 Eu te esperei todos os séculos
06 sem desespero e sem desgosto,
07 e morri de infinitas mortes
08 guardando sempre o mesmo rosto
09 Quando as ondas te carregaram
10 meu olhos, entre águas e areias,
11 cegaram como os das estátuas,
12 a tudo quanto existe alheias.
13 Minhas mãos pararam sobre o ar
14 e endureceram junto ao vento,
15 e perderam a cor que tinham
16 e a lembrança do movimento.
17 E o sorriso que eu te levava
18 desprendeu-se e caiu de mim:
19 e só talvez ele ainda viva
20 dentro destas águas sem fim.
01 Acreditei que se amasse de novo
02 esqueceria outros
03 pelo menos três ou quatro rostos que amei
04 Num delírio de arquivística
05 organizei a memória em alfabetos
06 como quem conta carneiros e amansa
07 no entanto flanco aberto não esqueço
08 e amo em ti os outros rostos
09 Qual tarde de maio.
10 Como um trunfo escondido na manga
11 carrego comigo tua última carta
12 cortada
13 uma cartada.
14 Não, amor, isto não é literatura
Ana Cristina Cesar, “Contagem regressiva”