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Questões de Vestibular Comentadas sobre interpretação de textos em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 5.353 questões

Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467526 Português

Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados da seção “3 poemas com o auxílio do google”, do livro Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas.


a mulher vai

a mulher vai ao cinema

a mulher vai aprontar

a mulher vai ovular

a mulher vai sentir prazer

a mulher vai implorar por mais

a mulher vai ficar louca por você

a mulher vai dormir


a mulher pensa

a mulher pensa com o coração

a mulher pensa de outra maneira

a mulher pensa em nada ou em algo muito semelhante

a mulher pensa será em compras talvez

a mulher pensa por metáforas

a mulher pensa sobre sexo

a mulher pensa mais em sexo


a mulher quer

a mulher quer ser amada

a mulher quer um cara rico

a mulher quer conquistar um homem

a mulher quer um homem

a mulher quer sexo

a mulher quer tanto sexo quanto o homem



Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esses excertos, considerando, também, a leitura integral da obra Um útero é do tamanho de um punho


( ) Os três poemas são construídos com frases prontas, a partir de uma mesma base: a mulher vai; a mulher pensa; a mulher quer.


( ) A estrutura repetitiva, com sentenças contraditórias, mostra o quanto a mulher contemporânea é confusa e não sabe agir, nem definir o que quer.


( ) A colagem de frases feitas, divulgadas pelo Google, instrui como a mulher deve agir, pensar e desejar.


( ) A originalidade do conjunto encontra-se na montagem das frases coletadas no Google.



A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467524 Português

Para responder a questão 25, considere os fragmentos retirados de A terra dos mil povos, de Kaká Werá Jecupé.


I. Nessas andanças conheci mil povos, vivenciei suas riquezas: o pensamento, a sabedoria, os ritos, os mitos e a medicina sagrada nativa. [...] A peregrinação na terra e o encontro espiritual me permitiam vivenciar a essência desses mil povos, a qual pretendo expor aqui, como parte da tarefa que desenvolvo atualmente, que é difundir os ensinamentos ancestrais: a tradição do Sol, a tradição da Lua e a tradição do sonho.


II. Ao contar sua história, um índio, um clã, uma tribo, parte do momento em que sua essência-espírito permeou a terra e relata a passagem dessa essência-espírito pelos reinos vegetal, mineral e animal. Há tribos que começam sua história desde quando o clã era formado por seres do espírito das águas, outras trazem sua memória animal como início da história, e há aquelas que iniciam sua história a partir da árvore que foram. 



Assinale a alternativa correta sobre os fragmentos acima, considerando, também, a leitura integral da obra A terra dos mil povos.

Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467523 Português

Leia o trecho abaixo, retirado da crônica “de volta ao campus”, de José Falero. Considere-o no contexto do livro Mas em que mundo tu vive?.


Quando o galpão finalmente ficou pronto, eu dei graças a Deus. Creia-me, leitor: não existe ambiente mais hostil para um pé-rapado do que um ambiente acadêmico. É impossível ficar à vontade. Nada ao redor traz sensação de conforto, nada ao redor lembra minimamente as vielas e os barracos que estamos acostumados a ver à nossa volta, ninguém ao redor nos desperta a mínima sensação de identificação ou nos inspira empatia, é todo mundo pálido demais, é todo mundo civilizado demais, é todo mundo bem-vestido demais, é todo mundo sem ginga, é todo mundo sem suingue, é todo mundo tão diferente de nós, e em tantos sentidos! Eu dei graças a Deus quando o galpão finalmente ficou pronto e eu soube que não precisaria mais ir comprar refrigerante no meio dos universitários. Fiz uma promessa boba para mim mesmo naquele dia: quando eu voltasse àquele ambiente, seria como estudante de letras. Jurei para mim mesmo, tendo como testemunha o matagal que circunda aqueles prédios: em nenhuma circunstância eu voltaria ali, exceto como estudante de letras. Ou bem eu voltava como estudante de letras, ou bem não voltava jamais.



Considere as afirmações abaixo, sobre o segmento.


I - O narrador indica que voltou à universidade como estudante de Letras depois de pronto o galpão.


II - O narrador dialoga diretamente com o leitor – um procedimento típico desta e de outras crônicas do livro.


III - O ponto de vista periférico caracteriza o olhar lançado pelo narrador sobre os acadêmicos que circulam no campus da universidade.



Quais estão corretas?

Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467522 Português

Instrução: Para responder a questão, leia o excerto abaixo, retirado do capítulo 40, de Niketche, de Paulina Chiziane.


— Diz-me, Tony para quê enganar mulheres e deixá-las com filhos nos braços? O querias tu com elas?


— Nada de sério, confesso. Orgulho, simples orgulho. Ter uma mulher aqui, um filho acolá, dá vaidade a qualquer macho. Não sou o único. Muitos homens fazem isso.


Ele mergulha as mãos no meu peito e me destrói o coração como quem arranca uma planta do chão. Sinto uma dor imensa, ele mata-me, eu morro, quantas vezes me matam por dia, neste lar, eu, que sou a primeira esposa?


— Não me culpes, Rami. Não fui eu quem inventou o mundo e as suas tradições. Muito antes de eu nascer os homens já eram assim.


Como ele tem razão, meu Deus! Esta situação nasce do ventre do passado e desde sempre que as mulheres são peixe na banca do mercado: um quilo deste, dois quilos daquele, fico com este, largo aquele, gosto deste, agora pego, agora pago, agora uso, agora asso, agora como.


— A ideia de juntar essas mulheres foi tua, Rami. Surpreendeste-me. Superaste-me. Conduziste todo esse rebanho com uma mestria incrível. Eu só iria usar e largar sem pensar sequer nas consequências. De vendedeiras de rua conseguiste transformá-las em empresárias. 


— Meu Tony cansaste-te de mim e amaste a elas. Cansaste-te delas e agora voltas para mim. Daqui a pouco te cansas de mim outra vez. Não acredito em ti.



Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esse excerto, considerando, também, a leitura integral da obra Niketche.


( ) Tony, depois do doloroso aprendizado, mostra-se arrependido e assume a responsabilidade por tudo que ocorreu.


( ) Rami, quando diz que as mulheres são peixes, percebe que elas são como mercadorias a serem compradas, eventualmente largadas e usadas ao bel-prazer do cliente.


( ) Rami, de fato, organizou um sistema poligâmico com ela e as demais amantes. ( ) Rami não acredita nas declarações de Tony, movidas pela perda de poder sobre as mulheres.



A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467521 Português

Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre algumas canções de Lupicínio Rodrigues.



( ) “Vingança” expressa a dor e o ressentimento decorrentes do término de uma relação amorosa, em que o eu lírico sugere ter sido traído pela mulher amada e, em um tom de desabafo e de amargura, revela o desejo de vingança.


( ) “Se acaso você chegasse” apresenta uma situação de traição, cantada em primeira pessoa, em que o eu lírico se dirige à pessoa traída, exigindo que não se aproxime mais dele e da mulher causadora da discórdia entre os ex-amigos. ( ) “Nervos de aço” apresenta o eu lírico que se dirige a um “meu senhor”, revelando-lhe que tem um amor, mas que a mulher amada já pertence a outro homem e, conformado com essa situação, ele abençoa o enlace do casal.


( ) “Castigo” apresenta referência às plantas que permanecem eretas até o fim e indica a tentativa da mulher, que outrora preteriu o eu lírico, de manter a dignidade, mesmo diante do declínio inevitável.



A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467520 Português

Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados, respectivamente, da canção “Identidade”, de Jorge Aragão, e da obra O avesso da pele, de Jeferson Tenório, considerando, também, a leitura integral desse livro.


Elevador é quase um templo

Exemplo pra minar teu sono

Sai desse compromisso

Não vai no de serviço

Se o social tem dono, não vai


Quem cede a vez não quer vitória

Somos herança da memória

Temos a cor da noite

Filhos de todo açoite

Fato real de nossa história


Se preto de alma branca pra você

É o exemplo da dignidade

Não nos ajuda, só nos faz sofrer

Nem resgata nossa identidade


Vocês estavam juntos desafiando a sociedade hipócrita. Quando você entrava sozinho numa loja e recebia um tratamento frio e desconfiado por ser negro, se dava conta de que, quando Juliana estrava e te beijava, os vendedores te tratavam melhor. Uma mulher branca com um negro, ele deve ser um bom homem. E por algum tempo você começou a gostar disso também. A presença de Juliana te dava uma espécie de salvo-conduto em certos ambientes. Porque, quando você estava com ela, você não era qualquer negro diante dos outros. Você era especial. 



A partir da leitura dos excertos, considere as seguintes afirmações.


I - Na canção, o preconceito racial é percebido na proibição do uso do elevador social por pessoas negras, que devem usar o de serviço, e a dignidade preta é alcançada ao se aproximar dos valores dos brancos, uma visão crítica que distancia pessoas negras de sua identidade.


II - No fragmento da obra, o estigma sofrido pela população preta, representada pelo pai do narrador, é suavizado quando ele é reconhecido por estar acompanhado de uma pessoa branca, fato que, em determinadas situações, conferia-lhe segurança e algum tipo de privilégio.


III - No fragmento da obra, Pedro, em um fluxo de consciência, revela ao leitor como se sentiu constrangido em uma situação específica de racismo, e o texto grafado em itálico representa a fala dos vendedores da loja.



Quais estão corretas?

Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467519 Português

No bloco superior abaixo, estão listados os títulos dos livros de Jeferson Tenório, de José Falero e de Ruth Guimarães; no inferior, trechos de alguns desses livros. Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.



1 – O avesso da pele


2 – Mas em que mundo tu vive?


3 – Água funda



( ) Há cadernos e papéis, Há pastas com provas e redações dos seus alunos. Teu caos me comove. Olho para tudo isso e percebo que serão esses objetos que vão me ajudar a narrar o que você era antes de partir. Os mesmos utensílios que te derrotavam e que agora me contam sobre você. Os objetos serão o teu fantasma a me visitar.


( ) O que Sinhá devia fazer era chamar Sinhazinha e falar direto com ela. Isso, caso tivesse alguma razão para não consentir no casamento, melhor do que por ser o moço filho do capataz. Devia fazer. Mas fez? Que esperança! Sinhá tinha queixo duro que nem mula velha. De qualquer jeito, não adiantava, porque ninguém ia passar, em seu lugar, o que lhe estava destinado.


( ) Choro de gente enganada, gente de boafé, que caiu no logro, chama atraso. O que a água deu, a água leva. Não pode ser que não lhe tenha acontecido nada. O inferno é aqui mesmo, moço. Quem faz a Deus, paga ao Diabo. Quem rouba, é roubado. Quem fica devendo, sofre calote do outro. Ninguém faça que não pague. ( ) O Bruno foi meu colega por dois anos no Rio de Janeiro. Não o estado do Rio de Janeiro nem a cidade do Rio de Janeiro, claro: me refiro ao colégio que fica aqui em Porto Alegre mesmo, na Lima e Silva. É que morei um tempo na Cidade Baixa antes de o meu pai morrer. Não foi tanto tempo assim, mas foi o tempo suficiente para me matricular no Rio de Janeiro (...).



A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 

Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467515 Português

Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados, respectivamente, da canção “Mulheres de Atenas”, de Chico Buarque, e da peça Lisístrata, de Aristófanes, considerando, também, a leitura integral da peça de teatro.


Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Sofrem pros seus maridos

Poder e força de Atenas


Quando eles embarcam soldados

Elas tecem longos bordados

Mil quarentenas

E quando eles voltam, sedentos

Querem arrancar, violentos

Carícias plenas, obscenas


LISÍSTRATA – Aí está nossa dificuldade. Mas nosso dever é esse. Se resistirmos eles não resistirão. E teremos a paz.


LAMPITO – Dizem que isso aconteceu a Menelau. Quando viu os seios de Helena percebeu que tinha que escolher entre duas espadas. Largou a guerra e empunhou a da paz.


CLEONICE – Uma última hipótese. Se nos pegarem à força? LISÍSTRATA – Segurem-se nas portas,  garrem-se nas camas, encolham o corpo em posição fetal.


CLEONICE – E se nos baterem?


LISÍSTRATA – Cedam então, mas não se mexam, não colaborem, sejam cadáveres frios diante da potência e da prepotência até a pospotência. Eles têm pouco prazer quando sentem que não correspondemos. Sobretudo se nossas mãos permanecerem inertes, eles logo se cansarão a brincadeira. No amor as mãos são preciosas.



A partir da leitura dos excertos, considere as seguintes afirmações.


I - No excerto da canção, a mulher é tida como propriedade, existindo, sobretudo, à satisfação dos desejos do homem, cuja realização sexual é percebida somente a partir do lado masculino, que pouco se empenha em satisfazer os desejos e os impulsos femininos.


II - No fragmento da peça teatral, a mulher problematiza o fato de não se submeter aos caprichos sexuais do marido e sofre com a violência física do homem sobre ela, prática socialmente comum à época em que ocorre a proposição da greve de sexo.


III- Nos dois trechos, embora escritos em épocas bastante distintas e com contextos históricos igualmente próprios, a submissão feminina é latente, principalmente no caso de Lisístrata, porque as decisões políticas e sociais estavam a cargo dos homens. 



Quais estão corretas?

Alternativas
Q3407991 Português
Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.


Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

— Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora.

Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.

— Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

— Agora não posso.

— Não pode por quê?

— Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.

Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

— Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?

Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:

— Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.

(Ciranda de pedra, 2009.)
“— Ou você abre ou conto para o seu tio.” (9o parágrafo) Em relação à primeira, a segunda oração expressa uma
Alternativas
Q3407987 Português
Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.


Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

— Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora.

Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.

— Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

— Agora não posso.

— Não pode por quê?

— Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.

Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

— Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?

Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:

— Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.

(Ciranda de pedra, 2009.)
De acordo com a cena narrada, a personagem Virgínia, quando criança, era:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Conhecimentos Específicos e Redação - Grupo II |
Q3407691 Português

Leia o poema “Sanduíche matinal”, de Astrid Cabral.


Sanduíche matinal


Mastigam-se ao café

entre fatias torradas

jornais com pingos de sangue

jornais com furos de bala.

No portal da manhã

o sinistro sanduíche

energiza os transeuntes do dia.

(Engavetado o remorso

dos crimes bem menores)

Omissões? traições? covardias?

Transgressões mínimas.

Todos, subitamente, melhores.


(Astrid Cabral. Intramuros, 2011.)



No contexto apresentado pelo poema, a leitura matinal dos jornais

Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Conhecimentos Específicos e Redação - Grupo II |
Q3407687 Português
Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.

    Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois.
    É uma traição póstuma, retardatária, residual.
    É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro. É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.
    É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.
    Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.
    É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.
    Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos.
    Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir. Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.
    É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.
    Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários.     Experimenta locações contaminadas por juras velhas.
    Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.
    Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.
    Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.
    Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.
    O que vive está longe de ser amor, é obsessão.
(Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
No contexto em que está inserida, a palavra sublinhada em “É uma traição póstuma, retardatária, residual” (1º parágrafo) tem o sentido de algo que
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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Conhecimentos Específicos e Redação - Grupo II |
Q3407682 Português
Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.


Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

— Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora.

Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.

— Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

— Agora não posso.

— Não pode por quê?

— Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.

Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

— Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?

Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:

— Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.

(Ciranda de pedra, 2009.)
No romance, a personagem Luciana é
Alternativas
Q3407286 Português
Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.

    Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois. É uma traição póstuma, retardatária, residual.
    É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro. É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.
    É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.
Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.
    É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.
    Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos. Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir.
    Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.
    É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.
  Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários.     Experimenta locações contaminadas por juras velhas.
   Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.
    Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.
    Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.
   Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.
    O que vive está longe de ser amor, é obsessão.
(Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
Em “porém a consciência não é boba e um dia se vinga” (13º parágrafo), o autor recorre, sobretudo,
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Q3407281 Português
Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.

    Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.
    — Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora. Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.
    — Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!
    — Agora não posso.
    — Não pode por quê?
    — Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.
   Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.
    — Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?
   Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:
    — Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.
(Ciranda de pedra, 2009.)
No trecho “— Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente” (7º parágrafo), a palavra “evasivamente” indica que a resposta foi
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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406313 Português
    A região Amazônica reúne desafios complexos, tanto relacionados à infraestrutura quanto ao seu acesso pela população local. Não só questões de saneamento, transporte e desenvolvimento social, como também desafios relacionados às questões tecnológicas como o acesso à internet com qualidade. Para muitos especialistas, somente a atribuição de valor econômico à floresta em pé permitirá a ela competir com outros usos que pressupõem sua derrubada ou degradação, e somente a Ciência, a Tecnologia e a Inovação poderão mostrar o caminho de como utilizar o patrimônio natural sem destruí-lo.
(Academia Brasileira de Ciências. Amazônia: desafio brasileiro do século XXI, 2008. Adaptado.)
Uma estratégia que vem sendo adotada no estado do Amazonas para superar esses desafios ocorre por meio de iniciativas __________________, que alinha os conhecimentos das comunidades tradicionais à valorização econômica da floresta, e cria novas oportunidades de negócio fundamentadas no princípio _________________.
As lacunas do texto são preenchidas, respectivamente, por:
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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406300 Português
    À medida que as mudanças tecnológicas progridem de uma forma cada vez mais rápida, produzindo novas formas de risco, somos obrigados a ajustar-nos e a responder constantemente a essas mudanças. A sociedade de risco não se limita apenas aos riscos ambientais e de saúde — inclui toda uma série de mudanças na vida social contemporânea: transformações nos padrões de emprego, um nível cada vez maior de insegurança laboral, influência decrescente da tradição e dos hábitos enraizados na identidade pessoal, erosão dos padrões familiares tradicionais, e democratização dos relacionamentos pessoais. Uma vez que o nosso futuro pessoal é hoje em dia muito menos previsível em relação ao que se passava nas sociedades tradicionais, todo o tipo de decisões implica riscos para os indivíduos. (Anthony Giddens. Sociologia, 2008. Adaptado.)
A sociedade de risco descrita no excerto possui caráter
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406296 Português
    A propaganda do movimento totalitário serve também para libertar o pensamento da experiência e da realidade; procura sempre injetar um significado secreto em cada evento público tangível e farejar intenções secretas atrás de cada ato político público. Quando chegam ao poder, os movimentos passam a alterar a realidade segundo as suas afirmações ideológicas. O conceito de inimizade é substituído pelo conceito de conspiração, e isso produz uma mentalidade na qual já não se experimenta e se compreende a realidade em seus próprios termos — a verdadeira inimizade ou a verdadeira amizade — mas automaticamente se presume que ela significa outra coisa. (Hannah Arendt. Origens do totalitarismo, 2012.)
De acordo com o excerto, o movimento totalitário utiliza a propaganda para
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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406288 Português
Leia o trecho do romance Capitães da areia, de Jorge Amado, para responder à questão.

    Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Barandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula1 com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançavam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. [...] Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo.
    A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro.
(Capitães da areia, 2008.)

1picula: brincadeira infantil também conhecida como pega-pega, pegador e manja-pega.
Na frase “E acima de tudo não queria que o pegassem” (1º parágrafo), a expressão sublinhada indica que a ação pretendida pelo personagem é
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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406287 Português
Leia o trecho do romance Capitães da areia, de Jorge Amado, para responder à questão.

    Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Barandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula1 com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançavam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. [...] Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo.
    A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro.
(Capitães da areia, 2008.)

1picula: brincadeira infantil também conhecida como pega-pega, pegador e manja-pega.
Esse conhecido episódio, que culmina no ato extremo de Sem-Pernas, faz referências ao episódio
Alternativas
Respostas
201: B
202: C
203: D
204: E
205: B
206: C
207: A
208: E
209: D
210: D
211: A
212: A
213: C
214: D
215: D
216: A
217: E
218: B
219: B
220: C