Questões de Vestibular
Comentadas sobre gêneros textuais em português
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XXVIII
Que nele se transforme o peito amante;
Daqui vem, que a minha alma delirante
Se não distingue já do meu cuidado.
Nesta doce loucura arrebatado
Anarda cuido ver, bem que distante;
Mas ao passo, que a busco, neste instante
Me vejo no meu mal desenganado.
Pois se Anarda em mim vive, e eu nela vivo,
E por força da ideia me converto
Na bela causa do meu fogo ativo;
Como nas tristes lágrimas, que verto,
Ao querer contrastar seu gênio esquivo,
Tão longe dela estou, e estou tão perto.
será que a cabeça tem o mesmo tempo que a mão? o tempo do pensamento, o tempo da ação
será que o teto tem o mesmo tempo que o chão? o tempo de decompo tempo de decomposição
será que o filho tem o mesmo tempo que o pai? o tempo do nascimento, crescimento, envelhecimento,
um momento como matar o tempo
Disponível em: http://www.arnaldoantunes.com.br. Acesso em: 18 nov. 2013 (adaptado).
Considerando o gênero textual, pode-se inferir que
Texto 1 Manifesto Antropofágico Oswald de Andrade (Revista de Antropofagia, 1928) Só a ANTROPOFAGIA nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. Tupi, or not tupi that is the question. [...] Disponível em: http://www.ufrgs.br/cdrom/oandrade/oandrade.pdf. Acesso em agosto de 2013. (Adaptado)
Texto 2 #ColunadaGi: 5 blogs de moda favoritos! Categorias: #ColunadaGi - Por Giovanna Ferrarezi, em 30/04/2013 às 12:31 Dessa vez, vim contar quais são meus 5 blogs de moda favoritos. Sempre que não sei o que vestir, vou consultar os famosos “looks do dia” das meninas. [...] 2. Fashion Coolcure A Flávia Desgranges Van der Linden tem cara de gringa, nome de gringa, jeito de gringa, mas é brasileira! Muitas de vocês já devem conhecer o Fashion Coolture, já que a Flávia tá sempre bombando no site Lookbook.nu. [...] Disponível em: http://capricho.abril.com.br/blogs/itgirls/colunadagi-5-blogs-de-moda-favoritos/. Acesso em agosto de 2013. (Adaptado)
Texto 3 JORNAL DA MANHÃ \ Editorial Publicada em 05/04/2013. O Hospital de Caridade de Ijuí, mais uma vez, assume uma postura definitiva com relação ao bom andamento da saúde pública na região. Postura, aliás, que falta a muitos políticos e ao próprio poder público. Mesmo com a possibilidade de transferir a UTI Pediátrica para Santa Rosa, em função de uma regulação extremamente burocrática da Secretaria Estadual, o HCI decidiu manter o atendimento em todos os leitos: neonatais e pediátricos. [...] Disponível em: http://jmijui.com.br/publicacao-10581-Exemplo.fire.Acesso em agosto de 2013. (Adaptado)
Texto 4 Lesados pelas empresas de Mudança brasileiras no envio de caixas para o Brasil: Destinatário: Gabinete do Presidente da República Em virtude do grande número de brasileiros que foram lesados por Empresas Brasileiras de Mudança, estabelecidas nos EUA, e prestando serviços exclusivamente para brasileiros, vimos, pelo presente abaixo-assinado, solicitar ao Governo Federal uma solução para todos os brasileiros que foram lesados pela oferta de um serviço ilegal.[...] Disponível em: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5162. Acesso em agosto de 2013.(adaptado)
João Anzanello Carrascoza (autor contemporâneo)
O valor de um texto literário não está apenas em seu tema e/ou assunto. O ficcionista sabe que é preciso encontrar, acima de tudo, os recursos de linguagem adequados para transformar sua ideia em um produto de qualidade estética. Considerada essa premissa, é correto afirmar que o excerto acima, extraído do conto “Umbilical”, tem como elementos estruturais altamente significativos a presença dos seguintes recursos estilísticos, EXCETO:
Dentre os poemas que compõem Sol Sanguíneo, destacamos abaixo um excerto de “Mater”, que evoca uma das nossas matrizes culturais: a África. Leia o poema e analise o que se comenta a seguir.
I
De ti não há sequer
um álbum de família:
retratos da infância
nos campos de arroz e gergelim.
Talvez reste em pensamento
pedaços de tua voz
no vento
como impressões digitais
num rio.
II
No dia em que o azul
roubou teus olhos
e o silencio rival rasgou
teu nome,
cotovias cantaram no teu rastro.
No dia em que a manhã
cerrou teus olhos.
Texto 1
(A)“As filmagens de Tropa de Elite 2 mostram a força da verossimilhança na roteirização de uma troca de tiros”.
(B)“Cena de tiroteio”
(C)”Helicópteros sobrevoam o morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul do Rio. Policiais militares, com fuzis calibre 762, trocam tiros com traficantes na rua de acesso à favela. Os moradores se escondem, assustados. Corta.
A cena que marcou o início das filmagens de Tropa de Elite 2, em fevereiro, pôs os habitantes da região em pânico, crédulos de que se tratava de operação policial genuína. De quebra, mostrou a força da verossimilhança exigida na criação das sequências de tiroteio no cinema”.
(Texto de Marcelo Lyra, retirado da revista Língua Portuguesa, nº 54, abril.2010, p. 36).
TEXTO 2
A revolução digital
Texto e papel. Parceiros de uma história de êxitos. Pareciam feitos um para o outro.
Disse “pareciam”, assim, com o verbo no passado, e já me explico: estão em processo de separação.
Secular, a união não ruirá do dia para a noite. Mas o divórcio virá, certo como o pôr-do-sol a cada fim de tarde.
O texto mantinha com o papel uma relação de dependência. A perpetuação da escrita parecia condicionada à produção de celulose.
Súbito, a palavra descobriu um novo meio de propagação: o cristal líquido. Saem as árvores. Entram as nuvens de elétrons.
A mudança conduz a veredas ainda não exploradas. De concreto há apenas a impressão de que, longe de enfraquecer, a ebulição digital tonifica a escrita.
Isso é bom. Quando nos chega por um ouvido, a palavra costuma sair por outro. Vazando-nos pelos olhos, o texto inunda de imagens a alma.
Em outras palavras: falada, a palavra perde-se nos desvãos da memória; impressa, desperta o cérebro, produzindo uma circulação de ideias que gera novos textos. A Internet é, por assim dizer, um livro interativo. Plugados à rede, somos, autores e leitores. Podemos visitar as páginas de um clássico da literatura. Ou simplesmente, arriscar textos próprios.
Otto Lara Resende costumava dizer que as pessoas haviam perdido o gosto pela troca de correspondências. Antes de morrer, brindou-me com dois telefonemas. Em um deles prometeu: “Mando-te uma carta qualquer dia destes”.
Não sei se teve tempo de render-se ao computador. Creio que não. Mas, vivo, Otto estaria surpreso com a popularização crescente do correio eletrônico.
O papel começa a experimentar o mesmo martírio imposto à pedra quando da descoberta do papiro. A era digital está revolucionando o uso do texto. Estamos virando uma página. Ou, por outra, estamos pressionando a tecla “enter”.
Josias de Souza. A revolução digital. Folha de São Paulo. 6/05/96.
Caderno Brasil, p. 2).
Querida Alice,
Recebi seu e-mail e sei que você está legal, física e emocionalmente. Mas esta cartinha mais formal é para comemorar nossa amizade, que nasceu recentemente, mas já é forte, quem sabe, indestrutível. Há momentos em que a gente sente a necessidade de se comunicar com os nossos verdadeiros amigos. Parece que você já percebeu que o amigo de verdade é mais precioso do que qualquer parente. Acredite, pois apenas o fato de se ter tido a liberdade para escolher essa amizade já é um ponto favorável no placar que indica a escala de estima. Orgulho-me de ter sido escolhida por você como amiga do peito. É preciso comemorar esta amizade preciosa, e qualquer manifestação vale a pena.
Amanda
RECEBI seu e-mail. Disponível em: <http://ofice.microsoft.com/pt-br/templatas/ct010146797-aspx>. Acesso em: 21 maio 2010. Adaptado.
O texto em evidência caracteriza-se como carta pessoal por uma série de razões dentre as quais se excetua a indicada em
Para responder à questão, considere o poema abaixo.
Espanha da liberdade,
Não a Espanha da opressão.
Espanha republicana:
A Espanha de Franco, não.
(...)
Espanha da livre crença,
Jamais a da Inquisição.
(...)
Espanha que se batia
Contra o corso Napoleão!
(Manuel Bandeira. 50 poemas escolhidos pelo autor. S. Paulo: Cosac Naify, 2006. p. 60)
Para responder à questão, considere o poema abaixo.
Vila Rica, Vila Rica,
Cofre de muita riqueza:
Ouro de lei no cascalho,
Diamantes à flor do chão.
Num golpe só de bateia,
Nosso bem ou perdição.
(...)
Vila Rica, Vila Rica,
Forja de muito covarde:
Só o corpo mutilado
De um bravo e simples alferes
Te salva e te justifica
Vila Rica vil e rica.
(José Paulo Paes, Poesia completa. S. Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 91-92)