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Questões de Vestibular Sobre funções morfossintáticas da palavra se em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 45 questões

Ano: 2026 Banca: Ibest Órgão: UNICEPLAC Prova: Ibest - 2026 - UNICEPLAC - Vestibular - Medicina |
Q4165481 Português
    Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...
      Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios.


Machado de Assis. Dom Casmurro (fragmento). In: Obras Completas de Machado de Assis, vol. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (originalmente datado de 1899-1900).
Cada uma das alternativas a seguir apresenta uma proposta de reescrita para um trecho extraído do texto. Assinale a alternativa em que a proposta apresentada preserva a correção gramatical do texto, de acordo com a norma-padrão.  
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2025 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q3840962 Português

Texto II


Inculta e Bela


Como todos sabemos, essa expressão saiu da pena de nosso aclamado príncipe dos poetas, Olavo Bilac, logo no primeiro verso do seu famoso soneto “A Língua Portuguesa.” Bela, sim, por que não? As vezes que primeiro ouvimos dos lábios de nossas mães ficam-nos no espírito como pura melodia. “Todos cantam sua terra / Também vou cantar a minha.” E esse canto encantado é música das palavras que nos afagaram no colo materno. Mas inculta? Como assim? O próprio poeta se desmente e contradiz ao se imortalizar no mesmo idioma em que Camões se irmanou ao gênio de Virgílio e Dante. Língua culta e de cultura, eis a coroa que há séculos lhe ornara a fronte, onde resplandecem as galas de patrimônio de uma civilização.


Nada, pois, que admirar venha a língua portuguesa continuamente atraindo inteligências e dedicações para o seu estudo em tantos dos recantos deste mundo de Deus. E isso em qualquer de suas fases ou de suas modalidades coloquial ou popular.



ELIA, Sílvio. 50 textos errados e corrigidos, Rio de Janeiro: Gráfica Olímpica. 

O próprio poeta se desmente e contradiz ao se imortalizar no mesmo idioma em que Camões se irmanou ao gênio de Virgílio e Dante.

Sobre a classificação dos termos sublinhados nesse segmento do Texto II, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FUVEST Órgão: USP Prova: FUVEST - 2024 - USP - Vestibular - Conhecimentos Gerais V1 |
Q4211643 Português
Da moenda para a célula a combustível: caldo de cana é usado para produzir energia elétrica



    “Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), órgão associado à USP, testaram o uso de caldo de cana para gerar energia elétrica em células a combustível. O processo dispensa a transformação do caldo in natura em etanol, feita nas usinas de álcool, impedindo a formação de resíduos nocivos ao meio ambiente. Após o êxito dos experimentos em laboratório, os cientistas vão desenvolver a aplicação da técnica em escala industrial.
    ‘A célula a combustível tem o mesmo princípio de funcionamento de uma pilha. A diferença é que o combustível serve como reagente para ser consumido e gerar eletricidade’, explica o pesquisador do Ipen, Almir Oliveira Neto, que coordenou a pesquisa. ‘No dispositivo que foi desenvolvido na pesquisa, a oxidação do caldo de cana acontece no ânodo e a redução de oxigênio no cátodo. O objetivo do experimento era obter energia da biomassa com o mínimo impacto ambiental possível. Para isso, utilizou-se o caldo de cana em uma célula a combustível para gerar energia elétrica’, diz o pesquisador. ‘O uso do caldo de cana direto evita a formação de vinhaça, um resíduo ambientalmente perigoso decorrente da produção de etanol, contribuindo, assim, para a preservação do meio ambiente’.”


Disponível em https://jornal.usp.br/ciencias/ (Adaptado).
Ao empregar o pronome se em “utilizou-se o caldo de cana em uma célula a combustível para gerar energia elétrica”, o pesquisador  
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2024 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q4139977 Português
Assinale a opção que apresenta a frase em que a palavra se é um pronome apassivador
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406289 Português
Leia o trecho do romance Capitães da areia, de Jorge Amado, para responder à questão.

    Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Barandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula1 com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançavam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. [...] Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo.
    A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro.
(Capitães da areia, 2008.)

1picula: brincadeira infantil também conhecida como pega-pega, pegador e manja-pega.
A palavra sublinhada indica uma condição em:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2024 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3352129 Português

Para responder à questão, leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga. 



Cai a cinta a Vênus1 bela,

Sem cautela recostada;

E turbada2 entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.


O tesouro se procura,

Os desejos se interessam,

Os cuidados já se apressam,

E a ternura vai também. 


Empenhou-se, ó Glaura, o zelo;

Mas em vão: que perda triste!

Só eu vi, sei onde existe;

E dizê-lo não convém. 


Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.


Roubador do puro ornato

Foi Antero e foi Cupido3;

E o levaram escondido

Com recato, eu sei a quem.


Receosos pelo insulto,

Que traidores cometeram,

No teu seio se acolheram,

Onde oculto asilo têm. 


Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.


Dos meus olhos não se escondem

Os meninos4 , a quem amo:

Se os procuro, espreito e chamo,

Correspondem, mas não vêm.


Com acenos expressivos

De alegria suspeitosa

Mostram faixa preciosa,

Que atrativos mil contêm. 


Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.


Se piedade aflito rogo,

E que cessem teus rigores,

(Ah cruéis, lindos Amores!)

Fogem logo e com desdém. 


Abrandá-los não consigo,

E já deles tenho medo:

Guarda, Ninfa, este segredo,

Que não digo a mais ninguém. 


Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.



(Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.)



1Vênus: deusa do Amor.

2 turbada: aflita, transtornada.

3Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus.

4meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido.

Está empregado como pronome apassivador o termo sublinhado em:
Alternativas
Ano: 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: UNB Prova: CESPE / CEBRASPE - 2023 - UNB - Prova de Conhecimentos II - 1° dia |
Q3111483 Português
     O debate sobre as mudanças climáticas explicita um caso extremo de politização da ciência. Interesses corporativos, agremiações políticas conservadoras e intelectuais com pouca ou nenhuma credencial no campo de pesquisas da climatologia articularam-se material e discursivamente nos países anglo-saxões para evitar que as conclusões apresentadas pelo relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC) se traduzissem em medidas regulatórias ou políticas públicas voltadas para a mitigação da interferência humana na química atmosférica. Dado que o acúmulo de evidências sobre o caráter antropogênico das mudanças climáticas consolidou sua posição marginal no campo científico, os representantes do “ceticismo” abandonaram a competição por um paradigma alternativo segundo os padrões acadêmicos. Em vez disso, concentraram-se no fortalecimento de uma “máquina negacionista” que, embora tentando preservar a aparência de um debate científico ainda em curso, deturpou sistematicamente as evidências científicas que poderiam fundamentar o debate público sobre as mudanças climáticas.


Luiz E. V. de Souza, Estevão Bosco e Marcelo Fetz. Internet: (com adaptações). 
Considerando os múltiplos aspectos relacionados ao texto precedente, julgue o item.

Em “articularam-se” (segundo período), a partícula “se” indica a reciprocidade da ação verbal.  
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2022 - UNESP - Vestibular |
Q4204734 Português
Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


    Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

    — Mãe, venha ouvir: está a bater!

    A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

    Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

    — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

    A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

    Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

— Agora não sonha, filha?

— Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

    Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

    — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

    O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

— Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

— Morta, a minha menina? Mas, assim...?

— Esta é a sua maneira de estar morta.

    A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

— Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

    A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

    — Então, minha querida não escutou nada?

    Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

    Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

    E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


(Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
Ocorre o pronome apassivador “se” no seguinte trecho:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2022 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q4142160 Português
Na frase “A família é um conjunto de pessoas que se defendem em bloco e se atacam em particular”, há duas ocorrências do pronome se, com, respectivamente, os valores de
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UEMG Órgão: UEMG Prova: UEMG - 2022 - UEMG - Vestibular |
Q2054661 Português

Texto I




Laerte.

Disponível em: https://www.instagram.com/p/CWtk14SFixR/. Acesso em 19 jan. 2022.


Texto II

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Luiz Vaz de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.


Continuamente vemos novidades,

Diferentes em tudo da esperança;

Do mal ficam as mágoas na lembrança,

E do bem, se algum houve, as saudades.


O tempo cobre o chão de verde manto,

Que já coberto foi de neve fria,

E em mim converte em choro o doce canto.


E, afora este mudar-se cada dia,

Outra mudança faz de mor espanto:

Que não se muda já como soía.


Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/2513/mudam-se-ostempos-mudam-se-as-vontades. Acesso em 17 jan. 2022.


Glossário:

Soía: costumava

Analise o excerto a seguir, extraído do Texto II, e assinale a alternativa INCORRETA.

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Muda-se o ser, muda-se a confiança;”.

Alternativas
Ano: 2022 Banca: FUVEST Órgão: USP Prova: FUVEST - 2022 - USP - Vestibular - 1ª Fase |
Q1994295 Português
   Luc Boltanski e Ève Chiapello demonstram com clareza e sagacidade a capacidade antropofágica do capitalismo financeiro que “engole” a linguagem do protesto e da libertação para transformá-la e utilizá-la para legitimar a dominação social e política a partir do próprio mercado.
    Na dimensão do mundo do trabalho, por exemplo, todo um novo vocabulário teve que ser inventado para escamotear as novas transformações e melhor oprimir o trabalhador. Com essa linguagem aparentemente libertadora, passa-se a impressão de que o ambiente de trabalho melhorou e o trabalhador se emancipou.
    Assim houve um esforço dirigido para transformar o trabalhador em "colaborador", para eufemizar e esconder a consciência de sua superexploração; tenta-se também exaltar os supostos valores de liderança para possibilitar que, a partir de agora, o próprio funcionário, não mais o patrão, passe a controlar e vigiar o colega de trabalho. Ou, ainda, há a intenção de difundir a cultura do empreendedorismo, segundo a qual todo mundo pode ser empresário de si mesmo. E, o mais importante, se ele falhar nessa empreitada, a culpa é apenas dele. É necessário sempre culpar individualmente a vítima pelo fracasso socialmente construído.

SOUZA, Jessé. Como o racismo criou o Brasil. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2021. 
O uso dos verbos “passar” (2º parágrafo) e “tentar” (3º parágrafo) no texto, em sua forma pronominal, revela 
Alternativas
Q1682905 Português

    A palavra sonho, do latim somnium, significa muitas coisas diferentes, todas vivenciadas durante a vigília, e não durante o sono. Realizei “o sonho da minha vida”, “meu sonho de consumo” são frases usadas cotidianamente pelas pessoas para dizer que pretendem ou conseguiram alcançar algo. Todo mundo tem um sonho, no sentido de plano futuro. Todo mundo deseja algo que não tem. Por que será que o sonho, fenômeno normalmente noturno que tanto pode evocar o prazer quanto o medo, é justamente a palavra usada para designar tudo aquilo que se quer ter?
    
    O repertório publicitário contemporâneo não tem dúvidas de que o sonho é a força motriz de nossos comportamentos. Desejo é o sinônimo mais preciso da palavra “sonho”. [...] Na área de desembarque de um aeroporto nos Estados Unidos, uma foto enorme de um casal belo e sorridente, velejando num mar caribenho em dia ensolarado, sob a frase enigmática: “Aonde seus sonhos o levarão?”, embaixo o logotipo da empresa de cartão de crédito. Deduz-se do anúncio que os sonhos são como veleiros, capazes de levar-nos a lugares idílicos, perfeitos, altamente… desejáveis. As equações “sonho é igual a desejo que é igual a dinheiro” têm como variável oculta a liberdade de ir, ser e principalmente ter, liberdade que até os mais miseráveis podem experimentar no mundo de regras frouxas do sonho noturno, mas que no sonho diurno é privilégio apenas dos detentores de um mágico cartão plástico.

    A rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria dos trabalhadores, são cruciais para o mal-estar da civilização contemporânea. É gritante o contraste entre a relevância motivacional do sonho e sua banalização no mundo industrial globalizado. [...] A indústria da saúde do sono, um setor que cresce aceleradamente, tem valor estimado entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares. Mesmo assim a insônia impera. Se o tempo é sempre escasso, se despertamos diariamente com o toque insistente do despertador, ainda sonolentos e já atrasados para cumprir compromissos que se renovam ao infinito, se tão poucos se lembram que sonham pela simples falta de oportunidade de contemplar a vida interior, quando a insônia grassa e o bocejo se impõe, chega-se a duvidar da sobrevivência do sonho.

    E, no entanto, sonha-se. Sonha-se muito e a granel, sonha-se sofregamente apesar das luzes e dos ruídos da cidade, da incessante faina da vida e da tristeza das perspectivas. Dirá a formiga cética que quem sonha assim tão livre é o artista, cigarra de fábula que vive de brisa. [...] Na peça teatral A vida é sonho, o espanhol Pedro Calderón de la Barca dramatizou a liberdade de construir o próprio destino. O sonho é a imaginação sem freio nem controle, solta para temer, criar, perder e achar.

(O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho, 2019.)
A palavra sublinhada em “Se o tempo é sempre escasso, se despertamos diariamente” (3o parágrafo) pertence à mesma classe gramatical da palavra sublinhada em
Alternativas
Q1399734 Português

Leia os textos I e II e responda a QUESTÃO.

Texto I



Texto II

  1. Sem merenda: quando férias escolares significam fome no Brasil

    "Me corta o coração eles quererem um pão e eu não ter. Já coloquei os meninos na escola pra isso mesmo, por causa da merenda. Um pouquinho de arroz sempre alguém me dá, mas nas férias complica", afirma Alessandra, que, desempregada, coleta latinhas na favela de Paraisópolis, em São Paulo, onde mora. [...]

     O drama de Alessandra não é incomum. As férias escolares, quando muitas crianças deixam de ter o acesso diário à merenda, intensificam a vulnerabilidade social de muitas famílias em todo o país. Embora variem em conteúdo e qualidade (às vezes, são apenas bolacha ou pão, em outras, são refeições completas de arroz, feijão, legumes e carne), as merendas ocupam função importante no dia a dia de certos alunos. Para essas crianças, nos períodos sem aulas é que a fome, uma ameaça ao longo de todo ano, torna-se uma realidade a ser enfrentada. [...] 

      Embora não haja estudos nacionais que indiquem o tamanho da insegurança alimentar durante o período de férias escolares, uma série de indicadores comprova a evolução da pobreza no país e o modo como ela incide sobre as crianças.

     De acordo com a Fundação Abrinq, que fez cálculos, a partir de dados do IBGE, 9 milhões de brasileiros entre zero e 14 anos do Brasil vivem em situação de extrema pobreza. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde (Sisvan) identificou, no ano retrasado, 207 mil crianças menores de cinco anos com desnutrição grave no Brasil.

     A mais recente pesquisa de Segurança Alimentar do IBGE, de 2013, apontava que uma a cada cinco famílias brasileiras tinha restrições alimentares ou preocupação com a possibilidade de não ter dinheiro para pagar comida.

     Se a pesquisa fosse feita hoje, a família da faxineira Marinalva Maria de Paula, de 57 anos, se enquadraria nessa condição. Com uma renda de R$ 360,00 mensais para três adultos e uma criança, ela se vê cotidianamente frente a decisões dramáticas: "Se eu pagar a prestação do apartamento ou a conta de água, não temos o que comer‖. [...]

     O fenômeno que acontece na casa da faxineira já havia sido identificado pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) em 2008, quando um terço dos titulares do Bolsa Família declaravam em pesquisa que a alimentação da família piorava durante as férias escolares. [...]     

     Marinalva não consegue emprego formal há quatro anos. Ela está muito longe de atingir a renda mínima familiar, estimada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em R$ 4.214,62, para suprir sem carências as necessidades com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência dos quatro integrantes da casa. O valor, calculado em julho, equivale a aproximadamente quatro vezes o salário mínimo atual, de R$ 998,00.


Fonte: IDOETA, Paula Adamo; SANCHES, Mariana. In: BBC News Brasil. 15 jul. 2019.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48953335.

Acesso em: 09 agost. 2019. (texto adaptado).

Considere a assertiva: "Se eu pagar a prestação do apartamento ou a conta de água, não temos o que comer'' (6º parágrafo). O elemento, em destaque, é:
Alternativas
Ano: 2019 Banca: CÁSPER LÍBERO Órgão: CÁSPER LÍBERO Prova: CÁSPER LÍBERO - 2019 - CÁSPER LÍBERO - Vestibular |
Q1380953 Português
Assinale a opção em que o vocábulo “se” tem a mesma função sintática daquele presente em “Quanto tempo se perde por esperarmos pelos outros”:
Alternativas
Ano: 2019 Banca: FAINOR Órgão: FAINOR Prova: FAINOR - 2019 - FAINOR - Vestibular - 2019.1 |
Q1369419 Português

                                                            Come, meu filho

                                        

                                            

No fragmento: “ - Se diz assim.” (1.25) o Se tem valor de:
Alternativas
Q1340048 Português

Considere o trecho e as afirmações a seguir para responder à questão.


Eles estão fazendo uso de seu direito legal ao asilo, que consta na Declaração Universal de Direitos Humanos. Todos nós temos esse direito como garantia se algum dia ele se fizer necessário.


I. A expressão ESSE DIREITO retoma O DIREITO LEGAL AO ASILO.

II. O vocábulo ELE retoma ESSE DIREITO.

III. Ambos os vocábulos SE têm valor de conjunção.

IV.Um dos vocábulos SE tem valor de partícula apassivadora.


Estão corretas apenas

Alternativas
Ano: 2018 Banca: EBMSP Órgão: EBMSP Prova: EBMSP - 2018 - EBMSP - Prosef - 2019.1 |
Q1336775 Português


Se Narciso se encontra com Narciso
e um deles finge
que ao outro admira
(para sentir-se admirado),
o outro
pela mesma razão finge também
e ambos acreditam na mentira.

Para Narciso
o olhar do outro, a voz
do outro, o corpo
é sempre o espelho
em que ele a própria imagem mira.
E se o outro é
como ele
outro Narciso,
é espelho contra espelho:
o olhar que mira
reflete o que o admira
num jogo multiplicado em que a mentira
de Narciso a Narciso
inventa o paraíso.
E se amam mentindo
no fingimento que é necessidade
e assim
mais verdadeiro que a verdade.

Mas exige, o amor fingido,
ser sincero
o amor que como ele
é fingimento.
E fingem mais
os dois
com o mesmo esmero
com mais e mais cuidado
– e a mentira se torna desespero.
Assim amam-se agora
se odiando.

O espelho
embaciado,
já Narciso em Narciso não se mira:
se torturam
se ferem
não se largam
que o inferno de Narciso
é ver que o admiravam de mentira.

GULLAR, Ferreira. Narciso e Narciso. Disponível em: <http://dejafilho.blogspot.com>. Acesso em: nov. 2018.
Considerando-se os aspectos linguísticos do texto, está correto o que se afirma em
Alternativas
Ano: 2018 Banca: UNEB Órgão: UNEB Prova: UNEB - 2018 - UNEB - Vestibular - Português/Inglês/Ciências humanas |
Q1284412 Português

TEXTO:

Importância de se preservar a identidade cultural do Brasil. Disponível

em: http://www.saaesp.org.br/arquivos/2117>. Acesso em: 14 nov. 2018.

“há que se destacar que não se podem esquecer os aspectos particulares da cultura” (l. 6-8)
Em relação à passagem destacada do texto, é correto afirmar:
Alternativas
Ano: 2018 Banca: UNEMAT Órgão: UNEMAT Prova: UNEMAT - 2018 - UNEMAT - Vestibular - Segundo Semestre |
Q1262095 Português

Maurício de Sousa. Disponível em aliteranda.files.w ordpress.com. Acesso em: nov. 2015. 

Considere o seguinte trecho: “[...] e então, adicionam-se duas colheres de açúcar mascavo e mexe-se a calda por dois minutos [...]”.


A partir das palavras em destaque e das noções de variação linguística, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Ano: 2018 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2018 - UNIFESP - Vestibular |
Q976381 Português

Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder à questão. 


                                 Sou um evadido.

                                  Logo que nasci

                                  Fecharam-me em mim,

                                  Ah, mas eu fugi.

                                 

                                  Se a gente se cansa

                                  Do mesmo lugar,

                                  Do mesmo ser

                                  Por que não se cansar?


                                  Minha alma procura-me

                                  Mas eu ando a monte1,

                                  Oxalá que ela

                                  Nunca me encontre.


                                  Ser um é cadeia

                                  Ser eu é não ser.

                                  Viverei fugindo

                                  Mas vivo a valer.

                                                                   (Obra poética, 1997.)

1 “andar a monte”: andar fugido das autoridades.

Se a gente se cansa

Do mesmo lugar,

Do mesmo ser

Por que não se cansar?” (2ª estrofe)


Os termos sublinhados constituem

Alternativas
Respostas
1: B
2: A
3: D
4: A
5: A
6: E
7: C
8: E
9: E
10: A
11: C
12: B
13: C
14: B
15: E
16: A
17: B
18: B
19: C
20: B