Questões de Vestibular Sobre análise sintática em português

Foram encontradas 495 questões

Q4152390 Português

Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão


    Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

— Está bom, hein?— indagou o major.

— Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.

— É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

    E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

    Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

    Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .

    Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

— Vamos ver. Tire a escala, major.

(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)


1 lutulento: lamacento, lodoso.

2 olente: cheiroso, perfumado.

3 dolente: lamentosa, queixosa.

4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.


“e foi como se todo ele bebesse o licor nacional” (1o parágrafo)


Nessa frase, o verbo sublinhado tem um objeto direto — “o licor nacional” —, isto é, o verbo tem um complemento e é ligado a ele diretamente, sem a presença de uma preposição.


O verbo sublinhado tem também um objeto direto em:

Alternativas
Q4144813 Português

Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão


    Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

— Está bom, hein?— indagou o major.

— Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.

— É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

    E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

    Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

    Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .

    Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

— Vamos ver. Tire a escala, major.

(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)

“e foi como se todo ele bebesse o licor nacional” (1o parágrafo)



Nessa frase, o verbo sublinhado tem um objeto direto — “o licor nacional” —, isto é, o verbo tem um complemento e é ligado a ele diretamente, sem a presença de uma preposição.



O verbo sublinhado tem também um objeto direto em:

Alternativas
Q4144811 Português

Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão


    Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

— Está bom, hein?— indagou o major.

— Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.

— É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

    E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

    Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

    Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .

    Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

— Vamos ver. Tire a escala, major.

(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)

No contexto em que está inserido, o trecho sublinhado expressa um tempo em:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129383 Português
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

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Adaptado de: FARACO, C. A. Apresentação. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 14, 18, 19 e 20, nesta ordem.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129378 Português
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

Q1_8.png (293×565)
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Q1_8__.png (293×565)
Q1_8___.png (296×209)


Adaptado de KENEDY, E. Celulares não vão derreter o cérebro de seus filhosmas quase. Disponível em: <https://lefufrj.wordpress.com/2024/12/16/celulares-naovao-derreter-o-cerebro-de-seus-filhos-mas-quase/>.
Acesso em: 25 ago. 2025.
Considere as afirmações abaixo, sobre alternativas de reescrita de algumas frases do texto, fazendo-se os ajustes necessários dos sinais de pontuação e uso da letra maiúscula em cada caso.

I - A oração Sempre que podíamos (l. 05) poderia ser deslocada para imediatamente depois da forma verbal jogar (l. 07).
II - O advérbio Também (l. 16) poderia ser deslocado para imediatamente antes de era (l. 17).
III- A oração é verdade (l. 88) poderia ser deslocada para imediatamente antes de Smartphones (l. 87).

Quais dessas sugestões poderiam ser efetuadas sem alterar o sentido original da frase e mantendo-se sua correção gramatical?
Alternativas
Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116335 Português
Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.

        O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.

        O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.

        Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.

(Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.) 1   cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância.
Anacoluto é a mudança de construção sintática no meio do enunciado. Um fenômeno muito comum, especialmente na linguagem falada, que ocorre quando aquele que fala abstrai-se do começo do enunciado e continua a exprimir-se como se iniciasse uma nova frase.
(Celso Cunha e Luís F. Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo, 2007. Adaptado.)
Um trecho do texto em que é possível identificar a presença de anacoluto é:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2025 |
Q4114274 Português

Leia o soneto de Luís de Camões para responder à questões.



Quem diz que Amor é falso ou enganoso,

ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,

sem falta1 lhe terá bem merecido

que lhe seja cruel ou rigoroso.


Amor é brando2, é doce e é piadoso3.

Quem o contrário diz não seja crido;

seja por cego e apaixonado tido,

e aos homens, e inda4 aos deuses, odioso.


Se males faz Amor, em mim se veem;

em mim mostrando todo o seu rigor,

ao mundo quis mostrar quanto podia.


Mas todas suas iras são de amor;

todos estes seus males são um bem,

que eu por todo outro bem não trocaria.



(Luís de Camões. Sonetos: antologia comentada, 2012.)



1 sem falta: sem dúvida.

2 brando: manso, meigo.

3 piadoso: piedoso.

4 inda: ainda.

Se males faz Amor, em mim se veem;” (3ª estrofe)


Transposta para a voz passiva, mantendo o sentido original, a oração sublinhada assume a forma:

Alternativas
Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2025 |
Q4114270 Português

Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder às questões.


1    Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo--se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...



 2   — Bom dia.


3    — Bom dia!


4   — Bom dia, Carvalho!...



5    ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...


6    A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.


7    Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitual mente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.



(Os ratos, 2022.)


1 porte-monnaie: porta-moedas.

Ocorre objeto direto preposicionado quando o objeto direto de uma oração é introduzido por uma preposição, por motivo de ênfase, clareza ou estilo. Identifica-se um exemplo de objeto direto preposicionado em:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: UNIFIPA Prova: VUNESP - 2025 - UNIFIPA - Vestibular Medicina - Conhecimentos Gerais |
Q3966800 Português
Para responder à questão, leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage.


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(Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)


1esmaltar: colorir.

2sensabor: insípido, desinteressante.

3númen: ser divino.
Por razões estilísticas, o poeta recorre a várias inversões sintáticas. Está reescrito em ordem direta o seguinte verso do soneto:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2024 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4149624 Português

Leia o trecho inicial do conto “Evolução”, de Machado de Assis, para responder à questão


    Chamo-me Inácio; ele, Benedito. Não digo o resto dos nossos nomes por um sentimento de compostura, que toda a gente discreta apreciará. Inácio basta. Contentem-se com Benedito. Não é muito, mas é alguma coisa, e está com a filosofia de Julieta: “Que valem nomes, perguntava ela ao namorado. A rosa, como quer que se lhe chame, terá sempre o mesmo cheiro.” Vamos ao cheiro do Benedito.



    E desde logo assentemos que ele era o menos Romeu deste mundo. Tinha quarenta e cinco anos, quando o conheci; não declaro em que tempo, porque tudo neste conto há de ser misterioso e truncado. Quarenta e cinco anos, e muitos cabelos pretos; para os que o não eram, usava um processo químico, tão eficaz que não se lhe distinguiam os pretos dos outros — salvo ao levantar da cama; mas ao levantar da cama não aparecia a ninguém. Tudo mais era natural, pernas, braços, cabeça, olhos, roupa, sapatos, corrente do relógio e bengala. O próprio alfinete de diamante, que trazia na gravata, um dos mais lindos que tenho visto, era natural e legítimo; custou-lhe bom dinheiro; eu mesmo o vi comprar na casa do... lá me ia escapando o nome do joalheiro; — fiquemos na rua do Ouvidor.



    Moralmente, era ele mesmo. Ninguém muda de caráter, e o do Benedito era bom, — ou para melhor dizer, pacato. Mas, intelectualmente, é que ele era menos original. Podemos compará-lo a uma hospedaria bem afreguesada, aonde iam ter ideias de toda parte e de toda sorte, que se sentavam à mesa com a família da casa. Às vezes, acontecia acharem--se ali duas pessoas inimigas, ou simplesmente antipáticas; ninguém brigava, o dono da casa impunha aos hóspedes a indulgência recíproca. Era assim que ele conseguia ajustar uma espécie de ateísmo vago com duas irmandades que fundou, não sei se na Gávea, na Tijuca ou no Engenho Velho. Usava assim, promiscuamente, a devoção, a irreligião e as meias de seda. Nunca lhe vi as meias, note-se; mas ele não tinha segredos para os amigos.


(Machado de Assis. Contos: uma antologia, 1998.)


A vírgula marca uma pausa de pequena duração e é empregada, entre outras possibilidades, para indicar a supressão de uma palavra. Verifica-se o emprego de vírgula para assinalar a supressão de um verbo em:
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Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2024 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q4139974 Português
Assinale a frase em que o adjetivo sublinhado mostra função sintática diferente da dos demais.
Alternativas
Q3247894 Português
TEXTO 1


81% dos adolescentes têm dois ou mais fatores de risco para saúde, aponta pesquisa da UFMG e Unifesp


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Do HOJE EM DIA - [email protected] em 18/07/2024 . Adaptado.
Assinale com V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma a seguir.

( ) Em “81% dos adolescentes têm dois ou mais fatores de risco para saúde [...]” (título), o verbo destacado concorda com o numeral.
( ) Em “Há uma necessidade urgente de abordagens dinâmicas e proativas que capacitem os adolescentes a assumir a corresponsabilidade por sua saúde.” (linhas 28-31), o termo destacado se refere a toda a população.
( ) No trecho “É o que mostra trabalho feito por pesquisadores das universidades federais de Minas (UFMG) e de São Paulo (Unifesp).” (linhas 06-09), entende-se, pela construção sintática, que há mais de uma universidade federal em cada um dos estados mencionados, Minas e São Paulo.

A sequência correta, de cima para baixo, é
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Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2023 - FCM/SANTA CASA - Vestibular - Medicina |
Q4149746 Português
Para responder à questão, leia o poema da escritora portuguesa Florbela Espanca, publicado originalmente em 1919.



            Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...


(Florbela Espanca. Poemas, 1996.)
O núcleo do sujeito do verbo “deleita” (2a estrofe) é 
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Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2023 - FCM/SANTA CASA - Vestibular - Medicina |
Q4149741 Português
Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


   Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

    O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

     Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

    Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

    Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

(Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
Para evitar a sua repetição, garantindo assim uma maior coesão textual, verifica-se no primeiro parágrafo da crônica a omissão do substantivo
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Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2023 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4144307 Português
Leia a narrativa “O protetor”, de Millôr Fernandes, para responder à questão.

        O homem vinha guiando o carro a 120 km/h quando o pneu furou. O carro deu três voltas sobre si mesmo, foi atirado pelos ares, bateu num galho de árvore e, quando ia se esborrachando no chão, alguém o segurou sem que ele pu desse ver quem. Ele ficou um pouco tonto e foi aí que ouviu a voz misteriosa que lhe disse: “Não se estás morto, não! Estás vivo! Eu continuo aqui para proteger-te. Sou teu anjo da guarda. Quando tiveste aquele ataque de coqueluche, aos seis meses de idade, eu estava lá para te salvar. Quando ficaste na frente do trem, aos seis anos, eu estava lá para te ajudar. Quando foste para a guerra na Itália, quando saltaste de paraquedas na Coreia, quando ias te afogando em Copa cabana, sempre fui eu quem te ajudou.”

        “Está bem, está bem, muito obrigado”, disse então o homem agradecido. “Mas onde diabos estava você quando eu me casei?”

(Millôr Fernandes. Contos fabulosos, 2007.)
“a voz misteriosa [...] lhe disse: [...] ‘Eu continuo aqui para proteger-te.’” (1° parágrafo) Ao ser transposto para o discurso indireto, o trecho assume a seguinte redação:
Alternativas
Ano: 2023 Banca: NC-UFPR Órgão: UFPR Prova: NC-UFPR - 2023 - UFPR - Prova de Conhecimentos Gerais |
Q3264137 Português
Talvez estejamos muito condicionados a uma ideia de ser humano e a um tipo de existência. Se a gente desestabilizar esse padrão, talvez nossa mente sofra uma espécie de ruptura, como se caíssemos num abismo. Quem disse que a gente não pode cair? Quem disse que a gente já não caiu? Houve um tempo em que o planeta que chamamos Terra juntava os continentes todos numa grande Pangeia. Se olhássemos lá de cima do céu, tiraríamos uma fotografia completamente diferente do globo. Quem sabe se, quando o astronauta Iúri Gagarin disse “a Terra é azul”, ele não fez um retrato ideal daquele momento para essa humanidade que nós pensamos ser. Ele olhou com o nosso olho, viu o que a gente queria ver. Existe muita coisa que se aproxima mais daquilo que pretendemos ver do que se podia constatar se juntássemos as duas imagens: a que você pensa e a que você tem. Se já houve outras configurações da Terra, inclusive sem a gente aqui, por que é que nos apegamos tanto a esse retrato com a gente aqui? O Antropoceno tem um sentido incisivo sobre a nossa existência, a nossa experiência comum, a ideia do que é humano. O nosso apego a uma ideia fixa de paisagem da Terra e de humanidade é a marca mais profunda do Antropoceno.


KRENAK, Ailton. Ideias para Adiar o Fim do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. p. 57-58.



Antropoceno: considerado uma nova época geológica em que, pela primeira vez na história do planeta, as mudanças ambientais são resultado da intervenção humana. 
Considerando o período “Se a gente desestabilizar esse padrão, talvez nossa mente sofra uma espécie de ruptura, como se caíssemos num abismo” (sublinhado no texto), assinale a alternativa que indica, respectivamente, as relações lógico-sintáticas aí expressas. 
Alternativas
Ano: 2023 Banca: UFGD Órgão: UFGD Prova: UFGD - 2023 - UFGD - Vestibular - Ingresso em 2024 |
Q3249057 Português
TEXTO I
Entre a espada e a rosa
Qual é a hora de casar, senão aquela em que o coração diz “quero”? A hora que o pai escolhe. Isso descobriu a Princesa na tarde em que o Rei mandou chamá-la e, sem rodeios, lhe disse que, tendo decidido fazer aliança com o povo das fronteiras do Norte, prometera dá-la em casamento ao seu chefe. Se era velho e feio, que importância tinha frente aos soldados que traria para o reino, às ovelhas que poria nos pastos e às moedas que despejaria nos cofres? Estivesse pronta, pois breve o noivo viria buscá-la. De volta ao quarto, a Princesa chorou mais lágrimas do que acreditava ter para chorar. Embotada na cama, aos soluços, implorou ao seu corpo, à sua mente, que lhe fizesse achar uma solução para escapar da decisão do pai. Afinal, esgotada, adormeceu [...].
COLASANTI, Marina. Entre a espada e a rosa. In: Mais de 100 histórias maravilhosas. São Paulo: Global, 2015 (fragmento).

TEXTO II Estrutura de uma narrativa

Em termos de estrutura, o conflito, via de regra, determina as partes do enredo:
1. Exposição: (ou introdução ou apresentação) coincide geralmente com o começo da história, no qual são apresentados os fatos iniciais, os personagens, às vezes o tempo e o espaço. Enfim, é a parte na qual se situa o leitor diante da história que irá ler.
2. Complicação: (ou desenvolvimento) é a parte do enredo na qual se desenvolve o conflito (ou os conflitos) – na verdade pode haver mais de um conflito numa narrativa.
3. Clímax: é o momento culminante da história, isto quer dizer que é o momento de maior tensão, no qual o conflito chega a seu ponto máximo. O clímax é o ponto de referência para as outras partes do enredo, que existem em função dele.
4. Desfecho: (desenlace ou conclusão) é a solução dos conflitos, boa ou má, vale dizer configurando-se num final feliz ou não. Há muitos tipos de desfecho: surpreendente, feliz, trágico, cômico etc.
GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. São Paulo: Editora Ática, 2006.

Com base nas informações contidas nos textos de apoio, assinale a alternativa que contempla uma análise coerente sobre a estrutura narrativa do conto Entre a espada e a rosa, da escritora Marina Colasanti.
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2022 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q4142159 Português
Um dos problemas mais comuns na estruturação de uma frase é a possibilidade de ambiguidade, ou seja, a possibilidade de duplo entendimento em algum de seus termos. Assinale a frase em que ocorre uma possível ambiguidade.
Alternativas
Q2093148 Português
De volta pra casa: decolonização na paleontologia (CONT.)

   O que pode ser considerado o maior avanço dos últimos anos em relação à situação dos fósseis irregulares ocorreu após a descrição de um novo dinossauro procedente da bacia do Araripe, que havia recebido o nome de Ubirajara. Devido a questões éticas e legais, a revista Cretaceous Research, onde a nova espécie havia sido descrita por pesquisadores estrangeiros, retirou o trabalho de publicação, depois de uma análise criteriosa. Contribuiu para essa atitude da revista a enorme pressão de paleontólogos brasileiros e do público em geral, a partir das redes sociais (#UbirajarabelongstoBrazil), e a ação firme da Sociedade Brasileira de Paleontologia.

  Esse fato, até então inédito, fez com que diversas revistas científicas passassem a se preocupar com os aspectos legais dos fósseis brasileiros antes de aprovarem publicações sobre eles. O mesmo ocorreu com pesquisadores do exterior, que passaram a se preocupar com sua própria reputação.

   Após o caso do Ubirajara, dois novos episódios de repatriação acabaram ocorrendo, ambos com material da bacia do Araripe. O primeiro foi o da aranha Cretapalpus vittari, descrita em homenagem à cantora Pablo Vittar. Os pesquisadores envolvidos na descrição, quando alertados, não apenas devolveram o fóssil, como também 35 outros exemplares que estavam em uma instituição nos Estados Unidos. O segundo episódio envolveu um crânio do pterossauro Tupandactylus imperator, cuja descrição foi apenas aceita por uma revista após a devolução do exemplar ao Brasil. Iniciativas como essas enchem de esperança os que estão no front da luta para que peças importantes sejam devolvidas ao país.

  Para certos pesquisadores, os fósseis devem ser considerados bens minerais e, dessa forma, poderiam ser minerados e comercializados. Há também alguns poucos que defendem que fósseis que estejam fora do país, mesmo que ’exportados’ ilegalmente, contribuem para a divulgação de sua região de origem, podendo gerar alguma vantagem econômica, como fomento do turismo local. Há ainda aqueles que defendem a inclusão obrigatória de pesquisadores brasileiros nos estudos de fósseis do Brasil depositados no exterior. Essa, no entanto, é uma ideia para lá de controversa, pois coloca as parcerias científicas como moeda de troca para ’regularizar’ fósseis. A meu ver, tais posições são equivocadas e caminham na contramão das iniciativas para a recuperação de material importante fora do país. Felizmente, não representam a maioria dos paleontólogos brasileiros.

    Apesar das grandes dificuldades pelas quais passa a ciência brasileira, fato é que, ao longo de décadas, o Brasil tem investido na formação de recursos humanos para a pesquisa paleontológica, com inúmeras bolsas de pós-graduação, recursos para projetos e abertura de vagas em centros de pesquisa, particularmente nas universidades federais. Claro que ainda há muito por fazer, sobretudo em termos de obtenção de investimentos expressivos para atividades de campo, como coleta e preparação de novos exemplares. Mas a realidade é que o país reúne diversas instituições com possibilidade não apenas de abrigar exemplares, como também - e sobretudo - de desenvolver pesquisa científica relevante.

   Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Paleontologia deveria ser mais proativa, sobretudo esclarecendo a situação ilegal dos fósseis depositados fora do país e promovendo campanhas de conscientização junto à comunidade internacional.

(Texto de Alexander W. A. Kellner, disponível em https://cienciahoje.org.br/artigo/de-volta-pra-casa-decolonizacao-napaleontologia/. Adaptado.) 
(URCA/2022.2) Na sentença "O que pode ser considerado o maior avanço dos últimos anos em relação à situação dos fósseis irregulares ocorreu após a descrição de um novo dinossauro procedente da bacia do Araripe, que havia recebido o nome de Ubirajara.", é correto constatar a existência de: 
Alternativas
Q2064960 Português
Texto 1
OAB
NOTA DE REPÚDIO

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Disponível em https:oabce.org.br. Acesso em: 6 de out.de 2022
(adaptado).
No trecho: “As agressões não se coadunam com os ideais de solidariedade, serenidade, civilidade e bom senso que deveriam orientar a sociedade para a construção de um país fraterno, justo e inclusivo” (linhas 21-24), a relação estabelecida pelo elemento destacado ao conectar as orações é de
Alternativas
Respostas
1: A
2: D
3: B
4: A
5: C
6: B
7: C
8: B
9: A
10: A
11: A
12: B
13: E
14: B
15: B
16: A
17: D
18: C
19: A
20: C