Questões de Vestibular
Sobre vanguardas europeias em literatura
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Analise o quadro abaixo e, logo em seguida, leia o poema Ode Triunfal, para responder à questão.

BOCCIONI, Umberto. A rua entra na casa. 1911. Óleo sobre tela, 100 X 107 cm.
Ode triunfal
À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical —
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força —
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes elétricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.
Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!
A partir do início do século XX, na França, alguns artistas vão subverter a concepção que se tinha da pintura. Em vez de simplesmente representar o que era visto, eles decidem representar aquilo que não podia ser visto. Os rostos de perfil têm dois olhos, a natureza se decompõe em formas geométricas... a realidade se revela em todas as suas facetas, como um cubo achatado.
(Christian Demilly. Arte em movimentos e outras correntes do século XX, 2016. Adaptado.)
Uma obra representativa da estética à qual o texto se refere está reproduzida em:
Considere o texto abaixo.
De um modo geral, todos esses movimentos da vanguarda europeia de fins do século XIX e início do século XX estavam sob o signo da desorganização do universo artístico de sua época. A diferença é que uns, como o futurismo e o dadaísmo, queriam a destruição do passado e a negação total dos valores estéticos presentes; e outros, como o expressionismo e o cubismo, viam na destruição a possibilidade de construção de uma nova ordem superior. No fundo eram, portanto, tendências também organizadoras de uma nova estrutura política e social.
(TELES, Gilberto Mendonça, Vanguarda europeia e modernismo brasileiro. Rio de Janeiro: Vozes, 1972, p. 10)
Essa nova sensibilidade artística, apesar de heterogênea, pode ser resumida através da atenção à forma e ao tema, assim como ao processo. A forma inclui cores saturadas, formas simples, contornos relativamente nítidos e supressão do espaço profundo. O tema deriva de fontes preexistentes e manufaturadas para consumo de massa.
(David McCarthy. Movimentos da arte moderna, 2002. Adaptado.)
O comentário do historiador David McCarthy aplica-se à obra reproduzida em:
O mundo dessa pintura, como o dos sonhos, é ao mesmo tempo familiar e desconhecido: familiar, em razão do estilo minuciosamente realista, que permite ao espectador o reconhecimento de uma figura ou de um objeto pintados; desconhecido, por causa da estranheza dos contextos em que eles aparecem, como num sonho.
(Fiona Bradley. Surrealismo, 2001. Adaptado.)
O comentário da historiadora de arte aplica-se à pintura reproduzida em:


Com base na análise dos recursos da linguagem poética empregados pelos dois autores mencionados no texto, conclui-se que ambos fazem parte da vanguarda que promoveu a Semana de Arte Moderna.
Clara passeava no jardim com as crianças. O céu era verde sobre o gramado, a água era dourada sob as pontes, outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados, o guarda-civil sorria, passavam bicicletas, a menina pisou a relva para pegar um pássaro, o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranquilo em redor de Clara. As crianças olhavam para o céu: não era proibido. A boca, o nariz, os olhos estavam abertos.Não havia perigo. Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos. Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas, esperava cartas que custavam a chegar, nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela manhã!!! Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!!
I. A peça em questão está dividida em três atos. Esta peça marca o início da segunda fase do teatro de Dias Gomes e a consagração deste autor como um dos mais destacados dramaturgos contemporâneos do Brasil.
II. O personagem Zé-do-Burro e sua mulher, Rosa, vivem em uma pequena propriedade a 42 quilômetros de Fortaleza. Um dia, o burro de estimação de Zé é atingido por um galho de árvore (raio), Zé então vai a um terreiro de candomblé, e lá faz uma promessa a Santa Sara para que o animal se salve.
III. A via crucis de Zé-do-Burro torna-se mais penosa ao perceber que sua mulher seduz-se pela “cantada" do cafetão Bonitão e ao se deparar com a extrema resistência de padre Olavo, que proíbe a entrada de Zé carregando a cruz na igreja, pois fizera a promessa em um terreiro de candomblé.
IV. De forma velada a peça mostra a incapacidade de algumas autoridades representantes do Estado – por exemplo, a polícia – lidar com ações multiculturais, transformando um acontecimento de diferença cultural em uma ocorrência policial.
V. A obra traz à tona uma problemática social, desvelando a linha de separação entre um Brasil urbano, representado pela polícia, imprensa, igreja, e um Brasil rural, representado por Zé-do- Burro, sua origem, seu jeito simples e sua cultura.
Assinale a alternativa correta.
Leia o poema transcrito abaixo.
146- VERBO CRACKAR
Eu empobreço de repente
Tu enriqueces por minha causa
Ele azula para o sertão
Nós entramos em concordata
Vós protestais por preferência
Eles escafedem a massa
Sê pirata
Sede trouxas
Abrindo o pala
Pessoal sarado
Oxalá que eu estivesse sabido que esse verbo era irregular.
ANDRADE, Oswald. Memórias sentimentais de João Miramar.
Assinale a alternativa correta.
