Questões de Vestibular
Comentadas sobre modernismo em literatura
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Instrução: A questão refere-se a obra Bagagem, de Adélia Prado.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sabre poemas da obra.
( ) "Com licença poética" apresenta intertextualidade com a obra de Carlos Drummond de Andrade.
( ) "Sedução" trata do homem amado, prometido para o casamento.
( ) "Antes do nome" caracteriza-se como reflexão sobre o fazer poético.
( ) "Pascoa" caracteriza a velhice.
A sequencia correta de preenchimento dos
parênteses, de cima para baixo, e
Leia as seguintes afirmações sobre o poema "Ensinamento".
I - O sujeito Iírico mostra que o sentimento e revelado pelas ações das pessoas. II - A cena recuperada mostra o gesto de amor da mãe para com o pai. III- O ensinamento do poema e que o amor e mais importante do que a instrução.
Quais estão corretas?
O esforço do escritor atual e inverso. Ele deseja apagar as distancias sociais, identificando-se com a matéria popular. Por isso usa a primeira pessoa como recurso para confundir autor e personagem, adotando uma espécie de discurso direto permanente e desconvencionalizado, que permite fusão maior que a do indireto livre. Esta abdicação estilística e um traço da maior importância na atual ficção brasileira. [ ... ] Este animo de experimentar e renovar talvez enfraqueça a ambição criadora, porque se concentra no pequeno fazer de cada texto. Daí o abandono dos grandes projetos de antanho. [ ... ] O ímpeto narrativo se atomiza e a unidade ideal acaba sendo o canto, a crônica, o sketch, que permitem manter a tensão difícil da violência, do insólito ou da visão fulgurante.
Considere as seguintes afirmações.
I - O autor procura justificar a tendência crescente de romances brasileiros narrados em primeira pessoa, que se verifica ate hoje. II - Os "grandes projetos" podem ser exemplificados em obras como o Cicio da cana-de-açúcar, de Jose Lins do Rego, como os Romances da Bahia, de Jorge Amado, como O tempo e o vento, de Erico Verissimo. III- O autor procura justificar a emergência de narrativas curtas no Brasil, coma o canto e a crônica.
Quais estão corretas?
Instrução: A questão refere-se a obra As meninas, de Lygia Fagundes Telles.
Leia o fragmento a seguir da obra, em que a personagem Lia conversa com o motorista de Lorena.
- A filha também lhe da alegria? Ele demora na resposta. Vejo sua boca entortar. - Essa moda que vocês tem, essa de liberdade. Cismou de andar solta demais e não topo isso. Agora inventou de estudar de novo. Entrou num curso de madureza.
- E isso não e bom? - S6 sei que antes de fechar os olhos quero ver a garota casada, e s6 o que peço a Deus. Ver ela casada.
- Garantida, o senhor quer dizer. Mas ela pode estudar, ter uma profissão e casar também, não e mais garantido assim? Se casar errado, fica desempregada. Mais velha, com filhos, entende [ ... ].
- A Loreninha também fala assim mas vocês são de família rica, podem ter esses luxos. Minha filha e moça pobre e lugar de moça pobre e em casa, com o marido, com os filhos. Estudar s6 serve pra atrapalhar a cabeça dela quando estiver lavando roupa no tanque.
Considere as afirmac;6es abaixo, a respeito da situação da mulher, tema ilustrado no fragmento acima e presente em outros momentos do romance.
I - 0 discurso do motorista e exemplo de postura patriarcalista, que desaprova a liberdade da mulher, especialmente se ela for de classe baixa, pois a maior aspiração que ela pode ter na vida e o casamento.
II - A sexualidade feminina não e tema tratado no romance, aparecendo apenas de modo difuso, a fim de escapar da censura vigente a época de sua publicação, em 1973.
III- As ideias de Lia mostram sua postura libertaria em relação ao papel da mulher na sociedade, contrariando as vis6es estereotipadas que a reduzem a um ser passivo e dependente dos homens.
Quais estao corretas?
No bloco superior abaixo, estão listadas personagens do romance; no inferior, características dessas personagens.
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1. Lorena Vaz Leme 2. Lia de Melo Shultz 3. Ana Clara Conceição
( ) E modelo, viciada em drogas, e divide-se entre o noivo rico e o amante traficante. ( ) Envolve-se na militância política contra a ditadura e presencia a prisão de seu namorado. ( ) E culta, vive trancada em seu quarto-concha, possui um passado trágico, relacionado a morte do irmão e a loucura do pai. ( ) E filha de mãe baiana, vai para São Paulo estudar Ciências Sociais, fugindo do passado sombrio do pai, um ex-militar nazista.
A sequencia correta, de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, e
E uma cova grande pra tua carne pouca Mas a terra dada, não se abre a boca É a conta menor que tiraste em vida É a parte que te cabe deste latifúndio É a terra que querias ver dividida Estarás mais ancho que estavas no mundo Mas a terra dada, não se abre a boca
Considere as afirmações abaixo, sobre o fragmento.
I - O tema da reforma agraria, recuperado por Chico Buarque de Holanda, também esta presente no Auto de Joao Cabral de Melo Neto. II - A magreza do lavrador faz a cova parecer um latifúndio. III- A morte, para o lavrador pobre, parece ser mais vantajosa do que a miséria em vida.
Quais estao corretas?
Instrução: A questão refere-se à obra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus.
Leia os fragmentos abaixo.
Quando eu fui catar papel encontrei um preto. Estava rasgado e sujo que dava pena. Nos seus trajes rôtos êle podia representar-se como diretor do sindicato dos miseráveis.
2 de maio de 1958 [ ... ] Passei o dia catando papel. A noite meus pés doíam tanto que eu não podia andar.
14 de junho ... Esta chovendo. Eu não posso ir catar papel. O dia que chove eu sou mendiga.
3 de maio ... Fui na feira da Rua. Carlos de Campos, catar qualquer coisa.
Depois fui catar lenha. Parece que vim ao mundo predestinada a catar. Só não cato a felicidade.
Considere as seguintes afirmac;6es sabre a ac;ao de "catar".
I - Relaciona-se ao título da obra, uma vez que Quarto de despejo serve de metáfora a situação da própria personagem, que vive na favela como um objeto descartado.
II - Associa-se a atividade da escritora, que recolhe da experiência de viver do lixo a própria matéria para a sua criação literária.
III- Refere-se a descoberta dos diários de Carolina pelo jornalista Audálio Dantas, graças ao qual ela se torna uma escritora de grande sucesso editorial, condição que lhe garante sustentabilidade financeira e saída definitiva da miséria.
Quais estão corretas?
Um tema em Quarto de despejo e encontrado também no poema "O bicho", de Manuel Bandeira, transcrito a seguir.
O bicho
Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade.
o bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Assinale a alternativa que identifica esse tema recorrente nas duas obras.
Instrução: A questão refere-se a obra São Bernardo, de Graciliano Ramos.
Considere as afirmações abaixo, sabre o romance.
I - A obra esta integrada a Geração de 30, momenta do Modernismo brasileiro voltado sobretudo para a representação das contradições entre o processo de modernização e o atraso das estruturas patriarcais da sociedade brasileira.
II - As tensões psicol6gicas do narrador e personagem Paulo Hon6rio conferem uma carga intimista que enfraquece as pressões da natureza e do meio social sabre as ações do romance.
III - As tensões psicológicas e a problematização do processo de escrita caracterizam a obra, que, assim, ultrapassa os limites do regionalismo, afeito ao descritivismo da paisagem local.
Quais estão corretas?
Assinale a alternativa correta a respeito do romance.
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1. Barraco 2. Romantismo 3. Modernismo
( ) Utiliza manifestos coma grande meio de divulgação das intenções estéticas e ideol6gicas. ( ) Caracteriza-se como retorno a uma intensa religiosidade. ( ) Procura configurar os dilemas e as contradições do ser humano. ( ) Busca a identidade nacional coma temática, mantendo a forma conforme o padrão europeu.
A sequencia correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, e
I - A personagem Bertoleza, de O cortiço, representa um entrave as ambições de Joao Romão de ascender socialmente, razão pela qual ele planeja devolve-la ao seu antigo senhor, na condição de escrava que era. II - Euclides da Cunha narra, em "A luta", terceira parte de Os sertões, as formas de organização e as estratégias de combate dos sertanejos, liderados por Antonio Conselheiro, que derrotam o Exercito Republicano. III- O personagem Ricardo Coração dos Outros, em Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, e um musico popular, que goza da estima da mais alta sociedade carioca, por ser a expressão característica da alma nacional.
Quais estão corretas?
Legado
Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
minha incerta medalha, e a meu nome se ri.
E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.
Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.
De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia em meio do caminho.
Disponível em:<https://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13225.pdf> . Acesso em: 20 ago. 2019.
Considerando-se a obra Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, no contexto histórico em que foi escrita, e o poema Legado, marque com V as afirmativas verdadeiras e com F, as demais.
( ) A obra Claro Enigma foi publicada durante o período da Guerra Fria, e alguns dos seus poemas fazem questionamentos sobre o futuro em tom pessimista.
( ) O poema Legado exemplifica uma fonte de inspiração comum aos poemas da obra Claro Enigma: foi inspirado pelas incertezas e angústias da época em que foram escritos.
( ) No poema Legado, pode-se constatar o tom melancólico do poeta.
( ) No poema Legado, fica claro que o sujeito poético passa de um estado contemplativo e melancólico para outro de renovação e de descoberta.
( ) No poema Legado, assim como na obra como um todo (Claro Enigma), o sujeito poético esboça um projeto de vida voltado para a superação da amargura e do sofrimento que o acompanharam durante toda a sua existência.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para
baixo, é a
Horácio não gostava de ser contestado, mas compreendeu não era bom tema de conversa. Voltou à literatura, aconselhando os outros a lerem Drummond de Andrade, na sua opinião o melhor poeta de língua portuguesa de sempre. Qual Camões, qual Pessoa, Drummond é que era, tudo estava nele, até a situação de Angola se podia inferir na sua poesia. Por isso vos digo, os portugueses passam a vida a querer-nos impingir a sua poesia, temos de a estudar na escola, e escondem-nos os brasileiros, nossos irmãos, poetas e prosadores sublimes, relatando os nossos problemas e numa linguagem bem mais próxima da que falamos nas cidades. Quem não leu Drummond é um analfabeto. Os outros iam comendo, trocando de vez em quando olhares cúmplices. Até que Malongo e Vítor terminaram a refeição. Malongo despediu-se, levantando-se, um analfabeto vos saúda. Vítor e Furtado riram, Horácio fingiu que não ouviu. Agarrou no braço de Furtado e continuou a cultivá-lo com versos de Drummond e os seus próprios, dedicados ao grande brasileiro.
Fonte: PEPETELA. A geração da utopia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: 2000, p. 30-31 (fragmento).
No fragmento do romance do escritor angolano Pepetela, Horácio aconselha seus amigos Malongo, Vítor e Furtado a lerem o poeta Drummond de Andrade.
Analise as afirmativas a seguir.
I. A poesia de Drummond é melhor que a de Camões e de Pessoa.
II. Há uma aproximação entre a literatura de Drummond e a realidade angolana.
III. Nas escolas portuguesas se estuda a poesia de Drummond.
IV. A poesia de Drummond está sendo usada para alfabetizar nas escolas angolanas.
V. As obras dos literatos brasileiros possuem uma linguagem próxima a dos angolanos nas cidades.
Assinale a alternativa CORRETA.
Leia o trecho do poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira.
O sapo-tanoeiro
[...]
Diz: — “Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A formas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia
Mas há artes poéticas...”
(Estrela da vida inteira, 1993.)
Analise o fragmento de um poema, transcrito abaixo.
Procura da poesia
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
[...]
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
Tem mil faces secretas sob a face neutra
E te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou
terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
(Carlos Drummond de Andrade).
O ‘como fazer poesia’ constitui também um tema sobre
o qual se debruçaram e se debruçam os autores. Cada
poeta é cativo dos cânones de sua escola literária; uns
mais, outros menos. No poema mostrado acima,
Drummond:
Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente, protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor [...] Estou farto do lirismo namorador Político, Raquítico, Sifilítico. (Manuel Bandeira)
Este poema de Manuel Bandeira pode ser entendido como: 1) aversão declarada aos cânones aceitos por escolas literárias que privilegiavam a perfeição da ‘forma poética’. 2) manifestação dos novos ideais literários propostos pelas vanguardas do Modernismo brasileiro. 3) expressão da reiterada aspiração de que voltassem os modelos poéticos defendidos pela produção da ‘Arte pela Arte’. 4) demarcação da função estética do fazer poético, a qual se furta a se ajustar aos limites puristas impostos pelas normas linguísticas. 5) anuência ao imaginário das escolas do Romantismo que enalteciam as expressões do lirismo e do envolvimento amoroso.
Estão corretas